Te Perdi

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Descobri: não perdi nada com tudo o que se foi.

Perdi o medo do depois,
quando aprendi,
que o depois,
pertence a DEUS!

“Não me perdi, apenas parei de caber onde me queriam pequeno.”

Perdi meu grão de loucura agora sou insanidade pura

A Geografia da Perdição
“Eu não me perdi, mas experimentei a perdição.”
(Clarice Lispector)
Talvez exista uma distância imensa entre perder-se e conhecer a perdição. Quem se perde já não sabe para onde vai. Quem experimenta a perdição, porém, pode saber exatamente onde está e, mesmo assim, caminhar por territórios onde a razão aconselharia não entrar.
Viver também pode ser isso: chegar perto do abismo sem fazer dele morada. Conhecer a noite sem desistir da manhã. Provar o gosto amargo de certas escolhas e compreender, muito depois, que algumas cicatrizes não anunciam derrota; apenas testemunham que atravessamos lugares difíceis e conseguimos regressar.
Existem lugares dentro de nós onde não deveríamos morar.
Às vezes damos voz aos nossos medos, oferecemos cadeira às dúvidas e permitimos que determinadas tristezas permaneçam além do necessário. Há dias em que a esperança parece apenas uma palavra inventada para tornar a existência suportável. E, ainda assim, alguma coisa permanece acesa.
Por isso, talvez a frase seja tão poderosa:
Eu não me perdi.
Experimentei a perdição.
Há uma estranha sabedoria nisso. Quem conheceu suficientemente a escuridão talvez compreenda que a luz não serve apenas para iluminar o caminho ela também nos chama de volta.
A vida não exige que atravessemos o mundo intactos. Talvez exija apenas que, depois de cada tempestade, ainda sejamos capazes de reconhecer o nosso próprio nome.
Porque existem viagens das quais regressamos diferentes.
Há quedas que nos ensinam a dimensão da altura.
Há silêncios que nos devolvem a voz.
E existem perdições que, paradoxalmente, acabam revelando um caminho.
Eu não me perdi.
Apenas fui longe o bastante para descobrir onde, dentro de mim, ainda morava a vontade de voltar.

O que mais machuca?
A falta de palavra, a falta de amor, a falta de cuidados e o sentimento perdido anunciado, amor.

Isso machuca.

“Perdi até a sombra do teu amor na escuridão dele, e desde então, procuro no vazio aquilo que já não projeta luz.”

Cuide!

Me leve para casa,
Não estou bem.
Preciso de um caminho,
Perdi minha bússola,
Ou talvez, nunca a tive.

Não consigo dormir,
Cochiche em meu ouvido,
Faça-me cafuné,
Beije-me a meia noite.
Faça a mim o que quiser,
Só não me deixe só.

Perdi espectros do que fui; ganhei a clareza do que sou. Carrego menos bagagem, mais propósito. O amanhã já tem nome.

Perdi a pressa de ser perfeito, passei a valorizar o trabalho bem feito, a perfeição é agora um sinal, não prisão.

Quando perdi tudo, encontrei a mim mesmo.

Eu me perdi pra aprender o caminho.

Tudo o que perdi me ensinou o que realmente importa.

Já perdi tudo, e ainda assim não perdi a fé.

Quando perdi tudo, encontrei o essencial.

Já chorei pelo que perdi, hoje agradeço por não ter ficado.

Já perdi o rumo, mas nunca a esperança.

Já perdi o norte, mas nunca perdi a fé.

Já perdi tudo, e ainda assim encontrei gratidão. Perder tudo é descobrir que o essencial sobreviveu, a gratidão nasce onde o resto se foi.

Perdi a esperança, reencontrei na manhã, a primeira luz trouxe novo ponto de apoio, até a noite mais longa se dobra ao sol, a esperança volta com cada amanhecer.