Texto de Solidão
Ama-me
Banhe-se em fontes de águas cristalinas
E me mostre à transparência da sua alma.
Perfume-se na flagrância das flores
E me deixe sentir o cheiro do seu corpo.
Se vista de amor por mim
E me entregue todo o seu prazer.
Olhe para o céu
E reflita o brilho das estrelas em mim.
Sonha comigo
E me deixa realizar os nossos sonhos.
Seja autêntica
E revele-se você mesma junto a mim.
Ama-me com ternura
E me deixe te amar de corpo, alma e coração.
Faça de mim o teu querer
E meu amor será eternamente seu.
Edney Valentim Araújo
Prematura
Nos passos apressados dessa fuga
Onde não te encontro, não sinto teus abraços.
Corro da solidão.
Eu me visto das lembranças vividas,
De um tempo em que a troca de olhares
Já dizia tudo que sentíamos.
Nas palavras contidas pelo silêncio
Floresceram emoções de toda uma vida.
Vida não vivida, vida interrompida.
E dessa morte abrupta e prematura de sentimentos
Ao menos um sobreviveu,
O meu “amor” por você.
Edney Valentim Araújo
O tempo
Ah!...o tempo.
O tempo que não passa para quem ama.
Saudades, lembranças, sonhos e recordações,
Momentos vividos... momentos sofridos... Saldos de alegria.
O tempo que torna essa estrada longa e solitária sem você.
Só quem ama sabe que o tempo não passa,
Nem para esquecer, nem para ser esquecido.
Ah! O tempo nestes corpos amortecidos,
Se opondo ao amor rejuvenescente da alma vivente
Enquanto ele nos prepara o último sono.
Ah!...o tempo,
Que para o amor não é mais que uma fração momento.
Esse tempo que é sempre de amar você.
Edney Valentim Araújo
Em silêncio
Se não lhe digo o que sinto
É porque sinto em silêncio
Onde sobram sentimentos
Que me calam a alma.
Se falo o que penso
Já não penso mais no que falo
Levado pelo ímpeto deste sentimento,
Que me toma num suspiro contido no arrepio.
E como dizer o que sinto
Sem nunca dantes ter sentido este furor...
Só sei que é por você que eu sinto
Paixão e ternura transformada em “Amor”.
Edney Valentim Araújo
Quem
Quem poderá resgatar o meu coração?
Coração que se perdeu no encanto de um olhar.
Esse coração que você arrebatou e levou para tão longe de mim.
Coração que mesmo distante sinto bater por você,
Porquanto em mim sua ausência só faz aumentar minha dor.
E aqui onde estou, sem seu amor, sem seu calor, não haverá outro amor.
Quem poderá resgatar o meu coração?
Quem o trará volta para merecer todo o meu amor?
Quem dividirá comigo esse coração sem precisar levá-lo de mim?
Edney Valentim Araújo
Campo minado
Neste risco em que me arrisco
Por amar-te mais que a mim
Já não sei mais de mim.
Se é o começo do meu fim
Ou se estou no começo de nós dois.
É um campo minado o seu coração
Onde eu me arrisco e me equilibro
Na corda bamba dessa ilusão.
Se caminho entre pedras e espinhos
Já não sinto mais a sangria das feridas.
Esse risco em que me arrisco
Sofro o risco de um amor doído.
Onde quero que me queira,
Como me queres eu quero ser,
Não sabendo se me queres com você.
Edney Valentim Araújo
Flor
Procurei uma flor e encontrei você,
Rendi-me aos teus encantos e me perdi,
E nas vielas deste jardim
Já não encontro mais a saída.
Desejo tanto o seu amor
Que já não vejo outra flor
Só me vejo em teus braços
Para sentir o teu calor.
Tenho-te tanto amor
Que já não procuro outra flor.
Eu só quero você minha flor
Para florescer meu jardim.
Edney Valentim Araújo
Jamais direi “adeus”
É você esse fogo ardente em meu peito,
Que me aflige sem se apagar,
É o meu primeiro pensamento no dia e o último ao entardecer.
Viverei de reviver você
Aplacando essa força avassaladora que age em mim.
Na jornada dessa estrada que se chama “vida”
Meu coração acolheu você, és tu a minha amada.
Ele bate por você
E minh’alma respira esse amor.
Não lhe direi “adeus”...
Serei metade de nós dois
Contrariado o caminho solitário de momento.
A você eu jamais direi “adeus”...
Farei minha jornada através da eternidade
Até que nossos passos se tornem um só.
Rosas vermelhas eu levarei para lhe oferecer,
Cumpra o seu destino enquanto eu espero por nós dois,
Ele está lá dentro desta criança que cresceu amando só você.
A minha tempestade não passará sem você,
Mas farei dela o meu retiro até que em você se ache o meu amor.
Serei lembrado por lutar contra o destino
Que não nos quis juntos neste tempo,
Mas que se rende dia a dia vencido pelo amor que sinto por você.
Nas mãos, rosas vermelhas,
Eternas mensageiras desse meu querer.
Caminharei um dia ou dois...
Caminharei três dias ou mais...
Mas ainda caminharemos todos os demais dias que o sol brilhar para nós dois.
A você, que nunca se despediu de mim,
Eu jamais direi “adeus”...
No silêncio
Quero a desejada liberdade
Como tem meus pensamentos,
De estar sempre com você
E não lhe esconder o que eu sinto.
Cuido dizer meus sentimentos
E afastá-la do meu ver,
Onde ao longe eu à cortejo
E tão de perto eu te sinto.
É breve no meu peito este bramido
De um grito intenso e contido,
Onde falo deste amor
No silêncio de um suspiro.
É intenso o meu amor
Como é grande a minha dor...
Por sonhá-la comigo
E não ganhar o seu amor.
Edney Valentim Araújo
Cura-me!
Morro de saudade do teu sorriso, ele alimentava o meu;
Sinto muito a tua falta aqui no sofá de casa embaixo das cobertas comigo;
Sofro amargamente com o frio da solidão;
Não ter você é a mesma coisa que andar sem roupas, pois me sinto nu e despreparado é o mesmo que caminhar com calçados apertados, pois revela pouco do muito que incomoda por dentro;
A cruz que carrego pesa toneladas, ela está me esmagando;
Livrai-me dessa penitência, quero me curar e voltar a sorrir de novo, ao teu lado.
Vem Sem Medo!
Neste exato momento, estou com vontade de abraçar o teu corpo para sentir a nossa conexão por muitas horas. Juro que eu queria estar com as minhas mãos segurando firme atrás do teu pescoço, sussurrando no teu ouvido e invadindo a tua intimidade ao mesmo tempo. Só o silêncio da noite iria ouvir o pulsar forte dos nossos corações, á como seria bom transbordar o amor em forma energia delirante!
Minha boca esta seca, minha respiração esta ofegante, a ansiedade pra te ver me assusta, tenho pressa pra te encontrar e contrariar o frio desta solidão.
É uma Pena!
Quando deixei de acreditar, tudo entre nós perdeu o sentido. O meu coração foi se machucando aos poucos quando começou à perceber a tua quietude e quando sentiu ao seu redor a falta dos teus sentimentos, antes tão presentes e cuidadosos.
Foi duro olhar nos teus olhos e não me ver mais neles, foi difícil tentar entender que a alegria e a liberdade da minha alma estavam perdendo o fôlego e o brilho, éramos como dois loucos dançando na chuva, sabíamos aproveitar cada minuto juntos, tínhamos significado. Hoje, eu mendigo algumas lembranças com a solidão no silêncio das noites frias, as vezes me pego rastejando pelos quantos do quarto, sofrendo com a insônia deixada por você. É uma pena, a nossa ideia de "juntos para sempre" ter chegado ao fim.
Bora mochila!
Mais um par de meias colocado na mochila, acordei com uma vontade de desbravar o mundo em busca do que me faça bem.
Quero ser guiado por sorrisos, quero me abastecer de abraços, quero me achar nos olhares mais bonitos deste mundo.
Dizem que o tempo cura tudo, prefiro acreditar na força de se manter viajando para afastar os males assim como se alimentar daquilo que trás felicidade.
Chega de papo com o vazio, já prometi minha trégua momentânea com a solidão, ela acreditou mesmo que era só uma trégua! fiz com os dedos cruzados.
Bora mochila! Adeus casa, adeus passado!
"Deus já te tirou do vale há muito e te levou para os cimos. Respirar no alto dos montes não é fácil, mas você aprenderá a arte de viver misturando oxigênio rarefeito e amor... O oxigênio escasso vem de Deus, ensinando a tua alma a criar o próprio hálito, mas o amor vem da tua renúncia, porque viver no alto significa, também, solidão."
(In "Espírito - Vivendo no Coração do Pai")
Amores passageiros
Amores que sonhamos, desejamos e pedimos a lua.
O encanto do tornar-se real inunda o coração, mas, ao mesmo tempo, confunde,
De modo que, a janela dos sonhos se fecha dando espaço a um grande nó na garganta que se une as lágrimas...
Sobressai o embriagar do querer sentir o toque, o cheiro, o afago, em meio ao vento frio e vazio da escolha de quem decidiu pegar o próximo ônibus e ir em direção oposta a sua.
Não era pra ser, a sua mente ressoa. Agora é a hora de levantar a cabeça e seguir, pois há novos sonhos, e ainda há de existir amores reais.
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
onde habito
distraio-me nas gargalhadas imbecis
das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
fazendo uma espécie de orquestra
com o autocarro parado adiante
falando da vida alheia
com a boca tão cheia
que chegam a cuspir “gafanhotos”espaciais
apanhando os mais incautos.
São raras as vezes que passo por lá,
mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas.
Na pastelaria defronte à casa
onde ainda habito
o álcool ameniza as mágoas,
a marijuana devolve-lhes
os sonhos mais banais
e as crianças vagueiam soltas sem jantar
brincando e comendo gomas e chocolates.
Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar entre as mesas,
se ao menos fossem como alguns cães que certas senhoras
levam a passear aos quais compram bolos de arroz ou com eles dividem a tosta mista!
Quão estéril é a pastelaria defronte a esta casa vazia de mim!
Começamos a morrer quando já poucos sentem a nossa falta, porque os que nos amavam já partiram, levando com eles um pedaço de nós.
Começamos a morrer quando nos olhamos no espelho e já não nos reconhecemos mais, mas sobretudo quando deixamos de nos sentir amados, quando se riem dos nossos sonhos mais básicos, inclusive banais, e tudo à nossa volta se torna imenso, vazio, denso e insignificante.
Abrindo Caminho
O estrada tem uma pedra
E um pouco de espinho
Um esforço que se arreda
Abriras o caminho
Não tem humidade no chão!
A solidão é obscura!
Tristeza que não tem cura?
E a rosa do sertão?
Como fugir do tormenta
Sem nenhuma ferramenta
Enxergar uma tramela
Sente-se e reze uma prece
A escuridão desaparece
Sem que haja vela.
Ademir Missias fev/21
Tenho medo do abandono,
da sombra fria que se avizinha,
do vazio que preenche as lacunas
onde antes habitava o afeto.
Tenho medo do silêncio que ecoa,
nas paredes do peito, tão só,
onde outrora as vozes dançavam,
agora apenas o eco de um nó.
Tenho medo de ser esquecido,
como um livro fechado na estante,
as páginas amarelas de histórias,
que ninguém mais se lembra ou sente.
Mas também tenho a esperança,
de que no fundo desse temor,
encontro forças para aceitar,
que o abandono não apaga o amor.
E assim, entre o medo e a coragem,
vou costurando as feridas do ser,
pois mesmo que o medo me assombre,
aprendo a viver, a crescer.
Friozinho gostoso
Arrepios no ar
Chuvas de emoções
Inundam o ser
São doces lembranças
Que trazem seus fluidos
Para dentro de mim
Deixo_ me afogar
Naufragar...
Doce emoção
Sublimes sentimentos
Sedutora paixão
Que me faz sempre
Flutuar em suas águas
Mergulhar
Profundamente
Em você
Tempinho maravilhoso
Que se prolongue:
Não acabe jamais!...
Seja somente nosso
Para nos agasalhar
E quentinho ficarmos
Grudadinhos
Nesse nosso
Ninho de amor
Em que o tempo
Não passa
Porque o nosso amor
Vem de uma fonte
Que jamais secará...
Mergulhem fundo
Em vossas emoções
Permitam que o amor
Seja a vossa fonte
De águas cristalinas
Para que em vossas vidas
Jamais tenham sede
Jamais sejam escravos
Da solidão...
Paz no coração
Felicidades sempre
