Richard Rocha Rodrigues da Silva
Teoria Fugaz
Há nobreza no que perece.
O efêmero não é menor:
é valor.
Por isso doem tanto
a beleza, o amor, os começos,
porque trazem consigo
a cifra de sua própria despedida.
E, mesmo assim, os queremos.
Mesmo assim abrimos a casa do peito
ao hóspede que um dia partirá.
Viver é consentir no risco.
É saber que o tempo devora
e, ainda assim, oferecer-lhe
o melhor vinho da consciência.
É cair de joelhos diante do mistério:
não por submissão,
mas por lucidez.
Se me pedem uma definição,
recuso a pedra, escolho o fogo.
Não possuir o infinito,
mas tocá-lo com tal inteireza
que o breve, por um segundo,
deixe de ser breve
e se torne absoluto.
Viver é consentir no risco.
É saber que o tempo devora
e, ainda assim, oferecer-lhe
o melhor vinho da consciência.
Não possuir o infinito,
mas tocá-lo com tal inteireza
que o breve, por um segundo,
deixe de ser breve
e se torne absoluto.
Toda pequena escolha
carrega em si
a semente da catástrofe
e a possibilidade do recomeço.
Entre o que desaba
e o que insiste em permanecer,
há sempre um ser humano
segurando um segundo nas mãos
como quem segura o mundo,
sem saber.
Se a vida escreve partituras invisíveis,
talvez sejamos notas improváveis e sensíveis, tentando encontrar, no mesmo tom, um lugar onde até o silêncio vire som.
E quando o mundo perde o ritmo lá fora,
é no teu abraço que a melodia melhora,
porque amar você é viver a sensação
de finalmente caber dentro da própria canção
