Texto para um Amor te Esquecer
A esperança é uma ilusão, um enigma. Nessa esperança guardam a certeza de que as dificuldades podem ser superadas e de todo o mal se livrar, mas não determinam o quanto o mal deve permanecer, dependem também do estado de espírito em que se encontram. Quase não se dão conta da escravidão, ou da liberdade condicional em que vivem.
Não há razões suficientes para temer o fogo e nem para retrair a vida para um estado inerte de ilusão. O Cristianismo ainda submete a mulher aos caprichos do machismo vulgar, pela força do homem que herdou do sistema dogmático, essa força machista, opressora impede a mulher de ocupar mais espaço para as diligências dos saberes e dos costumes das sociedades. “Deus não é católico e nem fundador de religiões”.
Assim qualquer um pode ter um Deus no coração na mente sem pertencer ao dogma da classe eclesiástica, mas para todo o preconceito contra o sistema é sinal de má fé, que por fim utilizam um Cristo para as justificativas. (A. Valim)
a Onipotência
O sistema mais complexo verbalizado pelo homem, - “a Onipotência”. Sustentado por um espírito; “plano clérigo”. O pecado é a maior invenção do homem depois da onipotência. Porém o pecado é “clemente” pelo plano divino, criado pela clerical e sustentado pelo populacho. A Sé vem massacrando a mulher a milhares de ano, por uma cultura machista e impostora, impregnado em cruzes e simbologia comercial, um viés da fé. A Sé é detentora das verdades incontestáveis. Sendo o maior massacre da humanidade: a inquisição, imposta por um sistema religioso da cristandade. O homem é naturalmente um renegador de suas teses contextuais dogmáticas, verdades explicitadas apenas no trancafiado pensamento, separados por uma leve e transparente cortina de medo. Quem dera uma virtude pela antiga certeza de que a compaixão traduzisse as verdades, sem necessidades de sustentar-se prostrados por um plano clérigo. Eis o mistério da fé e a simbologia da Onipotência. (A. VALIM).
Mente: que mente; que produz desejos complexos;
Corpo que produz obediência mutante de um para outro.
Permite Deus criaturas comuns às leis do bem e do mal.
Paixão: linguagem comum; realidade da transgressão da alma;
Tragédia dos experimentos; efeitos não diabólicos;
Ilusório sacrifício para ídolos; perspectiva quase real.
Perceptível: horror e transgressão; vulnerável moral;
Alma cativada pelos efeitos das condições da paixão.
Consciências; consequências; desejos imorais.
Lealdade: sacrifício vulneral; efeito perverso; inércia do medo;
Caminho moderado de efeito saudável; animal e trote;
Bem e mal; do mal o bem; traição; empatia; alento.
O homem é o grande criador. Criou um Deus e fez dele o maior, intocável, onipotente, de visão vasta e minuciosa. Mas não bastou, o homem necessitou criar um grande aliado, um corruptor oportunista chamado Diabo. Estas simbologias estão no imaginário do homem como se fosse parte de sua genética; está no sangue.
Para toda a verdade absoluta: um Deus e que acuda. Para toda a transgressão: um castigo diabólico e que salve se puder. O pior entre os homens de bem são os desgraçados que atribuem à nobreza a um inferno pelos seus feitos.
Depois o homem criou um Cristo, o filho da onipotência, dotado de pecado e de poderes, aliando tanto a Deus quanto ao Diabo, foi posto a diversas provas inclusive a de não se salvar das maldades do homem; foi morto e crucificado; o homem tornou capaz de ressuscita-lo.
O homem exerce poder superior sobre tudo o que há na terra, destrói o corpo do cristo e consegue manter viva a alma enigmática dele e assim continua criando alienações. A alienação é capaz de ameaçar a consciência humana e por falta de autonomia há uma perda de identidade em que o homem perde seus próprios valores forçado a assumir necessidade de consumo religioso.
O homem é uma pecinha de engrenagem movida pelo espírito religioso já orbitado por forças enigmáticas entre Deuses e Demônios, e, para dar forma: um êxtase religioso. Na sociedade materialista criam-se Deuses, Demônios, Cristos propiciados pelo homem que produz efeitos espirituais para dar forma ao julgamento e a condenação. Sendo para o homem a concepção de Deus; o seu próprio domínio.
Que me perdoem os linguistas
Dirijo-me às salas, entusiasmado por um “certo ou errado”, por aquilo que às vezes não se sabe para que sirva. Contextualizado pelos desalmados criadores de regras e de algumas combinações de palavras que me dizem ser o básico. Para dar sentido às criações alguns chargistas satíricos me gozam. A fala expressa a particularidade de uma natureza individual, mas a gramática que inventaram muda o eixo da natureza humana. A invenção da língua maior, ou melhor, determinam o grau da minha estupidez de um modo teórico, e, para tantas regras apenas poucos são falantes. A cada dia um novo “palavrão” provoca a minha ignorância genética conservadora. Para não propor nenhuma solução atento-me a uma perspectiva nova de compreensão mutante. É possível que as coisas que digo estranhem, ou tão difícil seja a compreensão. Convém às vezes pensar que para qualquer regra haja uma intransigência prevalecendo-se a intelectualidade. Almeja-se que os semideuses linguistas aproximem cada vez mais a ciência para dar sentido ao empírico, à raiz da sociedade através de uma mediação continuada.
Amauri Valim
Cuidado com a lei
A condição de pecado dado pela lei da igreja é um prejuízo inestimável ao humano, são leis que punem e julgam indecente o desejável. De maneira ignorante promove a hostilidade contrapondo a virtude da intelectualidade. O religioso está condicionado a uma crença por obrigação (lei religiosa) que a religião o faz através de uma força alheia, invisível que provém do nada, capaz de sobrepor à razão.
A onipotência poderia ter produzido no organismo humano algo melhor que a crendice, algo mais inteligente que a fé, capaz de sobrepor todos os argumentos metafísicos. Jesus, Homem sabido, inteligente nos alerta. O cristianismo é uma fábrica de personas cujas santidades são de utilidade pública, detentores das leis cristãs que determinam ações do corpo e da alma consideradas importantes para o bem estar e para dar conceito de imortalidade espiritual. Porém em alguns momentos o modernismo e os altos índices de Q. I. contradiz as instruções teológicas na doutrina da imortalidade e contribui para uma separação entre plano metafísico e as leis naturais terrenas.
O crente tem prazer na lei de Deus, porém é aprisionada por outra lei da natureza da sua mente, uma transgressão natural capaz de sobrepor à lei divina, esta lei chama-se: lei do pecado, a lei do bem e do mal. O homem é conhecedor das leis da bondade divina, leis universais para todas as compreensões, porém é também consciente da conspiração da carne e com frequência é perturbado e excitado o que parece ser nocivo ao cristão ainda que se considere um fenômeno puramente natural. É dever da igreja em fazer a diferenciação entre Deus e o demônio e pô-lo medos atribuídos aos seus poderes, o propósito da obediência. Quando se impõe medo cultiva-se também o ódio e a vaidade, porém tão difícil discerni-lo a virtude na religiosidade devido a uma paixão condicionada aos efeitos das leis da religião pelas causas impossíveis. É possível que o ódio seja direcionado a aqueles que representam prejuízo às virtudes da igreja.
Viver em plena liberdade não é um plano de vida eficaz, um espírito liberdoso não é conveniente, justamente pelo fato de o individuo não saber como lidar com a liberdade. A liberdade implica em grande parte a abstinência de alguns costumes, rituais, grupos socialmente organizados; o que pode levar seu isolamento ou exclusão. O estado de liberdade ocorre em indivíduos que não se submetem e ou que não deixam ser dominados por líderes ou ideologias.
É humanamente impossível viver em plena liberdade. A liberdade é apenas uma concessão momentânea regrada dada às vezes por si em estado demente, vista como libertinagem pelos conceitos de bondade e religiosidade. Bom e conveniente é o estado de bondade bíblica que torna mais fácil à submissão e aceitável ao plano clérigo. Em um pensar subjetivo, descomprometido para com a bondade divina, cabe ao desigrejado utilizar do viés dessa bondade para a interpretação das fabulosas narrativas bíblicas. O pensar místico de rituais sagrados é tão importante quanto um espírito livre/liberdoso.
É necessária a avaliação sobre o estado de liberdade que se encontrar e desdém sobre o que não parecer intelectual. Almejar ao menos a meia liberdade dentro dos planos patriota e religioso, por serem esses planos os vícios da virtude, aonde essa virtude pelos viciados sobrepõe à intelectualidade do ser.
Confundindo Política, Religião e Fé.
Em um estado de direito adquirido e respeitado o cidadão comemora o segundo maior dia dos milagres, uma espécie também de comércio de medalhinhas milagrosas em dias santos, assim também o crescimento da laicidade como direito constituído. Se os homens produzissem grãos com metade do tempo em que produzem fé, e se a política não tomasse parte da distribuição das sementes, seria suficiente para acabar com a fome no mundo. Todas as desgraças são necessárias para o sustento do egocentrismo dos poderes supremos: “religioso e político”.
As desgraças bem como as vinganças de Deus fundamentadas e apoiadas pelo clero, e as guerras promovidas pelas grandes potências políticas apoiadas pela ONU são necessárias e inevitáveis. Salve-se quem puder! Para todos os eventos há um Deus amenizador da psique humana. Em um mundo já formado talvez por si só, o homem é um produto evolutivo pelos meios naturais, responsável pelos seus erros, pelos efeitos que causar, também por suas virtudes e pelo Deus que confiar. Humanos são seres pensantes que dependem das desgraças diversas, lidam com coisas abstratas que alguém o idealizou para sua realidade existencial. Sendo como um serzinho de tamanha pequenez a dar causas a concepção de mundo. De grande vontade de poder egocêntrico. Seu comportamento pode ser manipulado modificado nas condições de humano/desprezível independente da grandeza da sua fé ou da quantidade de grãos que produza.
Para um entendimento irônico diz-se: Produza fé porque alimenta mais que grãos; produza ouro porque alimenta mais ervas; produza castelos e altares porque abriga mais que celeiros; produza rituais fúnebres e ofegantes porque deve amenizar mais que analgésicos. Deus produza humanos sem características humanas, que sejam seres aceitáveis entre sua própria espécie, capazes de dirimir as guerras e as fomes.
Amauri Valim.
Um louco disse:
- Meu DEUS tu precisa dar uma passadinha aqui em baixo pra ver como andam as coisas, e olha, já vou lhe avisando, vejo daqui do meu lixento quarto o tédio que muitos vivem, nenhum programa satisfaz nem remédio tem que cure. Vejo os desatinos dos pensamentos transeuntes. Deus tu nem aparece para talvez der uma direção. Mesmo não havendo agora nenhuma nuvem no céu que possa pairar, talvez queira comigo fazer uma caminhada eu te contaria o resto.
Em um país democrático considerado laico como o Brasil, os ditadores se encontram no ponto mais elevado, ao púlpito do altar. Eles são os controladores das existências, mas se queremos que este país não perca os benefícios humanitários e se almejamos a laicidade devemos contribuir para retrair o poder daqueles que detêm a força opressora pelo discurso democrático e laico.
Ao contrário as pessoas estão colaborando para o aumento dessas forças, inconscientemente contribuem com votos de confiança e com suas miseráveis gotas de suor para as causas hipócritas em nome de Deus ou de um dirigente soberano qualquer “in memoriam”. As soberbas de falácias hipócritas estão vivas. O Deus tirano está morto sobre o ponto mais elevado que os homens os colocaram.
O progresso da humanidade não estabelece um controle eficaz para a felicidade devido uma falta de adequação para os prazeres imediatistas e baratos em que o humano vive, difícil também é formar uma opinião sobre ela, talvez não haja uma fórmula, mas uma estimativa pela beleza, saúde e riqueza como requisitos básicos e algo mais que completem as emoções.
Para Freud “A felicidade não nos ensinou quase nada que já não pertença ao conhecimento comum”.
Em uma perspectiva para a felicidade no futuro, talvez seja necessária ajustar a felicidade de hoje, se houver.
"Amém Crucifica-o.
A crucificação é uma desgraça dada a um homem, o fanatismo imprudente desperta a necessidade de se reproduzir constantemente essa desgraça atribuindo a um conceito de bondade, como uma prova do mal praticado sem limites e sem regras. Os humanos cristianistas acham a crucificação uma graça de deus, mas não percebem a desgraça causada a um homem em nome de um deus. Quanta negligência de um deus todo salvador que permite a morte de um filho "bom" na maior crueldade já atribuída a um ser humano, apenas em benefício de uma nação fanática pecadora e condenada. Justa é a causa porque ele o todo poderoso chefão assiste de camarote com toda sua onipotência. Alguém morre por alguns é isso e bom, como prova comemoram a mais de 2 mil anos. Jesus, pobre Jesus! É o fruto do egoísmo de deus e do ser humano, porque a sua bondade não salvou a si mesmo nem a humanidade. Portanto Jesus não doou a vida a ninguém, mas foi assassinado pela tirania do prefeito Pôncio Pilatos. Por ter mandado matar a Jesus de Nazaré. "padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado...".
Há enorme capacidade no homem de associar uma catástrofe qualquer da natureza a um grande feito de maldade e castigo do criador, e também qualquer evento do cotidiano a um milagre cedido por ele. A fé é um parâmetro para atender essas necessidades e de consolo da alma. Muitos são convencidos de acreditar pelas escrituras bíblicas e por medos apocalípticos contidos nela que aterrorizam e assombram a consciência do fraco.
O fato de as coisas estarem por escrito é persuasivo para pessoas que não estão acostumadas a fazer perguntas como: "Quem escreveu, e quando?"; "Como eles sabiam o que escrever?"; "Será que eles, naquela época, realmente queriam dizer o que nós, em nossa época, entendemos que eles estão dizendo?"; "Eram eles observadores imparciais, ou tinham uma agenda que influenciava seus escritos?". (DAWKINS, R. p. 104)
Os evangelhos do cristianismo primitivo revelam a natureza de deus e os ensinamentos de cristo, uma forma criacionista, foi adaptada como novo testamento da bíblia, após a passagem de cristo para uma adequação a evolução da humanidade (um passo). Mesmo assim o cristão precisa da ira, julgo e castigo de Deus e de todas as circunstâncias em torno de Cristo e de todos os eventos do cotidiano para se valer dos evangelhos. As ações da natureza e eventos do cotidiano são utilizadas para justificar toda e qualquer maldade ou benignidade sempre em nome de um Deus.
Dizia Pascal “Acreditar não é uma coisa que eu possa decidir, (...) Mas nada disso pode realmente me fazer acreditar se eu não acreditar”. (Dawkins R. p 116).
Cristo foi humano e é Deus substituto.
Não há um ser superior ao humano, mas devido à insuficiência no sustento de seu potencial o humano criou algo superior para dar seu próprio veredito. Uma pessoa pode se tornar divino depois de sua morte, por exaltação de seus seguidores como não havia tornado antes. Jesus é a visão mais primitiva cristã das divindades, uma cristologia para aceitação, onde a teologia sustenta as verdades há mais de dois mil anos. A ressurreição de Cristo é um dos mais fortes argumentos para à formação de divindade e continuidade no endeusamento de humanos (tidos como santos). As visões sobre Deus, Cristo e divindades pós Cristo, podem ser (supostamente) alucinações e devaneios, o que acabou levando a crença de seus seguidores.
Espanto!
Busco imensamente caminhos melhores para mim e para você.
Busco um caminho onde as flores tragam leveza e um cheiro bom de primavera; e você me proporcionou isso tudo, num só abraço.
È espantoso como em tão pouco tempo, houve evolução mútua em você.
È espantoso como em tão pouco tempo a dialogar contigo, tu me mostrou segurança, leveza, doçura, sensatez, inteligência e superioridade de espírito...
Nossa! È um espanto admirável.
Lembranças do tempo vagamente penetram minha mente há ameaçar minha paz.
Lembrança de quando parávamos incansavelmente há trocar diálogos sutis, amáveis, alguns até com contrariedades aceitáveis, pois, os amores e amigos discordam-se para no fim concordarem ou simplesmente respeitar um ao outro...
Tua evolução me espanta e me acalma.
Menina, tu me fez por um instante confusão.
O quanto te via menina, agora te vejo mulher.
O quanto te queria menina, agora te quero mulher.
Tua maturidade, sem idade, é admiravelmente espantoso!
Tua leveza nas palavras que já conhecia, agora é leveza na alma que já pressentia...
Teu olhar e teu cheiro me encantam, como teu sinal, escondido no pescoço...
Eu te esperaria à noite toda, só para vê teu desfile, tua caminhada, tua sensacional liberdade, exclusividade, teus olhos, nem que fossem por dez segundos...
Não fazes idéias do quanto eu lembro perfeitamente de tudo que conversamos. De uma noite que, talvez, você esqueceu, mas que fiz eternidade... Lembras?
Pena que nós nos perdemos por ai... Eu com minhas chatices. Você com suas meiguices... Nós com nossos sonhos, ideais, loucuras, desejos, vontades, nossos medos.
Eu me achei nos livros. Você se encontrou em outros amores, ou no amor.
Sou grato por te ter. Sou feliz por em tão pouco tempo parece que viajei (O que não deixa de ser verdade, quando se tem um livro por perto...) e na minha volta houve você, tão simples, meiga, eterna. Como esses encontros que não sabemos nem hora, nem lugar, mas deixam rastros iluminavelmente eternos...
Tua leveza trocou ideia com a minha através do teu olhar...
Tua pureza fincou vontades em mim...
Tua presença semeou amor... De novo...
Edcarlos
ZUMBIS
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Enquanto um menino sonha ser craque
De futebol outro usa pedras de crack
Para se imaginar alguém feliz
E assim surgem times nos campos
E nos guetos das cidades entretanto
Surgem legiões de zumbis.
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São seres cujos corpos caminham
Enquanto suas mentes definham
Os transformando em armas vivas
Que para satisfazerem o vício
Fazem uso de qualquer artifício
Chegando até mesmo a tirar vidas.
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A polícia com rigor os persegue
Usando bombas e cassetetes
E às vezes até os mata
Tal estratégia parece eficaz
Quando este procedimento se faz
Não contra gente, mas contra baratas.
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Estes zumbis que nos assustam
Nos tornam reclusos e nos furtam
Além do dinheiro a liberdade
Têm que ser retirados do convívio social
Criminosos na cadeia, viciados no hospital
Para que as ruas voltem a ser da sociedade.
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Quero viver sem medo do perigo
E ao encontrar jovens reunidos
Sob o escaldante Sol
Sentar-me tranquilo na calçada
Apenas para ver a criançada
Jogar mais uma partida de futebol.
A TRILHA EXTINTA
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Certa vez um passarinho
Ficou reparando o caminho
Que via de cima da encosta
Mas ele não entendia
Por que o mato sumia
Deixando a terra exposta.
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Indagou um pássaro adulto
Que conhecia o mundo oculto
Dos humanos e de outras feras:
Sr. pássaro sábio e nobre
Por que o mato não cobre
Aquele caminho de terra?
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Lá embaixo os seres sem asas
Constroem as suas casas
Distantes umas das outras
E quando sentem saudade
E querem rever suas amizades
Caminham pela planície toda.
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Durante as caminhadas
A terra vai sendo amassada
Impedindo que o mato cresça
E as flores que crescem
Nas margens agradecem
Pois querem que o amor prevaleça.
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Então o pássaro pequenino
Entendeu por que via um menino
Chorando sentado numa trilha
Que agora estava todinha
Cheia de capim e ervas daninhas
Que cobriam suas panturrilhas.
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Provavelmente aquela criança
Tinha alguém na vizinhança
Que costumava fazer-lhe visitas
Mas aquele mato comprido
Indicava que o seu amigo
Deixou de pisar na trilha extinta.
VERSOS E AMARGURA
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Se de mim retirassem os enganos
Em mim apenas acertos restariam
Seria um poeta de versos levianos
Que como bolas de sabão se esvaziam
Prefiro ser alguém cujas conjecturas
Correm o risco de trazer amarguras
Do que ser um ser vivo sem opinião
Prefiro que me calem com mordaças
Do que ao me ouvirem achem graça
Por repetir os gracejos da multidão.
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Prefiro ser chamado de subversivo
Do que receber afagos dos opressores
Porque tais afagos só são oferecidos
Aos fracos em troca de favores
Com os quais traem a sua dignidade
E ganham uma falsa felicidade
Como troféu para a covardia
Prefiro ter a honra da clausura
Nos frios porões da ditadura
Do que a desonra na democracia.
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Se de mim retirarem os versos
Ainda me restarão os pensamentos
Que voarão na amplitude do Universo
Montados nas costas do vento
E baterão à porta de Deus
Que atendendo ao apelo meu
Mandará uma forte tempestade
Formada por poesias agudas
Que caindo regarão as mudas
Que aflorarão como liberdade.
UM OU OUTRO
13/03/2021
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Um faz arminha com a mão
O outro faz um coração
Com os dedos das mãos sofridas
Um incentiva ignorância e morte
O outro estimula a simbiose
Entre conhecimento e vida.
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Um simboliza o desrespeito
A intolerância e o preconceito
Contra as minorias da população
O outro representa os braços
Que num infinito abraço
Envolvem todos sem distinção.
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Um é o retrato do retrocesso
Que entrega a baixo preço
As riquezas do seu País
O outro tem no currículo
Que sabe tornar seu País rico
E fazer o povo feliz.
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Um aglutina toda a maldade
Das pessoas cuja personalidade
Vê nele a chance de expressão
O outro reúne ao seu redor
Aqueles que fazem do amor
O combustível do coração.
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Um faz show de horrores
Alegrando os espectadores
Que o aplaudem com gosto
Enquanto o outro desperta saudade
Do tempo em que a felicidade
Estava ao alcance de todos.
PELOURINHO
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Bate na palmeira o vento
E o negro por um momento
Julga ser a brisa do mar
Mas percebe muito tarde
Que são brancos covardes
Que vieram para lhe buscar.
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Sem se despedir da família
Sob gritos que o humilham
Vê distanciarem-se os coqueiros
E num barco com outros tantos
Prisioneiros em pleno pranto
É levado ao navio negreiro.
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São centenas de nativos
Transformados em cativos
Homens, mulheres e crianças
Que no porão do navio
Passam calor, fome e frio
E perdem a noção da distância.
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Os que se mostram valentes
São presos com correntes
E obrigados a se calar
Pois com crueldade desmedida
Não relutam em lhes tirar a vida
Os lançando ao frio mar.
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Ao serem tratados feito bichos
Não entendem a razão do sacrifício
Pelo qual estão passando
Será maldição dos orixás
Ou os demônios vieram nos buscar
E para o inferno estão nos levando?
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Depois da árdua viagem
Os de maior força e coragem
Chegam ao porto estrangeiro
E aquela estranha gente
Falando numa língua diferente
Os troca por algum dinheiro.
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Vão para lugares variados
Os de sorte se tornam criados
Mas os demais que a elite avassala
Têm como destino os açoites
E as delirantes noites
No duro chão das senzalas.
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O cepo, o tronco e a peia
Lhes tiram o sangue das veias
E a sua resistente dignidade
Os grilhões e máscaras de flandres
Lhes derrubam o semblante
E eles sucumbem à saudade.
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Muitos veem nos pelourinhos
A única alternativa e caminho
Para fora da vida trágica
Pois o escravo que é forte
Encontra na própria morte
A chance de voltar à África.
