Tempo Devagar
Ame
Ame enquanto há tempo.
Tudo passa tão depressa...
Os filhos crescem,
Nós envelhecemos,
Os amigos mudam,
As pessoas partem.
Não se prenda aos rancores.
Se reinvente, vá você primeiro.
Se o abraço não vier, estenda os braços e abrace.
Leve um bolo, leve o pão,
Mas, acima de tudo, esteja com quem você ama.
A presença é o maior presente.
Vivências enriquecidas exigem uma dobra do tempo, um sismógrafo emocional e existencial calibrado para registrar o quase invisível.
"Aquele a quem espero não chega"
Espero no tempo que escorre calado,
no passo que arrasta a tarde vencida,
num nome que guardo, silenciado,
feito promessa nunca cumprida.
Vejo nas sombras o vulto que falta,
sinto no vento a voz que não fala,
um eco distante, quase esperança,
mas que se apaga quando se instala.
Aquele a quem espero não chega,
não cruza os caminhos do meu chão,
sua ausência é lágrima que navega
no mar do silêncio e da solidão.
Já me vesti de espera e saudade,
já pedi ao céu, à noite, ao dia…
mas tudo que volta é a mesma verdade:
ele não vem, e a alma esfria.
Ainda assim, insisto e me entrego,
a flor que insiste em florir no inverno.
Porque amar, mesmo em vão, é sagrado,
E esperar um gesto eterno.
Patrono: Mateus Sebastião Kilola
A Força do Estranho
Aprendi, com o tempo, que nem sempre quem está mais perto é quem mais estende a mão. As ajudas mais sinceras e inesperadas muitas vezes vieram de estranhos — pessoas que cruzaram meu caminho sem aviso, sem intimidade, mas com um coração aberto.
Enquanto muitos dos que eu chamava de amigos desapareceram nas horas difíceis, rostos desconhecidos apareceram sem pedir nada em troca. Um gesto simples, uma palavra de conforto, uma atitude despretensiosa — foram esses estranhos que seguraram minhas quedas quando eu pensava estar sozinho.
A vida me ensinou que nem sempre amizade significa presença. Amizade, às vezes, é lembrança. Mas ajuda verdadeira... essa vem da bondade disfarçada na simplicidade de quem não nos deve nada, mas escolhe ser luz no nosso caminho.
Hoje, não me surpreendo mais. O abraço inesperado vale mais do que mil palavras não ditas. E, em silêncio, agradeço aos estranhos que, sem saber, salvaram partes de mim que meus amigos esqueceram.
Sem amor... por um tempo
Não desejo mais amor.
Todo aquele que até mim chegou...
Um dia de aqui ficar desistiu...
Partiu... foi-se embora... tudo aqui abandonou...
Sem se importar o caos que me causou.
Dor, desesperança, sofrimento aqui deixou.
Brincou com meu coração.
Jogou com meu coração.
Não se importou com os traumas que em mim causou.
Juras de amor esquecidas...
Promessas vazias interrompidas...
Máscaras pelo tempo desmascaradas...
Deixou desgosto e desilusão.
Quem não?
Eu... não mais...
Espinhos?
Caminho sozinho...
Nas asas do vento...
Sigo!
Em busca de carinho...
Rosas perfumadas e coloridas pelo caminho.
Caminhos repletos de alento.
Neste mundo bem redondinho...
Quem nunca?
Eu... eu sim.
Vi voltar o que um dia deixei no meu caminhar.
A alegria de que um novo dia pode me dar.
"Aquele momento em que teu amigo fala que voltou pra ex depois que ela pediu um tempo.
Eu: Ah, legal… agora entendi: você é só burro!"
O abismo é o passado. O tempo machuca quem quer viver de nostalgia como um gato lambendo o rosto de seu filhote. A alma é para o corpo o que o fermento é para o pão. A alma alimenta o corpo como a água mata a sede dos que se perderam na luxúria inaudível dos pecados capitais. Ela não se comunicava com palavras, mas com silêncio e ausência. A raiz quadrada não tinha mais sentido na matemática da vida, antes fora a raiz de uma palavra, que também diz pouco. Resta nossa raiz como seres humanos, nossa ancestralidade inacabada que se perpetua quando respiramos. A memória é um vulcão, que passa anos adormecido, até levar tudo que vê pela frente com suas larvas de fogo. Espelho da alma é quando encontramos algo que reflita nosso estado interior, como a serpente é para a medicina. Espelho do tempo é algo que representa uma era, como o escritor, cuja escrita é espelho do tempo. Espelho da água, quando a água cristalina reflete suas suaves ondas de rio plácido. Tudo que abunda excede, como colocar no ceifeiro o arroz de muitas colheitas. O equilíbrio é como um girassol, cada folha se encontra no lugar exato, como Van Gogh pintando e encontrando o amarelo. Ele procurava uma ação que retratasse o fim de um ciclo, mas só encontrava perguntas cada vez maiores. O tempo mostra a sombra. A sombra repousa no esquecimento,enquanto a verdade se camufla.
Depois de Tanto Tempo
Ah…
depois de tanto tempo,
me machuquei de novo.
Não por ele,
mas por tudo o que eu carreguei sozinha no peito.
Eu compreendo.
Sei que ele não quer nadar agora,
e eu não culpo a maré.
Mas ainda assim, mergulhei.
Tentei remar contra o silêncio,
tentei fazer a gente acontecer
na força do meu afeto.
Dei tempo,
dei espaço,
dei alma.
E talvez tenha me perdido um pouco
tentando manter a gente inteira.
Mas cada coisa tem o seu tempo,
e às vezes o nosso
não vem junto.
E isso…
isso não tem conserto,
nem resposta,
nem plano B.
Só tem o vazio de quem tentou,
de quem amou mesmo sem certeza,
de quem quis ficar
quando o outro já ia embora em silêncio.
Então tá…
não tem o que fazer.
Só deixar o tempo curar mais essa ferida
e torcer, bem lá no fundo,
pra da próxima vez
o amor me encontrar de mãos dadas
com alguém que também queira ficar.
O Peso do Instante
O que é o tempo, senão um espelho
Que nunca reflete o que somos agora?
Um fio invisível, sutura e conselho,
Que une o nunca ao que já foi embora.
Caminhamos sobre um chão de incerteza,
Embora firme como vento.
Somos fragmentos, poeira e beleza,
Ecoando o silêncio do pensamento.
Perguntas nascem antes da fala,
Respostas se perdem depois do porquê.
A vida não grita, apenas sussurra:
"Ser é o risco de não entender."
Nós pisamos em um abismo,
Com olhos famintos de eternidade
Pois mesmo o nada, quando olhado de frente,
É matéria crua da realidade.
Tempo ao Tempo.
Erros.
O arrependimento e o remorso são fiés cúmplices; ambos alimentam-se de nossos erros, às vezes fatais.
.
A conexão é eterna e nunca se esquecida permanece silenciosa, mas viva, mesmo com o passar do tempo. Já a obsessão é barulho de quem não sabe amar: faz escândalo na ausência, mas morre na ausência de atenção. O que é real permanece, o que é carência desaparece.
O soberbo traz com ele a ingratidão, é como uma terra árida, que espera pela brisa do tempo para poder se saciar, porque não sabe fazer chover. É um parasita sugador de energias alheias.
Um espelho antigo se recusa a refletir em protesto ao tempo que passa avassalador, levando a beleza e a juventude das almas que não têm forma e não envelhecem.
O poema é uma travessia entre a palavra e o silêncio como uma música cadenciada. A palavra diz, o silêncio reflete, a palavra se debate e sem porquê encontra um ponto final.
As palavras não sabem que têm raiz, apenas crescem para o alto ignorando que a seiva que as mantém frondosas nasceu antes de seus troncos. É o divino agindo silenciosamente. As árvores querem o céu, mas as raízes as deixam presas à terra, onde é seu habitat, o planeta azul.
Ao fechar os olhos, um pássaro não conhece limites terrenos e é capaz de atravessar um vitral concreto.
Com os olhos fechados, um pássaro pode atravessar a atmosfera sem mover suas asas.
Às vezes a ignorância salva, o pássaro com olhos fechados é capaz de ultrapassar qualquer barreira, pois desconhece limites.
Por que eu ainda resisto?
Eu resisto porque sou mais que eu. Eu sou o exemplo da vida que persiste, dos passos incontinuos. Eu sou força impetuosa e livro de resiliência para aqueles que me leem em silêncio.
Vazio é a falta, onde nada encontra abrigo, é o nada, o niilismo cego. Ausência é algo que existe, mas está ocultado, uma pausa entre o não ser e o eterno retorno.
Quando a luz deixou de entender o sol, um enorme eclipse se apresentou à Terra. Foi belo, mas fugaz, pois a luz e o sol são uma mesma polaridade, inesculpavelmente como o ar que nos faz humanos.
Se a tristeza tivesse uma geografia, ela seria uma montanha, pois não há nada tão grandioso como uma dor sincera, buscando abrigo em outros corações.
A junção de tempo e memória se traduz em um elefante idoso que chora cada morte de cada um de sua manada. Ele jamais esquece um companheiro de jornada. Sua memória é leal como a vida em suas etapas irremediáveis.
A linguagem nasceu de uma rocha, calada há séculos. De seu silêncio nasceram sinais, que viraram letras e palavras. Dentro da rocha imutável dormia uma famosa invenção, que floresceria em todo o mundo.
Ecos do Atraso
A estrada não tem piedade de quem tenta recuperar, em minutos, o tempo que se perdeu no espelho da vaidade.
A pressa nasce do tempo mal planejado, o perigo cresce no pé acelerado.
Quem vive correndo contra os ponteiros, faz do tempo seu oponente,
do volante, arma potente, e da pressa, tragédia iminente.
Mas o imprevisto — esse que todos culpam — só vira rotina onde falta disciplina.
Porque sair com tempo é sabedoria,
e estar vivo é sempre mais urgente
do que chegar na hora.
Não é no volante que se compensa o relógio. A velocidade no asfalto é convite ao velório.
Quando a alma se recolhe em silêncio absoluto, o tempo fica suspenso no ar. Ele não se move, nem para frente, nem para trás. Fica inerte, pois é a alma que dá vida ao tempo. Bailam ensinando ritmo à vida.
Nos zoológicos animais aprisionados sobrevivem sem alegria. Cercados, mudados, são privados de sua vida natural. É um espetáculo lúgubre para pessoas sem consciência que admiram a tortura lenta e arrastada de seres que, com vida, já não vivem.
Ela se vestia de ausências para não ser tocada. Ela se exímia de significado para que mãos intrusas não a violassem. Ela era feita para ser apreciada, tocada apenas por olhos sensíveis.
Lembrar é trazer para o presente uma pintura renascentista. Ressuscitar é pintar a própria renascença, novamente com força original. Lembrar é uma forma vulgar de retomar imagens. Ressuscitar é recriar a realidade extinta com as cores da simbologia.
Esperançar é a mistura de esperança e esperar. Não é um neologismo estático, passivo, pois a esperança aponta para a urgência, para a solução. Esperançar é esperar no agora, no momento oportuno, em que cada palavra encontra a sua ressonância.
Uma ponte feita de palavras não ditas é o mesmo que uma ponte feita de sussurros. As palavras não ditas vibram e transportam o significado de uma parte a outra. Pontes são sempre ligação entre o afirmado respondendo o não dito.
Todo finito contém o infinito. O infinito grandioso, imponente, materializa-se no finito. A linguagem é infinita e se recria a cada instante, já a palavra é finita, mas carrega em sua essência o infinito. O universo é infinito, mas o ser humano é finito. Dentro do ser humano cabem todas as estrelas e o universo. Há uma dialética entre o infinito e o finito.
Há um relógio que marca as horas do coração. Quando ele para o coração sente algo como a indiferença, e tanto faz viver quanto morrer, no coração inerte nada pulsa. Apenas os sentimentos podem consertar esse relógio, seja a compaixão, o amor, a amizade. Os dois em sincronia marcam o pulsar da vida.
Há uma constelação que simboliza a mente de alguém que pensa demais. Chama-se Além Mundo. É uma constelação que sempre se alimenta de pensamentos e questionamentos. É para lá que vão as almas cansadas da vida terrena.
Há uma dança entre o que se sente e o que se pode dizer. Tudo pode ser dito, mas tudo convém. O que queremos dizer mora em pedaço do cérebro que morre de inanição das palavras não ditas. Quantas palavras de amor eu falaria se houvesse eco em ouvidos sensíveis, mas elas se encontram caladas, encarceradas em nossos sonhos não permitidos.
A história não absolverá os que subjugaram o bem comum para alimentar seus egos inchados. O tempo, senhor de todas as verdades, há de revelar que os reinos erguidos sobre a mentira sempre ruem — e que a soberania popular, ainda que adormecida, desperta com fúria quando o povo descobre que foi enganado.
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