Tag janeiro
TRISTEZA MARAVILHOSA
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Rio de Janeiro,
sob teu corpo de concreto
teu santo padroeiro
dorme, como um feto.
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Ainda não nasceu, teu santo,
ainda é cedo para o milagre;
e a lágrima doce do teu pranto
não é vinho, é só vinagre.
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Baía de Guanabara,
como mente o teu postal.
Vejo fome em pau-de-arara
sob a camada social.
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Queria entender teu segredo,
tua miséria, tua mentira;
mas o que vejo é o degredo
que escapa da tua mira.
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Seres humanos migratórios
compelidos à mudança
cujos mortos compulsórios
são produtos da esperança.
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Rio, Deus te abençoe,
e do alto do Corcovado
em pedra o Cristo nos perdoe
por teu índio dizimado.
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Cidade Maravilhosa,
herança dos guaranis...
na tua culpa misteriosa
guarda a lembrança dos brasis.
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Rio, cidade poesia,
olha teu negro na construção;
não lhe conceda alforria:
tu és a própria escravidão.
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Rio, alguém que tardia
espreita em teu carnaval;
sobre a tua fantasia
jaz a beleza de um postal.
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Rio de Janeiro,
teu caminho não é reto;
ao sul do teu cruzeiro,
um voto vira um veto.
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Ainda não nasceu teu quebranto,
ainda é cedo para o céu;
e a cachaça do pai de santo,
não é néctar, é só mel.
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[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Insurgência, 2023]
Eu estou aqui com você, essa noite será melhor,
Pode crer, você sabe mexer, você tem um toque.
Prometo será incrível, vamos, você já está pronta?
Porque você não quer tanto amor assim que eu tenho para te dar?
Está tão sedutora
Vamos tomar um drink, eu e você, será muito top,
Estamos prontos, pode crer.
Quero escolher um lugar legal, não podemos ficar nesse barzinho,
Aqui é muito aberto, espaço é pequeno.
Preciso de um lugar aconchegante, só para nós dois.
Quero olhar para os céus, ver as estrelas, ver a lua,
Sentir o calor das noites de verão, sentir o seu abraço.
O seu amor faz meu coração transbordar de prazer,
Te garanto, vai ser bom, pode confiar.
Você não está sozinha hoje, estou com você,
Dorme nos meus braços, que eu vou fazer você enlouquecer.
Minhas decisões flutuam ao sabor das circunstâncias; sou adaptável, sem raízes, órfão de ídolos, de pátria e de certezas. Jan/2025
O menino que não desistiu de sonhar
Victor era um menino
Que tinha o sonho de conhecer o mar
Ele morava no interior
Mas isso não o impedia de sonhar
Andando pra escola
Sempre a cantarolar
Enquanto ele imaginava
os seus pés tocando o mar
Ele guardava uma foto
Que passava horas a olhar
Única ideia que ele tinha
De como realmente era o mar
Um certo dia
Ele ganhou de aniversário
Da madrinha que de longe vinha
Um presente inesperado
Era uma passagem de ida e vinda
E na sua dinda deu um abraço apertado
Chegando no Rio de janeiro
Seu intusiasmo gritava alto
Ele nem podia acreditar
Que seu sonho ia ser realizado
Quando chegou na praia
E seus pés tocaram a areia
O menino começou a chorar
Sua madrinha segurou suas mãos
E continuou a caminhar
Chegando no mar
Se jogou de cabeça
Pulava todas as ondas
E tinha um sorriso de orelha a orelha
Enquanto sua madrinha o admirava
Com tanta proeza
Bom dia!
04 de Janeiro.
Hoje é dia de enxergar.
Nem sempre o que é preciso ver está ao alcance dos olhos e nem sempre o que está ao alcance dos seus olhos você consegue enxergar.
Olhe. Observe.
Identifique. Preste atenção.
Faça valer a pena.
Bom dia!
06 de Janeiro.
Amanheceu. Olhe pela janela.
Anteontem você viu o que está dentro da sua casa. Hoje, olhe para o que está fora dela. Perceba onde você está inserido. Agradeça por ter um lar. Agradeça pelo teto sobre a sua cabeça e que te protege do sol, da chuva e do frio.
Faça valer a pena.
10 de Janeiro.
Bom dia.
Se as escolhas de ontem não foram tão boas, temos a oportunidade de, hoje, fazermos novas. É um novo dia com mais vinte e quatro horas de novas oportunidades.
Faça valer a pena.
A manhã debruça na janela como simples dia de janeiro, enquanto as avozinhas dormem seus sonhos e os relógios não marcam outro tempo se não o da felicidade cotidiana. Vão se os mundos, caem as chuvas e as peraltagens de crianças nas ruas.
Soneto de janeiro
Então, janeiro, primeiro do ano
E, assim, caminha dia pós dia
A sorte na sua inquieta valeria
Agridoce magia, de fatal plano
O destino palpita tão soprano
Num canto de tristura, alegria
E, seguindo, cheio de fantasia
Faz-se vida, e o tempo decano
Indo, que se vai, caminhando
Fatos, estórias, n’alma flamas
Com um horizonte passageiro
Sentido, então, vai passando
Fugaz, vigente, em chamas
Alvorecendo mais um janeiro...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
21 janeiro, 2024, 14’12” – Araguari, MG
Lá se foi primeiro de janeiro
Final de tarde
Ao som de um violeiro
O coração canta
Chega chora
Junto com a viola
Com a fé
De que tudo se renova
Na espera da vida nova
Começa a escurecer
O cheiro de grama
O cheiro de terra
O som da cigarra
Sim, é como me lembrava
Lá se foi 1° de janeiro
E anseio pela estrada
Que me traz para ca
Tudo de novo vai começar
E a estrada pra casa
Ela também vai me levar.
As Conjurações brasileiras sempre foram por aqui mesmo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais...Hoje elas ocorrem fora do Brasil, e Portugal tem sido o palco preferido dos modernos Conjuradores.
o ser humano
Nao entende o ser humano.
A confiança
É um bolo gourmet
Em forma de escudo
Cortado por uma faca de dois gumes.
A vida
É um lampejo
Arde
Desbota
Luz de vagalume.
A evolução humana
Detem-se do reflexo do passado
Mais sobretudo das quebras
Dos paradigmas antigos
No presente.
O ser humano
Nao entende que o ser é humano
E capaz de aceitar o ser.
A poesia
No frio, ela já existia
Lá em Campos do Jordão
Já tinha versos, vindos do coração
Mas aqui no Rio, o clima é quente
porém meu amor é ausente,
por questão de localização,
peço que essa brisa, me leve ao Sertão
Pedi ao Cristo a benção para ter a sua mão,
e todos os dias ser o guardião desse belo coração.
Rio de Janeiro, 10 de Julho de 2022.
Janeiro...
Novos ventos chegaram e o vento do novo tempo com ele vieram.
A música do renovo se apresenta novamente a algo que ainda é incerto porém não somos reféns.
Janeiro com seus encantos chega e mostra que o tempo passa rápido e puft...Janeiro já se foi mais uma vez..
Quem é da zona sul do Rio de Janeiro e convive na zona norte aprende mais do que quem é da zona norte e convive na zona sul.
A Lapa, no Rio de Janeiro, é para todos, não tem jeito. O mais maluco se sente normal lá, e é por isso que a gente frequenta.
O brasileiro de verdade não rouba, o brasileiro é roubado. Brasileiro de verdade é aquele de braços abertos no Corcovado. Nas ruas é mão na cabeça e o inocente condenado. Enquanto na TV é a mesma cena, ladrão sorrindo acena e continua deputado.
O brasileiro de verdade não rouba, o brasileiro é roubado. Brasileiro de verdade é aquele de braços abertos no Corcovado.
ESTADOS MUNIDOS
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Roraima despista,
mas bem que se orgulha
da Boa Vista...
Quanto ao mais,
há um Belo Horizonte
nas Minas Gerais.
Se por sorte,
todo dia é Natal
no Rio Grande do Norte,
seja lá como for,
a Bahia está salva
por ter Salvador...
Entretanto,
quem tem mesmo a Vitória
é o Espírito Santo.
Na ânsia pelo porvir, vagueamos por entre os dias, tentando antecipar o presente. Estamos, mas nunca inteiros. Zumbimos no agora acreditando em um amanhã que nunca chegará. Precisamos estar atentos às chegadas e despedidas, pois o futuro é criado com pedaços de agora.
"..que coisa linda
foi o encontro dos meus
lábios com os teus.
Poderia me afogar em teu beijo
e renascer no teu abraço para
então permanecer em teus
pensamentos durante todo o
dia e ser o motivo do seu
sorriso."
Ro Matos
