Tag madrugada
Na madruga, sozinho, pensando enquanto a cidade dorme eu vejo que as vezes é até bom perder algumas coisas: as chaves, as meias, o vôo. A cabeça, a fome, o norte, o ar... Ah, não! Perder não! Bom mesmo é quando te roubam isso.
para apagar no dia seguinte
tenho ideias madrugueiras
chegam como se fossem o último ônibus
me apressam a sair da cama
a largar o sono
a temperar a alma.
batucam em minha cabeça
a força de mil tambores
não me deixam dormir
acendem chama
são meus donos
me tiram a calma.
se cedo e levanto
viro costureira
que tece ponto a ponto
pano que não termina nem começa
coisas de amores, dores, rumores.
ao primeiro raio
tudo se aquieta
e o que era ideia
permanece
o que era insônia
desconto.
Eu vou voar num cometa
Eu vou trocar de planeta
Eu vou trazer minha casa pra esse lugar
Me deixe sozinho aqui,
Pois preciso respirar.
"Sou noites infindas acordada vivendo a vida das minhas distâncias. Sou silêncios barulhentos na madrugada tentando alcançar o que jamais me alcança."
Uma poesia vagueia.
Ela precisa de um abrigo
e invade o meu quarto na madrugada.
Por isso, atrevida, me acorda.
As palavras chegam e partem
(alegres ou tristes).
Ecoam seus versos
igual ao som de sino rouco.
Envolvem minha alma.
Em troca, florescem os meus sonhos.
Não existe hora pra lutar por aquilo que se acredita, todo esforço é válido para legitimar os sonhos.
NO ESCURO DO HORIZONTE
É madrugada
E eu aqui calada
Insônia, penso em você
Um gole de cachaça
Para ver se passa
Essa fossa danada
Que faz o peito doer
Não quero dar Bom Dia!
A noite já basta
Para maltratar meu coração
Que de pirraça
Vira a mesa sem emoção
Talvez a tristeza
Me leve para longe
No escuro do horizonte
Onde o dia não existe
Onde você não exista
E antes que amanheça
Eu adormeça
Deixando um sonho de herança
O DESPERTAR
Vago pela madrugada triste
Procurando transmitir o signo do amor
Colorindo a alma no brilho do horizonte
Num canto das aves anunciando o amanhã
Clareando o mar num murmuro longo e sombrio
Na pequena geada que cai do céu
Como se fossem gotas de felicidade
Envolvendo todos os seres da cidade
Vendo a paisagem que se forma
Lembro da outrora da minha vida
Que neste instante se torna sofrida e mal vivida
De repente o bramido das ondas da areia
Vejo que o mar também clareia.
Da imensa solidao do meu quarto, penso em todas as pessoas que bebem, divertem-se e aproveitam a incrivel luxuria que a madrugada as proporciona, mas esta reflexao elas nao conseguiram fazer, pois isto pertence aos pensadores melancolicos da madrugada de um sabado qualquer...
"Penso na madruga como um silencio que me ouve, um barulho que me respeita, uma solidão que me cabe. Um escuro que me submete a pensar, a refletir."
Então em meio a madrugada
Sentindo você perto distante em sono profundo
Fui chegando de mansinho
Sentindo seu calor, seu cheiro, sua respiração
Incontrolável desejo de ti sentir e assim o fiz
E como era de esperar estava eu nos seus sonhos
Pois ao leve toque dos meus dedos em ti
Senti seu abraço fazendo meu corpo tremer em mim
Não resisti por fim e me entreguei mais uma vez e sempre
Ao gosto do teu prazer
No silêncio desta fria madrugada o barulho da minha mente não me deixa dormir, por isso escrevo sem pensar, simplesmente para o sono chegar, porém, logo em seguida penso sem querer e volto a corrigir tudo que escrevi!
- E esse barulho que não para? E o sono que não vem?
Será tudo força do pensamento ou a fraqueza das ações que me convém? ...
Às vezes parecia que era só acreditar em tudo que eu achava tão certo, e tudo então seria assim, mas, agora que enxergo o que não vejo, percebo que não é suficiente apenas acreditar. Que não basta ser demais!
- E a mente que não cala? E o sonho que sonhei?
Será tudo questão de tempo ou será isso um sonho também?
Foi numa madrugada dessas, sem sono, me levantara para ir ao banheiro quando de repente, no corredor entre o banheiro e a sala me deparei com um ser de outro mundo.
"Quem é você, posso te ajudar em algo?"- perguntei. Depois de um breve sorriso largo e amarelo, ele me respondeu.
"Sim, sou um fantasma, fui enviado para atormentar alguém aqui nessa casa hoje, procuro a Denyse, conheces? sabes em que quarto ela se acolhe?"
"Sei sim, é a minha irmã! Dorme bem alí na frente" - e apontei para o quarto.
"Acho que ela não está"
"Não custa nada tentar" - encorajei-o
"Certeza? Então vou tentar." - concordou ele. E continuei indo ao banheiro, terminei, voltei e passando por ele, o vi batendo na porta, chamava o nome dela bem baixinho com a boca encostada na porta e nada, esperava um retorno dela, batia novamente na porta e nada. Já deitada ainda continuara a escutar as batidas dele na porta, chamava o nome dela bem baixinho com a boca encostada na porta e nada, esperava um retorno dela, batia novamente na porta e nada, virei pro outro lado da cama, e as batidas continuara cada vez mais insuportáveis, primeiro as batidas, depois gritos, depois batidas de novo, depois gritos, gritos, gritos, gritos, choro, choro, grito, batidas de novo, gritos, toc toc, me atende, toc toc, choro, gritos, gritos, gemidos e gritos.
Na verdade, na verdade, meus amigos, quem recebera todo o tormento daquela noite era eu.
Moral: Quem muito entrega também se ferra.
Nunca sei como é que se pode achar um poente triste.
Só se é por um poente não ter uma madrugada.
Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma madrugada?
( Alberto Caeiro [Heterônimo de Fernando Pessoa])
Sou amigo da madrugada. Consigo ouvir o uivar do vento, o cantar dos pássaros, a gota d'água que cai na terra após a chuva e o ronco do meu vizinho.
O pior da insônia é saber que a madrugada não tem limites...
Ainda mais depois de uma coca-cola, o caminho do banheiro vira uma Highway!
Querido Cobertor.
Cobertor querido
Companheiro meu de muitas invernadas
Minha alma já cansada
Encontra um refúgio no seu aquecer.
Cobertor bendito
Já correu comigo por muitas estradas
Presente se encontrava
E pronto estava para me envolver
Passei noites em claro
Pensando em tudo, olhando pro nada
Nas altas madrugadas
Esteve comigo e viu meu sofrer.
Cobertor velhinho
Sempre foi para mim coisa iluminada
Em prontidão estava
Se eu precisasse me proteger.
Cobertor meu caro.
Sei que isto daqui não significa nada.
Mas eu precisava uma homenagem
Pra te agradecer.
Fria Madrugada.
Lá estava ela na fria madrugada
Fria como a madrugada
Querendo ser poetisa
Quem diria! Mal ela sabia
Ela pra mim é que era a mais bela poesia.
Ela sempre quis ser feliz e aproveitar
Queria ver o mundo e também dançar
Eu só queria ser a música pra acompanhar a linda dança
Me sentir emocionado e voltar a ser criança.
Adoraria ser uma canção no ouvido dela um dia
Imagine ser ouvido por essa princesa
De coração nobre e alma serena
Tão pequena, quase um metro e cinquenta...bem
Mas ela é consciente e sabe o tamanho que tem.
Amo as noites que vivi acalentado
Pela graça indizível de estar ao seu lado
Mas dos meus passos ela fugiu, foi ponte que partiu
Eu trago a doçura, mas quem sou eu?
Se ela quer provar a amargura.
