Tag escrita
Eu não escreveria nada autobiográfico. Se você viveu uma vida como Laurence da Arábia, pode ser uma hipótese, mas, de outro modo, me parece um pouco vaidoso.
Os problemas são como estrelas, ao amanhecer nos não conseguimos mais as enxergá-las, mas elas ainda estão ali.
Poeta sincero
Já li que poeta não escreve para agradar
Eu também não o faço, hei de confessar
Escrevo sobre aquilo que sinto
Prefiro dizer minhas verdades, não minto
Mas para dizer o que penso não preciso de ofensas
Dou a opinião e os motivos, quem quiser se convença
Respeito o direito alheio de pensar diferente
Mas que fale com respeito
Que trate gente como gente
E aprendi não me importar se alguém quiser me ofender
A ofensa fica com ele, não vou receber.
Estrondo
Caro leitor, que ouve sua própria voz
Ressoando na cabeça,
Te explico
Implicitamente abaixo:
O início do processo criativo
Não chegou ao meu conhecimento
Seu local talvez seja privativo
Nem passou por meu pensamento;
Me debruço sobre o nada
Como se fosse num parapeito
De cabeça eu mergulho
Mas o que sai, está feito;
Disso não me orgulho
O mérito não é meu
Terminado o barulho
O crédito é todo seu.
Tenho inveja, por exemplo, de pessoas que são obcecadas pela Guerra Civil, que transborda de detalhes, mas é circunscrita. No meu caso, os monstros recuam, mas nunca desaparecem. Estão mortos há muito tempo e nascem enquanto escrevo.
Eu não consigo escrever de modo forçado, sob pressão e a curto prazo.
Bato palmas para as pessoas que conseguem.
Sou um homem fragmentado, silencioso. Somente a escrita constrói pontes entre os meus abismos, somente ela dá voz e eco à solidão dos meus penhascos.
A vida é dolorosa e desapontante. Não tem qualquer utilidade, por isso, escrever romances realistas. Nós em geral sabemos onde estamos em relação à realidade e não queremos saber mais nada sobre ela.
Algumas coisas
quando se quebram
são fáceis de consertar:
uma xícara lascada
uma estatueta de gesso
um sapato velho
uma receita que desanda
ou uma amizade arruinada.
Ainda que guardem
as marcas do remendo,
é possível que essas marcas
tenham um certo charme
como algumas cicatrizes.
Mas experimente consertar
um poema que estragou.
Guardar-te-ei em poucas linhas,
Em traços de uma mera tinta,
Escusa pela incapacidade da escrita em dizer
Sobre o amor que tenho por você.
E nos versos não exibidos,
Oculta o seu sorriso, sua voz insistente que,
Por vezes, tira-me o ar.
Através da brancura do papel,
Afastam-se as letras quando a saudade
Invade a vontade de te amar.
Guardar-te-ei sem pressa,
Como quem carrega um cristal,
Uma flor, uma canção de amor
Feita pra te agasalhar,
Arrancando o frio das noites sem luar.
E sem esforço, ouço o seu chamado.
Esqueço a poesia e me atenho em você,
Pois é no falar do seu calar em mim,
Que a minha maior eloquência se faz no sentir.
A razão para quererem me ver é que sou uma célebre assassina. Ou pelo menos foi o que escreveram. Quando li isso pela primeira vez, fiquei surpresa, porque costumam dizer cantor célebre, poeta célebre, espiritualista célebre e atriz célebre, mas o que existe de célebre em assassinato?
O álibi da inspiração é entender o porquê de você ter começado algo. Acredite em mim, ela sempre ganha.
O DOM DA ESCRITA
Escrever alivia a alma, enriquece o conhecimento e da voz aquele que não há tem.
Dar a vida a um texto é se expressar de uma forma especial, é uma via de mão dupla entre o escritor e o leitor, onde aquele que escreve se teletransporta através de suas palavras, mas também faz com que aquele que está lendo se sinta no mesmo cenário, dentro de um mundo cheio de palavras ricas e com sentimento.
Não importa o gênero escrito, se é uma história, reflexão ou até mesmo um poema, tudo que se escreve sempre terá um endereço certo e a devida importância a alguém.
Os sentimentos, incertezas, dores, alegrias, tudo é transformado em palavras.
Cada palavra tem seu significado, sua forma de enxergar o mundo, de confortar, alegrar e pode até indagar.
Através da escrita podemos compreender o que há de mais profundo e o que talvez não vemos com os olhos e muito menos percebemos sentir, pelas palavras torna-se compreensível e puro.
Ébrio na escrita
Submisso á uma inebriante flor...
E sentindo de longe o seu cheiro...
Como beija-flor....
Suguei o néctar e me saciei....
O pólen....
Era puro e pelos túneis eu mergulhei...
Precisei eu...
Fazer um ninho para descansar...
Domindo...
Fui ensinando os pássaros a cantar e voar...
Tornei-me um ébrio na escrita...
E na relva á me embebedar...
Uma junção...
Uma ocasião...
Um toque na gaita....
E me senti no vasto sertão...
Naquele povoado...
Me viram de longe...
O Poeta que veio chegando de mansinho...
E sua fome á matar....
No upa-upa...
Á cavalo fui chegando....
Troteando e bailando...
O alazão batia as patas fazendo sua parte...
Percebi então....
E perguntei-me....
É uma arte...?
É uma paixão...?
Ou é o poeta que escreve cometendo rasuras e vai descrevendo o que passa em sua imaginação...
Ué....
Saí determinado....
Escrever não é pecado...
Que culpa tenho eu...
Se comigo mora á inspiração...
Ela está aqui...
Na alma...
Na mente...
E no coração...
Ela está constantemente...
Não uso varinha...
Não uso parágrafo...
Sou tropeiro e sou de outro estado....
E nesse momento...
Agora estou ocupado...
Se me chamarem pra falar de amor...
Façam-me então uma pequeno favor...
Não usem acentos...
Não usem correções...
Usem comigo o Sol que nos encobre...
Essa área que vos falo...
É totalmente nobre...
E por isso
Me recuso em escrever...
Qualquer imitação...
Minha ilusão....
Faz parte dessa inspiração...
Alucionado eu sou....
E falando bem a verdade...
Fora disso que citei...
Não é comigo...
Se quiserem ser meus amigos...
Vistam-se também...
De um pouco de ilusão...
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
Gosto muito de não registrar os acontecimentos da minha vida (não escrevo diários, não tiro muitas fotos) para poder recriá-los mais tarde nas minhas ficções com toda a liberdade, sem me preocupar com como realmente aconteceram, mas como me lembro deles. Eu realmente não me importo com a realidade dos eventos, mas como os vivi ou os senti.
Gatafunhos
Escrever
é viver
de certo modo
e no entanto tudo
na sua aflição infinita
nos conduz a intuir
que a vida jamais estará escrita.
Poesia de fina escrita
Desmontei um quebra cabeça...
Misturei todas as peças...
Ao começar a montar...
Viajei com meus devaneios...
Na ilusão do meu olhar...
Apenas versos falavam dentro de mim...
Usei então...
Uma metodologia diferente...
Deixei cair um pingo de lágrima minha..
E ao bater em uma das peças....
Emudeceu e transformou em ouro de fina qualidade....
Com o coração transbordado de paz...
A ispiração se multiplicava...
Aquele pingo de choro meu que tinha caído...
Mal eu sabia...
Que era a chuva que regava minha imaginação...
Perguntei eu então á minha alma...
Cadê teu sorriso..?
Cadê o teu paraíso...?
A voz de minh'alma então ecoou dentro de mim...
E raspando meu cerebro...
Ela me disse...
Eis-me aqui oh Poeta inspirador...
Escrevi no seu coração...
Reguei tua inspiração...
E fiz brotar em ti...
Uma semente e uma canção...
E ao céu viajando...
Coloquei meus olhos na prata do luar..
E a lua me disse...
Oh alma inspiradora....
Escreverei em teu nome..
Com escrita fina de última geração...
Perdoe-me oh Poeta...
Mas teu escrevinhar...
Ninguém poderá apagar...
Os pensamentos são teus...
A Imaginação e sua...
Esse poema feito aqui...
Foi devaneio de uma lágrima tua...
Conectada junto a ti estou...
Mergulhe sempre...
Não temas...
Você jamais irá se afogar...
Esse mundo...
É todo seu..
E eu..
Sou apaixonada...
Com esse teu jeito...
De poetizar....
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
Escrevo
só
em último caso
ou como quem alcança
o último carro
como quem
por um triz
por um fio
não fica
no fim da linha
de uma estação sem flores
a ver navios.
Se o escritor for Cristão, ele tem a opção de orar nos momentos de bloqueio criativo ou quando lhe falta inspiração para seguir escrevendo quando tem vontade. E Deus ajuda. Ele me ajudou nesse sentido, após eu ter pedido inspiração em oração para escrever e assim eu consegui terminar o meu primeiro livro.
É uma vantagem. Nós, escritores Cristãos, estamos a salvo.
As pessoas não se queixam tanto do que se escreve sobre elas. Do que as pessoas se queixam é do que, sobre elas, a gente não escreveu.
Sempre me assusta escrever as primeiras linhas, cruzar o limiar de um novo livro. Depois de percorrer todas as bibliotecas, quando os cadernos explodem de notas febris, quando não consigo mais pensar em desculpas razoáveis, nem mesmo tolas, para continuar esperando, ainda retardo vários dias durante os quais entendo o que é ser covarde. Simplesmente não me sinto capaz.
