Texto sobre Ninguem e Importante
O Eco da Solidão.
"Aprendi o que é o amor, aprendi sobre ele e, então, conheci a solidão. Carrego o peso de tantas frustrações e a inquietude de uma alma que se cala por sentir demais e não saber como demonstrar. Nem sempre foi assim, mas agora, a cada passo, a solidão se faz presente. Apesar das contradições evidentes, entrego-me à melancolia dos meus dias; uma dualidade paradoxal, vivida em um sentir que, muitas vezes, parece não ter sentido."
A Inércia do Forçado
A insistência sobre outra pessoa, quando se torna chata, pode provocar a sua inércia; pois a atitude que tanto se espera não vai acontecer de uma maneira forçada — talvez nem aconteça.
E, se houver alguma recompensa depois de muito esperar, de tanto insistir, ainda que a demora seja longa, virá na hora certa. Não adianta forçar a barra; obviamente, não compensa
Entretanto, felizmente, a espera dessa ocorrência não é obrigatória. É preciso analisar se realmente vale a pena insistir cobrando algo que não se cobra, esperando um sim imediato, exatamente agora.
Existem almas como o amanhecer,
que trazem o sol sem pedir licença.
Não é sobre o que você faz,
mas sobre a paz da sua presença.
Admiro o silêncio da sua integridade,
essa alma que é porto e é prumo.
Sua ética é o que traz a verdade,
sua bondade é o que dá o rumo.
Há uma beleza que o tempo não gasta:
a luz que vem de quem é de verdade.
Para iluminar o mundo, você basta,
pelo simples dom da sua raridade.
Não é sobre o traço, a cor ou o olhar,
É sobre a luz que você insiste em emanar.
Sua beleza caminha, mas não se limita ao chão,
Ela mora no jeito que você estende a mão.
O mundo repara no que o tempo consome,
Mas eu vejo em você o que não tem nome.
Uma calma no gesto, uma força que ensina,
A alma de mestre no brilho de menina.
Suas virtudes são versos que Deus escreveu,
No mapa de um coração que se assemelha ao d'Ele.
Pois mais do que o rosto que o espelho revela,
É a pureza da alma que te faz ser tão bela.
Sobre as flores
Quando morrer
Não se preocupe
Vão cuidar bem de você
Vão te vestir
Arrumar seus cabelos
Arrumar tempo
Cancelar compromissos
Mover-se para se despedirem
Irão chorar por você
Irão estar com você
Irão lembrar de você
Irão te elogiar
Mas por favor
Não espere isso enquanto estiver vivo
Refletindo sobre a vida
Acredito que com o passar do tempo, a experiência de vida me fez compreender o medo de amar que algumas pessoas desenvolvem no decorrer de suas vivências afetivas.
Idas e vindas da vida! Inícios e términos de relacionamentos, tudo isso é muito doloroso e cansativo! Afinal, não é fácil construir, desconstruir e reconstruir sonhos, planos, sentimentos e memórias.
Ignorar ou tentar apagar pessoas que foram, são e sempre serão partes essenciais de nossas histórias faz pouco sentido, mesmo que o emocional, as vezes, te prive desta compreensão, você é o resultado da soma de todas as suas experiências vivenciais.
O passado é uma boa ferramenta, uma espécie de bússola que nos mostra, não pra não pra onde ir, mas sim de onde viemos. As vezes entender isso já ajuda a resolver muita coisa!
Seria muito bom, se as mudanças de fase de nossas vidas não doecem, mas crescer dói, mudar dói, sair da zona de conforto é doloroso! Por ser assim, quando compreendemos o processo é que nós nos moldamos e conquistamos as melhores versões de nós mesmos.
Aprendemos a nos colocarmos no lugar do outro, a perdoar o outro, a perdoar a nós mesmos e usar tudo isso em favor dos nossos passos seguintes.
Não julgo o medo que algumas pessoas desenvolvem, mas tudo nessa vida é questão de escolha! Posso me tornar uma vítima do medo ou o herói da minha própria história, permitindo a mim mesmo assimilar tudo que foi vivido como experiência.
Todo mundo deseja ser feliz! Sem exceção. Mas pra isso, é preciso organizar a bagunça que a falta de auto conhecimento deixa na mente e principalmente no coração.
Viver em paz consigo mesmo requer um ato de perdão interminável! Afinal erros e acertos são comuns na jornada. O que se faz a partir da compreensão disso é que faz toda a diferença.
O orgulho não pode fazer parte do repertório emocional de alguém que deseja ser feliz! O orgulho engana as pessoas e faz com que elas se sintam ridículas ou inferiores por admitir ou expressar o que nunca deveria deixar de ser dito por nós: "Sinto muito. Me perdoe. Te amo. Sou grato”.
Essas 4 frases são a base do Ho’oponopono, uma filosofia Havaiana muito poderosa. Recomendo a todos o uso diário.
Espero que de coração que você assuma o comando de sua vida e seja muito feliz com o mundo e as pessoas a sua volta. Quando tudo está organizado por dentro, as bagunças do lado de fora serão bem mais fáceis pra você!
Sinto muito se a leitura não foi o que você esperava!
Me perdoe, estou em processo de constante aprendizagem!
Te amo e por isso desejo que tu sejas muito feliz!
Sou grato pela sua atenção e companhia até o fim deste relato.
DISCURSO SOBRE AS AMENIDADES DA VIDA
Repensar a vida é fazer escolhas entre razão e emoção!
Vivemos neste dualismo de consequências de erros e acertos.
As escolhas nos colocam, de certo modo, em momentos da vida, em standby!
Pensar é um exercício da mente humana, mesmo que ela insista em não enxergar seus contrapontos.
O delinear do caminho nos mostra imensas diversidades ou adversidades. Há um mundo com imensas possibilidades, e as probabilidades, nós quem as tornamos exatas.
O corpo e a mente, usamos como ferramentas no dia a dia, e com elas nos mostramos ao mundo. Podemos fazer destas ferramentas bom uso ou não; cabe às escolhas que iremos fazer!
A vida é um jogo de perde e ganha. Os dados são lançados todos os dias, e a "sorte" se mostra nas oportunidades de quem as fez, durante o caminho!
O impacto das coisas que transitam ao nosso derredor nos afirma, no fim de algumas observações, que o projeto de vida precisa ser meticulosamente articulado, pois nada do que se projeta é 100% certo de acerto!
Vivemos em um mundo transitório e mutável. Ontem era aquilo, hoje já é isto...
Largar mão da vida, e entregar este projeto a terceiros, é se ausentar das responsabilidades impostas, adquiridas ou feitas.
O que as pessoas veem em nós não é realmente o que pensam que veem. Então, afinal de contas, o porquê das observações do texto?
Será melindre? Pensamento retórico? Ou estupidez?
Rousseau defendia que os homens nascem bons, mas, em contato com a sociedade que é má, tornam-se igualmente maus.
Hobbes defendeu que o homem nasce mau, com instintos de sobrevivência, e que, devido a tais instintos, é capaz de fazer qualquer coisa. Para Hobbes, a sociedade tem o papel de educá-lo, de humanizá-lo, de torná-lo sociável.
Diante de tais perspectivas, fico com um pé quase que fincado na ideia de que nascemos como papel em branco e a sociedade nos influencia, impondo suas regras, tradições e manejos, para nos moldar do jeito que ela quer! Há os que tentam ir contra, mas moralismo, ética e tendências não partem de um indivíduo, e sim da sociedade, que com o passar dos séculos, sempre muda seu comportamento!
Como diria Jean Paul-Sartre: "O inferno são os outros."
POEMA INEVITÁVEL
Eu queria falar sobre deus, sexo, política, amor e trivialidades; mas me colocaram uma carapuça, e fui treinado a ser um personagem.
Depois, quis me tornar poeta, músico, filósofo e até ator. Porém, descobri que, desses, eu já tinha me tornado ator, não por opção, mas por imposição das situações, e sufoquei os outros personagens.
Eu quis me tornar um humanista, um sociólogo, talvez antropólogo, filólogo e até defensor de causas perdidas ou ganhas. Acontece que meu personagem não discute muito com minha dignidade: meu lado ator sempre vence quando a conveniência grita mais alto!
Enfim, decidi partir para as trivialidades da vida, já que não me restavam muitas escolhas. Eu tentei ser muitos, e acabei não sendo eu. Então, fiz da vida minha luta, minha sobrevivência, minha causa (também por imposição). Ergueri um castelo de sofismas, e o meu estandarte foi tremular pequenas ideias que não eram minhas. Lutei bravamente para anunciar, dentro de mim, um poema inevitável, confrontando meu personagem que, por conveniência, acabou sufocando o eu iludido que achava que era eu!!!
#israelsoler
A CALIGRAFIA DO ESQUECIMENTO
Sobre nós, nem mesmo a minha sombra que rasteja no chão sabe os versos que contávamos para o silêncio; e nem mesmo os lugares que guardamos na memória carregam lembranças sobre nós.
Um dia fomos presença em nosso pequeno instante, e fomos o próprio presente do instante. E, mesmo que eterno, o tempo leva tudo ao esquecimento.
Somos dois abismos no profundo de nossas memórias, memórias perdidas entre o real e as imaginações. Se um dia fui o herói nas tuas lendas ou o vilão na sombra das tuas lembranças, tudo o que posso esperar é a ausência de nunca saber.
Sou a sobreposição da verdade que jamais compartilharemos. Em nossos pensamentos, os versos que contávamos se vão em direção ao esquecimento — a caligrafia apagando o que um dia fomos.
Então, o último conto, um eco que retorna ao silêncio; e assim, restando em nós apenas a lenda, a verdade que jamais saberemos um do outro.
AQUELE QUE CAMINHA ENTRE OS MUNDOS
Caminho sobre a escuridão da alma e sobre o terror da humanidade; nem mesmo meus pés tocam a terra corrompida, onde o homem governa pela crueldade.
Sou o espírito consagrado, o primeiro verbo que acendeu a luz do mundo. Sou o iniciado das Eras, quando o mundo ainda era o primeiro som.
Sou a própria existência e aquilo que ainda não existiu. Sou o segredo do homem iniciado no mistério do Caos, que sobrevive à sua própria imperfeição.
O presente que o faz ser luz para o mundo e o propósito que os mestres conhecem e servem; o propósito que define a raça dos homens. Onde sou, não há portas e nem chão que nenhum mal consiga alcançar.
SOBRE MIM:
By: Harley Kernner
Sou, o criador do meu próprio pseudônimo, "Harley Kernner", um arquiteto de poesia, sóbrio dos seus próprios sentimentos, esculpo palavras nas pedras duras da solidão, com a maestria de quem constrói um universo de poesias decorando sonhos futuros. E assim sinto-me alicerçado em cada linhas, e versos, que se transforma em colunas que sustenta o peso das minhas emoções, fazendo-me um escrito particular, mergulhado nas fundações da alma, onde a arquitetura das palavras se torna morada para o meu coração sensível, a amar.
Aos meus quais centenários, ainda compartilho um amor voluntário, uma escolha da simplicidade de minha alma, que durante todos esses anos, enamoro, meu próprio coração, o qual às vezes senti-se sozinho, num ambiente cheio de corações femininos, e encantadores, onde os aditivos químicos naturais ou artificiais, não encanta o meu espírito de amar, mas ainda assim meus olhos desenham uma história de amor, com ausências de palavras não ditas, mas sentidas.
Em cada canto do meu olhar, vejo páginas em brancos, esperando ser preenchida, por uma inspiração de amor e vida, onde cada linhas sejam ocupadas por simples revelação de um leigo poeta, que desenha com humildes versos, como raios de sol atravessando a névoa da inspiração, e capturando a essência de um corpo aquecedor despretensioso, que me faça encontrar a magia que transcende a simplicidade das palavras descritas no olhar.
Nas poesias descubro o verdadeiro sentido da arquitetura da poesia, onde palavras são como vigas que sustentam as emoções, cada versos, e estrofes são portas e janelas para um universo de sensações. Navegar por minhas páginas escritas, é como explorar construções literárias, onde a beleza é a própria arquitetura da alma, e a mulher ainda é única adjutora de Adão, generalizado.
Como um arquiteto das emoções, me aventuro nas páginas futuras de um romance, onde construirei mundos, onde as palavras são entrelaçadas com personagens apaixonadas, ainda que seja um livro de um só capítulo, e de uma história única, mesmo assim serei um escritor particular, de um romance clássico, nas trilhas de amor, e suspense
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias
Escritor Particular
Poeta Sem Livros
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - QUESTÃO 632.
SOBRE O BEM E O MAL SEGUNDO A LEI NATURAL.
A questão seiscentos e trinta e dois de O Livro dos Espíritos, traduzido por José Herculano Pires, situa-se no âmago da ética espírita, onde a consciência humana é convocada a discernir, com rigor, o bem e o mal. O questionamento é direto: sendo falível, poderia o ser humano enganar-se, atribuindo ao bem aquilo que, em profundidade, é mal?
A resposta dos Espíritos superiores, sintetizada pela remissão ao ensino do Cristo, é lapidar e absoluta: tudo se resume ao critério do que desejaríamos receber. Este princípio, enunciado como medida universal, evita sofismas e protege o espírito contra ilusões morais. O erro humano não se origina na lei, mas na deformação dos desejos e na projecção egoísta das próprias paixões.
A lei natural, conforme elucidada por Kardec em mil oitocentos e cinquenta e sete, é inscrita na consciência. O equívoco ocorre quando o homem, em vez de consultá-la, inclina-se à sombra de seus interesses, perdendo a clareza interior. A ética espírita, entretanto, oferece um método: a diligência reflexiva, o autoexame diário, a comparação entre aquilo que faço e aquilo que gostaria de receber caso estivesse na posição oposta. É um retorno permanente à simplicidade da sentença do Cristo.
A aplicabilidade deste princípio é inalterável. Não depende de época nem de circunstância, pois se funda na reciprocidade moral que estrutura a convivência e regula o progresso espiritual. Toda ação que resiste ao teste da reciprocidade revela-se legítima; toda ação que o reprova denuncia desvio.
SOBRE O AMANHECER.
O amanhecer, essa transição solene entre o véu da noite e o advento da luz, ergue-se como um rito silencioso que convoca a alma à meditação. Quando o primeiro fulgor solar fende o horizonte, o mundo parece libertar-se de um longo torpor, e com ele despertam o ser interior e os pensamentos adormecidos. Nesse limiar quase sagrado, somos conduzidos à compreensão íntima do recomeço, não apenas na paisagem que se revela, mas no âmago das emoções que nos habitam.
Basta imaginar-se em um campo aberto, onde as sombras noturnas se retraem lentamente diante da claridade nascente. O ar, ainda fresco, carrega consigo uma promessa antiga, a de que todo início é possível. O amanhecer, então, deixa de ser mero fenômeno físico para tornar-se símbolo existencial. Assim como a manhã sucede a noite, o espírito humano também se vê muitas vezes oprimido por temores, frustrações e anseios acumulados nas horas sombrias da vida. Contudo, quando a luz se insinua, mesmo que tímida, revela-se a possibilidade de retomada e de reconstrução. O amanhecer convida à introspecção e exige uma revisão honesta do próprio caminho.
Há nele uma pedagogia discreta e profunda. Cada aurora recorda o valor dos instantes simples, frequentemente negligenciados, e questiona nossas prioridades, vínculos e aspirações. Tal como o sol que retorna diariamente sem alarde, também o ser humano guarda em si a capacidade de renascer, de enfrentar suas sombras internas e de dirigir o olhar a novos horizontes.
Esse renascimento não se apresenta isento de ambiguidade. Misturam-se a alegria do possível e a dor das memórias, as cicatrizes deixadas por dias antigos e a esperança que insiste em permanecer. O amanhecer nos lembra que cada dia traz desafios inevitáveis, mas também oportunidades silenciosas de amadurecimento. Sua beleza reside justamente na transitoriedade, nessa fragilidade que confere densidade e sentido à existência.
Na quietude da primeira luz, a introspecção torna-se inevitável. O amanhecer questiona sem palavras. O que verdadeiramente valorizamos. Quais sonhos ainda repousam no fundo do coração, abafados pela rotina ou pela ausência de coragem. Ele age como um conselheiro mudo, conduzindo-nos à busca de um significado mais profundo e encorajando-nos a acolher as incertezas do porvir com dignidade e firmeza interior.
Contemplar o amanhecer é permitir-se sentir a solenidade do instante. É reconhecer que antigos fardos podem ser deixados para trás e que novas esperanças podem germinar. À medida que cada raio de sol toca a terra, toca também a interioridade humana, reafirmando a possibilidade permanente de escolher a luz em vez da sombra. Assim, o amanhecer converte-se em emblema de renovação pessoal, oferecendo a cada dia a chance de viver com inteireza, amar com profundidade e buscar a autenticidade com coragem serena.
Nesse delicado jogo entre luz e escuridão, somos lembrados da beleza austera da condição humana e do poder silencioso que cada consciência possui de criar sentido em meio à complexidade da vida. O amanhecer deixa de ser apenas um evento natural e passa a espelhar a jornada interior de todo ser que pensa e sente. E a cada dia que nasce, renova-se também a oportunidade de reconectar-se consigo mesmo, de abraçar a existência com lucidez e de escrever, com sobriedade e esperança, mais um capítulo digno na longa narrativa do espírito.
CAPÍTULO III
A PEDRA E O SILÊNCIO.
O inverno descia sobre a Úmbria com a gravidade própria do século XI. As colinas próximas a Perugia tornavam-se densas sob a névoa, e o ar carregava o odor de lenha úmida e terra revolvida. Não havia pressa na estação fria. Havia espera. E na espera formava-se o caráter.
Cladissa contava aproximadamente 17 invernos quando o abade do mosteiro próximo, vinculado à Ordem de São Bento, permitiu que algumas jovens do vilarejo participassem da instrução elementar da leitura dos salmos. Não era privilégio comum. A alfabetização, ainda que rudimentar, concentrava-se nos claustros. Mas a região vivia um momento de reorganização disciplinar após as reformas impulsionadas por Gregório VII, e a formação espiritual das famílias tornara-se preocupação constante.
O mosteiro erguia-se em pedra clara, austera, quase severa. Nada ali convidava ao conforto. Tudo remetia à permanência. Ao atravessar o pátio interno pela primeira vez como aprendiz e não apenas como visitante, Cladissa sentiu algo que não soube nomear. Não era temor. Era reconhecimento. Como se a pedra falasse uma língua silenciosa que sua alma já conhecia.
O scriptorium situava-se no lado oriental do edifício, para receber melhor a luz da manhã. Ali, dois monges copiavam trechos da Vulgata sobre pergaminhos espessos. O odor de tinta ferrogálica misturava-se ao couro curtido das capas. O som dominante era o do raspador sobre o pergaminho, corrigindo imperfeições antes da escrita.
Cladissa observava. Não perguntava em excesso. Sua inteligência era contemplativa. Compreendia que naquele espaço o saber não era ornamento. Era responsabilidade. Cada letra traçada era um gesto de preservação do mundo antigo.
O irmão Martino, monge de meia-idade com mãos firmes e olhar fatigado, percebeu a atenção da jovem. Não a tratou com condescendência. Entregou-lhe um fragmento de salmo e indicou que repetisse a leitura em voz baixa. A pronúncia latina de Cladissa era hesitante, mas clara. Não buscava rapidez. Buscava exatidão.
Naquele instante, algo se deslocou em sua interioridade. Não era ambição de erudição. Era a percepção de que o conhecimento ordena a alma. A disciplina da leitura tornava-se disciplina do pensamento. E o pensamento disciplinado protege contra o caos.
Fora dos muros, entretanto, o mundo mantinha sua rudeza. Um conflito entre dois senhores locais, ligados a pequenas fortificações ao sul de Assis, ameaçava os camponeses com novas exações. A insegurança política era parte estrutural da época. O feudalismo não era sistema abstrato. Era cobrança concreta, era trigo confiscado, era inverno mais severo.
Cladissa escutava as conversas sussurradas no vilarejo. Não reagia com revolta impetuosa. Refletia. Percebia que a violência exterior revelava desordem interior. A ausência de governo justo era reflexo da ausência de autodomínio.
Certa tarde, ao regressar do mosteiro, encontrou a mãe sentada à porta da casa, fiando lã com movimentos ritmados. O silêncio entre ambas não era vazio. Era comunhão. A mãe não dominava a leitura, mas dominava a resistência. E essa forma de saber era igualmente necessária.
Cladissa compreendeu então que sua formação não poderia ser puramente claustral. A pedra ensinava firmeza. A terra ensinava humildade. O mosteiro preservava a palavra. O campo preservava a vida.
Na última vigília daquele inverno, permitiram-lhe permanecer na igreja durante o canto das horas noturnas. As vozes graves dos monges ecoavam sob a abóbada simples. Não havia ornamentos dourados. Havia reverência. A repetição dos salmos não era monotonia. Era lapidação da consciência.
Ali, sob a luz trêmula das velas, Cladissa tomou uma decisão silenciosa. Não se tratava de fugir do mundo. Tratava-se de compreender o mundo a partir de um eixo interior inabalável. Se o século era instável, ela deveria tornar-se estável. Se a política oscilava, ela deveria ordenar-se moralmente.
O inverno terminaria. Os conflitos talvez se agravassem. O poder mudaria de mãos como tantas vezes mudara. Mas a disciplina adquirida naquele claustro permaneceria como fundamento.
Cladissa não buscava glória. Buscava retidão.
E no silêncio das pedras antigas, começou a erguer-se não apenas uma mulher medieval, mas uma consciência capaz de atravessar seu tempo sem dissolver-se nele.
Deseja que o Capítulo IV avance para um evento histórico concreto, como a tensão feudal aberta em violência, ou prefere aprofundar a vocação espiritual nascente de Cladissa dentro do mosteiro.
O Pensamento sobre as Eras:
O Passado:O Silêncio Forçado
Durante séculos, a sabedoria feminina foi confinada ao ambiente doméstico, sob a égide de um patriarcado que via a mulher como coadjuvante. A estrutura familiar era uma hierarquia de comando, não de parceria. O "lugar da mulher" era um conceito geográfico e social rígido, onde o silêncio era a maior virtude esperada.
O Presente:O Despertar e o Atrito
Vivemos o tempo da transição. As conquistas são inegáveis: ocupação de espaços de poder, independência financeira e o direito à voz. Porém, esse progresso gera atrito.
A Violência: O aumento visível da violência muitas vezes é a reação desesperada de estruturas antigas que se recusam a morrer.
A Família e Sociedade: Estamos renegociando o que significa ser família. O desafio atual é equilibrar a autonomia individual com o cuidado coletivo, combatendo o preconceito que ainda rotula a mulher que escolhe caminhos fora do padrão tradicional.
O Futuro: ASabedoria da Integração
O futuro que o sábio vislumbra não é uma inversão de poder (a substituição de uma opressão por outra), mas a superação do gênero como limitador de humanidade. A sociedade sábia será aquela onde a "conquista" de uma mulher não seja vista como um evento extraordinário, mas como a normalidade de um potencial humano sendo plenamente exercido.
A reflexão central:
A sabedoria da vida nos ensina que o patriarcado não feriu apenas as mulheres, mas desumanizou os homens ao proibi-los de sentir e cuidar. O Dia da Mulher é o marco dessa correção histórica: uma busca por um mundo onde a força não precise ser violenta e a sensibilidade não seja vista como fraqueza.
O Rio e a Represa: Uma Reflexão sobre a Liberdade Feminina.
A sabedoria da vida nos ensina que o tempo não é uma linha reta, mas um fluxo.
Se observarmos o patriarcado como uma antiga represa, entenderemos que ele não apenas "organizou" a sociedade, mas represou a potência de metade da humanidade.
Por séculos, o passado foi o tempo do represamento: águas paradas, onde a vida acontecia sob pressão e silêncio.
Eu demorei para entender que minha fé não precisava de moldura. Não era sobre pertencer a um templo específico, repetir palavras decoradas ou provar algo para alguém. Um dia percebi, quase em silêncio, que Deus não estava distante nem escondido atrás de rituais; Ele morava em mim. E quando entendi isso, algo dentro de mim ficou tranquilo, como se finalmente eu tivesse chegado em casa.
Não depender de religião não significa desrespeitar quem encontra Deus nela. Pelo contrário, cada pessoa tem seu caminho, sua ponte, sua forma de conversar com o céu. A minha foi mais silenciosa, mais íntima. Foi no meio das minhas dúvidas, das quedas, das noites em que eu conversava sozinha com o teto, que comecei a sentir uma presença que não precisava de intermediários. Era uma fé simples, quase cotidiana, como respirar.
Eu descobri que Deus aparece quando eu cuido de alguém, quando eu escolho ser justa mesmo sem aplauso, quando eu perdoo, quando eu me levanto depois de um dia difícil. Ele está nos gestos pequenos, nos pensamentos que tentam ser melhores do que ontem. Mora nas decisões que tomo quando ninguém está olhando.
E isso muda tudo. Porque quando a gente acredita que Deus vive dentro da gente, a responsabilidade também muda. Eu passei a olhar mais para dentro, a vigiar minhas próprias atitudes, a tentar ser um lugar bom para Ele habitar. Não perfeito, porque ninguém é, mas verdadeiro.
Hoje eu caminho assim: sem precisar provar fé para ninguém, sem carregar rótulos pesados, mas com uma certeza calma de que não estou vazia por dentro. Há uma luz ali, discreta, constante, que me lembra todos os dias que Deus não está longe. Ele está aqui, comigo, vivendo cada passo da minha história.
Relacionamento 3+1
Se você não entender isso sobre relacionamentos… você vai se frustrar.
Não é falta de amor que acaba com a maioria das relações.
É a incapacidade de lidar com a vida adulta.
As pessoas entram achando que química resolve tudo.
Que vontade sustenta rotina.
Mas não sustenta.
Relacionamento no mundo real exige estrutura.
E existe uma regra simples:
3 + 1.
Primeiro: compatibilidade intelectual.
Se vocês não conseguem se entender no básico, toda conversa vira desgaste.
E onde não há comunicação… o respeito morre.
Segundo: compatibilidade emocional.
É maturidade pra aguentar pressão sem descontar no outro.
Porque ninguém foi feito pra ser depósito de frustração.
Terceiro: compatibilidade sexual.
Desejo. Conexão. Entrega.
Sem isso, vocês são só dois amigos dividindo contas.
Só que a vida não é perfeita.
Esses três pilares nunca vão estar fortes ao mesmo tempo.
Vai ter fase com muito desejo e pouco diálogo.
Fase com parceria, mas sem química.
E é aí que muita gente desiste…
Quando na verdade deveria entender:
os pilares fortes sustentam a relação até os outros se alinharem.
Mas tem um quarto fator.
O mais importante de todos.
Alinhamento de rota.
Porque não adianta se gostar…
se um quer crescer e o outro quer parar.
Se o futuro não é o mesmo, o relacionamento vira peso.
E mais cedo ou mais tarde…
alguém afunda.
Isso não é sobre romance.
É sobre realidade.
Algumas pessoas não querem somar na sua vida, querem apenas o controle sobre ela. Elas destroem a sua paz e te prendem em explicações sem fim, só para testar até onde vai a sua 'coleira'.
Maturidade é entender que quem não tem futuro para oferecer, oferece caos. Quando as atitudes são instáveis e as desculpas são vazias, afastar-se não é orgulho. É a única resposta lógica.
O erro comum é tratar a Bíblia como um livro que fala apenas sobre Deus. Ela fala também sobre você. Sobre seus mecanismos internos. Sobre seus padrões de fuga, de orgulho, de medo, de negação. Os personagens não são apenas figuras históricas. Eles são arquétipos psicológicos. O traidor vive em você. O justo vive em você. O covarde vive em você. O fiel vive em você. E o conflito entre eles é diário.
Quando alguém afirma que sua interpretação é a única correta, essa pessoa revela mais sobre sua necessidade de controle do que sobre o texto em si. A Bíblia não se submete ao ego humano. Ela o atravessa. Ela o expõe. Ela o relativiza. Não existe leitura neutra. Toda leitura passa pelo filtro da história pessoal, das feridas, das crenças, das defesas. Por isso, duas consciências diante do mesmo versículo jamais estarão no mesmo ponto.
Isso não significa que tudo é relativo ao ponto de não haver verdade. Significa que a verdade é grande demais para ser capturada de uma vez só. Você acessa fragmentos conforme sua capacidade de sustentar aquilo que vê. O arquiteto do universo não errou ao fazer assim. A perfeição não está na rigidez. Está na adaptabilidade simbólica. Um texto que ainda conversa com você milhares de anos depois não sobreviveu por acaso.
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