Tarde
CAIR DA TARDE ...
O céu do cerrado está tão imenso
Todo dum vermelho compassado
O vento lhe rodeia, incerto, tenso
Na vastidão do azul, árido e alado
O horizonte mais rubente, intenso
No aparato carmim que é tomado
Em nuances no celeste suspenso
Em reza, num oratório imaculado
Quanta ilusão, quanta, no parecer
Do entendimento, fica a embalar
A imaginação, perdidas no viver
Ah! grandioso, de infinita beleza
Aos olhos não se pode desvendar
Os mistérios ocultos na natureza! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23/02/2021, 18’28” – Triângulo Mineiro
Fim de Tarde
Fim de tarde e eu tranquilo na varanda
Estou em paz e pensativo procurando explicação
Fim de tarde, vejo que o relógio anda
Mas aqui o tempo para, há de ter uma razão
Fim de tarde olho pra fora os passarinhos
Embelezam a paisagem e vão voando longe ao pares
Eles cantam um canto tão bonito e constroem os seu ninhos
A natureza é perfeita, percorrem tantos lugares
Fim de tarde sinto um cheiro de café
Que vem lá da cozinha, o aroma é memória
Lembro da minha mãe que me dizia: Filho vai com fé!
E construa seu caminho seja herói da sua história
Fim de tarde e me ponho pensar
Se queria outra vida, se seria outro alguém
Mas vejo que segui o meu destino, aqui é o meu lugar
E não há nada que me faça ir, esse é o meu lar não vou além
Fim de tarde estou aqui por uma razão
Fim de tarde cheio de paz e tranquilidade
Fim de tarde que faz feliz meu coração
Fim de tarde, é minha vida, minha liberdade
Suas tias vêm aqui, tão tarde da noite, para ajudar a sumir com um corpo, e nem oferecemos comida? Como pode?
Reflexão (tardia)
Entre a insanidade e a lucidez
A sobriedade e a embriaguez
Eu pego apenas mais um copo
Se for pra apostar agora, topo
Crescemos e envelhecemos
Desaprendendo a usufruir
Trabalhamos e perdemos
A experiência de curtir
Entre o fim do dia e o de tudo
Algumas letras, alfabeto mudo
Eu mantenho-me em silêncio
Um disparo pro alto, inexato
Nos alimentamos da carne
De algum animal sacrificado
A reflexão chega sempre tarde
Depois do jovem ser assassinado
País, sociedade, razão e religião
Porre, porrada, falta de opção
A continuidade é um erro fatal
Em um amanhã de pleno temporal.
"O verdadeiro amor chega como vento suave da tarde, mas quando se vai perceberas que esse amor era apenas o início de um tornado de proporção F5 na escala Fujita, deixando para trás rastro de destruições em meio a um coração destroçado".
É tarde demais pra eu te dizer, que você ficou em mim sem eu perceber. E que me fez sofrer sem eu saber o porque...
No início, jurei pra mim que era só afeição. E em mim sempre acreditei.
Quando acordei, eu estava mergulhada em lágrimas e uma dor que me dilascerava a alma.
E eu só acordava em meio a pesadelos... Momentos em que a sua ausência ameaçava se fazer eterna em meus sonhos.
E eu te repreendia em meio a confusão que se instalava cada vez mais em mim, em nome das tristes lembranças que que se guardavam em minha mente... Momentos em que a sua presença estava em outros mundos:/
Sempre esperei esquecer... Mas o meu erro foi sempre te fazer esperar..
Mas quem iria me dizer, se eu sempre te quis em segredo?
Eu queria abandonar esse medo, mas eu sempre errei as horas... Te perdi várias vezes, e você sempre em mim... Tive diversas vezes a chance de te ter... Mas, sobretudo, tive medos!!
Amei alguém tão livre. Tive medo de não conseguir acompanhá-lo.
Tive medo de saber tão pouco, nesse meu mundo tão preso... Tive medo de você... Mas o maior, sempre foi o de te perder pra sempre.
E se eu me desse a você, e você me levasse com você, e não me trouxesse de volta?
E se eu me desse, e não desse certo?
Eu não queria te dar nenhuma certeza... Eu quis ter certeza.
Eu perdi a razão...
Agora essas palavras são em vão...
Mesmo que você ainda esteja aqui em mim, se eu não estou aí, eu já te perdí... :'(
Acordar cedo é ótimo, mas acordar na hora que se deseja é ainda melhor. O importante é saber aproveitar cada instante — porque mais valioso do que a hora é o que fazemos com cada momento que recebemos.
Cai a tarde de domingo...
o tempo escorre,
esvai-se pouco a pouco
como um suspiro antigo
que já não se ouve mais.
A kalanchoe amarela no parapeito
resiste —
minha pequena explosão de sol
em um mundo meio gasto,
meio silenciado.
Pelas ruas,
vagam transeuntes
perdidos em si mesmos.
Já não sabem quem são,
nem quem foram um dia —
apenas seguem.
Lá fora, o vento hesita,
como se lembrasse
de outros domingos idos,
com passos,
com vozes atravessando as horas
sem pedir licença,
avançando sempre...
Há uma beleza única nesse momento —
e ela não grita,
sussurra em amarelo
nas pétalas da kalanchoe,
no breve toque do vento
em meus cabelos
antes de seguir
seu perpétuo curso.
(Kalanchoe Amarela)
Ainda me lembro daquela tarde
Você me convidou para um café
Surpreendeu-me ….
Uma mesa simples numa tarde dourada
Café de torrão saboroso
Ao redor o som de gaivotas livres
Em cada olhar o brilho do sol
Ainda me lembro daquele beijo.
Minutos preciosos, inesquecíveis !
#bysissym
Tardes com Teu Nome
Há um instante no crepúsculo que cai,
Quando a luz, já cansada de ser sol,
Se derrama nos vidros a cantar
Um segredo que o mundo não sabe ouvir.
É nessa hora branda, quase parada,
Que teu rosto se forma no ar morno:
Não é lembrança, é presença delicada,
Um refúgio de sombra no fim do dia.
Penso em ti — e o tempo se dobra:
O vento traz tua voz nas folhas secas,
A poeira dourada dança devagar
Como gestos teus pela sala vazia.
Ah, que ofício simples e profundo
Deixar que a saudade, lenta, se instale: Pois ainda não vivi.
Não dói, aquece. É um fogo brando
Que a tarde carrega em seu manto largo.
O mundo lá fora se tinge de mel,
As nuvens desfiam algodão doce,
E eu — apenas navego sem pressa
Nesse mar calmo onde teu nome é porto.
Porque pensar em ti à tarde não é fuga:
É encontrar, no meio do dia que finda,
A quieta certeza de que existes,
E que essa luz, por um instante,
É tua mão acariciando o horizonte...
Nunca é tarde para sair da rotina, viver a realidade de um novo dia, dar um basta na tristeza, estar em paz consigo mesmo. Nunca é tarde para mudar de gesto,
de atitude e de pensamento e ser feliz.
Passarinhada sem nome,
Eles erguem os bicos,
Gregários voadores,
Festejam alto,
A chuva que chega,
E desce precípite,
Do seu salto feminil,
Um pedaço do tempo presenciado,
Desprendido de novidade,
Da Paulicéia alvoroçada,
No fim desta tarde veranil,
