Momed Dalsuco
*"Basta Ser Eu"*
Não preciso ser um herói,
Nem um poeta de rimas perfeitas,
Nem um músico de canções doces,
Basta ser eu, para te amar.
Com você, meu amor, eu encontro a voz,
E as palavras simples viram poesia,
Sem máscaras, sem disfarces,
Apenas o coração, que lateja por você.
Eu não preciso de mais,
Apenas ser eu mesmo,
Para demonstrar o quanto te amo,
E o quanto você é meu refúgio.
Você é o meu sol, a minha lua,
A estrela que ilumina a minha noite,
Você é a minha casa, o meu lar,
Onde eu quero estar, para sempre.
Com você, eu sinto paz,
E o meu coração bate em harmonia,
Você é a minha música, a minha dança,
A razão pela qual eu vivo, e sou feliz.
Mas quando você se vai,
A escuridão me envolve,
E eu sinto a falta do seu sorriso,
E o meu coração se desfaz em lágrimas.
Eu sonhei com você,
Em noites de insônia e saudade,
E quando acordei,
Você estava lá, em meus braços.
Você é a minha dor,
E a minha cura,
Você é a minha cruz,
E a minha redenção.
*Vigília do Ancião*
Na calada da noite,
o sono não aparece.
Castigado pelos pensamentos intermináveis,
persigo um desafio para o futuro dos meus filhos.
Busco cumprir a promessa antiga:
que as gerações vindouras
recebam de mim um legado digno do seu ancião.
Será preciso ser um super-homem,
pois a vida é cheia de armadilhas.
E eu carrego a missão difícil, espinhosa,
de abrir caminho onde não há trilho.
A noite vai passando,
e o sono nem se aproxima.
Fico eu com as minhas ideias,
me perguntando se um reforço seria melhor.
Mas sei que terei que trabalhar,
criar, insistir,
para que filhos, netos, bisnetos
e todos os que vierem depois
deem continuidade aos meus sonhos.
Para construir um grande império,
será preciso derramar muito suor.
E eu embarco nesse projeto,
com todo o sacrifício necessário,
para que meus futuros herdeiros
possam, um dia, ter orgulho de dizer:
"Veio dele".
*Se o silêncio falar mais alto*
Se o silêncio falar mais alto hoje,
deixa que ele diga o que eu não ouso:
que em cada batida do meu peito
mora o teu nome, manso e repouso.
Se o silêncio falar mais alto,
não prometo céu sem tempestade,
mas prometo mão firme na tua.
Se o mundo virar de cabeça pra baixo,
eu danço contigo nessa rua.
Se o silêncio falar mais alto,
te quero nas coisas pequenas:
no café quente, no “dorme bem”,
no riso que escapa sem motivo,
no quase-beijo que vem e não vem.
Se o silêncio falar mais alto,
lembra: amor de verdade não se mede em chão.
Ele atravessa mar, atravessa tempo,
e encontra abrigo no teu coração.
Se o silêncio falar mais alto,
te quero sem medida, sem desculpa,
pele na pele, verdade nua e crua.
Se o mundo pedir que eu te esqueça,
eu escolho te amar na contramão da rua.
Se o silêncio falar mais alto,
teu nome queima na ponta da língua,
incendeia tudo que eu tento calar.
Não é carinho manso, é tempestade —
e eu quero me perder no teu mar.
Se o silêncio falar mais alto,
quando teus olhos me acham no escuro,
o tempo para e tudo faz sentido.
Um teu "fica" já me deixa rendido.
Se o silêncio falar mais alto,
se amar é risco, eu assino sem medo,
se é queda, que seja no teu abraço.
Porque fora de ti eu só existo,
mas contigo eu aprendo a ser espaço.
E se um dia me perguntarem por que te amo,
eu vou sorrir e responder baixo:
"É porque, quando o silêncio falou mais alto,
eu descobri que era lá que eu moro."
Tragédia anunciada
Parece brincadeira,
brinca-se mal com as pessoas assim, porquê mesmo?
Joga-se riso onde devia caber abrigo,
faz-se piada com o que sangra por dentro.
Rasga-se a carta com a mão que jurou guardar,
e chama-se de leveza o peso que ficou no ar.
Que tristeza
ver o amor tornar-se moeda de troca,
ver promessas partidas como copo no chão,
e ninguém juntar os cacos.
Que tristeza
é esperar mensagem que nunca chega,
é dormir com o silêncio a fazer eco,
é sorrir na fotografia e chorar depois do clique.
Parece comédia,
os atos, as caras, o silêncio ensaiado.
Entrada, saída, aplauso na hora errada.
Toda a gente a rir da cena que me parte,
toda a gente cega para a faca que ficou cravada.
Vivemos nos últimos tempos
a falta de compaixão,
a falta de valores.
Ninguém se importa com o próximo.
Passa-se ao lado da dor alheia,
troca-se o abraço por uma notificação,
troca-se o olhar pela pressa.
O mundo gira depressa demais
para reparar em quem ficou para trás,
e chama-se de normalidade
à frieza que se tornou hábito.
Mas uma tragédia
é quando o pano cai
e só ficas tu no palco vazio,
a aplaudir sozinho a dor que ninguém viu.
É carregar o nome de quem te esqueceu,
é decorar uma despedida como se fosse verso.
É perceber que o fim não grita,
sussurra... e vai-se embora.
Parece brincadeira,
mas já não tem piada.
Parece comédia,
mas já não há plateia.
Só resta esta cena final:
eu, as luzes apagadas,
e o coração a tentar perceber
porque doeu tanto
aquilo que começou como nada
num mundo que se esqueceu de sentir.
