Texto de Solidão
Noite
Nas ruas abafadas de uma cidade esquecida, um garoto carrega no silêncio sua dor e solidão. Ele caminha apressado, envolto pela escuridão, tentando resistir, mas sente que está afundando em algo que não pode controlar.
A escuridão parece viva, abraça as vielas sem nome, onde ele se torna o rei de uma noite sangrenta, o princípio de uma história que ninguém ousa contar.
Seu nome é um mistério, como as ruas onde ninguém pertence. Mas seus olhos verdes revelam um segredo: uma tristeza que nenhum outro olhar consegue esconder. A vida para ele é uma batalha solitária, uma jornada interminável, uma dança cruel onde apenas os solitários sobrevivem.
Todos fogem da chuva— mas ele caminha em meio à tempestade, rezando por um fim que nunca chega. Pois a noite não é amiga; ela é impiedosa, pronta para devorar. Cruel, ela joga você em um abismo sem volta, em um caminho que você nunca quis trilhar.
Entre quatro paredes, há histórias que nunca deveriam ser contadas. Histórias sobre mentiras, dinheiro e fama. Esse é o preço que você paga pelos sonhos e pelos pesadelos que escolheu.
A noite impõe sua escolha: viver para enfrentá-la ou se perder em seu toque mortal. Sobreviva. Fique vivo. Ou fique em casa, protegido do caos que a escuridão traz consigo.
A solidão pode ser muito danosa, então, geralmente, não é vista com bons olhos, entretanto, muitas vezes, a sua presença se faz bastante necessária para se evitar alguns transtornos ao incomodar ou por ser incomodado pelos outros, um prisma que pode ser salutar até certo ponto.
Ela, na sua essência solitária, não se atormenta por causa de personalidades autênticas e complexas ou frustradas, não exige explicações, respeita momentos de fraquezas, que muito conforta sem palavras, sendo preciso que não ultrapasse um tempo plausível de permanência.
Já que quando a solidão é apreciada sem exageros, com a devida prudência, é transformada em solitude, ajuda no autoconhecimento, a preservar a lucidez, a paz, o amor por si mesmo, isso não se trata de um viver sempre isolado, mas de valorizar a própria companhia se assim, for necessário.
Numa terra pouco habitada,
havia Insônia,
uma solitáriaque odiava a solidão,
mas o fato de não ser tão amigável
só piorava a sua situação,
muitos preferiam nem se aproximar,
às vezes, até que conseguia alguém pra conversar,
entretanto, sua carência de atenção acabava sufocando
qualquer um que ficasse com ela mesmo que só por alguns minutos,
então, iam se afastando,
não queriam o desconforto
da sua presença,
Isso causava-lhe muita tristeza,
até que, um dia, teve uma grande surpresa ,
apareceu um forasteiro
e ela ficou muito encantada,
quis logo ir conhecê-lo,
poderia, finalmente, ter chegado
o fim do seu tormento,
então, não perdeu tempo e foi se apresentar,
"Oi, sou a Insônia, seja bem vindo
a Vila Madrugada, como posso te chamar"
"Oi, prazer, sou o Sono, muito obrigado, nunca tinha ouvido falar neste lugar"
"E como chegastes até aqui
com tanta facilidade?"
"Ah, sou um aventureiro e de muitos sonhos, ja passei por vários lugares,
sempre estou passando de cidade em cidade, mas acabei me perdendo desta vez"
"Entendi, tudo bem, você deve ter muitas histórias pra contar e você já tem onde ficar hospedado?"
"Sim, claro, estou acampando aqui próximo"
Não demorou pra ter uma afinidade entre os dois,
passaram a se encontrar
todos os dias pra conversarem
durante horas
na frente da casa dela que morava sozinha,
foram momento prazerosos,
entretanto, Insônia percebeu
que o Sono estava se afastando aos poucos,
o que causou-lhe uma interna agonia,
não queria perder aquela companhia agradável,
começou a buscar uma alternativa
e encontrou, no seu quarto,
um livro antigo de magia da família,
folheando achou um encantamento muito forte que, mesmo com efeito temporário, seria suficiente,
chamava-se "Distúrbius Mente"
que provocava vários pensamentos
avulsos na mente do atingido
deixando-o confundido e esquecido
de alguns pensamentos recentes
ou fatos inconvenientes,
Ela, portanto, decidiu tentar,
pra sua alegria, deu certo,
ele ficou confuso e agiu como
se nada tivesse acontecido,
era o mesmo do primeiro dia,
a partir de entao,
quando ela percebia que Ele ia se afastando,
aplicava-lhe o encanto
e assim, Insônia obteve paz
pra o seu coração
e nunca mais teve que suportar
a dor da solidão.
Em um vilarejo, havia uma jovem que sentia uma forte solidão, tamanha tristeza,
Apesar de rodeada de gente e da bela natureza,
Até que, um dia, para sua surpresa,
No seu quarto, um pequeno ser lhe surgiu
Causando-lhe um certo impacto no começo, mas logo conquistou o seu apreço, tinha algo familiar,
Sophia pôde desfrutar da sua nova companhia,
não importava o lugar.
Com o passar do tempo, a cada situação
que a jovem enfrentava,
a criatura ia crescendo, sempre bem alimentada.
Para o transtorno de Sophia, aquele ser havia se
tornado um Grande Monstro
e, curiosamente, sabia falar,
"Oi, Sophia, sou a personificação dos teus medos e da tua falta de gratidão, obrigado por me criar."
A solidão enfraquece quando a solitude é fortalecida, tendo a sua companhia verdadeiramente apreciada depois de ser finalmente reconhecida, durante um momento necessário,
distante das críticas e dos julgamentos daqueles que acreditam saber mais da vida do outro do que ele mesmo, cheios de suposições que consideram verdades explícitas e irrefutáveis,
ainda que com as melhores intenções possíveis, graças a Deus, uma ótima oportunidade de se estar bem consigo, zelando pela própria integridade,
buscando por pontos particulares de equilíbrio após determinados desgastes, mentais, emocionais e espirituais que superam o nível do desgaste físico.
Não é a quantidade, é a qualidade…
A solidão, muitas vezes temida, é na verdade um refúgio para aqueles que se recusam a habitar o teatro das aparências. Não faço questão de moldar-me ao agrado alheio nem de ceder espaço a máscaras que fingem afeição, enquanto ocultam intenções vazias. Vivemos em um mundo onde o brilho das palavras é frequentemente maior que sua substância, e onde o preço de tudo é calculado com precisão, mas o valor das coisas — e das pessoas — se perdeu em meio ao ruído. É um cenário em que a falsidade veste trajes elegantes, mas não consegue disfarçar o vazio de um coração desprovido de sinceridade.
Prefiro a companhia do silêncio ao convívio com vozes que não ecoam verdade. Quem valoriza a própria essência sabe que nem todas as presenças são bênçãos; algumas são pesos que nos arrastam para um chão de ilusões e desgostos. Há momentos em que a distância não é apenas uma escolha, mas uma necessidade vital. Cada passo solitário, quando guiado pela autenticidade, é mais digno do que mil passos acompanhados por sombras que disfarçam intenções. E se o preço da minha verdade é a solidão, pago-o sem hesitação, pois a minha verdade é o único chão firme no qual posso caminhar.
Já dividi momentos, confidências e risos com pessoas que hoje são apenas lembranças distantes. Não guardo ressentimento; guardo aprendizado. Há lugares que já ocupei, mas que hoje não mais me pertencem, pois o tempo, esse escultor implacável, molda nossas prioridades e nos ensina a deixar para trás o que não nos alimenta. Carregar o peso do passado é recusar o espaço que o novo necessita para florescer. E há uma liberdade sublime em soltar aquilo que nos faz mal, em abrir mão do que nos desgasta, em dizer adeus ao que não nos respeita.
Cada despedida é uma porta que se fecha e, ao mesmo tempo, um portal para dentro de nós mesmos. A ausência do outro nos ensina a presença de quem realmente somos. É nessa solitude que encontramos a clareza necessária para discernir o que importa e o que é supérfluo, o que edifica e o que consome. A estrada da autenticidade pode ser solitária, mas é nela que o espírito encontra paz. Que o mundo siga amontoando falsidades; eu escolho caminhar leve, fiel ao que pulsa dentro de mim. Porque, no fim das contas, não é a quantidade de pessoas ao nosso redor que importa, mas a qualidade daquilo que carregamos na alma.
Estou aqui, sozinha
A solidão me consome
Quero viver intensamente com os meus
Mas a saudade me espedaça
Estou um trapo
Sinto saudade daquele que se foi
Sinto que não devo me sentir assim
Mas a saudade não deixa
Sinto falta dos abraços
Dos beijos
Meu Deus me ajude!!
Quero viver
Mas ao mesmo tempo quero morrer
Sinto uma falta que me disseca
Santo Deus!
Me ajude.
Sabe paixão, vejo seu rosto, seu sorriso
Sinto falta dos abraços
Das nossas horas de amor.
Ah! Essa paixão ainda existe dentro de mim
Não consigo me curar
As feridas são grandes
Ainda te amo
Ainda sinto sua falta
Reatei meu casamento
Mas você não sai dos meus pensamentos
Meu coração ainda sofre
Ainda sinto dor
Ainda não consigo amenizar a perda
Você se foi mas continua comigo
Sinto a sua presença
Estou errada... não quero te prejudicar
Mas te sinto a cada minuto, a cada instante
Me ajuda paixão
Me ajuda
Não vou conseguir sozinha
Ainda estou dependente de você
Paixão da minha vida
Meu amor brilhante
Ainda sinto o gosto de seus beijos
Ainda sinto a suas mãos a me afagar
Ainda as lágrimas descem copiosamente
Estou só
Me ajude
Oh! Deus o que fiz para sentir o que sinto
O que fiz!
Será que a vida me esqueceu!
Ainda resta eu.
Demônios e solidão
Pensando aqui…
Eu tinha o quê?
Para onde ir?
Fico me perguntando
Porque tem noites que eu choro
É uma pena, não tive a sorte
Às vezes penso
Era para ser um amorgostoso
Só queria ser coberta de amor
Mas acabou sendo algo mentiroso
Amor humilhante!
Só quero que você me ame,
Sele a minha boca com beijos quentes
E transforme minhas lágrimas em risos
Saudades!
Mas tenho medo
Há um demônio dentro de você
E a ira adentra no seu ser
Você diz que seu amor é bandido
Amor tóxico
E com isso suas asas caem
Isso me tira o sono a noite
Seu sussurro rouco me deixa preocupada
Minha carne treme
Essas noites sem sono me deixa
excitada
Envergonhada
Meus pensamentos sem filtrosobem
E vão até você
Meus pensamentos se embaralham
Não tem encaixes
A fadiga vem!
Preciso fazer uma ronda
E procurar outros caminhos
A fila tem que andar
Seja Amor retrôou amor vintage
Mas que seja um só
Quero um amor puro
Um amor que rima
Aquele amor onde os olhos sorriem
Um tônico,oxigênio da vida
Estou Pirando!
Enlouquecida!
No píer as ondas viram espumas
E as estrelas bailam nas águas
Só para me confortar
Onde andas tu, homem
A noite está chegando
Você vai soltar seus demônios
Não consigo raciocinar
Medo dos seus olhos
Eles faíscamem um tom bordô
Você os usa como correntes
E consegue me dominar
Bem sei,
No meu desespero eu fujo
Corro até à exaustão para omeu mundo
E na redoma eu penso
Mais uma noite só
Somente a solidão é minha companheira!
Uma separação
Outra vez solidão
Outra vez sofrimento
Mais um Adeus
Que não pode esperar ...
O amor é uma agonia
Vem de noite ,
Vai de dia .
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar ...
Mais um Adeus
Sabe-se lá qual a razão
O que era finito , acabar
Um sentimento a revelia
Não nós damos o direito de imputar
O amor é uma agonia
Vem de noite
Vai de dia
É uma alegria ...
e de repente
Uma vontade de chorar
São os extremos que apavoram. O medo do fracasso pode ser apenas uma ilusão.
A solidão é o espelho do amor próprio e o desespero pode não ser a retratação da face que tanto espera ter.
Com fé e determinação podemos alcançar o ápice do sucesso pessoal que nada mais é do que um extremo.
Quem não desafia a busca do real conhecimento jamais apreciará a razão verdadeira de viver.
Tempestade
Vento frio que me traz a solidão,
Sofrimento que habitou meu coração,
Ferimento lavado com a chuva,
Nem me sobraram os sonhos, foram estragados pelas mágoas,
Se hoje meu Rosto tem lágrimas,
Saiba que a culpa é sua.
Vento frio que me trouxe a solidão,
Coração magoado desde então,
Ferimento cicatrizado com o tempo,
Só me sobraram as mágoas,
Naquele dia enxugaram minhas lágrimas, e aquelas mãos não eram as suas.
sozinha a dois
A solidão, tão aborrível e atroz que não desejo a ninguém, nem mesmo a quem me fez experimentá-la. Me fez querer estar ao lado de alguém, mas esse alguém não me quis por perto.
Ter te amado doeu, suas palavras foram me destruindo aos poucos, você usou meu coração como saco de pancadas, um coração que não precisava de muito, apenas do seu amor, não precisava das suas atitudes de frieza, precisava do seu carinho, não precisava de um poema, só queria ouvir um "eu te amo".
Acontece que em vez de quebrá-lo, foi fortalecido, para seguir com um novo amor, que o conforte e o restaure, e enfim voltar a ser como antes. Talvez as cicatrizes apareçam, mas se eu conseguir esquecer o que vivemos, passaram a ser invisíveis.
Te perdoo, mesmo sem ter ouvido seu perdão, a velhice está chegando, pode estar prejudicando a minha audição, nossa visão também deve estar prejudicada, não vejo seu amor e você não vê minha dor.
Sempre sentia falta do carinho que você nunca retribuiu, falta de um abraço, que foi trocado por um aperto de mão, falta de declamar meus poemas, que sempre foram em vão, falta do vazio que você nem se quer pensou em preencher, falta de de não saber como agir e você ao menos me acolher.
Suas palavras de dor levarei como aprendizado, não as levarei comigo, as deixarei no passado, pra que guardar ódio e rancor se desejo amor?
Tristeza, solidão, desesperança entre outros males resolvidos ao estalar dos dedos, basta você adentrar no mundo do faz de conta.
No mundo do faz de conta não tem pesadelo; no mundo do faz de conta não falta grana, tua saúde é plena e é sempre amado.
É uma utopia que funciona como amortecedor das porradas do dia a dia.
Quem não admite sua existência, prisioneiro da realidade, sofrerá mais, porém terá mais êxito.
Paradoxo, talvez, com uma leitura que para ganhar tem que sofrer.
O ideal é ter a sabedoria de admitir e dosar suas idas e vindas do mundo do faz de conta; onde jamais será alienado seu direito; onde no inferno enxerga o paraíso; onde existe um ilimitado universo; onde você é soberano; e onde será sempre bem vindo e, principalmente, ratificará a existência do Criador, pelo dom, privilégio e capacidade de sonhar, no mundo do faz de conta,
você é feliz, Viva!!!!
REPOEMA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já não resta o que dizer
sobre seja lá o que for,
solidão, espinho, flor,
que alguém mais não tenha dito...
Todo mundo já cantou
este mundo em verso e prosa,
o amor, o bege, o rosa
dos quais se pintam palavras...
Mas podemos refazer
a magia do sentido
que redizer já não faz...
A saudade, guerra e paz
se renovam nos engenhos
de remastigar a vida.
SOLIDÃO DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Demorei pra saber que só és uma imagem,
muito embora consiga te sentir no tato,
ver teu rosto e julgar que desvendei teus olhos;
teu extrato; as entranhas; o que te recheia...
Foste o centro ilusório do meu romantismo;
da razão atrasada em meus anos de sonho,
porque dei ao mesmismo deste sentimento
a viagem mais longa, morosa e profunda...
Lentamente me alcanço e começo a me ouvir
ou querer despertar da solidão do amor
que me deixo sentir sem alcançar teu eco...
Sou apenas um lobo que geme pra lua
isolada na espelho da poça esquecida
numa rua distante; sombria; deserta...
DE VIVER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Não de fome ou doença; desprezo; abandono;
solidão nem desgosto; acidente; homicídio;
nem de raiva, paúra ou envenenamento;
por um mal de momento, arrastada saudade...
Pode ser por idade, mas feito quem pousa;
feito quem fecha os olhos ao abrir as asas
ou brotar pra dizer que chegou e já vai,
como a pétala cai; bem feliz; pois foi flor...
Ninguém morra de amor, num campo de batalha,
pelas horas sangradas no trabalho escravo
e por falha da lei, uma bala perdida...
Não de causas que nunca serão descobertas,
de feridas abertas, overdose ou porre;
só há honra em quem morre de vida vivida...
AMOR DE FESTIM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ao brincar de nós dois fui solidão,
tive o chão pra fingir que foi o céu,
fui um deus espremido no desejo
de se amar no teu corpo; nada mais...
Formatei o meu sonho em teu tabloide,
fiz a minha geoide nesse cosmo,
pra reinar do meu jeito absoluto
sobre um sonho sem sono pra manter...
Um amor de artifício; fez ruído
e brilhou muito além da consistência,
foi banido entre nuvens de fumaça...
Ser amado foi bom, e mesmo assim
afoguei no meu poço de verdades
as saudades que sempre quis sentir...
SOLIDÃO EM FUGA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Teu olhar fugidio nunca pousa,
vai ao ar, desce ao chão, perde o caminho,
não faz ninho na luz dos outros olhos
que te buscam nas trevas do silêncio...
Tua triste caverna esconde afetos
acuados, confusos e feridos,
tempos idos invadem teu espelho
e corroem a ponte pra depois...
Quando sais do buraco é pra fugires
em viagens distantes, em glamures
que disfarçam quem és pra não sei quem...
Logo além já percebes que te aguardas,
vais por dentro e não podes te ocultar
nessas fardas perfeitas de turista...
SOLIDÃO EXTREMA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ele come almofada; poltrona; colchão;
azulejos do box, gargalos e canos;
a ardósia da pia, o vidro da janela
e também o seu rolo de pintar paredes...
Ele come até bucha de lavar vasilha;
sua pilha de roupas, os panos dobrados;
põe recheio nas mãos e logo após as come
como fosse o que sempre desejou comer...
Come o pão com manteiga, depois joga fora,
come a planta carnívora do seu jardim,
depois come o pudim que rebola na mesa...
Adoece e definha de tanto que come
sem matar uma fome que há muito não há,
por não ter com quem possa partilhar a mesa...
SOLIDÃO UNIVERSAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Cada próximo à vista é uma nova miragem do vazio que habita os nossos olhos, janelas de nossas almas baldias. A distância do próximo está cada vez maior e contextualizada nas aparências; na plástica de uma multidão solitária. O ser humano se acotovela e não sente, porque não cabe ao tato a sensibilidade perdida. Cabe ao trato profundo, sincero e solidário que perdemos no tempo e no espaço de nosso egoísmo irrefreável.
Estamos separados por abismos. Imersos em prioridades palpáveis. Preocupados com o que teremos no dia seguinte, mas que jamais bastará, tanto faz o tamanho da conquista. Queremos o acúmulo; a coleção de bens, poder e unidades monetárias. O que tem de ser nosso e o que poderia ser de outros, mesmo que não tenhamos onde pôr e utilizar. Cultuamos o desperdício, em nome da ostentação e da vã imagem de superioridade.
Construímos o reino do egoísmo e perdemos a noção da vida. Parece que somos todo o mundo e todo mundo é ninguém aos nossos olhos. Os rumos da humanidade ficaram todos congestionados, porque há tantos eus no caminho para o nada. Já não há mais garagem para tanta solidão... no fundo, é tudo solidão.
