Tenho Cara de Metida
Tão frágil, tão inocente, tão boba, tão menina, que um dia um cara tão imbecil teve a coragem de machucar aquele coraçãozinho a ponto de doer até sangrar e os olhos marejarem de lágrimas.
“Nao confio em quem se esconde e nunca dá a cara. Quem não é covarde, bate de frente. Assim que...não sendo cara a cara, ignoro qualquer ser vivente que eu desconheça.”
—By Coelhinha
É hora de mudar, jogar os livros fora
e começar de novo
Quebrar todas as regras, caia de cara
Não tenha vergonha
Você não pode perder mais tempo, porque você tem
ido muito longe por muito tempo
Segura nos braços dele, a salva sem danos
Siga seu coração, não tenha medo
É cara ja faz 10 meses que vc se foi
mais sempre vai ser lembrado
mantenho a fé com deus do teu lado
seu lugar nunca ninguém vai tomar
só vc trazia nossa paz que nos deixava expressar
(enfim vc deixou saudades (8 chorão)
as pessoas que mais amamos
que damos os ombros para que eles chorem
choramos jutos
damos a cara a bater
são as que mais nos machuca
Olha a cara de quem acorda às 6h para ir estudar... Mas, diferente de antes com uma felicidade tão grande que nos contagia a cada dia... vc muda tudo em nossas vidas, até nosso jeito de viver!
Quando o Profeta Isaias Viu a gloria de Deus ele não disse : eu sou o cara, Jeová me escolheu , mas Disse : aí de mim, pois sou um homem de labios impuros
Como é se apaixonar por um cara que tem o dobro da sua idade? Que é casado? Que tem filhos? Trabalha com você? é complicado? Ou a gente que complica? É estranho? Surreal? Coisa de outro mundo? Mas é lindo? Romântico? Tem carinho? sinceridade? E amor?
TATUAGEM
O índio é um cara inteligente.
Nunca picha o corpo com
tinta permanente.
Cada dia, um desenho diferente.
Mostra seu senso coerente,
prá não se arrepender eternamente.
A última Helena de Manoel Carlos.
Essa história veio chutar a cara da gente. Vinte anos passa tão rápido que as vezes nem percebemos. Se pensarmos, vinte anos é pouco pra viver, porém muito pra esperar. O tempo não volta, mas usa retorno pra buscar quem ficou parado no ponto. A vida talvez cobre explicações, mas é o tempo que esfrega na cara a sua fraqueza de não ter encarado as horas de dores. Pra quem costuma enfiar situações no bolso e ignorá-las por medo, um dia as vestes estão frágeis pelo desgaste do tempo, e nos obriga a pegar e olhar, e finalmente, decidir o que fazer pra todo sempre.
"Tem gente que não entende,
que dessa vida da gente.
Não levamos nada.
E que dessa cara amarrada e este nariz empinado,
só fica mesmo a foto.
Então que se sobre amor, que este amor seja devoto.
Por que quando voce se for.
Mesmo levando tanto amor.
Há sempre um tanto que sobra."
Tie-break
Chegamos ao destino já no final de um dia de muito calor. De cara já percebi certo aspecto medieval na região.
Maria Luiza que dominava espanhol e se aventurava no inglês se encarregava de pedir informações. De Francês nenhuma palavra. Nem ela nem eu.
A ideia era vencer o percurso em trinta dias. Mas já no primeiro dia de caminhada sentimos que seria preciso muita resistência para buscar este objetivo.
À medida que subíamos em relação ao nível do mar parecia que ficava mais cansativo.
Eu olhava para a Malu, e lembrava-me dela reclamando do ponto que eu perdi no tie-break da final do campeonato de vôlei da liga.
Há muito nos tornamos amigos.
E nesta condição viajamos juntos. Mas nunca deixei de ter uma forte atração por ela.
Morena alta, cabelos longos, olhos claros e com a pele bronzeada chamava ainda mais minha atenção.
Falávamos para todos que éramos irmãos para facilitar as coisas. E, convenientemente, nos comportávamos.
Encontramos, naturalmente, gente de todas as partes do mundo.
A cada um dávamos a atenção possível. Era meio desconfortável ver as insinuações e os olhares pra cima da Malu. Mas ela sempre foi desenvolta e tirava até uma onda com os mais abusados.
Mulher decidida, bem resolvida, sabia que estávamos ali para fazer o percurso que dois anos antes começamos a planejar. Jogávamos na mesma equipe e trabalhávamos na mesma empresa isso tornou possível este planejamento sem muitos atropelos. Negociamos férias no mesmo mês. Verdade que não foi fácil à negociação, pois o setor ficou meio desguarnecido nestes dias.
Agora ali, vendo as paisagens lindas, apoiado pelo cajado e suportando a mochila nas costas estávamos felizes. Nestas horas percebe-se que dá pra viver apenas com o essencial. Era o que carregávamos nas mochilas, pois quanto mais leves melhor se suporta. Questão de resistência mesmo.
Terrível são as bolhas que se formam nos pés. Tínhamos esta informação e tomamos todos os cuidados, mas ainda assim não conseguimos evitar. O jeito era medicar sempre que estávamos nos albergues. Aliás, ficávamos nos públicos por uma questão de custos. Ainda assim eram melhores do que se podia imaginar. A diversidade de cultura acaba ajudando na aceitação de situações diferentes a cada dia, a cada hospedagem, a cada conversa. Tudo muito diverso que chega a encantar. É preciso despir-se de valores preconcebidos para poder entender a grandeza deste momento que também é cultural.
Tinha dias que eu via a Malu meio cansada. Olhar contemplativo. Olheiras enormes, contudo sempre bem humorada. Ela conseguia me manter equilibrado emocionalmente. Um feito para poucos em situações assim.
O mais interessante é que a cada momento eu me sentia mais atraído por ela. Às vezes parecia que ela também estava gostando um pouco mais do que só estar comigo e da minha companhia. Por outro lado a insegurança me impedia de tentar qualquer aproximação amorosa. Afinal éramos amigos que agora se apresentavam como irmãos. Uma coisa meio embaraçosa.
No final do primeiro dia, em St Jean Pied e Poit, ainda na França, ela tinha me dado um beijo no rosto que me marcou muito. Era um agradecimento por estarmos ali. Uma retribuição pelo carinho e atenção que eu dedicava a ela nesta viagem.
Mas confesso: Não esqueci o beijo.
O perfume dela me enchia de desejos. Mas nunca externei. Melhor não colocar em risco tudo o que projetamos curtir.
Trinta e cinco dias e oitocentos quilômetros depois, emagrecidos e meio exausto, finalmente avistamos a chegada. A ansiedade que aumentava a cada dia ficou ainda maior.
Foram incontáveis passos irmanados nestes dias. Visivelmente emocionada, Malu se aproximou e estendeu-me os braços e eu perguntei a ela com lágrimas nos olhos e voz embargada:
Quanto vale a realização deste sonho?
Chorando ela me abraçou e respondeu:
- Não sei, mas muito mais do que o ponto que você desperdiçou no tie-break.
Risos e choros se misturaram. Ela me apertava cada vez mais forte e gostosamente senti um arrepio percorrendo o meu corpo todo.
Inesperadamente beijou-me a boca.
Foi apenas o primeiro, mas entendi que valeu a pena cada metro feito no cansativo caminho de Santiago de Compostela.
Uma mão lava a outra e as duas escondem a cara.
País da impunidade, terra do futebol, celeiro do mundo. O melhor dentre os piores.
Em algum momento o lema Ordem e Progresso se perdeu na multidão de corruptos que aproveitam a ignorância do povo e aprovam com maciça votação ex jogadores de futebol, palhaços e bandidos de várias especialidades para legislar e administrar a coisa pública.
Isso todo mundo sabe, todo mundo vê.
Alguns lavam as próprias mãos e outros se escondem em conluio, porque ainda não chegou a vez de pagar com a própria vida ou com seu patrimônio o esse descaso.
O que fazer? É uma minoria que pergunta e não há outra resposta que não cada um fazer a sua parte esperando que se realize a máxima, a que Deus seria brasileiro.
vc ve meu sorriso , mas isso nao me faz um cara feliz
oq vc nao viu é as lagrimas q jah derramei
e que de vez enquanto aiinda caem
nao julgue alguem por akilo q vc ve,
pois nada é oq parece
O valor de certas "mulheres" está relacionado no que o cara que ela está ficando tem.
espera, espera.. mas, que tem é o cara.
Ele é um cara sério. O tipo que não lambe a tampinha do Danone, não dá gargalhadas e chora uma lágrima de cada vez só para parecer mais forte. Mas não são apenas os anos de diferença que me deixam completamente louca por ele.
É também os cabelos jogados e os lábios finos que o faz parecer um desses cantores de rock de bandas dos anos 60.
É esse ar rebelde e sério que dá a impressão de que ele está sempre lutando por alguma causa revolucionária. E talvez esteja mesmo. Eu só não sei exatamente qual é a causa porque ele vive por aí como um desses anti-heróis que são amados e odiados, mas que no final sempre estão prontos para salvar o mundo quando precisa.
E como um personagem de quadrinhos ele está sempre com seu uniforme, como se ele fosse tão parte dele, que sem ele não pudesse passar os dias.
Eu o imagino acordando pela manhã e abrindo um guarda-roupa só de uniformes limpos, cheirosos e passados prontinhos para serem usados a qualquer hora que precisar.
Eu sempre fico imaginando como ele seria em uma tarde de folga. Sem aquelas roupas alinhadas e sociais e todos aqueles aparelhos que não param de tocar um só minuto.
A verdade é que eu gosto da maneira como ele vê o mundo, gosto da sua sagacidade, da sua perspicácia, da sua maturidade para lidar com as coisas mais simples e também as mais complicadas. Gosto da sua experiência, da sua audácia, dedicação e principalmente da sua coragem. Mas às vezes tenho vontade de rasgar sua roupa, bagunçar seus cabelos ou o fazer dar gargalhada só para ver se ele perde um pouco toda essa compostura.
Porque eu gosto exatamente de como ele é, mas eu gosto mais ainda de quando ele se liberta e começa a ser ele de verdade. Eu sei quando isso acontece porque seus olhos brilham, é como se lá dentro se acendesse uma luzinha que o permitisse sair só um pouquinho disso tudo e ser livre por uns minutinhos. Porque o que realmente me intriga é a sua total dedicação com qualquer causa menos a própria.
Nunca o vi completamente desnudo. Talvez de roupas, de máscaras e de telefone raramente. Mas quando uma coisa ia, sempre havia outra para não o deixar desconectar completamente do seu mundo.
O mundo que o desafia, que o mantém, o limita e até o engole lentamente sem que ele nem se dê conta.
Nem sei exatamente se ele conseguiria viver sem seu uniforme, seus telefones e seus milhões de problemas e afazeres. Parece que ele precisa estar sempre envolvido em qualquer dessas coisas que gente grande faz.
Porque só gente grande entende o porquê tem que ser assim.
Ele é um homem, e como um homem ele sabe exatamente sobre as conseqüências de uma decisão, o limite de um ato e o preço das coisas. Mas eu ainda duvido se ele sabe como é bom ficar deitado só olhando as estrelas, vendo qual formato tem uma nuvem ou sentindo o batimento do outro como se fosse o seu mesmo sem ter que se preocupar com mais nada. Porque isso não faz sentido para os adultos, dizem até que é feio para um adulto ser tão infantil e sentimental, mas idaí? As crianças é que são felizes de verdade! Quem falou que eu preciso enfrentar o mundo com tanta seriedade?! Meu sonho seria encontrar o elo e o equilíbrio entre um mundo e outro. Mas enquanto não acho, eu vivo mesmo pulando daqui para lá feito uma criança que brinca no paralelepípedo da rua só para não enlouquecer.
E quando eu olho para ele me sinto mesmo uma criança. Porque no mundo das pessoas grandes. Esse mundo onde os adultos são de verdade o tempo inteiro, esse mundo que ele vive, nesse mundo as coisas são muito diferentes. É um mundo que eu não pertenço e que nas raras ocasiões em que consigo entrar me sinto completamente perdida.
Mas eu tenho vontade de entrar só para buscar ele lá de dentro e ver se ele não quer vir pular um pouquinho só no paralelepípedo comigo. Eu tenho vontade de entrar só para dizer para ele:
- Olha você não precisa ficar aqui o tempo todo sendo tão sério. Você pode viver, pode mesmo... Faz isso só um pouquinho? faz isso por mim?! Ou por você até. Só não salva nada além de um pouquinho de você mesmo hoje. Vem comigo, vem... vem fazer uma loucura só um pouco e deixa tudo isso aqui.
(texto: meu anti-heroi/ autoria: Gabriela Noel)
