Tag horizonte
Solilóquio
Num lampejo de ascese
ascendo à virtude
em meio à turba imbecilizada.
Na lunação
torno-me lépido
virtuoso
lúbrico.
Na turbamulta iniciada
(um) laivo imbecil protesta
o axioma irrefutável.
Na lucerna que eclode no horizonte
a utópica cura para a sarjeta
que se perfaz.
Ignoto sentido
imune a palavras
sem glórias ou decoro.
Carecente!
O AMOR, AQUELE AMOR QUE ...
Sonhamos desde sempre com o grande amor de nossas vidas.
Depois de agraciados, aos poucos deixamos escorregar por entre os dedos a dadivosa oportunidade...
Às vezes aos pingos, outras vezes de roldão, permitimos que as nuvens da felicidade se dispersem no distante horizonte.
É quando nuvens negras de ressentimento empanam os sentimentos sinceros.
O choro copioso da chuva de arrependimento avoluma a correnteza da saudade, desaguando nos bueiros da dor, nos córregos da tristeza tardia. E no mar das desilusões, o destino final.
(Juares de Marcos Jardim)
A felicidade é uma ilha na qual queremos atracar. Então construímos nossos barcos no afã de poder pisar as areias mais desejadas. Mas quando estamos por chegar mais perto, a ilha desaparece e o barco naufraga. É quando pensamos que teria sido melhor ficar em terra contemplando o horizonte intocável, na alegria angustiante de imaginar o inconcebível.
HORIZONTE
De repente o sol nasce triunfante
Mas a glória não renasce como o sol
De repente existe a insatisfação
De querer ser o que se quer ser
Linda Cidade
Talvez ainda maravilhosa
Quero dentro de mim a felicidade
Existente em qualquer mocidade
Transformada em amor
Aquele louco e doido jeito de sentir essa dor
Pela perda, pela emoção
Talvez seja devoção
Qual nada, é satisfação
De quem sabe de repente
Ser o que quer ser
Com a felicidade transparecendo
E o sol nascendo
Você se afasta tão depressa
Assim como o trem bala
No horizonte
Não percebo, então te perco
Um dia todos nós teremos que partir. Então que seja deixando, a quem ficar, a sensação que o fardo da vida ficou mais pesado. E não a sensação que o fardo da vida ficou mais leve.
NO ESCURO DO HORIZONTE
É madrugada
E eu aqui calada
Insônia, penso em você
Um gole de cachaça
Para ver se passa
Essa fossa danada
Que faz o peito doer
Não quero dar Bom Dia!
A noite já basta
Para maltratar meu coração
Que de pirraça
Vira a mesa sem emoção
Talvez a tristeza
Me leve para longe
No escuro do horizonte
Onde o dia não existe
Onde você não exista
E antes que amanheça
Eu adormeça
Deixando um sonho de herança
Uma amiga confessou não saber
o que é um Lá Maior.
Respondi a ela: eu te digo,
lá maior é um horizonte alongado.
MERCADO CENTRAL
No interior dessa cidade,
corredores em labirinto
escrevem lentamente a história
desse valente povo.
Tradição e modernidade caminham lado a lado
com a cultura de toda essa gente,
convivendo com a vida simples que se leva aqui
nas terras de Minas, na contemporaneidade da Belo Horizonte.
Sorrisos encantados
numa lasca de queijo branco
numa banda de melancia encarnada
ou no doce mel contido num pedaço satisfatório de abacaxi
- na praça nossa de todos os dias -
nas esquinas desse pequeno Brasil.
Beleza e riqueza de detalhes
e variedade (in)igual de opções,
pluralidade que encanta mundos
e atravessa com orgulho muitas e muitas gerações.
Peças de encanto dispostas pelo quadriculado chão,
cheio de antropomorfismos,
perfazem um mosaico histórico
ocupando cantos distintos no coração das pessoas.
A vida simples desse mundo singular
confunde-se a todo tempo
com o requintado gesto de nobreza humana
existente no seio dessa grande família.
O rico convive lado a lado com o pobre
e sente orgulho de ali estar.
Patrão e empregado são grandes amigos
viciados na cachaça que é estar lá,
percorrem juntos a lida no dia a dia
e vencem juntos a dura jornada de trabalho desse lugar.
Por todos os lados
o que se vê é gente viciada na vida,
os visitantes tornam-se logo íntimos.
Pois, sorrisos não são difíceis de encontrar!
E se jogam Cruzeiro e Atlético no domingo!
Na segunda-feira, o mundo pára, se um deles ganhar.
No cafezinho todo mundo se envolve nas prosas
e ao rival perdedor, não é permitido apelar.
Dia e noite se confundem no tempo,
não se percebe o dia passar!
Turistas se apressam nas compras,
religiosamente a sirene toca.
Até amanhã! Alguns dizem...
Não vejo a hora de aqui, um dia voltar!
MODORRA
Sucessivos dias modorrentos que se arrastam em uma linda, mas inútil paisagem!
Um nada acontece que dá a impressão de se estar parado no tempo ou é um desses sonhos neutros que nem a mais experiente cigana saberia revelar! Onde fui colocado, para ter essa impressão, de que estou fora, a parte de tudo que vejo? Quem sabe seja um ensaio para o final dos meus dias ou um convite para que eu continue a crer sem ver numa gestação para o parto de algo bom que virá? A mulher, sorrindo da janela, me chama a atenção para uma ave marinha que risca o mar com as pontas das asas! Eu olho e vejo apenas um ponto branco perdendo-se no horizonte, assim como eu, perdido em pensamentos anulo os horizontes que talvez hajam à minha frente não os vendo mais...
A felicidade é como o horizonte! Tu só o enxergas a tua frente quando ainda não conseguistes alcançá-lo , ou quando olhas para trás e ele já passou por ti...
A felicidade é como o horizonte que sempre estas a buscá-lo, e só os outros percebem que nele já estás!
A chuva continua, ainda.
Chorando todos os meus risos.
Colorindo de verde
o horizonte
dos meus olhos..
SOBRE A RELIGIOSIDADE DO BAIRRO COPACABANA EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS...
E eu que não tenho religião
[...] Parei para observar a procissão que tomou conta de minha rua ontem e por todos os lados que olhava, via pessoas com velas acesas às mãos cantando uma canção em tom de ladainha, capaz de inquietar qualquer um. Repetiam sempre com muito entusiasmo um refrão melodioso, acompanhado sempre pelo som de um violão extremamente afinado seguiam rua acima, passo a passo, verso a verso incessantemente.
Feito quando era criança, fui transportado à varanda de minha casa e convidado a ser expectador daquele evento. Maravilhado em ver tanta gente agindo em cooperação, tive a sensação de estar novamente em comunidade. Com o movimento de tanta gente junta todas as casas do entorno, postes de luz, asfalto e concreto sumiram. Tudo parecia como antes, intocado!
O mato alto nos lotes vagos, o caminho escuro de terra vermelha e argila cintilante, o barro na sola dos sapatos dos adultos, o vento, as minas d'água por todo o percurso, os sapos coaxando, os vaga-lumes brilhando no céu à frente de todos, o cri-cri... dos muitos grilos existentes, o cheiro de Dama da Noite, o incômodo do pinga-pinga da parafina das velas derretendo e queimando os dedos, o medo à véspera da sexta-feira da paixão.E até mesmo o velho campinho onde aconteciam as barraquinhas e feiras do bairro estava lá. Tudo parecia exatamente como antes.
Quis seguir o cortejo e cantar com eles suas cantigas celebrando a alegria de estar em comunidade novamente, por alguns instantes esqueci, inclusive, que eu não era católico e que havia optado há muito tempo atrás por não ter mais religião, optado por ser sem religião. E devido a essa minha decisão anterior, não conseguia compreender aquela minha aflição emotiva; não fazia muito sentido para mim estar tão tocado com tal acontecimento. Talvez fosse isso... Não era um simples evento casual, era um acontecimento, como antes!
Os meus olhos marejaram de ver, de ouvir, de sentir tanta energia positiva em trânsito. E mesmo quando passou pela rua o último integrante do cortejo e sumiu na curva dos olhos após virar a esquina da rua de cima, seguindo em direção à rua de baixo, no rumo da capela da única praça do bairro, ainda era possível ouvir os passos da multidão e o clamor da ladainha efusiva ecoando pelo ambiente e atingindo aguda os canais auriculares das pessoas, nas muitas residências hoje existentes. Quando tudo acabou... a vontade era de chorar. Mas sentia-me bem demais para tal.
Dizem que o horizonte é um bom lugar para se guardar lembranças, desejos, sentimentos, ilusões, perdas, conquistas, etc; tem bastante espaço..
Dizem que lá é onde mora o passado e também o futuro...
É comum olhar pra ele e passar um filme de sua própria história de vida na cabeça... É comum olhar pra ele imaginando o futuro. E, se acostumando a olhar para ele, em liberdade, é possível perceber seu caminhar em forma de onda que, de certa forma, também estará olhando para você, vindo carregadas de nosso passado e futuro. Por isso não me prendo ao horizonte e tento não parar de remar.
Minha realidade é a onda... O mar sou eu..
Nem sempre é preciso procurar um novo caminho para encontrar novos horizontes, talvez basta simplesmente olhar para o lado para enxergar a direção adiante! Prefiro andar o mundo todo de que andar como todo mundo, me sinto um paradoxo, quem sabe até paranoico não sei ao certo, mas, prefiro mesmo acreditar no meu mundo ao invés de permitir que o mundo me faça crer nas suas criações e criaturas sempre querendo chegar frente sem saber que ficará pra trás no próximo e imediato segundo, num futuro já antecedido que faz do presente uma distante lembrança que nem podemos mais traça-lo, pois estão tracejando-o por nós, o que resta agora é corrigi-lo, reescrevê-lo com as mãos e passar a limpo todo dia, assim poderemos, portanto, mudar o que ainda não foi impresso.
Ler é olhar por cima do muro, é ver o que há por detrás das montanhas, é enxergar além do horizonte, é descobrir o que existe do outro lado do arco-íris.
Seja um farol para aqueles que navegam nos mares da vida sem uma bússola, e mostre o horizonte prometido.
Acho um desperdício colocar o peito na zona mortífera do conforto, vejo como fatídico o cotidiano da monotonia. Me aprofundo no horizonte das possibilidades. Gosto do recesso e da ressaca, sou intensa. Uso o crachá da liberdade, visto a camisa do emocional, levanto a plaquinha do viver, coleciono fotos e interpreto olhares. Vejo o mundo da minha janela particular
