Terra
Justiça não é para todos,
mas apenas para alguns na Terra,
não que a justiça seja injusta,
apenas não vê quem a espera!
Nesta terra tem palmeiras
onde cantam sabiás
e outros passarinhos…
Meu coração é de mineira
mas nele cabe, junto,
o nordeste inteirinho!
A guerra é poesia invertida:
transforma rostos em sombra
e em terra embebida em lágrimas,
as flores não nascem.
Na terra onde nasceram profetas,
o chão ainda se cobre de sangue.
Muros se erguem, crianças choram,
e a esperança se esconde nas ruínas.
Homens armados chamam-se guardiões,
outros, combatentes da liberdade.
Mas no olhar do povo comum,
só há medo, perda e saudade.
Ajuda humanitária é barrada,
como se pão fosse ameaça.
E cada bomba que cai do céu
desfaz lares, apaga abraços.
Jesus disse: “A paz esteja convosco”,
o Islã responde: “Assalamu alaykum”.
Palavras que deveriam unir,
mas que se perdem no som dos tiros.
O verdadeiro terror não tem bandeira,
não veste uniforme, não fala uma língua só.
Ele mora no ódio que divide,
na indiferença que deixa o fraco só.
Você é dessas pessoas que se parecem com esses cometas que só passam uma vez pela terra e tals.
- dele para mim-
Terra-Mulher
A Terra sangra em silêncio, como a mulher que cala o grito. Desmatam-lhe os seios verdes, como quem arranca o abrigo.
Árvores irmãs separadas, como filhas em cárcere doméstico. O machado é verbo cruel, que fere sem dialético.
O ar, antes canto de vida, agora é voz maldita, soprando tortura invisível na mente que se agita.
A seca é prisão da essência, privatizam o ser, o sentir. A água, que era ventre livre, já não sabe mais parir.
Ordenham sem consentimento, deixam-na na mão errada. O leite vira lucro sujo, a alma, moeda trocada.
Rios contaminados choram, como corpos invadidos à força. O falo doentio penetra, sem amor, sem remorso, sem corsa.
E a carne — ah, a carne vendida — tem preço, tem código, tem dor. Como o corpo da mulher na vitrine, sem nome, sem alma, sem cor.
Mas há fogo sob a pele da Terra, há raiz que resiste ao corte. Há mulher que se levanta inteira, mesmo depois da morte.
A água sente a pele da terra,
guarda o calor, o frio, o silêncio.
A água reflete tudo o que existe,
céus, árvores, rostos, sonhos.
Ela não julga, apenas devolve,
um espelho líquido da vida.
Poesia Ancestral
Somos brasileiros, frutos de migrações.
Chegamos a esta terra que já era Pindorama,
habitada por aqueles que cruzaram Bering
e fincaram raízes na vastidão da floresta.
Somos mestiços de muitas regiões,
acolhedores, enérgicos, diversos.
Em nossa cultura não há fronteiras,
há encontros, há braços que se abrem.
Na gastronomia, temperos se misturam,
aromas dançam, modos se reinventam.
Carregamos raízes fecundadas em terras distantes,
que se entrelaçam às raízes que aqui florescem.
Somos brasileiros com fervor,
não superiores, mas únicos:
resultado da obra divina,
expressão viva do universo.
Se todas as pessoas seguissem o islã como está escrito, o planeta Terra não seria mais material, seria etéreo. Os humanos ganhariam par de asas.
Muitos podem descascar batatas na terra, quando nunca plantaram no território divino do Seu rebanho a verdadeira Semente para a Vida Eterna.
Deixe os alicerces de tua moral fincados na Terra, para que teus remanescentes façam deles a construção de uma nova morada ...
O tempo é uma roda gigante com uma pausa entre o céu e a Terra e faça noite ou dia seguimos em círculos com nossa sina.
