Texto para um Amor te Esquecer
Um pedaço do silêncio que dorme no chão da cozinha
Que a garganta arranhe pela manhã
e os azulejos brancos da cozinha sangrem todos os dias,
que os beijos explodam na boca incontáveis,
inconfundíveis, incalculáveis...
E que a dor não seja maior do que as gargalhadas
que ironizam tamanho sofrimento.
Que os beijos explodam da boca, incontroláveis
e feito os vulcões pirem o cabeção!
E que depois murchem sem dó nem piedade,
feito a imagem esmaecendo às três da madrugada,
após o clique no controle da TV que te controlava
e que agora te liberta de tamanha prisão.
Que o refrão infame...
- pedaço do silêncio que dorme no chão da cozinha -
inflame em chamas de lava ardente
e dissolva feito um passe de mágica,
as rochas marrons e duras,
que são pedras em nosso caminho.
Que quem escreveu (ou leu) essa asneira não morra só!
Nem viva só, nem só lamente por toda a sua miserável vida.
E que possa ser também resiliente,
tenha força pra seguir em frente
e mesmo sem prognóstico positivo possa encontrar uma saída,
que possa ver (entender) que toda essa gente só, não é obra do acaso.
Da beleza exuberante
Cativada a mais bela rosa
Pureza eminente da mais perfeita criação
Um sorriso que paralisa
Quero viver pra sempre ao seu lado
Tu obras-primas de Leonardo
Teu corpo criado em versos
Da mais bela melodia
“Se pudesse ouvir o olhar”
Saberia que estou te amando
Tu poesias de Fernando
Não acredito no surreal
Mas sua beleza é sem igual
Criação do realismo, mostrando sua fragrância
Te admirar virou um hobby
Tu inspirações de Van Gogh.
Delicada, inocente
Uma mocidade decadente
Não pense em sentir sozinha toda a dor
Eu quero “morrer contigo de amor"
Mas da morte não tenhas medo
Tu criação de Azevedo.
Suas belas obras criadas
Da inspiração para arte e para versos
A mais pura intensidade
Sentimentos que demonstram verdade
Criados com uma dose de amor
Tu poeta, pintor
Felicidade
Corri em direção a liberdade
Encontrei no meio de tanta solidão
um lar
Alguém que pensei que tinha amor para me dar.
Por muito tempo sozinho eu estava
E então deixei-me levar pelo
momento
E sem nem pensar no que eu sentia realmente por dentro...
Sozinho, eu me sentia sozinho
E com o “falso amor" ao meu redor minha ingenuidade era a maior.
Um lar eu ganhei
Carinho eu tive, amor.. isso eu não sei
Com o tempo a empolgação foi se esfriando
Minhas brincadeiras já eram ignoradas
Minha forma de ter atenção já incomodava
E eu pensei que talvez eu não seja mais o querido da casa
Talvez eu seja agora um incômodo
Um erro
Uma escolha do calor do momento
“Não devíamos ter o adotado"
Era isso que eu ouvia pela casa
E talvez minha presença ali
Agora não era mais necessitada
O animal fofinho
Agora conhecido com o chatinho
Já estava dando trabalho
Mas tudo que eu queria era ser amado
E por um tempo eu pensei que teria isso, mas agora vejo que eu fui deixado de lado.
Aquele animal que foi adotado agora sendo levado para um lugar desconhecido, vendado
Sendo ali abandonado por alguém que ele amou incondicionalmente por ser adotado escolhido entre muitos para ter um lar
Um lugar onde morar
Alguém para poder amar
E alegria a todos poder dar.
Mas agora vendo ele se afastarem me pedindo para ficar naquele lugar, e nem me falaram que seria meu novo lar.
Ali chorando eu fiquei pensando que iriam voltar
Para me levar para casa
Meu lar
O lugar em que eu pensei que sempre iria ficar
Mas agora vejo que a solidão comigo está
Sozinho ali, vejo a noite chegar, os dias passarem, a fome me dominar
E chegou então um momento que não consegui mais gritar
Gritar por ajuda
Me levem de volta para meu lar
E sinto que ninguém irá me ajudar
Pois deixei mais uma vez me enganar
Em pensar que alguém comigo queria ficar
Então espero toda essa dor cessar
E todas as noites a morte vem me visitar
Falando que com ela eu posso ficar
Então deixei a morte me levar
E espero desta vez não me enganar.
_Não abandone os animais_
Oh morte eu te almejo
Neste momento de puro caos
Sinto medo pois sou fraco
Me ajude e me faça um favor
Tire do meu coração toda essa dor
Foi difícil os momentos que eu vivi
Ver tudo que eu amava ser consumido por chamas
Ver a vida se acabar diante de meus olhos
E só me restou lamentar
Nem sei como consegui tanta dor aguentar.
A paz que eu não tenho mais
Me traga só por um momento
Meu corpo está fraco demais
Para aguentar tanto sofrimento
A dor é como fogo
Que com sua chama me queima por dentro.
Então nesse momento
Em você procuro uma saída
Talvez não seja a melhor opção
Mas é difícil aguentar
Tanta dor no coração
E em meio a tantos lamentos
Vejo minha vida se acabar
E por mais que eu tente lutar
Essa luta eu sei que não irei ganhar
Oh morte venha e faça tudo isso acabar.
A face desconhecida
Um corpo nada normal
Expressão de tristeza
Que me deixa sem chão
Ao ver a imagem refletida
Ser tornar apenas um borrão
Meu corpo se enfraquece
Ao sentir a dor que permanece
Se tornar mais forte
Ao reconhecer aqueles olhos
Que consegui ver por sorte
Antes de meu corpo ser
Levado pela morte
Agora me perco entre memórias
E as lágrimas deixo cair
Ao saber que aquela imagem refletida
no espelho
Era meu ser dando um último grito de desespero.
Estórias- II… O cauteloso pescador
Estando um pescador, tão concentrado;
Em lançar pra o mar apetitoso isco;
Por pouco ia servindo de petisco;
Para algum mau tubarão esfomeado!
Foi tal, o concentrar do tal artista;
Que por tal, um grande banho apanhou;
Mas por saber nadar, lá se salvou;
Como neste vídeo, tão bem se avista!
Cuidemos o entusiasmo, em nós;
Tal como o necessário, calcular;
Antes e durante as nossas acções!...
Pra nunca, por falhar, ficarmos sós;
Pra nunca sem chuva, termos molhar;
Pra nunca em nós serem vistos: morcões.
Com cautela;
SONETO AO QUE FUI
E se te perguntarem quem fui eu
Diga que fui somente um entusiasta
De pouca prosa e que nunca escondeu
O desejo de ter uma vida vasta
Conte que apreciei cada jubileu
E se me elogiarem muito, diga: basta!
Fale que fui tudo, menos ateu
Diga que a saudade o tempo afasta
E se a poesia lhe cai como uma luva
Conte que eu estava triste ao compor
Sem saber o que era lágrima ou chuva
Não fale que fui poeta pensador
Porque não fui poeta e nem mandachuva
Quando se trata de versos ao amor
Poema publicado na obra: Quarentena – Memórias de um País Confinado - Editora Chiado Books
ADMINISTRANDO O ISOLAMENTO
No isolamento a saudade infinita aflora
Reinvento o abraço através da imaginação
Inimaginável este momento do agora
Que uma legião está presente na minha solidão
A quarentena é moradia da minha inspiração
E aproveito para interagir com o meu eu
Entre palavras, sentimentos e reflexão
Escrevo certezas e dúvidas, tento ser o meu próprio liceu
Corpo aprisionado na mente que segue liberta
Mente que resiste à estatística da dor
Cenas e números que no dia a dia à humanidade oferta
Incerteza, tristeza, piedade e temor
Daqui de dentro consigo com mais clareza
Perceber as lacunas de uma sociedade que nunca para
Seja em labuta, lazer, esperteza ou presteza
Escondendo-se em sorrisos ou mostrando a sua cara
O afastamento da rotina, é fato, adoece
Sigo em vigília para não fragilizar a minha mente
Mas, se na rotina o cidadão também padece
O momento por si já se mostra um docente
Aguardo confiante o fim da prisão do mundo
E que para o mundo um dia eu possa voltar
Sobre as perdas o meu lamento é profundo
Mas desejando às vidas alegria no recomeçar
Graça Leal
O FIM
Um dia parei para te olhar
E te olhando descobri a beleza
E com sua beleza descobri a paz
Graças a esta paz nasceu a nossa amizade
E com ela me tornei alguém
Aprendendo a superar meus erros
E para te fazer feliz, venci meus vícios
Estando perdido, com teu abraço me senti seguro
E com teu carinho descobri o amor
Com sua voz suave, aprendi uma música diferente
Que levemente tocava meus ouvidos
E fortemente tocava minha alma
Até que um dia veio O FIM
O FIM de inúmeros e belos sonhos
O FIM de tantos sorrisos
O FIM de tantos carinhos e todas dedicações amorosas
E não vai ser fácil procurar em mãos estranhas
A delicadeza do carinho de suas mãos
Não vai ser fácil procurar em outros olhos
Algum que seja igual ao seu
Enfim, não vai ser fácil procurar alguém como você
Pois para mim não existe
Pois desde que nossa união teve o fim
Me debrucei em minhas próprias lágrimas
Que em instantes fizeram de meus olhos
Duas cachoeiras das águas de minha total tristeza
E reconheço que depois que te perdi
Pude descobrir o quanto eu gosto de você
E te dou mais valor ainda, mesmo que seja tarde
Pois mesmo que tenha sido tarde
Foi melhor reconhecer, do que nuca ter reconhecido
E este fim, marcou muito em minha vida
Cavando uma imensa sepultura
Que enterrou metade do meu coração
E junto com ele todos os sentimentos pelo meu olhar
Deixando vivos os sentimentos pelo meu coração
Mesmo estando ele dividido ao meio
Eu irei sempre resistir
E mesmo que seja o fim
Apenas resta me pedir, que ao menos não se esqueças de mim
Para que minha saudade não venha a ser inútil
O DESTINO POSSUI UMA FORÇA IMENSA
QUE PODE UNIR E SEPARAR DUAS PESSOAS
MAS AINDA NÃO CONHECI UMA FORÇA
QUE POSSA SER TÃO GRANDE, E QUE CONSIGA FAZER EU ESQUECER
UMA PESSOA QUE NA MINHA VIDA ME FEZ MUITO FELIZ
ORIGINAL ESCRITO EM 10/01/1992 01:15 DA MADRUGADA DE SEXTA-FEIRA
[Distante daqui]
Por aqui tudo é tão estranho
Difícil de se discernir
Pisar nas pessoas é um hábito
O qual eu não quero seguir
Quantos te estendem a mão?
Tentando te fazer sorrir?
Poucos isso farão,pois muitos sempre vão sumir
Por algum motivo não concordo com o pensamento da maioria
A eles falta empatia,pois são pessoas de alma fria
Fria como o gelo
Que de tão frio,congela o coração
São marionetes de seus proprios desejos
Nunca agem com sua emoção
Não me encaixo com essa gente
Todos eles me fazem tão mal
Maldade assim é horrível
Mas nesse mundo é muito normal
Talvez eu deva fugir
Pra um lugar bem longe daqui
Um lugar onde eu tenha paz
Um lugar onde eu possa sorrir.
UM POUCO DE PAZ
Muito de mim pede um pouco de paz, paz de espiríto mesmo sabe? Dessas que você dança e os olhos mareja de felicidade, de um instante em que as coisas não pese sobre seus ombros como as más escolhas que você já fez, eu realmente quero um minuto de silêncio que aja silêncio, porque aqui dentro faz tanto barulho, e não consigo focar só nas coisas boas quando tem tanta coisa ruim ao meu redor, eu quero a calmaria do azul do céu, e do verde das árvores, quero sintonizar meus batimentos na vida e não em ponteiros de relógios, se for possível eu quero mesmo, e se não for possível eu quero também.
INQUIETUDE
eu sou o desejo inquieto de venerar cada segundo, sim, eu sou um ser cujo olhos só refletem incertezas, medos bobos, e sensibilidade caótica, paixões vulgares e incomum, sou a loucura fugindo da sanidade,
Transmito-me em tons e sons, em palavras e escritas, faces e expressões, agoniso meu querer, em cada gesto me tomo em queda de meus tormentos, até quando me refaço me despedaço
e mesmo se tivesse dúzias de mim, ainda assim, seria poesia
Mães… Nem sempre são perfeitas, podem ter falhas ou inúmeros defeitos, mas sabemos que sentem um amor incondicional por seus filhos, e apesar de querermos compará-las, temos a convicção de que nenhuma é igual, pois seu valor é único.
Mãe é aquela que educa, cria, ensina, ama e te prapara para a vida. Que diz aos quatro cantos que filho é para o "mundo", mesmo não estando 100% preparada para ver o seu passarinho deixar o ninho. Aquela que faz o possível e o impossível para te ver feliz; que mesmo distante ou até perto, não te deixa faltar nada e que enfrenta o mundo por você.
De sangue ou de coração, elas nos alimentam, nos acolhem e por noites não dormem só pra garantir que estamos bem. Nosso porto seguro, nossa base e em alguns momentos, o nosso espelho. Não possuem nenhum tipo de superpoder, mas são as nossas heroínas.
Mãe nunca deixará de ser... e mesmo que o destino um dia nos separe, o nosso amor será eterno.
Feliz dia das mães!
DIA DAS MÃES
Este é um dia abençoado por Deus, o das Mães; Das que se tornaram mais que simples mulheres. Vocês são nossas heroínas as quais
todos os dias nos brindam com suas parcelas primordiais em diversas áreas, demonstrando-nos, assim, amplo amor.
Rogo a Deus que continue abrilhantando os caminhos de vocês e das que já cumpriram suas missões na materialidade e hoje se encontram na espiritualidade; Que essa data, repleta de muita paz, luz e amor, repita-se por muitos anos nas vidas de todas.
Amém!!!
Imprevistos - Corona Vírus
Teve um dia...
Teve um dia que uma notícia inesperada surgiu;
Teve um dia que, de perto, não era mais possível demonstrar afeto;
que precisamos cuidar não só da nossa saúde, mas de toda a gente;
Teve um dia em que dúvidas e angústias apareceram;
Que ficamos sem respostas e não soubemos o que falar;
Teve um dia que tudo e todos precisaram se fechar por um tempo;
Chegou um dia em que um simples abraço a distância significou cuidado;
Que precisamos desacelerar para continuar;
Que precisamos ser resilientes;
Chegou um dia que descobrimos: o outro precisa estar bem para que nós também possamos estar bem.
Que aceitar e aprender um novo modo de ensinar se tornou
coragem e ousadia;
Que os desafios abriram espaço para uma nova forma de significar a palavra VIDA.
Vai chegar o dia em que precisaremos aprender com os mesmos professores, mas de uma forma diferente.
Que pais e educadores estarão, ainda mais, de mãos dadas pelo desenvolvimento das crianças.
Que vamos ter dúvidas de que as coisas não serão tão fáceis quanto parecem, mas que também não serão tão difíceis quanto dizem.
Que não vai ser perfeito, mas vamos construir juntos.
Vai chegar o dia...
Todos os dias estamos sujeitos a pequenos ou grandes imprevistos. Dias que mudam aquilo que estava programado e que mudam o rumo, o destino, nos deixando por vezes sem direção.
Só sabemos que esses dias já estão à nossa frente, que a mudança
aconteceu a passos rápidos, que os fatos desafiaram não só a nós mesmos, mas a toda uma comunidade.
Dias em que é preciso enfrentar os medos
que precisamos abrir mão do idealizado para o que é possível.
Dias em que vamos perceber: a casa é terreno fértil para as mais variadas formas de
Aprendizagem
E que é possível, sim, deixar o saber entrar.
Vai chegar um dia em que a palavra mais valiosa se chamará cura.
E nós, todos nós, temos certeza de que, com a força do verbo esperançar, esse dia logo chegará,
E descobriremos: que eu, você, nós, somos a cura do mundo.
Ola amigos..
Gostaria De compartilhar mais um pequeno poema..Bom dia a todos.
A terra não é pra todos, assim como o sol e o mar.
Nem tão pouco a liberdade,
Não me lembro de ter assinado nenhum contrato pra viver em sociedade, foi Rousseau que me enganou com essa história de propriedade.
Assim como o sol, o pobre não pode parar, todo dia se levanta bem cedo e mais tarde vai deitar.
O feriado é o eclipse, que vem de vez em quando e passa ligeiro, mas a folga logo acaba porque o pobre tem que fabricar mais...dinheiro.
Porque afinal de contas, o pobre não pode parar...
Zul Pinheiro.
Mãe é um ser que Deus criou com uma parte da paciência de Jó para suportar as aflições e dores da vida, com a força de sansão para proteger seus filhos dos perigos do mundo e com a sabedoria de Salomão para instruí -los e guiá-los no melhor caminho possível.
Parabéns a todas as mães, as nossas guerreiras e anjos da guarda!
Ela gosta sim de flores, gosta de carinho, de um mimo; de ter um dia só para ela, de se sentir importante, amada…
Gosta das mensagens que recebe no Whatsapp. Dos posts lindos que encontra no Facebook. Dos poemas e homenagens feitos pelos poetas. Tudo isso é bom. Mas o que ela mais valoriza de fato são as atitudes diárias. O respeito por parte de quem lhe diz palavras bonitas em seu aniversário ou em datas como agora no dia das mães. Ela quer ser valorizada como mulher. Como alguém que também precisa ser percebida, admirada, levada para certos lugares. Quer ter o direito de não se sentir forte o tempo todo, sair um pouco da realidade. Da condição inevitável de ser a alavanca, coluna principal do mundo. Ela não aguenta mais esse rótulo de heroína. De super mulher. De ter de ser forte em tudo e com todos. Ela só quer alguém para dividir o peso de tudo aquilo que carrega. Quer brincar com os filhos até cansar. Sorrir escandalosamente feliz ao lado de alguém, sem essas preocupações de tudo.
Ela quer ter paz, momentos de diversão com as amigas. Chorar, às vezes, quando preciso e ser resgatada, acalentada, compreendida…
É claro que ela ama ser mãe, mas ama também ser mulher.
E ambas as condições se completam em uma só vontade: de ser apenas ela mesma, como mãe e como mulher. Sem rótulos e sem paradoxos.
Só queremos um pouco de atenção. Não vamos tomar todo o seu tempo. Se estamos em silêncio é porque nem sempre queremos está só. Mas sim ouvir. Apenas ouvir,
As vezes nossa dor não passa sem que haja uma transmissão uma conexão entre uma conversa, um diálogo uma comunicação. O desabafo ajuda a nos manter mais forte e resistente diante de um fracasso. Uma perda.
Onde Jaz a Borra Fria
Vou fazer um mau negócio,
Mas ainda assim vou fazer
E não sei porquê, é contra o ócio.
Vou pegar na caneca
De café frio de ontem
Que deixei por beber.
Tiro da lapela cem por conter,
Mais um comprimido pra me erguer,
Pra aumentar a dócil doze
Do meu amargo pró renascer.
Vou contra-indicar a indicação
Do concelho médico e a merda de ética.
Aproveitar a deontologia da vida,
Rasgar em mil a bula,
Só para não ter saída.
O traço de ilusão, desfaço
Em pó sem dó nem contemplação.
Vou senti-lo no meu coração,
Bater de mentira e fantasia.
Vou sobrevoar sobre este dia
E o tempo irá pairar sobre mim.
Jogar do bordo da mente que apavora,
Atestado de alucinação.
Arritmia da chuva fria que cai lá fora,
Que cai como lamina na minha audição.
Da guilhotina destravada
Pelo carrasco do desgosto,
Sem saber que ceifa
Do mundo uma alma pelo pescoço.
O beneplácito da justa injustiça...
Pior não é ser mista, é ser zarolha.
O pior é que a cabeça é roliça
E rola o mundo e a visão da vista.
Minhas mãos atadas no grilhão,
Ainda podem sufocar o carrasco,
Só não podem dar mais ao cão,
Um ensanguentado osso
Nem à mulher aquele libido desgosto.
Findo posto, crânio rola
E tudo vejo, tudo sou e me consola.
A cada amasso que levo, tombo.
Crânio estala, escalpe hematoma.
Sinto tudo, parece ate ter visto um pombo!
Mas estalar-se-me um dentre no duro
Paralelepípedo negro de granito.
De tão sarcasmo escarrado que foi,
Não me sinto mal nem aflito.
Só sei que estou para aqui
Olhando para um lado nenhum,
Como quem deita na relva enamorado.
Ainda que corpo já não tenha,
Mesmo assim ninguém me apanha.
Pelos vistos já não estou nem sou,
Sou só coisa pendida com é leve a teia de aranha.
Ai que manha, esta vida!
De invólucro tão comprimida,
Como pra culatra do revolver
Num ápice envolve alma aturdida.
Carrasco por onde andas?
Quero para mim esse capuz preto!
Pois da minha alma é certo
Que ando aqui porque vegeto.
Carrasco... Responde!...
Ou tenho que esbracejar?
E se o faço... sou lagarto a quem cortaste o rabo.
Mais tarde ou mais cedo vou-te apanhar.
Esbracejo, esbracejo, bocejo...
E vejo parede por todo lado.
É que é uma merda de um cubículo
Onde tenho esbracejado.
Tenho quatro paredes abstractas,
Vê lá tu como te tratas.
Que do carrasco precisaste,
Ca porra do amor arrastasse,
Para este findo dia à falta de ética.
Já não mais me faz companhia.
Pois minha alma se repleta,
Da caneca de outro dia onde jaz a borra fria.
Ficou alguma coisa por dizer ao carrasco?
Aguarda que uma borrasca de água se faça,
Tira da lapela mais cem por conter.
Na ética do carrasco há um capuz preto
E na deontologia, lâmina que faz chover!
