Tag poeta
MEIO DIA NO CERRADO
Meio dia. Um canto do cerrado ermo
O silêncio quebrado pelo som do sino
A solidão na saudade sem meio termo
Céu nublado e vigorosa chuva a pino
O vazio cai na calma como um castigo
Não há burburinhos e nem um destino
O planalto devastado, ausente e antigo
Está deserto de fantasmas e de almas
A minha angústia não encontra abrigo
O vento nos buritis, parece bater palmas...
Luciano Spagnol
12'00". Novembro, 2016
Cerrado goiano
ROSA EM SONETO
A rosa, florescendo no seu galho
saúda o alvorecer com tal magia
de encanto, que irradia cor no dia
e um frescor roubado do orvalho
Tal qual uma armígera, ali resistia
ao sol do cerrado e, sem agasalho
se debatia, ao vento, por um atalho
clamando, enquanto a pétala ardia
E na luta, de livrar-se do vergalho
resplandecia mais bela e com valia
se desabrochando num mimalho
Então, gentil, a brisa e sua cortesia
trazia chuva, no sertão tão migalho
que como lágrima, na rosa acaricia...
Luciano Spagnol
Novembro, 2016
Cerrado goiano
PALESTRA AMOROSA (soneto)
Aguardo-te, silente, pois não te tarda
Fez promessa, há de vir. Não te aflitas
Incertezas, na inconstância me agitas
Mas, o coração não falha, te aguarda!
No tempo algoz, às horas são infinitas
Na velocidade, nada há o que a retarda
Mas, a esperança é imortal e galharda
E a recompensa vem com flores e fitas
Pronto! Vens a mim! Aos meus braços!
À espera é longa e, firme são os laços
Do sonhado é desejado especial amor
Olhe nos meus olhos, quero teus beijos
Minha vontade está marcada de desejos
De joelhos: - é pra te estás rosas em flor!
Luciano Spagnol
2016, 17 de novembro
Cerrado goiano
Aguardo-te, silente, pois não te tarda
Fez promessa, há de vir. Não te aflitas
Incertezas, na inconstância me agitas
Mas, o coração não falha, te aguarda!
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
"Os mistérios que existem na vida, vai muito além do que supomos nas nossas limitações. Se é, que podemos chamá-los de mistérios, pra não dizer realidades".
VIOLA CAIPIRA (soneto)
Noite ressequida, ao longe, viola caipira
cantiga de sofrença era ouvida, batida
cantada dentro da tristura, pura embira
que contagia, é dor, amor de despedida
Quem longe está, aproxima, o som pira
na alma calam sensações desmedida
nas emoções, melodia de toda uma vida
chora viola! Chora na escuridade sofrida
Trova o chão do cerrado, pura beleza
razão no sonho sonhado e, "xonado"
retinindo fragilidades de leve leveza
Viola caipira, tem quimera no planger
convida o coração a estar apaixonado
e na paixão, vara até o amanhecer...
Luciano Spagnol
2016, novembro
Cerrado goiano
CHOVE N'ALMA (soneto)
Ouço chuva na minha alma, lá dentro
pingando na solidão pingos de nostalgia
é chuva de tempestade turbulenta e fria
inundando o coração com triste tormento
Tento na saudade ter qualquer analogia
nas quimeras, então, busco aquecimento
nas estórias de venturas, sem sofrimento
pra ter momento de estiagem e melhoria
A chuva, ainda cai num compasso lento
avolumando dor e sentimento na alegria
em rajadas de voluptuoso e firme vento
Em vão, a razão quer sair da melancolia
debruça na janela da alma, em lamento
vê que é pranto, está chuva de carestia
Luciano Spagnol
Novembro, 2016
Cerrado goiano
LIBERDADE (cerrado)
O que mais me fascina no cerrado
não é o torto se fazendo admirado
e as melancolias nas tuas cabeiras
nem as tuas singelas flores rasteiras
e teus mistérios - pleno de arrepios
tampouco teu horizonte nos vazios
encarnados e cheios de diversidade
O que mais me encanta, maravilha
é a tua imensidão tão cheia de ilha
de oásis, banhadas na pluralidade
e a vida na vida pulsando liberdade!
Luciano Spagnol
Novembro, 2016
Cerrado goiano
PERSIGO A FELICIDADE
Em busca da felicidade
Cada momento nos fala
Com gestos e intensidade
Se fragmento, a alma cala
E nesta de inconformidade
O sentimento vira lamento
A felicidade é pela metade
O momento sem sentimento
A afetividade o amor escala
Traz alento e cumplicidade
Ao sentimento embala
Nunca na desigualdade
Pois, a vida não para...
Persigo a felicidade!
Luciano Spagnol
Novembro, 2016
Cerrado goiano
Em busca da felicidade
Cada momento nos fala
Com gestos e intensidade
Se fragmento, a alma cala
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
