Tag gritos
Eu não sofro, meu amor...
Espero-te apenas...
Os ventos me arrastam...
Não é fácil amar o vencido...
Amo e não sou amado...
Onde hoje me sentei a perguntar...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Tenho esta contemplação...
Mas não chego a desfazer...
Das velhas ilusões que achei no meu caminho...
No desolado coração...
O vácuo mudo adormece o meu pensamento...
Porque na noite, farto de sofrer…
Interrogando o destino...
A sua sombra escondida...
Procuro e não encontro...
E perante esse abismo...
Da única realidade no momento possível...
Escondendo os meus gritos...
Continuo a te esperar...
Sandro Paschoal Nogueira
Não vale a pena lutar por direitos que te tire o direito de viver.Há aqueles que vivem a gritar pelas ruas os direitos...e às vezes esquecem de direito viver.
BEM MELHOR
Consola- se em dizer
"Antes tarde que nunca"!
Mas é reconfortante aprender;
E vivenciar que no tempo certo
o que é bom fica ainda melhor.
Consola- se em dizer:
-"Devagar se chega ao longe"!
Mas é bem melhor a qualquer lugar
se chegar logo, se chegar primeiro;
A boa ideia é descansar, enquanto os outros chegam.
Dizem-se muitas coisas;
Na maioria das vezes por dizer...
Vai dizendo, vai vivendo.
BUSCO VERDADES
Diga-me se chegou o fim do dia?
Fechei os olhos para não ver o dia passar...
Nada importar, nem o nascer do sol,
o pino e tampouco o entardecer.
Diga-me se a noite chegou?
Se já posso abrir os olhos?
Quero ver tudo ao luar;
Vejo-me mais belo...
E mais lindo o mundo.
Não vejo gente apressada,
Nem ouço os burburinhos da rua.
Negociadores vendendo a própria alma,
querendo vantagens.
O dia acabou? Fechei meus olhos...
Fechei-os para imaginar o brilho do sol;
O verde das matas;
O amarelo do ouro;
O azul do céu,
O bronze das faces das pessoas...
E o branco dos dentes nos sorrisos.
A realidade não tem mais graça...
Não se ver mais a verdade;
Pouco se tem de si mesmo...
Tudo é copiado, comprado e emprestado, vendido.
Fecho meus olhos de dia para ser eu mesmo.
Abro-os a noite...
Anseio enxergar pelo menos
em vultos a realidade na gente, no mundo.
O silêncio, às vezes esconde um grito;
Os devaneios escondem uma explosão de negativas emoções;
Os sorrisos, muitas dores...
Outras vezes, as gargalhadas são lamentos, pedidos de socorro.
Se é contraditório, por vergonha.
Se é interpretado no engano.
Celebra-se algumas coisas,
Noutras se está desabando...
Fortes em poucas coisas,
Fracos na maioria.
Falantes no que não convém,
Calados no bem...
Entendendo tudo, não sabendo de nada.
Prometendo o mundo,
Tendo as mãos vazias.
Embriagado sem beber,
Engasgado sem nada na garganta...
Tendo a certeza de tudo,
Morrendo na dúvida.
Vivendo, sobrevivendo...
Respirando.
Régis L. Meireles
Nos silêncios que ninguém viu.
Fui aquela que chorava baixinho, pra não acordar o coração da mãe.
Sorria ao sol do café da manhã, mesmo depois de noites travando guerras dentro de mim.
Fui irmã de dores ocultas, parecia feita de gelo e tempestade, mas era só medo de deixar cair o mundo que eu segurava sozinha.
Fui a menina que engolia gritos, que dizia “tá tudo certo” enquanto tudo desabava por dentro.Sem colo, por receio, me fiz abrigo.
Na infância fui também a estudante considerada burra, a que não entendia os números, tirava notas abaixo da média, que escrevia torto aos olhos da professora, porque ela nunca enxergou
que eu era maior do que seus moldes podiam conter.
Hoje entendo que minha mente era livre demais, minhas ideias corriam fora da linha e isso, pra ela, era erro,pra mim, era essência.
Aprendi a orar em silêncio, a fazer de Deus minha conversa mais sincera, nos dias em que a mente era caos e o coração, campo de batalha.
Foi Deus quem enxugou meu pranto escondido, me ensinou a caminhar, mesmo com feridas abertas.
Com cicatrizes que ninguém nota, sigo , talvez ainda sem saber direito o que é crescer.
Mas sei:
a força que me sustenta não é desta terra.
Vem do alto, o céu que me cobre, e da fé que, mesmo entre ruínas,caindo… Ele não soltou a minha mão.
Foi Deus quem não desistiu de mim.
Os silêncios da minha alma
São feitos de ecos que se arrastam,
Com o peso do medo e da dor,
Que se enterram fundo no peito
E a voz se apaga antes de sair.
São silêncios de batalhas invisíveis,
Onde o corpo sorri, mas a alma sangra,
Onde os gritos não são ouvidos
E as palavras se perdem nas sombras do medo.
Na multidão, a solidão grita, em meio ao riso, o vazio se esconde,
A mente, uma tormenta constante,
Que nunca se aquieta, que nunca se rende.
São silêncios que falam muito mais
Do que qualquer palavra poderia dizer,
Dúvidas e certezas que dançam
Em um ciclo que não termina, mas insiste.
São silêncios de uma luta silenciosa,
Onde o corpo resiste, mas a mente se curva. E, no fim, talvez o silêncio seja apenas o grito que nunca se permite ser ouvido.
Noite
Uma noite de realizações a dois,
uma chama acesa, colchões amassados,
vinho derramado sobre a mesa, gritos soltos pela casa,
um respiro, mais alguns goles, dois banhos e o acaso.
Quem não quer ouvir os seus próprios gritos no futuro próximo, mude agora antes que o eco traga as mensagens de volta.
Até entendo a forma ácida e irônica de ver, falar,interpretar e produzir arte diante as poucas mudanças ajustadas breves existentes frente ao tanto mais que deveria ser mudado por agora.Mas não consigo ser indiferente quando o artista e o autor para isto grita por mau gosto e extrapola por cima dos princípios éticos, morais e da boa convivência da cultura de quem quer que seja.A transigência já é uma postura muda e obscura de aceitação e persuasão a tudo aquilo que nos é diferente.
O egoismo e a unilateralidade é o vampirismo e dependência selvagem de toda sombria e esquisita juventude digital contemporânea. Buscam revoluções ao gritos, aos deboches e a pauladas pois não possuem ideias, ideais, sonhos e muito menos intelectualidade para com discernimento conquistarem qualquer tipo de liberdade.
