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⁠DESENCANTO (soneto)

Muitas vezes trovei os amores idos 
Chorando o desalento e desventura
No engano, numa lira feroz e impura
De infelicidade, o vazio dos sentidos

E nesses instantes sofridos, convertidos 
Cada lágrima escrita era de amargura
Com rimas sem resolução e tão escura
Soando a alma com cânticos gemidos

E se tentava acalmar com justificação 
Mais saudoso ficava o árduo coração
Que se enganava querendo encanto

E, sussurrando, num afiado suspiro 
Os versos que feriam, tal um tiro
O amor, eclodiam do desencanto

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
30/07/2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Mal secreto (soneto)

Se o vazio que sente, na saudade que mora
No peito, e sufoca cada gesto recordado
Cada olhar do passado, que a dor devora
Pouco será a imensidão do vasto cerrado

Pra que se possa ecoar tal tristura sonora
A sensação que chora, e a lágrima da face
Que escorre, e que chameja a toda hora
Na recordação, sem que haja desenlace

Se se pudesse, do ser a ventura recrear
Da alma só felicidade então aí dimanar
Tudo seria melhor neste amor inquieto

Mas, está cólera que espuma, e jorra
Da ausência, e a solidão que desforra
Nos cala, e estampa um mal secreto...

(2020, 01 de agosto)

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A ESCULTURA (soneto)

Idealizada, em traços no pó de mármor 
Num luzidio de inspiração e de talento
Nas minúcias de fêmea em movimento
Fixas em forma rara, de delicado primor

Transpirando volúpia, vida e portento 
Do pó de pedra forjada com tenro amor
Surge a forma e, prostrada em fomento
Abrigo imortal, num cendal esplendor

Do albor da imaginação, dos desejos 
Surge assim esquia e férteis latejos
Ante a estátua feita, minha ovação

E o espanto avido do meu espreitar 
Põe a beleza e delicadeza no olhar
Dela, a escultura amoldada a mão

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
06/08/2020, 11’41” – Triângulo Mineiro
Inspirada na escultura de Eliete Cunha Costa

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O AMOR QUE É AMOR

O amor que é amor jamais vacila 
Nas paixões iradas entra sem medo
Leva consigo a afeição e o enredo
Do doce olhar, e o abraço que asila

O desejo é uma variedade tranquila 
Pra quem cobiça, pois, vence o quedo
E dum para o outro não tem segredo
Enquanto o apuro o veneno destila

Amor que é amor, a tudo transforma 
Um ato de grandeza e de plataforma
Do bem, onde se tem a sorte ao dispor

Esse esplendor, regado com flores 
São muito mais que simples amores
É a natureza do amor que é amor...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
14 de agosto de 2020 – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O CONDENADO

O sentimento está triste. Tão calado 
O pensamento solitário, num canto
Com agonia, ali, assim, compassado
E os olhos lacrimejando entretanto...

E no sofrimento de um crucificado 
Pulsa na dor e chora árduo espanto
Se sentindo, um tal tão desgraçado
No drama e paixão, sem encanto...

Do algoz, cruento, e seco cerrado 
O silêncio lasca o peito com tensão
Que suspira em pranto, fulminado

Tal um réu, um desafortunado, então 
Largado na ilusão, e se vendo de lado
Soluça saudades o condenado coração!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
15 de agosto de 2020 – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ADVERSO DUM VERSO

Essa sensação de face cansada 
Que vês no meu poetar azedo
De trova tremente e mirrada
É falta que lamenta no enredo

O versejar pouco camarada 
Da satisfação já em degredo
De rima velha e desgraçada
Em que não se profere ledo

Ontem, de viço e alegria 
Hoje, o choro e sofrência
Um fado. Na vã poesia

Nesta dura sina em riste 
Do canto em decadência
Verseja um poeta triste!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
17/08/2020, 16’45” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A QUARESMEIRA

Pra Quaresmeira ser louvada, não basta 
No cerrado, trovar os dotes do encanto
Tem de ter na poesia, o instinto tanto
Da magia e sensação que o belo arrasta

De um esplendor e uma tal delicadeza 
Nesse sertão de diversidade tão vasta
Seu destaque de flor preciosa e casta
Do lilás dos cachos, adorno da natureza

Exaltação aos olhos, de florada ligeira 
Chama da paixão, graça, poesia acesa
A essência sedutora da quaresmeira

Na admiração, um trescalar misto: 
De funesto fase, reflexão e beleza
Em cortejo do martírio de Cristo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
18/08/2020, 09’43” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ONDE O CERRADO MORA

Uma secura à beira de um barranco 
No entorno: ipês, buritis, e o pequi
Por todo lado o agigantado céu rubi
No horizonte, um devaneio franco

O dia acorda na alva, num só tranco 
Onde ouve o canto da brejeira juriti
E o passeio do solitário macho quati
Ali, alvoraçando a vida num arranco

À tardinha, em romaria, o regresso 
A melancolia deitada na rede, espera
O entardecer mais bonito, confesso!

Se crês na quimera, ela existe, porém: 
É no torto do cerrado de falsa tapera
Onde mora, que há encanto também!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
18/08/2020, 15’17” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠⁠IRREVOCÁVEL

A minha solidão tem sonhos imensos
Que poetam sensações sem arreatas
Onde o eco do querer, em serenatas
Na inquietação, tem vigores extensos

Meu coração tem umas tais colunatas
E ali agitado, vivo com olhares densos 
Atraindo, com devaneios tão intensos
E uns sentimentos e pesares primatas

Nesse templário de sonhos e poesia
Entrei ávido nessa catedral um dia
Pra me contagiar com o doce sabor

Doados pelos cavaleiros medievais
Da paixão, amos destas catedrais:
Me vi, irrevocável, ao provar amor!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
20 de agosto de 2020- Triângulo Mineiro 

Inserida por LucianoSpagnol

⁠AO PÉ DO OUVIDO

Eu fui confidenciar, lôbrego, o meu pesar 
À velha lua, branca e nua, no céu viçosa
Na noite acordada, supondo que ao falar
Teria o trovar solto duma queixa amorosa

Não quis sequer atenção, então, prestar 
No celeste ali estava e, ali ficava gloriosa
Mas, pouco a pouco, num súbito quedar
Vendo um ciciar, pôs a me ouvir cautelosa:

Entre soluços e suspiros eu narrava tudo 
Ela comovida, pois, poética e apaixonada
Tal como é, romanceou o duro conteúdo

Com os olhos cheios d’água, sonhadora 
Compadecida desta sofrida derrocada
Então, chorou comigo pela noite afora

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
21 de agosto de 2020- Triângulo Mineiro
paráfrase Pe. Antônio Tomás

Inserida por LucianoSpagnol

⁠FIM DE TARDE

Cindindo a vastidão do céu do sertão 
Do planalto, num entardecer encantado
Sulcando as nuvens com raios dourado
Devassando o espanto, e sedutora visão

E no horizonte sem fim do torto cerrado 
Ei-lo purpureando em toda a amplidão
Abarcando o cenário com tal composição
De matizes, alumiado por dom imaculado

Brilha, e se eleva em busca do infinito 
O findar do dia, no céu é manuscrito
Auroreando a inspiração, numa poesia

Cheio de escarlate, assim, a cintilar 
Que se vê na fulgência deste lugar
Vai-se a luz, e vem a noite sombria...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
20/08/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SUSPIROS PROFUNDOS

Ninguém sentiu o meu choro inseguro 
Ó dolorosa dor entre as dores minhas
Embriagada solidão, máculas daninhas
O falto para mim foi silencioso e duro

Permaneceste no pensamento escuro 
Vazia e casta, tristes eram as tadinhas
E chegaste a ter mais do que tinhas
Tornando-te em um flagelo impuro

Invisível tornou o meu sofrer inquieto 
A minha poesia, o sentimento secreto
Jorrados do sentir, ali tão moribundos

E, neste trágico, pedaço dos pedaços 
Ele, que habitou a ter esses embaraços
Fez-me o dono de suspiros profundos

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
26/08/2020, 12’28” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠VELHO TEMA

Só a graça da poesia, em toda a sensação 
Palia o engano de um amor, mais nada
Nem mais os soluços do infeliz coração
Disfarçam a dor da devoção malograda

A insistente quimera por ela estacada 
No seu encanto, chora toda a emoção
Da desilusão: no canto, na rima falada
Criando outro sonho, de novo a paixão

E, nessa inspiração que supomos 
Duma tal felicidade que sonhamos
Em cada versejar, a verdade somos

Assim, nessa concordância, sejamos 
O olhar, o afago, se na prosa fomos
O sentimento, ai no amor estamos!

© Luciano Spagnol- poeta do cerrado 
27, agosto de 2020 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol


VELHO CERRADO

Olha este velho cerrado, tão belo 
De savanas cascalhadas e, antiga
Quanto mais desigual mais se diga:
- Triunfante na idade e no singelo

Buritis, ipês, horizonte no paralelo 
Arranjam, livres, e o diverso abriga
Em sua melancolia e a árdua cantiga
Do vento nos tortos galhos em duelo

Não choremos, sertão, a tortuosidade 
Admiremos cada traço, admiremos
Como obra prima deve ser admirada

Na glória do vário és tu, majestade 
Governando o encanto que vemos
No mago fascínio da meseta velhada

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
29/08/2020, 13’49” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠OUTRA RUA

Onde estou? Está rua me é lembrança 
E das calçadas o olhar eu desconheço
Tudo outro modo em outra mudança
Senti-la, saudoso, no igualar esmoreço

Uma casa aqui houve, não me esqueço 
Outra lá, acolá, recordação sem herança
Está tudo mudado do tempo de criança
Passa, é passado, estou velho, confesso

Estória de vizinhança aqui vi florescente 
Pique, bola: - a meninada no entardecer
Hoje decadente, e conheço pouca gente

Engano? essa não era, pouco posso crer 
Ela que estranho! Se é ela ainda presente
Nos rascunhos, e na poesia do meu viver...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Agosto de 2020, 31 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠UM AMOR NATURAL DE SÃO PAULO

Ah, amor doído, me maltrata 
Saber que fui apenas recreio
Que inda arde no peito, creio
Que a dor me teimará ingrata

Com o engano, verídica errata 
Ardo na agrura e no devaneio
Mas com o tempo, tu, receio
Irá se calar na súplice serenata

Os teus olhos deixarão de ser: 
A força e planos no meu olhar
Tudo gira, no eterno aprender

Nego-te o meu sofrer e pesar 
Se lamento é para te esquecer
Nesses versos de amor e amar!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Agosto de 2020, 31 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ AFORA  

Passaste como a flor do ipê fugaz 
que se desprende na sua aurora
do desvelo só tiveste àquela hora
em que do afeto o emotivo traz

Ter-te e perder-te! sensação voraz 
que inunda o peito, e a dor piora
sem ver-te, o poetar por ti chora
em tristes versos, saudade tenaz

Demorou essa presença em mim 
minha alma ainda adora, e flora
emoção num sentimento marfim

Neste querer, o querer é outrora 
se sonhei contigo, calou o clarim
dessa estória, o amor vai afora!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Setembro de 2020, 02 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠TORMENTO ANÔNIMO

Há amores não correspondidos, há enganos 
mais negros que a noite muito mais escura
suspiros loucos, e o coração com amargura
as horas, segundos mais longos que os anos

E nestes doridos, loucos e alanceados danos 
que leva o fado para as bandas da desventura
em um coral de gemido e de uma sorte dura
atraindo aos sentimentos só os rumos tiranos

E, as dores da solidão, sim, ela tão somente 
que se cala nos braços deste amor cruento
dói, tal como ferir-se com gladio lentamente

Ah! que penar, esse que só traz tormento 
lamentos e, nos ruminando inteiramente
tendo os dias de sofrência como alimento

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
Setembro, 02/ 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SUFICIÊNCIA

Dita, ao pé do amor primeiro 
Estreante desta variegada vida
Estou e estarei nessa acolhida
Ao coração, fiel companheiro

Da paixão o afeto cavalheiro 
Pulsa-lhe a poesia em torcida
Faz a boa diversão apetecida
Salivando o gosto por inteiro

Trago-te flores, zelo certeiro 
Trovando a doce existência
E que assim seja verdadeiro

Se não, não serve a aparência 
E, tão pouco algo corriqueiro
Intensidade que é suficiência!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
04/09/2020, 10’18” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠DOR INFINDA

Já no sumido aquele afeto profundo 
Só eu, ó pieguice, só eu me lembro
Das noites e dias secos de setembro
Maçadas, e o meu amor moribundo

Desde esse dia, eu ermo no mundo 
Atado a solidão e sem deslembro
De ti, e do falto um azedo membro
Não houve fôlego por um segundo

Quando, ainda cria... - hoje perdido 
E lastimando no leito a desventura
Tenho a sensação de já ter morrido

Ah! saudade, que a vasca mistura 
No peito, e ao aperto tão sofrido...
Dor infinda... e cheia de amargura!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
Setembro, 06/2020, 05’46” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠CERTIFICADO

A velhice é um treco, dor e cansaço 
O dia é um balanço, no vai e vem
o que resta, o mínimo que se tem
Se faço, com a dificuldade abraço

Devagar e no compasso, tudo bem 
Se vou além? ... pergunte ao passo
Pois, da vagarosidade sou refém
No próprio eu não tenho espaço

Tudo me cansa, comove, maça 
Se rio, o choro faz igualmente
E o tempo parece uma ameaça

Já, a própria inércia é ausente 
Quase sempre sou sem graça
O reflexo não reconhece a gente!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
06/09/2020, 15’15” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ALMA NUA

Ainda que silencioso, a trilhar, eu sigo 
Despido de uma sensação que conforta
Tenho emoção, essa sorte que bendigo
Mesmo sabendo que a carência corta

A doce ilusão, como é bom e importa 
Tudo é confiança, e nada eu maldigo
Bem sei que no tender se tem porta
E na simplicidade do querer o abrigo

Então, desconfortado, assim vou, eu 
Tal qual um poeta sem devoção sua
A procurar o amor que já se perdeu

E nesta de ser feliz na infelicidade 
Me vejo no espelho de alma nua
Matutando o mantra da saudade!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado 
28/10/2020, 05’34” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Dois olhares se cruzam
Sonoros, em um dueto
Em sedução o coração
Em criação um soneto...

DOIS AMORES 

Dois amores carentes de amor 
Em seu mais puro sentimento
Entoam-se num dueto regedor
De carinhos, prazer e momento

Dois olhares repletos de ardor 
Um ao outro o tratado atento
Dois seres ao agrado com valor
Juntos, num ímpar pensamento

Donde vem tanto afeto, cortesia 
Álacre canto de canto incomum
Que enche o peito de tal poesia?

Do querer, do haver dois em um 
Onde o tornar alcança a alegria
E a sensação um pulsar comum!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
30/10/2020, 16’29” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O TREM DA PAIXÃO

Lá vai o trem agitando o coração 
Num baticum, cheio de surpresa
Pelo chão incomum duma paixão
Sustentando a luz da ilusão acesa

Lá vai o trem da sede e emoção 
Pelo planalto da acre incerteza
Beijo e sensação, mão na mão
Olhar e razão: - total gentileza!

Lá vai o trem nos trilhos da avidez 
Entre os suspiros, o suspiro meu
Em movimento de nunca o talvez

Magno trem e no bem o apogeu 
Comboio de ardor, numa validez
Carreando amor, que o amor creu!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
03/11/2020, 10’20” - Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PARIÇÃO DUM SONETO

Como um vaso de cristal, vazio e de aporte 
Ideias vem, pois bem, tal lampejo em rama
Se arranja, desarranja num sublime porte
Inspirando formas, que da alma derrama

É uma sensação num sentimento forte 
Enredando entre os dedos, e ali clama
Poética obra, cheias de encantada sorte
Dum verso em rima que a estima chama

E entre clarões dispersos, assim, venha 
O que vibre, que enlouqueça o secreto
Em um rebento da imaginação prenha

E, no somo apogeu do destinto alfabeto 
Da quimera, passa a ter ideada ordenha
Dos devaneios, para se parir um soneto

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado 
04/11/2020, 18’42” - Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol