Te Perdi
Já perdi tudo, e ainda assim encontrei gratidão. Perder tudo é descobrir que o essencial sobreviveu, a gratidão nasce onde o resto se foi.
Perdi a esperança, reencontrei na manhã, a primeira luz trouxe novo ponto de apoio, até a noite mais longa se dobra ao sol, a esperança volta com cada amanhecer.
Perdi tudo e ganhei a mim mesmo, no vazio reencontrei o essencial, perda virou retorno para o que importa, ganhei liberdade e rosto próprio.
Perdi posses, ganhei horizontes, a falta ensinou a olhar além do perto, horizonte substituiu o que o tempo levou, aprendi a ver o essencial no pouco.
A vida não se mede pelo que perdi, mas pela grandeza que conquistei ao ter coragem de seguir em frente mesmo quando tudo dizia para parar.
Marcilene Dumont
“” De tanto rir
Me perdi
De tanto chorar
Amadureci
Pensando ter razão
Perdi a noção
De que nossa canção
Chegou ao fim...””
Estendi-te a mão e perdi o coração. Acreditei na tua razão, e no fim fiquei a chorar em casa no chão. Foste mais que um abraço, um regaço e fizeste-me ver que apesar de perto, não estavámos no mesmo passo. Espero que as nossas memórias estejam no teu coração como era de esperar se tudo não tivesse sido em vão.
Se eu fosse falar a verdade
Talvez você se comovesse.
Perdi meu pai aos onze anos — e com ele, o lar.
A casa deixou de ser abrigo, tornou-se lembrança.
O conforto e a segurança que uma infância promete
se desmancharam na poeira do tempo.
A vida se desenrolou como um fio invisível
que eu apenas seguia, sem saber aonde levava.
Mas não escrevo para comover ninguém.
Sou um homem realizado no pouco que premeditei:
ser poeta — não por escolha, mas por destino.
Desde menino, tive uma clarividência silenciosa
sobre o que viria a ser.
Uma voz interior me dizia
que havia um mandato das alturas:
cantar, mesmo que o canto fosse triste;
dar forma ao invisível;
soprar o fio de Ariadne
que me conduziria pelo labirinto da vida.
Entre fragmentos e quedas,
fui forjado por dores que não escolhi.
E nelas, descobri a necessidade inevitável
de escrever — sempre com lágrimas,
sempre com o sangue secreto da alma.
Não havia mapa, só o instinto e a necessidade.
E foi nas escolhas, muitas vezes cegas,
que aprendi a me reconhecer.
Hoje compreendo que minha existência,
apesar de comum, sempre esteve repleta de sentido:
era o ensaio do homem que eu me tornaria —
um ser moldado pela perda,
mas iluminado pela busca.
Eu já quis tantas coisas
que hoje não fazem mais sentido.
Perdi o interesse…
e é estranho perceber
que algo que um dia foi tão intenso
agora não me alcança nem de longe.
Nem parece que eu quis tanto assim.
Talvez o querer também tenha seu tempo.
Talvez ele nasça, cresça…
e, silenciosamente, vá embora.
Por isso, o querer que hoje me atravessa com força
o que me desperta, inquieta e chama
que se faça presente.
Que permaneça vivo.
Que continue se fazendo desejar.
E que me deseje tanto
quanto eu o desejo.
Antes que, logo ali na frente,
eu também me torne ausência.
Antes que o encanto se dissolva pelo cansaço
e o gosto de querer se perca.
Porque eu sei…
eu posso, de novo, me distrair com o mundo
e deixar passar.
Então hoje,
se faça presença.
Se faça sentido.
Se faça interessante.
Desisti de mim no momento que perdi você.
Naquele instante sabia que nunca mais amaria novamente! Amor verdadeiro só se vive uma vez, o resto é saudade, é uma luta constante pra não lembrar daquilo que um dia foi a razão de se continuar vivendo. É sonhar, e apenas isso, com alguém que antes eu tocava, beijava, abraçava, sorria.
O único toque que sinto agora é o da dor. São das lamentações diárias. E isso ninguém me tira, porque a ausência e a solidão são os méritos por ter me entregado de corpo e alma pra alguém que hoje nem se recorda mais do meu nome.
