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SONETO DA RAZÃO
Na prepotência do querer ser altivo
Que arde na desavença em chama
E queima no ódio que não se ama
Acinzentando num desafeto cativo
É um tal sentimento insano, adjetivo
Que então contamina a alma na lama
Do egoísmo, que o zelo nunca clama
O acolher nos abraços, e ser passivo
Que devoto tanto, esse, que flama
A injustiça, num arbítrio explosivo
Tiranizando o viver em um drama
Onde há razão no ato opressivo?
Quando o Verbo, oferta proclama:
- Amar com amor para estar vivo!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Essência real
Na memória não vejo mais que seu retrato
Movimenta na vontade em te querer
Pintura em desejos e isso é fato
Uma imagem passível de perceber
Estático na sua incrível euforia
Levo a crer que quem tem poder dá um jeito
Cravado no peito as fotografias da sua alegria
Vivenciada com hora marcada e semblante perfeito
Corre solta mudando o seu destino
Passos retos sem alguém por perto dando a direção
Fiel aos seus erros igual um menino
Reconhece as falhas jogando toalha pedindo perdão
A real fantasia é provar sua brilhante essência
Deixar claro e num momento raro confiar minha riqueza
Pedir para medir e mostrar o caminho da paciência
Pegar sua mão tocar no seu coração retirando a fraqueza
(Deni Santos)
a coitada
fui ali na janela
ouvir a chuva
magricela
tão turva
ela estava chiando
ai, como sussurra
fica só reclamando
da secura, e hurra
e empurra a poeira
do telhado
escorre pela beira
da rua, e desanuviado
refrescado, na sua eira
ah! feliz, está o cerrado...
e numa tranqueira enleada
a chuva desce a ladeira
a coitada!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
outubro de 2919
Cerrado goiano
GAVETABERTA
Bar
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Garçom que se preze
tem de ser meio cego
meio surdo às vezes
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Chope bem tirado
mas um fedor público
no reservado
Com ressaca
todo bife é sujo
Somos caramujos
com o bar nas costas
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A interrogação
em cada ponta
do macarrão:
quem paga a conta?
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E nunca temos
muita saída:
sempre pagamos
com a vida
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(O Bife Sujo é um bar de Curitiba, que o Leminski me apresentou... Passei décadas em bares toda noite, faz décadas que deixei de frequentar bares. Mas, conforme Drummond, de tudo fica um pouco: ficou esse poemeto...)
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#DomingosPellegrini
#GAVETABERTA
#Escritor
#Poema
#poesia
O livro
O livro é o refugio do escritor,
É um lugar mágico,
A cabeça de um poeta,
É um esconderijo,
É o mundo dos covardes que acharam a coragem,
Não se empolgue ainda são medrosos atrás de uma capa.
Pode-se chamar de real, mas há um medo atrás
É uma historia de sua alma, mas não de seu coração.
Não há como saber se é minha ou sua historia, posso ler, posso escrever, mas jamais mostrar todas as faces de um escritor.
Mas ele com certeza é um medroso atrás de uma capa,
ou corajoso para muitos, não se engane ele tem coragem.
Não comerei bacalhau
Nesse Natal sem cacau
Ninguém fala de cabaz.
Nobres talvez, terão gás
Nutrindo a quadra festiva.
Não fique só, hoje é Natal!
Nesse dia devemos nos juntar
Ninguém vive sem um familiar
Nosso amigo é o mais próximo
Nunca penses que és autónomo.
Pegou atalhos, passou à frente levando tudo olhou para trás e começou a atirar. Conseguiu montar um forte onde instalou-se e de lá continuara atacando.
Até que um dia, um raio partiu ao meio a torre onde estava instalada, uma forte língua dágua saiu do mar e invadiu as suas instalações e ela foi levada para o mais profundos dos mares, onde foi degustada pelas criaturas marinhas.
A sua alma vagueia, atormentada pela própria consciência e a sua descendência cuspirá sobre a sua lápide simbólica.
Ai de ti...
Me apego a alguns objetos que guardo. Eles me passam a idéia de que sorriem felizes ao reencontrá-los nas gavetas e caixas. Não me fazem perguntas. Não procuram entender nada nem ninguém.
Ao contrário, reencontro pessoas, sempre com muitas perguntas e um gabarito que definirá se eu acertei tudo.
A felicidade de se trabalhar com o que gosta, é o principal ponto de partida para o sucesso na vida !!
As coisas que podem parecer as mais insignificantes ou imperceptivas, são as mesmas que podem nos surpreender e proporcionar as coisas mais fenomenais da vida !!!
Amar
Ah amar
Amar é lindo
Amar é maravilhoso
Amar é gostoso
Mais entenda que a partir do momento que você começa a amar você também pode se machucar
Um poema só valerá apena
se ele provocar no leitor
sentimentos de enlevo,
de indignação,
de alegria ou de dor.
Daqui há duzentos anos
alguém descobrirá meus poemas
e os lerá, e sorrirá, e chorará...
Então saberei (mesmo sem saber)
que minha poesia valeu apena.
-Se uma gota d'água escoar, verá tristeza em meu rosto!
-Verá nele uma pintura sem esboço!
-Verá em forma de decadência, uma alma sem encosto!
-Verá em belo tom, um amor decomposto!
(Poema para ser lido depois de minha morte)
Não me venham colocar nome de praça,
não me venham colocar nome de rua;
só quando o poeta morre é que tem graça?
Reconhecem seu valor em terra sua?...
A realidade que vivemos é tão crua,
um desprezo diário que não passa;
somente quando morre se atenua,
é que essa dor se esvai feito fumaça.
Quem tanto ama a sua terra, tanto canta
as belezas do torrão que lhe encanta,
com todo amor que no seu peito encerra...
Não deveria ser mais valorizado?
Mas só depois da morte é que é lembrado
como alguém que enalteceu a sua terra.
O tempo levou meus cabelos,
levou-os tão de repente;
Que importa os cabelos que foram?
Inda tenho poemas na mente.
Poema da vida
Quando partiste
Cantei sofri e chorei
Agora estou triste
Quem me abandonou já esta aqui
Ando perdido no meio da escuridão
Com tristeza e alegria
Algo me diz o meu coração
Morro um dia
Ai a minha vida
No meio da noite
Anda perdida
E tenho a alma partida
Foi numa tarde de sol
Vi-te a chorar
Enquanto ensogava o meu lençol
Não te consigo alcançar
Vi dois olhos tristes
Dentro do meu peito
Mesmo que fiques
Não te dou direito
Agora vou-me embora
porque estou cansado
Daqui a uma hora
Canto-te um fado
Ai maria és tão linda
Quem te fez isso
És sempre bem vinda
Ao meu paraíso
Agora pensando
Não te vou deixar
Continuo cantando
Para te alegrar
Ando perdido nesse mundo
Para continuar a escrever
Nesse amor tão profundo
Contigo vou viver
