Tag cena
no vão do asfalto
uma flor, roubando a cena,
como um assalto.
o piche se entrega e racha
e a natureza assim se acha.
Olha como ela vem
Parece cena de um filme dos bons
Amor, esquece os outros edredons
E vem pro nosso lar
Seu lugar é onde quer que eu vá
Desde que o amor esteja lá
A vida é feita de ciclos. Cada um deles com o seu começo, meio e fim. Quando um capítulo acaba, logo vem outro. E outro. E mais outro. Alguns prometem lágrimas, outros, suspiros de felicidade. Mas sempre tem uma nova cena, uma nova fase e novas surpresas.
Em cena, ação.
Convivo com histórias que protagonizei
Mas que não mais subirão aos palcos
Acabaram-se as sessões e só quem pagou, consumiu
E cheio de emoções se foi
Porque sou tão volátil que não me presto
Nem a ser imprestável por muito tempo
Faço o mal dizendo o bem
E me dispo inteiro para caber em uma peça
Afim de poder escrevê-la
Descobrindo quem fui
Enterrando o que senti
Desenhando quem sou
Já fiz, já revivi,
Guardo os pôsteres das exibições
Não me considero culpado
E também não sinto a dor do remorso
Já que sou mero ator das minhas vontades,
Das minhas repentinas e fluídas fases
Muito embora não as busco repetir
Agora quero o agora, quero ouvir aplausos que nunca soaram antes e dispensar os cochichos de reprovação
Quero adiante até quê
Um pouco depois de fecharem as cortinas e acenderem as luzes
Esteja eu novamente livre...
de volta pra mim.
Dia a pós dia os tolos vão se tornando imperceptível aos meus sentidos.
De extrema pequenez são invisíveis .
O RETRATO
O cenário...a personagem...o retrato...
Expostos ao julgo impiedoso do olhar
Passíveis de rótulo, julgamento e escárnio
de quem nada tem a acrescentar...
Ah que bom seria, e não uma pena,
se quem "olha" conhecesse a alma retratada na cena.
Talvez o espanto do momento, se transformasse em doce encantamento...
Lene Torres
Belém-Pará-Brasil
2016
Olho para meus pés brancos como névoa, suaves como plumas, perfumados como campos de lavanda e a lembrança finca-me sua lança.
O sabor se dissolve em meu paladar.
O gosto, o cheiro o calor revoluteiam na lembrança indissolúvel como um só gole de Blanc de Noirs, como se fosse a exatidão do momento pendura um beijo impetetuoso sem trégua para o fôlego, sua língua sedosa laçada com sabor de Pinor Noir impelindo um corredio não desatável.
A água que escorreu entre os dedos ao ralo se foi, desejo o resgate imediato para a sede matar.
Ainda que seja um prazer imaginário, os sonhos podem se tornar realidade desde que assim o desejemos.
Cena digital
Nas redes sociais, a integridade perde o seu valor. Corpos não se encontram mais; a libido se desfaz, o amor pelos likes nos satisfaz.
Precisamos de habilidades digitais para evitar o cancelamento. E, simultaneamente, buscar o sucesso com o maior número de curtidas possível.
A política agora se faz entre cliques, pixels e bytes, onde robôs e falsas mensagens se multiplicam, prejudicando a integridade do debate político.
Sabedoria é entender que em algumas situações tudo que nos resta de mais digno é sair de cena e com humildade e fé permitir que Deus termine o espetáculo e receba os aplausos merecidos e a nossa gratidão.
Preciso achar uma maneira de escapar
Deixar aquilo que me atormenta
Tudo que causa-me dor
Será que há uma forma plena de se fazer?
Ser só é mais fácil
Ninguém te falou?
Sou um ator
Com anseio para sair de cena
Ser só é mais fácil
Ninguém te falou?
Poupe-me o trabalho de sentir
Não há mérito
Sim, eu estou aqui
Ainda...
A beleza da dança habita na maestria em conjugar gestos e sensações com tamanha sensibilidade e qualidade que encanta e inspira quem vê.
O público invade o privado, e o privado transborda no público — a fronteira se apaga, a vaidade se propaga.
Perde-se o abrigo, dilui-se o limite: a autonomia cede à patrulha social, a família se dobra ao discurso oficial.
A mercantilização do eu faz da autenticidade uma raridade, transforma a intimidade em produto e reduz a privacidade a luxo esquecido.
A confusão entre público e privado dissolve limites, mercantiliza o eu e transforma autenticidade e privacidade em raridades esquecidas.
Quando público e privado se confundem no traço, o eu vira produto, a alma perde o espaço — e o que era raro vira descaso.
A ansiedade é representativo do sujeito que é o protagonista dessa cena de medo. De repente, uma certa alucinação surgiu em sua cabeça. A parte em coma representava uma ameaça limitada pelo medo e desejo do outro, e o rosto privatizado estava coberto de suor.
