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SENTIMENTO DO NADA
Inspiração exige transpiração
Abba! Enojei-me nesta viagem
A musa abriu suas pernas, vi o Parnaso desmoronar dentro de seu
Útero. Fiz poesia sem ser poeta. Comi a musa
[Ou ela me comeu?
Pouco Importa!
Temos filhos agora:
Crise existencial de Sousa
Solidão da Silva Encarnada
Maria das Dores
Zé Pelintra Nosso de Cada Dia.
Por hora (sou) pouco importa: uma poeira descolada
O tempo fez-me Europa!
Por hora (fui) isto importa: uma gotícula no mar
A gaivota não tem misericórdia!
Modelaram-me num tipo humano
Faz graça
Estou imberbe: não fumo, não bebo, não mato.
Reproduzo o existir: como, defeco, amo.
Minhas amantes envelheceram
O cupim devorou minha biblioteca, devorou minha planta, minhas pupilas, minhas
Raízes. Viver além da conta
Há morte aqui
Há morte debaixo do meu travesseiro
Em minhas pupilas mulatas - há morte.
E eis que vivo: posto morto
Já não questiono o Universo
Sinto!
(Italo Samuel Wyatt, A Janela do Éden)
lidar com a morte
Quando eu Falo para todos que estão ao meu lado ser forte, mesmo quando eu mesma não consigo ser.
SONETO DA PERDA
Nuca eu quisera desejado tal saber
Dizer com a dor um adeus querido
Erigindo com o dano choro balido
Fugindo com a harmonia do viver
Dó é arrancada do pesar instituído
Saudade deplorada de não mais ter
Que somente lembranças há de ver
E lágrimas no suspiro do vil contido
Some, e põe o amor tão triste... Ser
Sorriso suspenso, prazer em gemido
E a noite tão distante do amanhecer
Nunca ninguém pela perda ter podido
Dói tanto, tão dolorido, a permanecer
Que no sentido, o desalento é definido
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Só existe vida plena no limiar da morte, por isso me arrisco tanto. Não vivem os que não superam a mesquinheza existencial.
A vida é mais filé,quando vivemos perto da morte,sentindo seus cheiro fatal,mas com a certeza que ainda estamos do lado de cá.
A eternidade é um atributo de Deus, se a morte é eterna, logo ela é um atributo santo.No fim último,encontram-se vida e morte.
O "existir" antes e depois desse corpo não tem nada com o que conhecemos. A semelhança com esta realidade após a saída da matéria é apenas uma referência temporal-organizacional para que possamos traçar a transferência para o outro "existir".
Faltam poucos minutos para o fim, ainda assim sinto me aprisionado entre as paredes do meu corpo, respiro profundo em busca de oxigênio mas o ar é rarefeito. Me sinto perdido entre o espaço e o tempo, afinal qual a finalidade de todo esse movimento? As ilusões são todas dissolvidas pelas portas da percepção e os pólos abrem portais invertidos que conectam sua dualidade.
Somente a morte pode trazer a paz que aprecio, e caminhando sozinho pelo lado sombrio onde vivo, hei de enfrentar todos os medos olho no olho porque nada dura mas nada está perdido.
►Só Teu
Não me dê razões para lhe odiar
Meu coração padece sabendo que você não está
Escrevo-te esta, e muitas outras centenas de cartas,
Implorando, incansavelmente, para voltar para casa.
Sei que não as lê
Sei também que morrerei de tanto sofrer
Querida minha, a tantas coisas que quero lhe dizer
Mas este papel jamais será despido pelos seus olhos,
Que guardam tantos remorsos, não importa o quanto eu te implore.
Eu agora escrevo sem nenhuma esperança
Apenas para sobreviver por entre as semanas
A corda está bem ali,
E aquela cadeira que a muito tempo meu pai veio a construir
Tudo que preciso fazer é subir e pôr um fim
Meu amor, ainda pensas em mim?
Jamais mentirei para você
Minhas lágrimas hoje me dizem,
Que nunca conseguirei te esquecer
E, como uma rosa sem uma gota para se refrescar,
Meus dedos, meus lábios, começaram a se ressecar
Meus olhos estão pesados
Temo que jamais conseguirão ver se cabelo enfeitado.
Estarei lhe enviando esta carta não como adeus
Apenas para que saiba
Que meu amor é somente teu.
O plano perfeito
Vivo por anos
Choro oceanos
Te afasto por nada
Grito com raiva
Fujo por medo
Sofro em segredo
Sinto saudade
Penso até tarde
Me drogo calado
E no fim, eu me mato.
Slá, só mais um café.
Na vida tudo tem pelo menos duas possíveis alternativas, sim e não, só não existe dupla alternativa de escolha para a morte.
Os entretenimentos radicais e cada vez mais perigosos escolhido pela maioria dos jovens de hoje não são uma vertente de mais vida pela expansão de adrenalina como a maioria pensa e sim uma banalização da morte por acreditarem que a juventude é tudo e que em uma estrada de vida normal futura advirá sem grandes perspectivas, realizações e a não garantia de emoções tão fortes estimuladoras na maturidade e na velhice. Claramente um processo consumista maléfico que hidrata pouco a pouco na juventude planetária a crença cega materialista de menos fé, um distante e impossível bom futuro e aniquila por vez toda e qualquer possibilidade de dias melhores e esperança.
Tudo na vida nos leva à morte.
As comidas saborosas e as bebidas mais inebriantes são venenos que matam lentamente.
Melhor assim, afinal quem está com pressa?
Ser defensor do contexto "até que a morte os separe" sendo o opressor é fácil, difícil é defender o mesmo contexto sendo o oprimido.
Que coisa mais besta é a morte, pois a mesma é a única certeza que temos na vida e que, repentinamente, se torna uma realidade!
Pedro Marcos
A morte não me amedronta.
Tenho medo é de passar pela vida
e não fazer nenhum bem para a humanidade.
Dia de finados
O dia da morte é um dia de tristeza ou de alegria? Há quem diga que o dia do desencarne ou da morte, para quem vai embora é um dia alegre, feliz e de libertação.
Soltas as amarras, os espíritos ou almas, alçam voo, livres, sem correntes pesadas que a gravidade e a vida os mantinham presos a esta terra, quero crer que seja assim, só queria poder sentir parte dessa alegria todas as vezes em que compareço a um velório de alguém conhecido, parente, amigo... porque na verdade o que sinto é um vazio muito forte e tristeza, muita tristeza. Talvez, sentir alegria pela liberdade adquirida de quem vai embora seja apenas para espíritos que embora encarnados ou vivos, são superiores, muito mais elevados que eu.
Minha mente divaga, formula perguntas e não existem respostas, ou na verdade, se existem, essas respostas estão em nosso subconsciente, devem estar senão porque outra razão sempre falamos, sem perceber: _Ah, mas ele (ou ela), esta bem melhor agora, descansou desse mundo de provação ou _Que grande perda, vai fazer muita falta, ou ainda o mais comum: _meus sentimentos, os olhares e os gestos cheios de pesar e de tristeza.
Frases com certeza muitas vezes genuínas, mas não há como negar que sentimos sim, uma pequena pontinha de alegria, (talvez esse seja o único momento que algo nos alegra), sentimos uma pequena pontinha de alegria porque nós não estamos naquele caixão, não é mórbido, horroroso demais? com certeza que é, nos deixa até com um gostinho amargo na boca, gosto de egoismo, gosto de desgosto por termos esse pensamento.
Mas só queria ver alguém que com extrema sinceridade negue, negue de verdade esse esquisito sentimento egoísta, de puro alivio, dessa pontinha de alegria que experimentamos por um instante naquele momento, (medo de ir embora, com certeza), ah, isso eu queria ver mesmo.
Dai falamos, falamos e falamos, será que falamos tanto para acreditar no que falamos? tipo, quanto mais repetimos, decoramos e gravamos, mais acreditamos.
Como se sabe, uma mentira ou tudo que é repetido milhões de vezes acaba virando uma verdade, realidade incontestável. Será assim mesmo?, não será assim? Bah, esses pensamentos todos acabaram de bagunçar minha cabeça demais por hoje, agora sim, é que não sei mesmo de mais nada se é que soube algum dia.
Bem, seja como for, quero mesmo que aqueles que desse mundo se foram para outro melhor, realmente estejam mesmo melhores do que nós, enquanto nós sentimos tristeza, saudade e choramos as suas perdas.
Que eles se rejubilem e se alegrem reencontrando seus entes queridos que antes deles já haviam partido. Que seja assim e aqueles corpos aos quais deixamos em uma tumba fria sejam apenas a roupagem que os vestiam, que os adornavam e que os prendiam a essa terra, e eles, verdadeiramente agora transformados em luz, embora em outra dimensão, outro mundo, ainda nos deem um pouco de sua luminosidade, e que essa luz venha como uma lembrança feliz de momentos bons que passamos em sua companhia.
AHMAD SERHAN WAHBE
