Suspiro
Você vai perceber quem é a sua família de verdade, dentro da sala do hospital em que você der o último suspiro.
Rasgaram-se nuvens de um céu estrelado
O véu do orgulho, já fora quebrado
Estrelas que dançam, bem do meu lado
Tu vens como o vento,
Suspiro calado.
— tu vens.
E fantasiados com as cores do amor da folia chegamos ao fim,
De mais um suspiro profundo que antecede o sono de quem está com a quebreira do dia,
Difícil de encarar mas sempre fácil de sorrir,
APENAS UM SUSPIRO
Na hora melancólica da luz poente
No cerrado, no ocaso do fim do dia
A voz de um desalento impaciente
Na sensação, um engano repetia
Na lembrança o lembrar ausente
Na dor, uma agonia que asfixia
O aperto em um tom crescente
Avivando o sentimento que jazia
E no entardecer o olhar morria
Nos perdemos de nós dois, fria
A saudade, no silêncio a cicatriz
Depois, sei lá depois, tudo calado
Vazio, sem vontade de ser amado
Pois, era apenas um suspiro, infeliz!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/12/ 2020, 08’59” – Araguari, MG
Quando a morte chega
O café esfria e ninguém o toma
O tempo se torna o total inimigo
Pois segundos fazem diferença
O tempo fica lento
As cenas param
As pessoas ficam
E você vai
E nessa hora tudo faz sentido e ao mesmo tempo todo sentido se perde
Você entende tudo e
Não entende nada
Lágrimas escorrem
Livres
Mas escorrem
E assim como secam
Morrem com um último suspiro
E nesse último segundo
Toda a vida passou na frente dos seus olhos
E você agradeceu por tudo
Por todos
Por tudo de bom que passou
Por tudo de ruim que passou
E você acreditou
Mas não é mais
Você se foi
O tempo acabou.
SUSPIRO OFEGANTE
Que é saudade sem ter-te? apenas um vão
Dum sentir frio e o vazio sem a face da lua
O desejo sem te ter? Esvaziado na solidão
Emoção que pelo céu a recordação flutua
Passo a passo. O caminho sem ti? Imensidão
Da noite usurpando o dia, grito e agonia nua
Sofrência? Lágrimas, ai! E pranteia o coração
Pra esquecer o encanto, a graça, prenda sua
Que é de meu poetar? Calado e pobrezinho
Sem o teu olhar. São palavras soltas sem lugar
Peregrino solitário, infecundo e sem carinho
Íngreme e pesado fado, sou eu sem instante
Onde o afeto vive perdido e sem poder amar
Na sobra da tristura e num suspiro ofegante!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Maio, 11, 2021, 09’46” – Araguari, MG
Fôlego de memoria
Entre altos e baixos, cerrações e o céu aberto, um suspiro de lembranças, uma inspiração,
no meio da chuva fina raios caem no mar, a natureza é exuberante e misteriosa ela não consegue esconder a sua força,
o mesmo sol que ilumina e da vida agora é escondido por uma nuvem a sua sombra despertou sorrisos, pois a nuvem tem formato de um belo coração.
O suspiro de um vazio, o suspiro do desespero.
Tão fácil e leve quanto aqueles que se escondem atrás de seu medo.
Debaixo de suas críticas, nem sempre construtivas, se escondem falsas superações, que se nivelam na face oculta de seus desesperos.
Não há oque temer, mas não há oque colher.
Fácil lhe apontar os dedos, quando tudo oque se vê são seus erros refletidos por meio de ocultos reflexos.
Não há como agir diante de uma situação dramática, porém sádica.
Como será a nivelação de sua própria ação, na mesma proporção em que seu medo, supera sua ação?
Não há como fugir, pare de tentar, pare de agir.
que todo novo amor seja
infinito
até que dure.
Pois se não há intensidade que nos faz esquecer dos dias,
pq eu levantaria
daqui?
Suspiro de amor
Meu coração sorri, o alegre prazer de viver.
E rever o que queria a séculos queria reencontrar.
Amar e se dar.
Ah! que alegria estupenda, saber que o tempo nos preparava um para o outro.
Estou aqui e meus olhos não param de venerar a tua imagem que não sai de meus olhos desde nosso reencontro.
Amo te amar.
Como é bom saber que existes.
E que estais mais perto de mim que podia imaginar.
Nossos abraços, são mais que abraços, são beijos extasiados pelo desejo de estarmos juntos e unidos num único ser.
O mundo é tão devastador que a morte chega a ser um tipo de misericórdia,
Pois quando achamos que não poderemos mais ser abalados ou atingidos
Somos abatidos moralmente, psicologicamente ou sentimentalmente.
Como soldados em guerras
Diariamente a luta continua onde mostro sorrisos e procuro levar alegria e amor
Coisas que faltam em mim, mas procuro levar as outras pessoas apenas esperando o meu momento de misericórdia, meu ultimo suspiro.
No último suspiro de uma tentativa do que poderia ser,
Coloquei todo o ar do mundo para dizer oque só dependia de você,
Tentando te entender me perdi e vi que era melhor continuar a me esconder,
A ter que, por mais um ultimo suspiro numa falsa esperança me prender e, desse jeito voltar a sofrer,
Te esquecer...não queria que fosse ser meu querer
SUSPIRO SEM CURA
A saudade é terebrante, d’alma saudosa
Do vazio em tal condição, com soberania
Uma sensação que estoura em alquimia
Explodindo no peito numa dor poderosa
Ó cousas, todas vãs, ao sentido curiosa
Qual é a tal emoção que em vós confia?
Ora a alegria, ora outra prosa, outro dia
Vacilantes todos, mas, à poesia formosa
Eu vi já por aqui comparência e flores
Vi olhares, preciosa cortesia, aventura
Versejar, vi cantar cânticos de amores
Na poética, um de tudo, vivi loucura
E adequando-me eu, fui os ardores
Da solidão... este suspiro é sem cura.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
08/09/2024, 16’27” – cerrado goiano
Dei um suspiro fundo,
um suspiro de verdade... vontade... saudade
um suspiro diferente, sem mágoa... coerente
e voltei !
O Último Suspiro da Redenção
A morte está atrás de mim, feroz e sedenta, pois recaiu em mim a minha sentença.
Pobre alma que esqueceu sua inocência, pois colocou em prática um plano sem medir as consequências.
Em uma noite de horror, atrai aquela alma e meu plano concretizou; fiz e abusei,
não concedendo-lhe um mísero clamor por minha clemência.
Meu desejo de ser afortunado me fez fazer sangue ser derramado,
e minha alma eu entreguei. O tempo passou e agora o comedor de almas minha alma cobrou,
pois minha hora do inferno chegou.
E agora, aqui estou, na escuridão que me envolve,
com o sussurro da morte, que incessantemente me segue.
A cada passo que dou, sinto o frio do seu toque,
e sei que a minha hora, aquela que tanto temo, está próxima.
A culpa me consome, como fogo em palha seca,
por aquele ato impensado, que selou meu triste fado.
Naquela noite maldita, minha ganância falou mais alto,
e agora pago o preço, com a eternidade em desalento.
O comedor de almas, com olhos de fogo e sorriso gélido,
cobra a dívida de uma vida, que nunca mais será minha.
Ele se aproxima, com passos que ressoam como trovões,
e eu sei que não há escapatória, não há mais salvação.
Então, aceito meu destino, com o coração pesado e alma partida,
pois a morte está atrás de mim, e é chegada a minha hora.
Deixo para trás o mundo dos vivos, com seus sonhos e esperanças,
e mergulho no abismo, onde apenas o silêncio e o esquecimento me aguardam.
Deixando-me sem esperança.
E assim, sem esperança, encaro o vazio sem fim,
onde as almas perdidas vagam, sem destino ou razão.
O comedor de almas me guia, por este reino de dor,
onde cada lamento é um eco daquilo que outrora fui.
Mas em meio à escuridão, uma luz tênue se revela,
um brilho suave que desafia o reinado do terror.
Será este o brilho da redenção, ou apenas mais um engano,
para me torturar com a promessa de um alívio que nunca virá?
Com um fio de coragem, avanço em direção à luz,
desafiando o destino que o comedor de almas traçou.
Por um momento, o frio e o medo parecem se dissipar,
e uma paz desconhecida começa, timidamente, a brotar.
Será este o final da minha jornada, o descanso da minha alma?
Ou apenas o início de um novo ciclo de tormento e desgraça?
Não sei o que me espera, mas escolho seguir adiante,
pois mesmo na escuridão mais profunda, a esperança pode encontrar um instante.
Autor: LMP
Data: 23 de Março de 2024
- Relacionados
- Frases Viva a Vida e Faça de Cada Momento um Suspiro
