Tag pressa
Há tempos, vivemos na tirania do imediato. Uma geração apressada, ansiosa por respostas rápidas, sem pausas para a reflexão. E assim, nos vemos aprisionados pelo frenesi do presente, entregues ao impulso de falar, sem medir as palavras, sem respeitar o compasso natural de nossas almas e o silêncio que nos habita.
O silêncio, que deveria ser nosso amigo, tornou-se um fantasma. Tememos suas profundezas, sua quietude que nos convida a pensar. Então, falamos. Falamos para preencher o vazio, para afugentar a solidão, mas sem notar que, ao fazer isso, muitas vezes apenas propagamos o vazio. Falamos sem ouvir, sem entender, sem sentir.
Ah, como seria bom aprender a ouvir o silêncio! O silêncio que não é ausência, mas presença plena. O silêncio que nos permite ouvir a nós mesmos, que nos dá a chance de encontrar a verdadeira voz dentro de nós. Porque é no silêncio que nascem as palavras que realmente importam. É nele que podemos descobrir a beleza de uma pausa, a riqueza de um momento de contemplação.
O cansaço interior é a bússola do 'pare, pense e relaxe-se'. É chegada a hora de estudar um programa de vida e segui-lo pausadamente. A pressa nos resultados traz desordem e insucessos.
O mais espantoso nos velhos é a sua falta de pressa, como se eles dispusessem de todo o tempo que teriam os moços se não tivessem tanta pressa.
Não tenho pressa… Por ora, apenas permito-me compreender que encontrei, finalmente, o esconderijo desse tal de vazio.
Porque escrevo
Por que escrevo?
Se tenho pressa.
Pressa de ir, pressa de vir
Os pensamentos dissipam-se
Se estou atrasada, não consigo me acompanhar
Das idas corro, das vindas ignoro
De tantas idas e vindas enlouqueço.
A vida me busca e eu corro
De atraso basta minha ida
Nos sonhos imaginados paro
Reparo no caminho que deixei
Sem a pretensão de seguir
Corro para não desistir.
Deixe que os dias sigam sem pressa. Sem ansiedade no amanhã.
A vida já é tão corrida... Quando nos damos conta passaram-se dias, meses e quando prestamos atenção, é o ano que já está terminando, e ficamos com aquela sensação que nada fizemos, que só desperdiçamos tempo com coisas fúteis e inúteis.
Que tudo que planejamos, não realizamos.
Aprendi a viver um dia de cada vez, sem pressa e sem medo.
Pois cada dia que chega, é esperança, e quando ele termina, é gratidão que eu sinto.
Quando buscamos uma transformação interior não devemos ter pressa pois mais relevante que o tempo é a escolha do melhor caminho a ser seguido.
Não tenha pressa se estiver perdido, duvidoso. Cada um de nós tem um propósito e uma paixão.
Flávia Abib
O sol vai escondendo-se sem pressa
Nada muda além de nós
E ainda que os olhos fechem
Sou sol adormecer.
Pressa pra quê?
Minha vida é o meu maior evento
Cada momento é de festa
Um ritual sagrado que merece muita gratidão.
É um filme que nenhuma estrela pode passar.
Então eu aproveito cada instante, pois o meu autor é sempre o melhor.
A vida é curta, breve, frágil e, são exatamente esses os elementos que a torna assim tão preciosa. Convém não desperdiçamos o tempo. É mister que não percamos nenhum instante, sequer, da nossa passagem por ela.
Que nos dediquemos mais ao que nos dá prazer, ao que soma, cura, acrescenta, ao que nos melhora espiritualmente, psicologicamente e como seres humanos.
Sejamos semeadores de flores, luz, bons sentimentos, palavras que bendizem.
Transformemos-nos no amor, na paz, na luz que tanto queremos ter e receber do mundo.
Tornemos-nos um doador voluntário de sorrisos. São eles que como brisa em dia quente amenizam a seca de afeto que assola a humanidade. O mundo pede, a vida agradece e retribui.
É importante nos lembrarmos que é doando o melhor de nós à vida que recebemos dela o seu melhor. Ao contrário do que pensam, isso não é sorte, é merecimento.
"As pessoas caminham rápido, muito rápido, sempre apressadas, porém nunca sabem onde vão. A ansiedade sim é o mal do século."
"É uma pressa incansável do tempo.
Derrepente, hoje faz um ano.
Mas um ano pra memorar.
Mas um ano de tanta saudade."
As palavras são como parafusos, porcas e chaves de fenda. No caso da crônica, a palavra errada vem da pressa e você vai descobrir se é a chave Philips ou a chave tetra que vai abrir aquele significado. Essas chaves são as palavras. Meu interesse na literatura é este: a literatura como chave para entender o mundo e chave para explicar o mundo.
E ela segue encantando
Deixando pelos cantos
Hematomas
De palavras
De laços desfeitos
Que lhe emendaram
Uma força tremenda no peito
E tantos goles
Um copo
Seu corpo
Sua liberdade é ouro
Madura
Sai pela rua
É tão desprecavida do tempo
Se entrelaça com o vento
Sem pressa
Sempre a espera
Do seu sorriso
Da sua mania de ser esconderijo
E se perde
Para se encontrar
No seu próprio
Amor
Vestígios!
Nos falta olhar para os dois lados da rua e lembrar que há pessoas dirigindo os carros. Nos falta perceber que as árvores na beira da estrada já estão plantadas desde antes de nascermos. Nos falta perceber que nossos objetos pessoais demorarão outros cem anos até se decomporem após a nossa morte. Mas esquecemos. Estamos tão hipnotizados para entrar dentro de casa, que esquecemos da chave girando entre os dedos. As texturas, cores, sabores, vozes e cheiros trocam de lugar com o borrão da pressa. Nada mais importa. Só chegar no horário certo.
