Texto Narciso
Narciso
Quando ele precisa, ele me procura.
Quando percebe que eu posso seguir em frente, aparece só para marcar território.
Ele pode tudo. Eu, quase nada.
Está sempre mais cansado, sempre trabalha mais, sempre acha que a vida dele é mais difícil que a de qualquer outro.
Tudo o que é dele parece maior, mais pesado, mais importante.
Diz que não tem amigos, mas vez ou outra está com eles.
Reclama da solidão, mas rejeita a presença de quem quer cuidar, somar, estar de verdade.
No fundo, não é sobre cansaço.
É sobre controle.
Sobre manter alguém disponível sem assumir responsabilidade.
Sobre querer acolhimento sem abrir espaço.
Sobre não estar sozinho, mas também não permitir ser acompanhado.
E isso cansa.
Porque quem fica sempre à disposição também se esgota.
EM ALTA DEFINIÇÃO.
Narciso voltou.
Não das águas turvas do mito antigo,
mas do brilho polido das vitrines digitais.
Renasceu, qual fênix perfumada,
das cinzas do próprio reflexo,
com legenda estratégica e luz lateral.
Já não precisa inclinar-se sobre o lago.
O lago agora o segue, portátil e obediente,
no bolso da vaidade.
Multiplicou-se em telas,
em ângulos estudados,
em versões de si mesmo,
sempre a melhor, por certo.
Como dizia aquele,
“é preciso ter caos dentro de si
para dar à luz uma estrela dançante”.
Narciso levou ao pé da letra:
fez do próprio caos um espetáculo
e da estrela… um holofote.
E recorda, comovido, o outro:
“O poeta é um fingidor.”
Ah, mas Narciso superou o mestre:
finge tão completamente
que chega a crer na própria encenação.
Sua dor é estética.
Sua alegria tem enquadramento.
Seu abismo tem alta resolução.
Outrora morreu por não suportar
a distância entre si e a imagem.
Hoje morre aos poucos
se a imagem não recebe o aplauso.
Antes, o lago era silêncio.
Agora, o silêncio é algoritmo ingrato.
Pergunta-se, entre um elogio e outro:
o que pode detê-lo?
Talvez o olhar que não o reflita,
mas o confronte.
Talvez o amor,
essa imprudência que exige entrega
e não performance.
Ou, quem sabe, como sussurraria mais um:
“o inferno são os outros”,
mas apenas quando não o admiram.
Até lá, Narciso reina.
Imperador do próprio contorno,
devoto da própria imagem.
E aplaude-se com fervor,
sem perceber
que nenhum espelho,
por mais fiel que seja,
é capaz de abraçar.
A Máscara de Narciso
Esconde-se no manto da arrogância,
senhor de uma razão que o cega e conduz.
Ergue muros de ferro em sua própria estância,
onde a sombra se veste com restos de luz.
Disfarça a vilania na pose devota,
temente a Deus diante do olhar alheio.
Mas a hipocrisia é sua única rota,
e o vazio do peito, o seu maior freio.
Captura a vida em lentes mentirosas,
simula a doçura de quem sabe sentir.
Mas sob as imagens, outrora viçosas,
revela o veneno de quem quer ferir.
No espelho de si, mergulha e se perde,
refém de um medo que não quer nomear.
Faz do outro o louco, a alma que morde,
pois morre de susto se ousam o amar.
Foge do afeto, do toque, do abraço,
despede-se aos poucos até se anular.
Ocupa o mundo em um enorme espaço,
mas não sobra ninguém para o habitar.
Poesia de Islene Souza
Era uma vez uma Planta.
Tão bonita quanto Narciso,
Tão perigosa quanto o sol de Ícaro.
A Planta brotou em uma madrugada de segunda,
Formosa, serena, vaidosa.
Seus caules curiosos sonhavam em tocar as águas do Rio em Camboja. Mas, como chegar tão longe sendo apenas uma...
Planta.
Simples!
Ela era perigosa.
Arrumou as malas, pentou as folhas, arrancou o caule da terra desde o âmago
Para ser....
Formosa, serena, vaidosa
Em Camboja
Onde sabia que além de tudo séria...
Feliz.
Como no mito de Narciso que se apaixona pela própria imagem refletida no lago, algumas pessoas, simplesmente, não conseguem desviar os olhos de si. Seu mundo se resume em apreciar-se apenas! Negando qualquer valor, beleza ou talento em seus semelhantes.
Todos os dias nos vemos cercados de "Narcisos e Narcisas"
certos de que não há ninguém mais inteligente, mais belo, mais genial, mais...mais... que eles. Esquecem-se que "perfeição é meta inatingível".
Grandes gênios da pintura, da escultura, da literatura, das ciências, embora os achemos perfeitos, não sofreram da síndrome do Narcisismo, uma vez que nunca sentiram que sua obra estava perfeita, mas morreram acreditando que poderiam ter feito melhor.
Cika Parolin
-Eu me amo, não posso mais viver sem mim (U.ao Rigor)
-O narciso acha feio o que não é espelho.(G.GIL)
-O cego acha bonito o que não ve.(minha)
-Nao julgueis para não serdes julgado...(Biblia-Mt-7-1)
-Só Deus pode me julgar...(Tatoo\anon.)
-Se dependo do meu trabalho, do meu direito, de Deus pra viver, só ele pode me julgar, e nao preciso ir ate ele ele esta em mim...
BRAÇO FORTE
Este Sol é o mais temível e puro
Reflexo de Narciso sobre o Lago;
Um clarão noturno em dia escuro,
O futuro do passado em que indago.
Diz-me ele que o dia é o seu trabalho;
Traz a Justiça, sobre o Amor, mitigada
Não vai remissa a Sabedoria, apartada,
Do entendimento, a Voz do ordálio.
A essência da Poesia é a metáfora;
É ontológica a santa obviedade,
Tão curta, quanto longa a Eternidade.
Quando respiro, te embalo, te mitigo.
Corpo frágil é fértil e forte na Infinidade,
Pois em ti resvalo, te afago, expiro contigo.
(Fonte: http://wp.me/pwUpj-140)
NARCISO É EXTROVERSO NO ESPELHO QUE REFLETE A BOLHA VIRTUAL
As inúmeras madrugadas, espargidas no tic-tac das horas e sob o compasso das navegações virtuais estruturou uma bolha virtual sobre o navegante internauta. Ressinta-se que as imagens geradas no espelho, antes de repercutirem resultados positivos, refletiram um narcisismo extroverso, que exalta o individualismo, colidente com a marcha existencial, pontuada de diferenças sociais, que desafiam a articulação da solidariedade e tolerância na insuperável coexistência humana.
Reconhece-se por meio de lições filosóficas consolidadas que: “Ninguém é o centro do universo” e, nem tampouco, detém todos os conhecimentos, informações, para se sustentar numa perspectiva de autossuficiência. Isso se dá, acredita-se, para que a interação humana seja uma realidade, permutando informações ou produtos, e, enfim, suprindo aquilo que ainda não possui. Neste âmbito coletivo de ensaios existenciais, não obstante, depara-se com a opção de vidas no insulamento, a exemplo dos monges e ermitões. Ressalte-se, porém, nesta vertente, que o mínimo de gente, esses necessitam para garantirem as suas sobrevivências.
A vox populi continua ofertando lições gratuitas e, por isso, talvez, permaneça com o rótulo de clichê. Dela, não obstante, se colhe o axioma que ensina: “a união faz a força e “duas cabeças continuam pensando melhor que apenas uma.” Constata-se, nessas máximas, de forma ratificadora, que as grandes conquistas, descobertas, foram frutos de esforços de muitos. Aliás, grassa refletir, que nenhum combatente, sozinho, venceu os conflitos bélicos.
Exsurge, neste âmbito do coletivo em face do individual, enquanto necessário, a adoção de cautela, amiúde para evitar interpretações equivocadas, julgamentos preconcebidos e, mormente, não equivocar-se o solitário com a solidão. Há pessoas que gostam, e até necessitam de solidão momentânea para seus estudos e reflexões, no mesmo passo em que, de outro lado, há pessoas solitárias que conduzem felizes suas existências, apesar da ausência de humanos.
Cabe ponderar, neste viés da individualidade, que a superestima de conhecimento, com o ego inflado de informações, a partir das relações virtuais, estruturou em muitos a bolha da exceção social. Esse fato, com pesar, se dá semelhantemente a uma fase obsessiva de fascinação, onde o ser se isola, acreditando saber mais que todos, ou o suficiente para não necessitar mais de vida social.
Consigne, que o paradigma da nova era entre os povos tem sido o pessoalismo, num monólogo virtual, orquestrado sob a quimera de que tudo que se necessita está logo à frente na rede virtual de comunicação. Ressinta-se, que muitos ignorem que o humano é um ser eminentemente social, que necessita interagir, permutar informações, coexistir afetivamente com o sexo oposto ou não, inclusive para ampliar o sentido da sua efêmera existência.
A imagem da bolha virtual, sob a âncora da individualidade, que se reflete no espelho, não é o narciso da beleza que se propugna, antes projeta o ilusionista. Insta ponderar, aliás, que os sociólogos e humanistas admoestam que ninguém consegue viver só. Essa lógica encontra álibi entrementes na seara embrionária dos humanos, haja vista que todos nasceram por consequência biológica de, no mínimo, uma mulher e um homem.
A internet afigura-se a mais expressiva fonte de pesquisa que se dispõe na atualidade. O encurtamento das distâncias é uma realidade, mas não se justifica tantos internautas presos à navegação, quando se distanciam do calor humano. Pondere-se, que possível é ter uma vida prazerosa, simultaneamente com a assessoria da rede virtual de comunicação, sem excessos, com tempo para família, amigos e, acima de tudo, para apreciação da mãe natureza, que continua ofertando lições gratuitas acerca da arte de bem viver.
Narciso II
Bebera Narciso da água da fonte
Onde pisara em folhas secas
Em atos desejosos por águas límpidas
Donde se via a tua face estampada
Curioso se enamorava ao vê-lo
Não deixando se quer piscar
Pois tua face era de tamanha beleza
Que nem a si mesmo ele pode explicar
Passaram se tempos e tempos
Dias e noites caiam ao seu olhar
E um namoro do seu próprio eu
Ficara pra sempre no seu namorar.
Narciso III
No espelho de águas correntes
Vivera um sonho do seu olhar
Amaste ao teu próprio ser
Como se viver fosse apenas se amar
Hipnotizado por uma beleza
Que ainda não havia conhecido
Fonte do teu ser que brotara
Nascente de flecha, olhar de cupido
Inocente ato de necessidade da sede
Onde tivera a oportunidade de se ver
Percebendo que o mesmo era belo
Beleza singular que não pudera prever
Enamorando a si mesmo, desejado se ter.
Narciso IV
És tu narciso, espelho da beleza
Reflexo do belo, vitima da ilusão
Prisioneiro de si..
Queres poder, queres alcançar
Onde não se pode por a mão
És tu idealizador do perfeito
És belo por direito
Mais por emoção do que por razão
És tu narciso, dono do nome
Que faz do belo, um homem
Que de beleza tem fome
Sentimento que é mais forte
De fora pra dentro
Que se resume num só sentimento
Narcisismo ou não
Só sei que essa beleza lhe explora
Mas o satisfaz...
Fazendo o feliz por outrora
Numa certeza senhora
Que não o abandona jamais.
És tu narciso.
NO LAGO DE NARCISO
Tudo que vive e que se sente
Passa rápido demais.
Dores, paixões, libidos, surtos...
Enfim....
E no fundo só resta o eu
O eu só, o eu sozinho.
Meu corpo quer um pouso
Já se cansou de prazeres camaleônicos
Onde o meu Narciso
Tenta se afogar no lago da sua beleza
Mas não se vê.
Se afoga Narciso... Se afoga!!
Meu tempo é efêmero.
E Tudo em mim é naufrágio....
Narciso I
Quando parte de mim
Não mais belo for
É por que não mais sou eu
Não mais eu sou
Por que parte de mim é beleza
A outra metade é amor.
Amor por si próprio
Pela perfeição de um ser
Narciso que me identifico
Uma beleza que eu desejo ter
Pois o belo se idealiza
Num desejo do próprio ego
De querer e até mesmo ser.
Galanteios
Ela.
Eu sou o narciso de Saron,
o lírio dos vales.
Ele .
Sim, como o lírio entre espinhos
é, entre as jovens, a minha amada.
Ela.
Como a macieira entre árvores silvestres
é, entre os jovens, o meu amado.
À sua sombra eu quisera sentar-me,
pois seu fruto é saboroso ao meu paladar.
Amor apaixonado
Ela.
Ele me conduziu à casa do banquete,
onde a bandeira era para mim sinal de amor.
Restaurai-me as forças com tortas de uva,
revigorai-me com maçãs,
porque desfaleço de amor!
Sua esquerda apóia minha cabeça,
e sua direita me abraça.
Na busca da imagem perfeita e bela da figura Narciso, o ser humano passa a se reconhecer no mundo redesenhado e virtualmente tatuado, mas esse argumento político de buscar a perfeição no ídolo da
globalização pode levá-lo, por meio dos meios eletrônicos da comunicação, a
se tornar politicamente abstrato e ingressar num processo de coisificação,
transformando-o em um objeto do próprio prazer de se ver.
Na vida, muitas vezes nos perdemos na nossa própria imagem, como Narciso na mitologia grega, que se apaixonou por sua própria reflexão.
Esse autoadmiracao pode nos levar ao sofrimento, pois a verdadeira felicidade surge quando nos abrimos para os outros, encontrando alegria e amor ao nos distrairmos das nossas próprias preocupações. Narciso morre de amores por si mesmo, não encontrando a felicidade plena apenas consigo mesmo.
Quando nos fechamos em nós mesmos, podemos nos sentir solitários e tristes, mesmo na presença de outras pessoas.
Por outro lado, ao nos conectarmos verdadeiramente com os outros, encontramos paz, enquanto a falta de interação pode aumentar a ansiedade.
Para crianças e adultos, encontrar distrações pode aliviar o sofrimento, desviando nossa atenção de preocupações pessoais para algo mais positivo.
No entanto, a incapacidade de formar laços significativos pode ser comparada à fome emocional, onde nossa atenção permanece voltada para dentro.
Durante momentos difíceis na vida pessoal ou profissional, é importante manter conexões com os outros para receber apoio e crescer juntos.
Assim, a experiência humana não é apenas sobre nós mesmos, mas sobre como nos relacionamos com os outros.
É nesse intercâmbio que encontramos cura e resiliência, descobrindo uma maior realização pessoal através das conexões significativas.
A borboleta se transformou no próprio espelho d'água, como Narciso se transformou no lago em que viu sua imagem. A borboleta se integrou ao espelho d'água, tornando-se água viva.
O tempo às vezes caminha de costas buscando recuperar o tempo perdido. Mas nunca alcançará, pois o passado é um abismo inalienável, que arrasta para a morte aqueles que por ele se apaixonam.
O rio que evapora em seu ciclo vira chuva que alimentará novamente o rio. O fim é inexorável, todos desaguando no mar, como eu deságuo no peito do homem que eu amo e me silencia.
A solidão se transforma em duas cidades: uma feliz, e outra infeliz. Na cidade feliz ela é calma nos corações e convida a uma produtividade serena. Na cidade infeliz a solidão corrói os corações e pela alma uma ausência ancestral. A solidão pode ser as duas cidades ao mesmo tempo.
Acreditar se alimenta do néctar das flores. Dorme abraçada a um urso hibernando e existe em cada coração que planta esperança.
Assim foi dito: que as águas transcorridas, repletas de tesouros, não movem o lamaçal de uma chuva impetuosa.
A cor do silêncio é transparente e luminescência. Ela povoa um coração angustiado, sem ser notada, mas com sua força de cura transforma em brilho. E o ser pode resplandecer.
Emergem fragmentos que se encaixam para restaurar a linguagem, pois a linguagem nunca morre, assim como minha esperança de achar petróleo no quintal. Ficar rica somente para seduzir esse amor bruto que não cala em meu peito.
Sou mais eu quando explodo, e partes de mim alcançam seus dedos de música, que me comove e me consome, como a aranha viúva negra, que mata ao acasalar.
Eu sou o vento, a brisa que te refresca gratuitamente. Os cabelos se movimentam, como o movimento que faço para que meu amor me enxergue. Se ele não me ouve como brisa, viro tempestade a molhar seu corpo. Não morreremos, pois assim como Jesus no mar bravio apascenta a água.
ABSOLVENDO NARCISO
Joguei fora o meu espelho
Afundei-o nas águas
Pra mim e pra tudo
Passei a não me ver por fora
Para aceitar-me por dentro
Cabelos desgrenhados
Roupas maltrapilhas
Dentes
Unhas
Imagem
Abandonadas
Fiz da repulsa meu escudo
Pouco ria
Mal falava
Nada questionava
Só a mim
O que eu estava fazendo
Ali e comigo
Mutilava-me
Envenenava meu corpo literalmente
Mesmo desprezando o espelho
Ainda via meu reflexo
No fundo das águas
Nos outros olhos
Eu não agradava
Não me agradava
Não me enquadrava
Sentia-me sujo
Coberto por uma pele
Em putrefação constante
Por dentro e por fora
Cada vez que ousava pensar
Em mim
Nos meus verdadeiros
Sonhos e desejos proibidos
Ainda que meus
Uma eterna sensação
De renascer sempre
Para a morte
Mas eu insistia em respirar
Mesmo me tapando
Eu
E os outros
Agora me tornara um bicho
Fiz de mim um monstro
Um coitado
Um bosta
Feio
Estava de mãos dadas com a solidão
Fiz com que o espelho envergonha-se
De me refletir
O meu espelho
Perdido
Quis meu reflexo de volta
Como fosse
De qualquer jeito
Maneira
Senti que precisava ver
Pra me ver
Senti que as flechadas
Doíam mais pelas costas
Precisava receber de frente
De peito aberto
Na cara
Assim poderia
Eu
Desviá-las
Quebrá-las
Ou devolve-las
E sem que ninguém percebesse
Resgatei meu espelho
Do lixo
Do fundo de minhas águas
Com muito medo
E força
E mesmo sem saber nadar
Tomei-o de volta
Meu.
in-sa-tis-feitos
Vestir-se com o ideal de si
A fantasia do seu próprio eu
Aflora narciso
Abaixa decência
-- a tal decadência
!
O máximo e o mal
O bom e o real
A vida
O caos
O filtro
A foto
A pose
O jeito
Janela
Quebrada
É boa a estrada
Pra quem é perfeito
!
Doce ilusão
Amarga verdade
A tal vaidade
Que enche o peito
!
Que golpe num ego
Tão frágil e ferido
Um pobre menino
Que busca respeito...
Mas ele, em seu leito,
Dormente
Insano
Um santo profano
!
Esquece o eleito...
Vive como a ilusão de si
Sem conhecer-se
Sem se amar
Sem merecer-se
Sem se encontrar...
Um dia, ele há de ser!
Um dia
!
ele acordará...
¿Será?
