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"Sinto-me um mero transeunte do Tempo – acho o Tempo uma invenção. Chamaram a esse vácuo desconhecido de Tempo assim como chamaram de Deus ao resto do vácuo que restou. Para mim, é desse vácuo que se desprende algum amparo, toda minha experimentação. Eu resisto a tudo. Menos à amada que, infelizmente, não é minha”. Aníbal não perde de ver-se, mesmo depois de um longo e imotivado intervalo. Nada faz com que desmorone a construção que fez de Rosália. [não recorda qual foi o inaugural elemento de que se serviu para isso, e isso não o perturba, nem lhe importa]. Rosália ser-lhe-á, por toda a vida, a alma diurna e feliz de que jamais se apartará por sentir-se inteiramente composto dentro dela.
De antes ou depois de todas as dimensões. Aníbal. A licitude dos olhos.
Caninha Braba!
Copo de cana no bar
Afasta toda tristeza
Um aperitivo na mesa
Cai bem limão e cajá
Pode ser maracujá
Prato cheio no balcão
Queijo, toucinho e feijão!
Numa roda de amigo
Prosa é um bom aperitivo
Afasta nossa solidão!
ACASOS
Saberia você,
de meus pensamentos ?
Nunca falo...
Mas sinto,
que é pesado,
comprimido...
Então vazam,
e se condensam em versos assim...
Como os teus...
Tão intensos...
Como se a mim,
fossem...
Expressos,
ditos e dirigidos,
e não me envergonho,
mas me espanto...
Ou me encanto,
sei lá, pois leio-os tão expressivos..
Num olhar
cabe todas às
entrelinhas do
mundo.
Cabe sentimentos,
e, ressentimentos,
cabe o Amor, cabe
até o esquecimento.
Cabe ternura,
Cabe paixão,
até cabe uma
atração.
Cabe uma mera
observação,
mas, cabe também,
um olhar intrínseco,
profundo!
QUE TE AMO TENHO A CERTEZA
Porque te amo nem sei…
Que te amo tenho a certeza!
No teu amor encontrei
Uma enorme singeleza!
E foi na simplicidade
Que amor em ti descobri,
Relembrando, com saudade,
Quando eu te conheci!
Desde sempre a simpatia
Foi marca da tua imagem,
Bem como a tua alegria
E também tua coragem!
Entre tantos predicados
Eu consigo encontrar,
Com olhos apaixonados
Mil formas de te amar!
E das certezas que insisto,
Talvez até a maior…
Querida, eu não desisto
De esperar por esse amor!
...
Me agarro na metamorfose
Duas pernas me levam bem longe
Degusto meu café, minha dose
Não espere que eu te desaponte
Distante da resignação
Desperto e adormeço tentando
Bem longe da acomodação
Avalizo minha fé, vou lutando
Tem dias que entorpeço feliz
Tem dias que adormeço doído
Escapei da expiação por um triz
No mais estou sempre sorrindo
Valente, me tornei imigrante
Carreguei minha bagagem, família
Do caos, virei itinerante
Meu jargão, minha filosofia
Na estrada vi muitos espinhos
Ferrões, e eles não são meus
Nem fui, nem sou Zé-Povinho
Sou grande, acredito em Deus
O triunfo em verso e prosa
prosa ...
[...] Se o meu poetar não me agrada
como agrada a sentimental trova
hei de não ter mais nada
oh meu amor de doce alcova...
e, que neste ato de ser feito
que o amor é como o vento
se na poesia perde o jeito
passa-se a rima e o momento
assim, nestes versos tiranos
de vazio sentimento
dias viram horas e horas anos
numa prosa de sofrimento...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11 de abril 2020 – Cerrado goiano
Paixão é um instante: é um estalo de luz que desabrocha no coração a partir dos entre olhares. É o oceano que transborda a terra em instante de dilúvio emocional.
É uma maravilha!
Tudo brilha em cores quentes e o que importa é manter este
carnaval que bate no peito provocando suspiros rítmicos em
samba!
Ah! Minha bela amada. Como desejo consumir este raro Eros que ainda guardo no coração; mas o bloco dos iludidos já se foi, e encontraram, os iludidos, outros amores; Mas ainda continuo aqui.
Silenciosamente absorto em metafísica continuo aqui.
Fevereiro passou; e ainda continuo aqui.
Devaneio à meia-luz ao materializar sentimentos em palavras, e sem querer faço alquimia ao dissolve-las em seu balsamo impregnado nas minhas reminiscências.
Seguramente faço contrassenso ao entrelaçar palavras vis com sentimentos sublimes, logo reativamente as cores quentes congelam ao mesmo tempo que as neutras degelam.
Ainda que sem tempero ou sabor meu tamborim ecoa a ti, ainda que em vão.
O POEMA E O TEMPO
Foram dias de tamanha imaginação,
Acordar e saber qual seria o tema,
Eleito entre tantos, ao novo poema,
Acordar, te ver e ouvir todos os dias,
Era uma alegria vinda do fundo do coração,
Dois dedos de prosa e pimba...
Vinha na memória a ideia mais clara,
Passada a limpo, traduzida tão rara,
E tudo ganhava forma e rima,
Versos transcritos no carinho no brilho do teu rosto,
Cada palavra ganhando vida como a vida que produzia em mim, tua voz,
Que vinha de um som bem fina,
E eu me perdia pensando em nós,
Escrevia enquanto lá fora a neblina,
Escondida entre nuvens e raios do sol que de mansinho,
Como um gigante abria o caminho,
O astro rei então surgia,
Tazendo um lindo dia,
E nós não vimos a noite passar,
Nem o dia clarear,
Somente nossas longas conversas,
Inspiravam outras sensações,
Transbordavamos de emoções,
Que essas mesmas palavras,
As tuas a mim provocavas,
Emoções que ficaram guardadas,
Numa gavetinha, trancada a sete chaves,
Emoções perdidas no meu coração,
E que ainda permanecem sem uma clara definição,
Para abrir essa gavetinha,
Escrever novas páginas ou apenas uma nova linha,
Um novo verso, novo trecho,
Do poema que permanece inacabado, guardado,
Sem saber se serás o presente,
Ou se farás parte do passado?
Emoções perdidas às avessas,
Pela imensidão de sentimentos,
Que surgem a todo momento,
Quando o barulho das ondas do mar,
Despertam- me para um novo dia,
E assim permanece esse poema,
Esperando surgir nova inspiração,
Para concluir essa divina sensação...
Amor, saudades, encanto,ou paixão?
O tempo será a solução...
Pedaço de mim
Não te vejo!
sinto você,
seu cheiro e
ouço seu choro.
sinto seu calor,
suas mãozinhas
e seu olhar.
Sem te ver,
consigo todos os
dias te abençoar e abraçar.
Laço sanguíneo pedaço
de mim. Te amo tanto!
O tempo não apagará
esse vínculo sagrado,
Pois você é o
presente que
Deus deu pra mim.
Vovó do Isaac ♥️ Rosânia Almada
A Literatura Engajada, como hoje se dá, exige certa renúncia artística, algo que nem todos os escritores estão dispostos a fazer.
Vivo leitura
No lato vislumbre da vida
Sou poesia
No resumo das frases que
escrevo para descrever
Sou filosofia
Nas lágrimas do
desaguar do tempo
Sou história
Na naturalidade
em me manifestar
Sou prosa
Nós dramas e dilemas
Sou Teatro
Na relação de tudo que sou
Sou ciência.
QUEM INVENTOU A SAUDADE?
Num cantinho da memória, entre suspiros e lembranças, lá está ela, a saudade, envolvida no fluxo do tempo como uma história antiga, um fio dourado que nos une ao passado e nos faz sentir a falta do que já foi vivido.
Mas quem teria sido o mestre de tão delicada e dolorosa invenção?
Ah, curiosidade, sente-se aqui comigo, deixe-me contar-lhe uma história que se mistura com a bruma do tempo, uma narrativa de encanto e melancolia, onde a saudade dança ao som das estrelas e se reflete nas águas serenas do rio da vida.
Havia uma vez, num tempo imemorial, um poeta errante que vagava pelas estradas poeirentas do mundo, com os olhos fitos no horizonte e o coração repleto de sonhos. Ele carregava consigo uma pena de ave rara e um frasco de lágrimas estelares, e com esses singelos instrumentos, ele tecia versos de amor e despedida, de esperança e saudade.
Certo dia, enquanto contemplava o crepúsculo tingindo o céu de tons dourados, o poeta sentiu uma dor aguda no peito, uma saudade tão profunda que parecia dilacerar-lhe a alma. E ali, sob a luz do sol moribundo, ele compreendeu que a saudade era mais do que uma simples ausência, era a presença invisível de tudo o que amamos e perdemos.
Com a sabedoria dos sábios e a sensibilidade dos artistas, o poeta decidiu dar forma àquela emoção indomável, transformando-a em palavras que pudessem ecoar através dos séculos. Ele entrelaçou a saudade com a ternura de um abraço perdido, com a doçura de um beijo nunca dado, e assim nasceu o mais belo dos sentimentos, tão doce quanto amargo, tão suave quanto cruel.
E quem teria sido esse poeta visionário, minha cara curiosidade? Alguns dizem que foi o próprio tempo, tecendo com paciência e cuidado cada fio de saudade que une os corações dos amantes separados pela distância. Outros afirmam que foi o destino, traçando com mãos invisíveis os caminhos tortuosos que nos levam de volta ao lar, onde a saudade se transforma em nostalgia e os sonhos se transformam em memórias.
Mas eu prefiro acreditar que a saudade é uma dádiva dos céus, um presente precioso que nos lembra da fragilidade da vida e da eternidade do amor. Pois só aqueles que amam verdadeiramente podem sentir saudades, só aqueles que se entregam de corpo e alma podem compreender a dor e a beleza desse sentimento tão humano e divino.
Então, minha querida curiosidade, da próxima vez que a saudade bater à sua porta, abra-a com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos, pois ela não é uma invenção da tristeza, mas sim uma manifestação sublime do amor que habita em cada um de nós. E enquanto houver saudade no mundo, haverá também a certeza de que o amor é eterno e imortal, capaz de transcender fronteiras, unindo para sempre aqueles que se amam de verdade.
Como posso te amar?
Não posso.
Mas amo?
Acho que não. Espero que não.
Não é medo, é incerteza.
Compatibilidade de almas, incompatibilidade de corpos.
Não é uma miragem vivida,
é apenas uma realidade estendida—
como se o tempo fosse o mesmo para nós.
Mas não é.
Há uma vida de distância.
Talvez mais do que uma.
O que devo fazer em meio a essa realidade assustadora?
Nunca cheguei nessa parte.
Não sei ao certo pelo que me apaixonei,
se é que me apaixonei.
Seria seu riso doce, seu olhar de abrigo,
seu tom de intimidade, sua escuta ativa?
Talvez eu tenha me apaixonado pela forma
como me vi pelos teus olhos—
como se meu coração pudesse bater
e, pela primeira vez,
não houvesse nada de errado nisso.
Mesmo que não seja platônico,
preciso que seja!
Preciso ser como a Branca de Neve,
mas sem o príncipe.
Que ele nunca me beije.
Que eu nunca acorde.
Que isso fique aqui, onde é seguro:
dentro do meu próprio sonho.
Título: Dias de prosa.
Há dias que são de lua,
silenciosos, cheios de brilho e mistério,
onde a noite se desenha em prata
e o tempo se espalha em versos.
E há dias que são de prosa,
de passos firmes e riso solto,
onde as palavras correm soltas
como vento na esquina do morto.
Na lua, o silêncio canta.
Na prosa, a vida dança.
Entre um e outro, sigo fundo…
no poço!
escrevendo como estou
dos ciclos do céu e do tempo…
novo.
Antônio Valverde
Era um senhor gordo escuro e sorridente que queria que as coisas fossem iguais todos os dias, numa nação próspera onde as pessoas viviam em paz e harmonia. O futuro parecia sempre brilhante mas tudo começou a mudar quando um novo Presidente Antônio Valverde assumiu o cargo.
Os livros são janelas para outros mundos e espelhos para nossa alma. Eles nos trazem referências que iluminam nossos pensamentos, ampliam nossas perspectivas e conectam nosso presente ao saber eterno.
Rosas.
Por que você está aqui?
Vim para ter uma prosa
E que prosa poderíamos ter?
Talvez sobre o que são rosas
Rosas não são para você ver?
Sim, mas rosas são preciosas. Precisamos de um significado
Como nós também precisamos de um?
Não, rosas são lindas, e eu, complicado
Rosas não tem espinhos?
A beleza delas sobrepõem todos os defeitos que nela tenha
E todos os significados precisam ser justos?
Precisam, todos que contenham algum cativo, necessita justificativa
E se eu te disser que por você, eu já me cativei. Você me amaria?
Não sei.
E se eu fosse uma rosa, tu se apaixonaria?
Não sei.
E se eu tivesse a rosa mais bela de todas as rosas, você com ela ficaria?
Há coisas que precisam ficar como estão, pois se essa rosa for retirada, eu me machucaria pelos espinhos, como também ela morreria pela ausência do solo. As rosas só vão ser belas à distância, enquanto elas tem a terra, não terá mudança, não serão mortas por causa de ladrões apaixonados, mas terão a beleza eterna através de olhos fissurados.
A linguagem verbal é o milagre maior do Logos, oceano comum-comunicante, mare nostrum antrópico onde a prosa nada enquanto a poesia navega.
Minha dor é a tua liberdade?
Longe de ti, padeço de todo tipo de efermidade emocional
Mas com isso, com isso tu consegues paz e tranquilidade.
Saudades e a consciência me arrastam para a tempestade.
Será minha dor a tua liberdade?
Acho que finalmente encontrei um jeito de me perdoar, dos erros que cometi no passado.
Esse é o primeiro passo, certo?
Se me recompor; será a minha felicidade a tua efermidade?
...
Tão bom quanto ruim
Saber que sou tanto
Para tão pouco
Tão bom quanto ruim
Saber que meu canto
Vai me deixar rouco
Tão bom quanto ruim
Saber que seu espanto
Vai me deixar louco
Tão bom quanto ruim
Saber que meu acalanto
Embala tampouco
Tão pouco
Tão rouco
Tão louco
Tampouco
Tão poesia quão prosa
Saber que meu pranto
Regou sua rosa
Tão poesia quão prosa
Saber que seu manto
De linho airosa
Tão poesia quão prosa
Saber que, no entanto
Tem mente invejosa
Tão poesia quão prosa
Saber que, entretanto
A inveja é onerosa
Meu pranto
Seu manto
No entanto
Entretanto
O abismo é uma sedução provocadora
Um beijo na boca da maldade
Um tapa na cara do perigo
Se for me amar por vaidade
Eu prefiro ser temido
Pra não dizer que não falei das flores
Colhi na praia do pacífico
Naveguei até a ilha dos amores
E vi o bom selvagem tímido.
