A Máscara de Narciso Esconde-se no... Islene Souza
A Máscara de Narciso
Esconde-se no manto da arrogância,
senhor de uma razão que o cega e conduz.
Ergue muros de ferro em sua própria estância,
onde a sombra se veste com restos de luz.
Disfarça a vilania na pose devota,
temente a Deus diante do olhar alheio.
Mas a hipocrisia é sua única rota,
e o vazio do peito, o seu maior freio.
Captura a vida em lentes mentirosas,
simula a doçura de quem sabe sentir.
Mas sob as imagens, outrora viçosas,
revela o veneno de quem quer ferir.
No espelho de si, mergulha e se perde,
refém de um medo que não quer nomear.
Faz do outro o louco, a alma que morde,
pois morre de susto se ousam o amar.
Foge do afeto, do toque, do abraço,
despede-se aos poucos até se anular.
Ocupa o mundo em um enorme espaço,
mas não sobra ninguém para o habitar.
Poesia de Islene Souza
