Tentando
A coisa que tememos ou de que estamos tentando fugir se apega a nós...mas se não pusermos amor, ódio ou medo na coisa, estaremos livres dela.
Enquanto nós não olharmos uma pessoa como irmão, tentando enxergar Jesus dentro dela, vamos nos enxergar diferentes.
A esperança sobrevive, carcomida, esquelética, tentando respirar entre as descomunais montanhas de dúvidas que triunfam, dia após dia, sobre as expectativas que brotam, sem raiz, nos meus pensamentos.
Que é quem eu sou, não rosto, não braços, nem mãos, corpo. Sou mente e apenas mente serei, talvez para sempre, ou não...
Quando há certeza, há caminho, porto seguro, cais. Ainda que seja certeza do mal, da tragédia iminente, da surra que o destino nos dá, vez ou outra. Quando sabemos o que está por vir, é muito mais fácil lidar, reagir, tirar de letra, como dizem por aí.
Mas é a incerteza que mata.
Não saber qual será a próxima cartada do acaso, mas sentir que ela está prestes a acontecer.
Alguns chamam de ansiedade. Que seja. Eu chamo de desespero da incerteza. Quase um delírio. Medo desatinado.
Mas sigo, sigo sempre. Imaginando se, à beira do precipício, esse fiozinho de esperança será suficiente para segurar meu espírito em queda.
Ele quis brincar com a vida
Ele quis jogar com o tempo
E, tentando enganar o mundo
Lançou seus dados redondos
Sem sorte, que tarde trágica
contou com as cartas
e mágica
Deparou-se, de repente
Com a morte
Frente a frente
Mas o que a morte não sabia
Era que o tolo não sentia
Nenhum medo ao contemplar
Sua imagem, tão sombria
Na tarde daquele dia
Confundia uma inútil coragem
com vaga sabedoria
Ele quis brincar com a morte
Ele quis jogar com a sorte
Quis impressionar o Mundo
E chutou sua bola quadrada
Tolo esporte, que tarde trágica!
O destino, sem espírito esportivo
Não perdeu a chance
Já que alguém lhe deu motivo
Tirando do bolso a ampulheta
constatou que seu tempo cessara
E a tarde, no campo da vida
Recolheu-lhe
A alma atrevida
Faz um tempo
Que não sei o que é chorar
vou tentando então
sublimar as lágrimas
que não me vem
Não convém-me
convencer-te
a sentir comigo a dor
Tenho medo
de tentar fazer a projeção
COMPOR UM ROCK'N ROLL
ao violão
e cantar um samba enredo
Vou vivendo assim
a vida à toa
espero então
que tudo isso
pelo menos
doa em sua alma
perturbe com profundidade
cause trauma
Que caiba na palma da mão
Meu amigo
meu irmão
da distancia
eu te envio esta canção
pra chorar
ao violão.
Sem compreender muito bem
O Mundo
Tentando entender
A Lua
Assustado igual criança
Que atravessa a rua
No colo do pai
Superando a vida
Passo a passo
Igual à qualquer outra
Alma perdida
Que não sabe onde vai
Ele ia assim mesmo
de qualquer jeito
todo dia
E pensava sinceramente
Que aquela condição
O fazia diferente
E assim
Colheu seus anos
Viveu sem fazer planos
Cumprindo a parte
Que lhe cabe
E um dia partiu
Sem saber
Que a gente
Também não sabe.
Faz centenas de anos que eu venho
Tentando decifrar algo que eu vi
Não no Céu, nem numa folha de papel
Era um desenho rabiscado
Pelo chão do meu caminho
Era um desenho pra se ler
Eu eu, na condição de criança, o lia
Mas meu coração perdeu aquela pureza
E hoje eu não compreendo mais
Aquilo que eu senti naqueles dias
E agora não consigo
mergulhar naquela paz
Que tudo aquilo me causava todo dia
Era um desenho de anjos
Pautado em melodias
Onde eu lia e entendia seus arranjos
a ponto de poder ouvir
Mentalmente e lentamente
Uma linda sinfonia de Anjos
Com os quais o tempo me fez
Perder totalmente a sintonia
Um dia a gente percebe
Que quanto mais pensava
Evoluir e ficar mais inteligente
Fatalmente deixava escapar
por entre os vãos dos dedos
A pureza necessária
Pra poder compreender
Plenamente a vida e o Mundo
E todos os segredos
pra afastar do coração
Esta enorme quantidade de medos.
Me sinto em alguns momentos correndo atrás de algo impossível, tentando agradar quem não quer ser agradada...
Se ficar perdendo seu tempo tentando provar que é uma boa pessoa, só vai conseguir provar o contrário.
A felicidade são apenas segundos, e vida é a nossa existência tentando buscar mais destes segundos.
Abraço uma sensação de presença solitário em minha cama...,
aperto meus olhos e vibro tentando perceber um carinho
insensível; repito milhões de vezes a visualização dessa
imagem procurando em minha memória a lembrança dessas
turvas expressões.
Me corrói saber que não posso ser suficiente para te alcançar,
sinto inveja dos que te têm tão pertinho e te vê em todos os
teus cotidianos. Vivo pelo desejo de te provocar
sorrisos, gargalhadas, alegria... Dividir tristezas.
Saber, viver, compartilhar teus sonhos... Delirar nossos
sonhos.
Nada de novo há em minhas palavras e me repito e repito o que
temo... E tão pobre e frágil me sinto como a ilusão de que
minha presença venha a tornar-se apenas um devaneio.
Insegurança...
Escolher... Escolhas.Intimidade... Cumplicidade
estendendo-se a todas as formas de expressão.
Te adivinhar com os olhos, te ler...
Te sentir ao ponto de te saber mesmo distante...
Quero que tua presença seja parte de mim.
Te quero em todo lugar, todo objeto de minha
vida, para mirar em qualquer direção e te reconhecer em
tudo.
~~EDEMILSON RIBAS~~
