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No raio de um alcance do sol.
Sobre a fina linha do horizonte.
A ventania que sopra sobre
as asas do Falcão.
Se quiseres, tira-me o ar que respiro, arrebata minha vida se desejas, mas jamais tira o teu riso de mim amor mio.
Oração do Poeta
Poesia nossa que vem do céu
Santificadas sejam as suas palavras
Venha a nós o vosso receptor
Que seja sempre do Seu agrado
Tocando a sua Alma
Poesia nossa de todo dia
Que seja a de hoje mais uma alegria
Perdoai se lhe entristecermos
Assim como nós perdoamos
Quando não compreendes a nossa mensagem
Que não cedamos a vaidade
Mas livrai-nos do esquecimento
Amém
Cigano Romani
Em 23/09/2020
Direitos autorais reservado ®
Muitas vezes, ouvi o silêncio e decidi traduzi-lo. Percebi então que ele é a voz do infinito que não sabemos, mas existe, é a voz de Deus falando à nossa alma, dizendo: Estou aqui, aquiete-se, estamos juntos.
O porquê da poesia…
Por ter sido inventada pra gravar;
Na nossa mente, uma ou, qualquer mensagem;
Com tão pouco citar, em dela aragem;
É a mais eficaz, forma de dar!
Eficaz, por na mente penetrar;
Como penetra o sol na natureza;
Com a luz, que a todos, tanto embeleza;
De dia e com a havida no luar.
Ainda bem, que a esta em nós dita, inventamos;
Pra nos vir alertar e tão alegrar;
Neste inverno, por tão efémera vida!...
Porque ao: em seu sentir, todos levamos;
O havido, que em ela, tem pra contar;
Mais o tão dito, a OUTRA CUJA a em nós Tida.
Com um especial prazer;
Oh morena, por onde anda você? Que os meus olhos não ver? Por onde anda o teu balanço? Que tanto balançou o meu coração. Hoje caminho nessa boemia, tão vazia sem você. Oh morena, que saudade de te ver.
SONHAR
Existe algo belo e sedutor em sonhar
Sonhamos com desejos novos e antigos, muitos dos quais não esperamos realizar
O sonho adoça nossa boca, encanta nossos olhos e deixa um gosto amargo no final
Porque não importa o quão belo ele seja nada daquilo é real
Lutar por um sonho é trabalho de mestre, deus e senhor
Tomar o destino em cabresto e, com os dentes trincados, lançar-se naquele furor
É duro desesperador e por vezes nada daquilo parece importar
Mas há a chance que os sonhos se pintem em realidade ainda mais bela do que podemos imaginar
Certos desejos, que não chegam a sonhos, também rodam o fundo da nossa mente
Inconfessos por sua própria natureza, oscilam no lusco fusco daquela estranha lente
Esses são perigosos porque não nos movem como um sonhar
Mas mantém por anos cativa nossa atenção enquanto oscilam entre ser e estar
Naquele lugar pseudo-esquecido mas que ressoa com uma melodia familiar
Não desbravamos a selva alagada das possibilidades esquecidas que fulguram no além mar
Mas existem ocasiões em que as Parcas gostam de jogar
E tecem uma trama profana nos colocando bem onde poderíamos, talvez, querer estar
O que você faz quando uma vontade que jamais verbalizou estende a mão?
A resposta é óbvia, não seria concebível para nós dizer um não
Com surpresa e prazer dançamos aquela valsa desconhecida em um solo escuro e movediço
E esperamos que aquele sopro de boa sorte nos leve para mais longe e nos dê cada vez mais disso
Nesse momento cometemos o maior erro e ousamos sonhar
Uma realidade que não nos pertence brilha ao longe e desejamos ardentemente tocar
Mas tal como as Parcas começaram, elas terminam, com um puxar preguiçoso do seu cordão
E aquilo se esfacela ao som agudo e triturante da decepção
O que nunca iria acontecer mas que bailou a nossa frente em um fátuo de saudade
Deixa nossos olhos momentaneamente cegos mas ainda desejos daquela onírica verdade
É possível sentir saudade de uma verdade que nunca esteve presente?
Pois sim, é possível, e essa é uma falta que jamais irá deixar os recônditos mais obscuros da nossa mente.
No amor não há matemática simples,
não reside no plano mental pra se explicar.
Quem força não vive!
Aquele que não tenta,
vê a chance passar.
O amor é do sentir, não do entender.
Vai além do que se possa pensar.
Está no toque, nos gestos e no olhar.
É ato de conquista, de troca e entrega.
E nem todos percebem ao encontrar.
Eu acredito que muitos sentimentos
vão se despertando nos encontros da vida.
Mas amor é aquela chama
que mesmo adormecida,
tende a ser diferente.
Porque muitas páginas são viradas,
mas essa vive e morre dentro da gente.
CÉU NOTURNO
Vem a noite no céu do meu roçado,
Posso ver as estrelas bem ao lado.
Não há postes, fumaça, impureza,
Só céu limpo, ar puro, natureza.
Parece até um quadro bem pintado.
E a Lua? Lado tão iluminado!
Vejo do telescópio, com clareza,
Via Láctea, céu limpo e beleza!
Constelação, cometa, meteoro…
Astrônomo? Sou mero amador.
Mas no cosmos, eu nada ignoro!
Céu noturno, imenso esplendor!
Tens noção do quanto te adoro?
Mais que os sóis e todo o seu ardor.
Patagônia
No sul da América, eu vejo os Andes,
O navio para a Antártida a caminho,
Pelicano, pinguim, leão marinho,
Trilhas, estepes e montanhas grandes.
Raiar da manhã, clima que se abrande.
Ó, albatroz, canta e retorna ao ninho.
No fim do mundo, não estou sozinho.
À terra glaciar que eu viande.
Cruzei fronteiras, ó Torres del Paine,
Dos bosques, da floresta temperada,
Dos lagos e rios! Vida que se aplaine.
Ó, Perito Moreno congelada,
Vem com teu vento frio e nos amaine.
Patagônia, tu és abençoada!
Sociedade eu te falei que precisávamos de um tempo. Não nascemos um por outro. Isso não estava escrito nas estrelas. Não aguentava mais as suas loucuras. Quem eu sempre amei de verdade é natureza. E eu preciso demais dela.
Gentileza
Gentileza é como um ser dependente
Que para sobreviver
Depende da atitude da gente.
Gentiliza não tem regra
E nem exceção
Faz bem pra alma
Enobrece o coração.
Nesse mundo tão corrido
De indiferenças e competição
Parasse que ser gentil
Só ficou na intenção.
O mudo seria outro
Com amor e delicadeza
Se o homem não espalhasse o ódio
Mas sim gentileza.
Nessa vida nada de estresse
O bem que você faz
Quem recebe compartilha
E jamais se esquece.
Nesses versos tão sutil
Expressem o que meu coração sente
Que pra ser gentil
Gentiliza é a semente.
Perdi minha poesia
Perdi minha poesia
Joguei fora minha magia
De alguma forma ou de outra
Com certeza eu já sabia
Que isso chegaria
Como um soco no pâncreas
Chegou sem aviso
Sem menores discrepâncias
Como vou recuperar
Essa minha melodia
Eu ainda vou procurar
Vou achar uma saída
Porto Aéreo
Estava tudo organizado
Estava tudo preparado
Estava tudo sob controle
Não teria porquê se preocupar
Basta seguir o protocolo & nada irá falhar
Deve ser rotulado
Deve ser carimbado
Deve seguir o padrão
É bem simples se parar & olhar
Siga a rota certa se quiser voar
Mas algo deu errado
Não seguiu como o planejado
E não sabiam o que fazer
Não sabiam lidar com aquilo
Nunca tinha acontecido isso
Não estavam tão organizados
Nem tão preparados
E os outros não estão nem aí
Pois não seguiu o esquema
Não seguiu o sistema
Houveram ameaças
Houveram lamentos
Houve um caos geral
Correndo contra o tempo
Para não prejudicar outro membro
Não ter solução parecia
Parecia não ter saída
Iriam se perder
Perder a bagagem
Perder a viagem
Mas algo os salvou
Os apaziguou
E encontraram outra rota
Milagrosamente
Um meio diferente
Sorte a deles
Que havia outro protocolo
Planejado para a falta de planejamento
E retomaram com muito contentamento
Guiados por um guia só
Um solo que os levou ao solo
O destino os levou ao destino
Ao objetivo, ao motivo por voar
O Arcadista
Todas as noites eu desejo
Poder sair da cama
E depois de um bocejo
Passear sem pisar na lama
Dar uma volta na madrugada
Na calada da noite
Na cidade sossegada
Andando como quem fosse
Alguém tranquilo com a vida
Com a cabeça resolvida
...e admirar as estrelas
...apreciar a beleza
...da doce natureza
Seja de bicicleta
Seja a pé
Andando na floresta
Fazendo o que quer
Ao som de Pink Floyd
Lendo na praça
O pensador Freud
Gozando da graça
Da liberdade, independência
Do Carpe Diem, da essência
...da simplicidade
...da humildade
Melhor ainda seria
Com uma companhia
Chamar pela janela
Com muita cautela
E fugir, zoar por aí
Grafitar, pular, conversar
Aproveitar o tempo
Cruzar os sítios nas estradas
Entrar no mato, subir nas pedras
Sentar na grama, sentir o vento
Pensando & olhando pro céu
Seria uma boa lua de mel
Era uma vez um Dramático...
Para o dramático, tudo tem seu tempo
Se rendem á emoção
Aproveitam ao extremo o momento
Pensam que não conseguem mudar de direção
Se é para se alegrar, se alegram
Se é para chorar, choram
Se é para se estressar, se estressam
Se é para falar, falam
Se é para se assustar, se assustam
Se é para amar, amam
Se é para se entediar, se entediam
Se é para gritar, gritam
Se é para ter medo, tem medo
Se é para ser estranho, é estranho
Se ele quer, põe o dedo
Mesmo que tarde ou cedo
Muitas das vezes são empáticos
Emotivos, sensíveis & simpáticos
Tenho orgulho de ser dramático
Confessionário da Mente
Terminado seu livro
Terminado um peso
O poeta decide descansar e sonhar
Mas a turbulência de seus pensamentos
Não o deixam fazê-lo
E então começa a pensar
Pensar em como tudo poderia ser melhor
Pensar em como o dia poderia ser melhor
E visualiza mais seus erros do que acertos
E decide cuspir para fora seus anseios e o que tem de pior
E decide levantar
E ele pega seu caderno azul
Junto de sua caneta azul
E vai á outro cômodo da casa
Escrever o que pensa
E ligando a luz da cozinha
Se encontra na cegueira da claridade
Então senta e solta a criatividade
Queria não ter me atrasado
Queria ter me esforçado
Queria não ter desperdiçado
Tempo & Dinheiro
Quão arruaceiro
Que desgraçado
Queria aprender mais
Queria procrastinar menos
Queria não ter
Meus meios tomados
Meio quebrados
Fazer o quê
Queria ser alguém útil
Queria ensinar
Queria não falar
O fútil, asneiras
Que besteiras
Queria amar & ser amado
Queria não ser chato
Queria não ser tão exagerado
Tão louco, estranho
Queria ter rimado
Queria tanta coisa na vida e no dia
Que nem sei se vale a pena
Ser normal e viver pra mim
Ou maluco beleza para o que faço
E talvez ser notado
Por ser diferente
Diferente de gente
Diferente de muito mais gente
Me sinto só
Me sinto um
E esqueço que vim do pó
Das estrelas além do meu mundo
Que dó
Esqueço que não sou o único
Esqueço que eu deveria agir
Ao invés de lamentar, e ajudar
Me dominar
E talvez eu tenha agido
Por desabafar, poetizar
Se é que sou profeta
Poesia é arte, não diário para desabafar
Mas uma dúvida ainda tenho
Impregnada na mente
Será esse poema arte
Ou baboseira adolescente?
Cinema da Cabeça
Olá cinema da cabeça
Reservou um banco pra mim?
Qual vai ser o filme
Que nós vamos assistir?
Eu não tenho pipoca
Nem ingresso ou convidado
Mas vamos ver no que que rola
Nesse filme avaliado
Ei maquinista
Escolhe um filme legal
Já me cansei das sessões
Sobre quando me dei mal
Sobre vergonhas e decepções
Sobre erros e culhões
Ei maquinista
Põe outra fita dessa vez
Ou um CD, tanto faz
Só atenda o freguês
Não dormir já é normal
Mas chorar é a primeira vez
Se eu estiver fazendo algo
Que não seja do meu agrado
Se eu estiver errando
Por favor, que não esteja filmando
Não dá pra viver assim
Cercado de acusações
Toda hora lhe apontam o dedo
Com olhares de reprovações
Esperando reavaliações
Ei cineasta
Não filme, nem fotografe, nem dirige
O próximo curta metragem
Da minha longa vida
Não quero ser lembrado
Por algo que me persiga
Não quero ser lembrado
Como um antagonista
Faça uma montagem, corte as piores partes
Pra que o público aplauda os meus atos covardes
Mascarados de sétima arte
Horas Oras
Duas da manhã
Tentar dormir
Não conseguir
Ligar o celular
Olhar outra vez
Rolar as notícias
Trocar de joguinho
Ver mais outro vídeo
Já passaram meia hora
Três da manhã
Já passou muito rápido
Não consegue dormir
Precisa estar acordado
Não consigo mentir
Quero logo dormir
Mas não consigo sair
Estou viciado
Já são três e trinta
Tempo voa bem sumida
Quatro da manhã
Ainda estou aqui
Preciso dormir
Tenho que acordar cedo
Amanhã tenho aula
Vou perder meu recreio
Eu não vou ter mais tempo
O tempo passa rápido
Não aproveito o momento
Cadê o Carpe Diem
Se eu não aproveito
Cinco da manhã?
Não é possível
É intangível
No que eu me tornei
No que estou sucumbindo
O que fiz com minha vida
Não estou progredindo
Estacionei no tempo
Não penso direito
Seis da manhã
Nem deu tempo
De eu dormir
Alguém já acordou
É o carro saindo
Meu pai vai trabalhar
E ainda estou fingindo
Estar dormindo
Pera mas já?
Sete da manhã?
Já se passou outro dia
Mas que bela porcaria
Isolamento
Faz tempo que não a vejo
Preso neste quarto
Não tenho nem contato
Nem telefone mesmo
Completamente segregado
Eu fui olhar a galeria
E vi uma foto sua e minha
Me abraçando o pescoço
E beijado meu rosto
Na rua do meu portão
Onde meninos jogavam
Bola e pião
Vi as conversas antigas
Do número que foi cancelado
Das vezes que te fiz companhia
Queria estar do seu lado
Numa ida á um parque noturno
Comendo pipoca e churros
Será que ainda pensa em mim?
Já fazem 4x30 dias
Em quarentena nessa casa
Com saudades malditas
Quando isso não nos separava
Desculpa não aparecer
No seu aniversário
Queria te dar um presente
Ou ao menos um comentário
Da festa ou da roupa
Que escolheu do seu armário
É uma pena
Que tristeza
Quem me dera você
Fosse vizinha minha
Morasse logo na esquina
Nos olhando na janela
Quem me dera eu soubesse
Seu número novo
Ou seu instagram
Pra nos falarmos de novo
Ou até um telegram
Só pra te ouvir de novo
Talvez você pense
Que te esqueci completamente
Talvez já superou
Essa idéia da sua mente
Mas não se engane
Penso em você a toda hora
Quando vou dormir
E quando o dia acorda
Quando isso acabar
Quando a escola voltar
E sair de novo de casa
Ás seis da manhã
Será que o ônibus vai passar?
Sera que você vai passar?
Sera que vamos nos olhar?
Isso já aconteceu outras vezes antes
Na primeira foram seis
Na outra foram três
Essa não vai ser nada
Eu espero o quanto puder
Pra nos vermos cara a cara
Tanto o lobo vestiu lã, que o cordeiro aprendeu a caçar pra vestir pele e também estar no meio da manada imperceptível.
