Terra
“A Madeira precisa crescer, o Fogo precisa brilhar, a Terra precisa nutrir, o Metal precisa soltar e a Água precisa guardar a raiz da vida.”
Do livro Medicina Tradicional Chinesa — História, Filosofia e Prática da Medicina do Imperador Amarelo, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O subconsciente é uma terra silenciosa: ele não julga a semente, apenas faz crescer aquilo que foi repetidamente plantado.”
Do livro A Terra Invisível — O Subconsciente que Escuta e, sem Julgamento, Faz Nascer Tudo o que Você Plantar, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“A terra invisível da mente não distingue medo de desejo; por isso, cuidar do que se pensa é também cuidar do que se cultiva.”
Do livro A Terra Invisível — O Subconsciente que Escuta e, sem Julgamento, Faz Nascer Tudo o que Você Plantar, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“Quando a terra, o templo e o rei caíram, o texto tornou-se casa, memória e fronteira espiritual de um povo.”
Do livro A Bíblia Antes da Bíblia — Poder, Fé, Política e Sangue na Construção dos Textos Sagrados, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
ADORAI
Adorai ao nome do Senhor,
ao Rei de toda a terra, ao Seu nome dai louvor.
Adorai ao nome do Senhor,
ao Rei de toda a terra, ao Seu nome dai louvor.
Ao Todo-Poderoso, Deus Forte, o Grande Eu Sou,
ao Rei de toda a terra, ao Seu nome dai louvor.
Adorai ao nome do Senhor,
ao Rei de toda a terra, ao Seu nome dai louvor.
Adorai ao nome do Senhor,
ao Rei de toda a terra, ao Seu nome dai louor.
Aquele que era, que é e sempre será,
ao Rei de toda a terra, ao Seu nome adorai.
Cícero Marcos
"O povo diz que o céu é la em cima e o inferno é lá embaixo. Mas se a Terra é redonda e tem céu em toda a volta, onde fica o inferno?".
"O inferno é lá no meio mesmo! "
Lá mesmo, ...
No centro. ...
Sol aquece a geleira da Terra. Fogo acende os olhos assim como a paixão faz arder um coração gelado.
Pior é o homem que acha que é dono da Terra.
Pior é aquele que pisa duro demais, como se nunca fosse cair.
Firmar os pés no chão logo cedo talvez seja a oração mais bonita. Porque lembrar que nada nos pertence é uma forma rara de sabedoria. A casa fica. O carro fica. O dinheiro muda de mão. Até o corpo um dia devolvemos ao tempo. O que segue adiante é aquilo que plantamos enquanto passamos por aqui: o cuidado, a palavra, a lealdade, a mão estendida na hora certa.
Muitos levantam as mãos para o céu pedindo milagres, mas descem elas para a terra repetindo as mesmas atitudes que criaram o próprio inferno.
No que concerne à vida posso dizer que o propósito da humanidade é ser feliz nessa terra, se assim se deixa transparecer na beleza da natureza. E de todas as vidas, temos somente esta vida, pois quem não vê o reino dos céus nesta vida, nunca o verá na próxima e os segredos se escondem dentro de nós mesmos, no olhar sensível que compreende o indizível. O belo está no passado, no presente, no futuro, e em todas as nossas existências, já que é um elo entre este mundo e o vindouro a preecher a face do céu, vestido de simplicidade e bondade. Quem planta a beleza é um semeador de novas riquezas, que se multiplicam na altura do agora nas alegorias do afeto e pede à humanidade nada mais que um sorriso a colorir a cidade. Mas tantos desconhecem se estão cegos no afazeres diários e os raios de sol perguntam por quanto tempo vão ignorar a natureza que permite ver a beleza de seu espírito, símbolo do amor? E o tempo se pergunta até quando os seres humanos honrarão os mortos e esquecerão os vivos? Essa pergunta é um louvor ao presente, às pessoas presentes, que trabalham palavras para levar adiante um pouco do seu olhar que busca e leva a paz, como alimento da alma e harmonia com tudo que nos cerca no caminho da luz. Claramente vejo no meu terceiro olho a melodia que abraça o meu entendimento. Minha tentativa de tecer versos é uma canção de liberdade, que não se faz sozinha, mas com plenitude de coração. O poema tem pressa e não pode esperar a perfeição, pois somente as canções que morrem jovens em meus lábios viverão no coração humano.
“Os tempos de regeneração não começam quando a Terra muda de forma. Começam quando o homem finalmente percebe que nenhuma grandeza material consegue preencher a fome silenciosa da alma.”
Estrangeiro em Minha Própria Terra
Sou brasileiro de nascimento,
mas estrangeiro por inclinação;
caminho entre vozes familiares
e nelas não encontro habitação.
Não me seduzem as celebrações ruidosas,
nem o fervor das multidões em festa;
há em meu espírito um silêncio antigo
que à algazarra sempre se manifesta.
Não busco abrigo em bares iluminados,
nem encanto nas noites de ocasião;
vejo taças erguidas ao instante efêmero,
enquanto procuro sentido e reflexão.
As tradições que muitos exaltam
não despertam em mim admiração;
parecem-me frágeis como névoa dispersa,
incapazes de prender meu coração.
Onde outros encontram alegria,
encontro apenas breve distração;
onde celebram costumes e símbolos,
percebo distância e contemplação.
Talvez o erro não esteja na terra,
nem no povo, nem na canção;
talvez eu seja apenas um viajante
em perpétua busca de outra visão.
E assim prossigo, só e pensativo,
entre a pertença e a negação;
brasileiro pelo acaso do destino,
mas cidadão da inquietação.
Sertão
No sertão de terra seca,
onde o sol abraça o chão,
moram corações cheios de amor,
fé, coragem e gratidão.
Aqui se aprende o valor
dos mais simples detalhes da vida;
de uma sombra generosa,
de uma chuva tão aguardada e querida.
Quando as águas enfim chegam,
como bênção vinda das mãos de Deus,
o verde domina a paisagem
e renova os sonhos seus e meus.
Ao olhar os pássaros do céu,
lembro do que Cristo ensinou:
se Deus cuida de cada ave
e jamais as abandonou,
quanto mais seus filhos amados,
que Ele mesmo criou.
É terra de espera e esperança,
de oração feita com devoção,
onde se aprende a confiar
no tempo e no agir do Divino.
Terra que amo profundamente,
que guardo com orgulho e afeição;
não a troco pela correria
da selva de pedra da cidade, não.
Prefiro o cheiro da terra molhada,
o canto livre da passarada ao léu,
pois no sertão encontro a paz da alma
e a presença de Deus sob o mesmo céu.
SER ESPÍRITA.
O ser espírita compreende, pouco a pouco, que não estamos na Terra para habitarmos um parque de diversões destinado aos caprichos transitórios da personalidade. A existência corpórea é uma escola venerável, um educandário da alma, onde cada experiência encerra uma lição e cada desafio contém uma oportunidade de engrandecimento moral. A aula já vai começar para muitos corações, e a consciência deverá despertar ante os acontecimentos que se desenham no horizonte da humanidade.
Viemos de um pretérito profundamente compromissado. Trazemos na intimidade do ser débitos acumulados, equívocos esquecidos pela memória biológica, mas registrados nas profundezas do Espírito. Contudo, trazemos igualmente conquistas silenciosas, virtudes em germinação e tesouros morais adquiridos ao longo da jornada multimilenar. Somos herdeiros de nossas próprias obras.
A dor, essa sombra de justiça que habita os caminhos da evolução, caminha lado a lado com a alegria. Não surge como castigo, mas como instrumento educativo. Ela visita as lágrimas para ensinar o valor da serenidade. Aproxima-se do vazio existencial para recordar à criatura que nenhuma realização material consegue preencher as regiões mais profundas da alma. O sofrimento, quando compreendido sob a luz da imortalidade, converte-se em oficina de renovação interior.
O Espiritismo apresenta-se como uma bênção de luz para as consciências inquietas. Diminui as indagações que atormentam o pensamento. Clareia as noites de perdição moral. Alimenta a fome de significado. Sacia a sede de transcendência que tantas vezes buscamos inutilmente nos prazeres efêmeros da existência terrestre. Sua mensagem convida ao equilíbrio, à responsabilidade e ao autoconhecimento.
Quantos corações vagueiam entre os ruídos do mundo carregando silenciosamente uma tristeza sem nome. Quantos sorriem exteriormente enquanto padecem de profunda exaustão espiritual. O vazio existencial não nasce da ausência de bens, mas do afastamento dos valores eternos. Quando a alma perde o sentido de sua origem e de seu destino, instala-se a inquietação que nenhuma conquista terrestre consegue dissipar.
Por isso o compromisso para com o Espiritismo não deve limitar-se ao estudo intelectual. Trata-se de um compromisso com a própria transformação moral. Não basta conhecer as leis espirituais. É necessário vivê-las. Não basta admirar o Evangelho. É indispensável incorporá-lo às atitudes diárias. O verdadeiro espírita reconhece que cada palavra estudada exige uma correspondente renovação de conduta.
A felicidade não é um prêmio reservado aos que jamais choram. Ela floresce justamente no coração que aprendeu a atribuir significado às lágrimas. A serenidade não consiste na ausência de provas, mas na capacidade de atravessá-las sem perder a confiança em Deus. O homem verdadeiramente feliz é aquele que descobriu que sua paz não depende das circunstâncias exteriores,
mas da harmonia de sua consciência. O Espiritismo permanece como o grande Consolador prometido pelo Cristo. Não porque elimine todas as dores, mas porque lhes oferece explicação. Não porque suprima as provas da vida, mas porque revela sua finalidade educativa. Não porque afaste as lágrimas, mas porque lhes confere dignidade e esperança. É o Cristo redigido em princípios, esclarecendo a razão sem sufocar o sentimento. É a luz que dialoga com a inteligência e aquece o coração. É o convite permanente para que o ser humano abandone a condição de simples habitante do mundo e se torne, conscientemente, um viajante da eternidade.
Marcelo Caetano Monteiro.
RELÓGIO DE DEUS
Quarenta dias...
Tempo de chuva sobre a Terra, tempo de água sobre os erros, tempo de uma arca navegando entre o juízo e a esperança.
Quarenta dias...
O dilúvio cobriu montanhas, mas não afogou a promessa. Quando a pomba voltou com o ramo, a humanidade aprendeu que toda renovação nasce depois de uma tempestade.
Quarenta dias...
No deserto caminhou Moisés, entre o fogo da presença e o peso da missão. A pedra recebeu palavras, e o povo recebeu direção. A aprovação exige disciplina, e a liberdade cobra responsabilidade.
Quarenta dias...
Espias atravessaram Canaã, vendo cachos de abundância e muralhas de temor. Uns enxergaram gigantes, outros enxergaram futuro. A prova revelou o tamanho da fé de cada coração.
Quarenta dias...
Elias caminhou até Horebe, alimentado pela esperança quando a força já faltava. Aprendeu que Deus não mora apenas no trovão e no terremoto, mas também na voz silenciosa que resiste dentro da alma.
Quarenta dias...
No deserto esteve Cristo, entre a fome e a tentação, entre o poder e a renúncia. Ali não venceu pela espada, mas pela fidelidade. A aprovação tornou-se exemplo para todas as gerações.
Quarenta dias...
Após a ressurreição, o Mestre permaneceu entre os seus, ensinando que a morte não possui a última palavra. A renovação caminhava viva entre aqueles que ainda duvidavam.
Quarenta dias...
Punição para os soberbos. Salvação para os justos. Provação para os chamados. Renovação para os que perseveram.
Quarenta dias...
Não são apenas uma medida de tempo. São a forja da humanidade. São o intervalo entre o erro e o perdão, entre a queda e o recomeço, entre a travessia e a chegada.
Se hoje fossem dados quarenta dias à humanidade, não seriam para contar horas, mas para contar escolhas.
Pois quarenta dias, desde os tempos antigos, sempre foram o relógio de Deus marcando a oportunidade de um novo mundo nascer.
Pastores prometem o paraíso depois da morte, enquanto vivem o deles aqui na Terra às custas do dinheiro e dos corpos dos fiéis.
Se o paraíso existisse na terra, ele teria paredes úmidas, quentes e um controle de acesso muito rigoroso.
Se o seu deus é tão poderoso, por que ele sempre precisa que os homens mais gananciosos da terra façam a coleta do dízimo por ele?
