Terra
Deus coloca alguns anjos aqui na terra para ver se a gente aprende alguma coisa e depois leva embora para ver se a gente aprendeu a lição da vida.
A Terra é a nossa casa no universo. Somos viajantes do tempo e do espaço. Todos os dias são um novo recomeço para os seres humanos que habitam neste planeta.
Pois quem somos, resplandece
e no céu acontece
todos os encontros
que na terra, a sorte ou o azar escondeu...
Antes de plantar, conheça bem o solo. Às vezes, desperdiçamos tempo e recursos em terra infértil — e isso, definitivamente, não é sobre lavoura.
Qual de nós poderia saber exatamente o dia em que deixará essa terra?
E ao saber exatamente o dia em que isso se dará, quem de nós manteria a sanidade?
Você encontra com uma pessoa na rua e no dia seguinte fica sabendo que ela morreu.
Você tenta revirar aquele momento e descobrir se alguma coisa poderia ter te avisado que aquela era a última vez e que aquele seria o último olhar.
Talvez você não se recorde mas certamente houve um momento em que você se deu conta que ali estava uma despedida silenciosa mas não teve coragem de assumir.
Temos tanta dificuldade de lidar com a morte que quando ela passa soberana diante de nós a única coisa que sabemos fazer é virar o rosto ou fingir que não estamos vendo, mas estamos.
E quando chegar a nossa vez será que teremos lucidez suficiente para, com dignidade e elegância, sairmos desse mundo?
Pois bem, esse é o nosso desafio. Deixar o mundo sem nenhum alarme ou sentimento de que nos deve algo.
A vida, o mundo, as pessoas não nos devem nada. Nem nós a eles. Fomos jogados aqui como dados e um dia exatamente da mesma maneira seremos retirados. Que sorte a nossa!
Aprendemos muito ou quase nada e talvez deixemos esse mundo um pouco melhor justamente ao partir.
Menos uma erva daninha na face da Terra. Pois é isso que somos, gafanhotos, parasitas, um tipo letal de vírus para o qual ainda não há vacina.
Plantei raízes no silêncio ansiando pelo sol da esperança, mas mãos alheias cobriram a terra, impedindo-me de florescer.Meu caule se ergueu trêmulo, buscando o céu em vão, pois a sombra de terceiros pesava mais que minha vontade. E assim sigo, metade semente, metade lembrança do que poderia ser; um destino podado antes do tempo, um sonho que ainda respira sob a terra.
Assim como a terra árida se estende em silêncio, implorando pelo alívio de algumas gotas de água, também eu me prostro diante da memória das antigas promessas que um dia me foram feitas. Elas ainda cintilam dentro de mim, frágeis e leves como plumas, como dentes de leão que o vento leva para sempre, belas como enganos. E, no entanto, é delas que me alimento, como quem bebe a própria sede, como quem encontra no vazio a única forma de sustento.
Resistir é semear verde no deserto, fé que sangra na terra árida, milagre brutal da esperança que não morre.
Sou Israel em busca da promessa, anseio a terra guardada aos que perseveram, que meu nome se firme no Livro da Vida, para estar com Abraão, Isaque e Jacó, entre os escolhidos que herdam o descanso eterno.
A vastidão do céu estrelado e o silêncio majestoso da terra são o convite diário à humildade, um espelho onde se reflete a perfeição que nos transcende. Em cada detalhe da natureza, encontramos o rastro indubitável da Tua Magnificência, elevando a alma a um patamar de gratidão que se renova a cada amanhecer, confirmando a grandeza do Artífice que tudo sustenta.
Teu caminho até mim foi traçado com sangue na terra. Cada pedra feriu Teus pés, não porque eu merecesse, mas porque Tu escolheste me amar.
Não há redenção sem um preço que se paga em silêncio. A voz pede espetáculo, mas a terra exige humildade. Quero pagar com gestos que ninguém registra. Com a moeda singela de cuidar de dias sem holofotes. E assim entendo que remissão é trabalho debaixo do pano.
O passado é uma terra de sombras que não possui autoridade para ditar o ritmo do nosso passo presente, a menos que permitamos que o ressentimento se torne a nossa bússola. A libertação real ocorre no momento em que olhamos para as nossas feridas não como erros do destino, mas como o mapa geográfico de uma vitória que ainda está sendo escrita. Seja o estrangeiro de sua própria dor, observando-a com o distanciamento de quem sabe que o ator é muito maior do que a tragédia que ele encena.
- Tiago Scheimann
A justiça na terra não desce do céu como um raio de luz, ela germina em silêncio, como semente lançada em solo firme, cultivada pelas mãos daqueles que se recusam a ser cúmplices da opressão silenciosa. Cada palavra dita em defesa da verdade é mais do que um gesto humano, é como uma centelha de luz que insiste em brilhar mesmo nas sombras, erguendo, pouco a pouco, um lugar onde a dignidade não é apenas lembrada, mas vivida. Há uma voz mansa que sussurra no íntimo, convidando à retidão mesmo quando ninguém vê, lembrando que a verdadeira justiça começa no invisível, nos gestos pequenos e nas escolhas solitárias. Não espere por um julgamento final para ser justo, faça do seu próprio caminho um testemunho vivo, onde cada atitude carrega o peso de algo maior do que si mesmo, como se, em cada decisão, o eterno tocasse o instante.
- Tiago Scheimann
