Suspenso
Inércia
Na inércia o corpo boia suspenso;
a água às vezes é fria e outra, muito quente.
Se o choque acorda o que estivera dormente,
venha comer senhora quero ver os seus dentes.
Toco na harmonia do suspenso caminho
sei-me lamento pasmo rolado
em erupção paralisante.
Um passageiro muito só
que cai, desequilibra-se
no esquecimento indiferente.
É terrível não dar mesmo
encontro de mim.
Perco-me num denso escuro sombrio
onde as visões
que sublinho fatigado,
picam a esquecível memória
donde parto.
Sou um jardim ambulante
E suspenso, da criação divina
Sou uma espécie rara
Florir é minha sina
Broto da cabeça aos pés
Flores de todas as cores e jeitos
Exalo todos os perfumes
Que tenho direito
E por onde passo
Eu abro sorrisos floridos
Por onde eu vou, vão comigo
Pássaros, borboletas e amores
E onde eu chego eu deixo
Fragrâncias e desejos
Minha essência é perfumada
E a alma lavada com água da chuva
Piso na terra molhada
Me deito na relva orvalhada
Absorvo a energia da natureza
Sigo amando
Meu caminho enfeitando
Com pétalas florais
Eu vou caminhando e plantando
As sementes do amanhã
Que frutificarão para alimentar
O meu desejo de viver!!!
Fernanda de Paula
Instagram: fernanda.depaula.56679
Novo Instagram: mentepoetica2020
Nessa atmosfera intensa, agora me encontro suspenso, destinado aos cuidados dessa saudade alheia. Ah se ela conseguisse escapar aqui de dentro!!! E talvez assim eu lhe visse adentrando pela porta aberta, atingindo de cores todas essas paredes cinzas que permanecem esquecidas nas limitações de um dia sem suas cores circulares que transbordam lentas e contidas de uma vontade avassaladora de sentimentos. Quem sabe assim você pudesse chegar como grãos de areia desenfreados que em instantes espraiaria toda essa sala!!! Vou colocar aquela calça que você me deu e regozijar-me nessa manhã, recuando qualquer tentativa incômoda que me afaste de você.
O meu coração neste momento se encontra
Suspenso e no vazio.
Mas, Aquela que vive comigo
Já não sabe o que dizer ou fazer...
E eu mesmo me recuso abrir a minha boca,
Temo perder as minhas suaves palavras.
Este momento...
Uma sensação de morte,
Uma sensação de vida,
Um estar suspenso em si mesmo.
Não há como saber que direção tomar,
Mas há a urgente necessidade de caminhar.
A vida não espera,
O tempo escapa pelas mãos
E o que deveria me fazer correr, me paralisa.
Sob o mesmo céu, em um espaço suspenso pelo tempo, verdades em comum se acariciaram.
Do beijo, nasceu enorme desejo de beber até a última gota.
PERFUME NO AR
Suspenso no ar
o perfume da relva que veio banhar,
o corpo desnudo na cama a revirar,
esperando o amor que está para chegar.
Suspenso no ar,
o perfume da chuva que cai devagar,
nas entranhas da terra para encharcar,
a alma esfuziante que quer se entregar.
Suspenso no ar,
o perfume da sereia que veio do mar,
que usa “Água de Colônia” para embriagar,
os sentidos de quem deseja namorar.
Suspenso no ar,
perfume da noite que chega num açoite,
fazendo o desejo, no seu silêncio, despertar
e na loucura da paixão estonteante flutuar
Não tenho um minuto pra oferecer. Só tenho um segundo da eternidade, eternamente suspenso num minueto à dois.
Assim como o passado se desfaz, o futuro permanece ainda suspenso e não a nada tão absoluto no tempo... quanto as inúmeras possibilidades trazidas pelo presente.
Meus braços acorrentados a pilastras, suspenso em um precipício, esta é uma visão real do ser humano atual.
Um gota de orvalho cai em suspenso no ar, em poucos segundos ela estará no chão.
Mas enquanto isso, o mundo a sua volta olha apavorado, esperando sua queda.
Ela resiste, se quer tenta imaginar como será, mas ainda assim ela continua caindo...
Em um segundo de hesitação e num desejo eterno de fuga, o vento a leva, para o longe.
Para os muitos sua queda era certa, a surpresa, aos otimistas a concretização
de sua certeza, aos pessimistas a sensação que dessa vez passou. Por sua vez, a gota de orvalho
transborda em alegria e evapora na luz, sendo eterna e presente a todo tempo. Sua vez chegou,
agora para sempre no céu de nuvens. Até a próxima chuva de verão.
Na minha alma
construi um belo jardim,
um jardim suspenso!
Cada vez que a saudades
aperta e a noite chega, fecho
a janela sinto o coração
entristecer e colho uma flor!
Mas com uma certeza,
daquele mesmo lugar
muitas brotarão .....
Só então consigo perceber,
que em breve a esperança voltará!
SARAU
De todos os poemas que compus!
Uns se fez verso, outros canção
Nesse universo suspenso
Lagrimas, são para os lenços
Só temos motivos pra sorrir
Mas quando se vem da alma e acalanta
Não se espanta,
Algo lindo ou sobrenatural
Traga todas inspirações
Pra recitar hoje no nosso SARAU
Divida conosco a sua alegria
Faça parte dessa historia
Do nosso dia a dia
viva o amor e esqueça os problemas
Faça sempre a vida valer a pena.
Hj tirei um raio -x do meu coracao
E ele divinamente esta igual
A um jardim florido e suspenso
No meu peito que ora pulsa
pro meu próprio bem
Ora repulsa o que me faz mal
Ora brota flores coloridas e perfumadas
Ora aponta os espinhos da maldade
Ora colho as flores desabrochadas
Ora podo os galhos incertos
Ora adubo o terreno (in)fértil
Ora admiro a beleza da paisagem
Ora cerco-o de sentimentos bons
Ora arranco a cerca de proteção
Deixando-o vulnerável
Prematuro em sua trajetória
Que por longos anos a fio
Se machucou com os fios da infidelidade
Mas hoje se encontra em estado latente
Adormecido em sua bondade
Do amor que deveras sente
Pelos próprios inimigos
e toda humanidade!!!
qual o valor de lutar pela vida?
no leito do hospital, o tempo parecia flutuar, suspenso entre as paredes brancas e o som monótono dos aparelhos. DonaMãe, ou Zina, como eu a chamo carinhosamente estava ali, lutando contra problemas renais e uma teimosa infecção urinária. é uma guerreira, sempre foi. e, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, encontra uma maneira de expressar sua força: através das palavras.
ela falava, e como falava. as palavras saíam de sua boca incessantemente, até que a boca secasse. recusava-se a beber água, como se aquela fonte de vida fosse um capricho dispensável. mas bastava um sussurro carinhoso ao pé do ouvido, e ela cedia, aceitando a bebida com um sorriso resignado.
ontem, por volta das 16hs, em meio a uma dessas maratonas de falas, DonaMãe desviou o olhar para a colega de quarto, uma senhora em um estado de saúde delicado, cercada pelos filhos preocupados. com uma serenidade perturbadora, ela disse: "Ela quer morrer, e vocês deveriam fazer uma prece para que ela se encontre com Deus."
o silêncio que se seguiu foi tão denso quanto a atmosfera do quarto. as palavras dela ecoaram, trazendo um desconforto palpável. tentei mudar de assunto, puxar Zina de volta para conversas mais leves, mas ela estava decidida. e, voltou a falar sobre fé, sobre o que Deus nos reserva, como se quisesse preparar a todos, inclusive a si mesma, para o inevitável.
essas palavras, embora duras, vinham de um lugar de profunda reflexão e talvez aceitação. DonaMãe sabia que o fim estava próximo, não apenas para sua colega de quarto, mas também, todos nós que tentamos saber qual é o valor de se lutar pela vida. havia uma sabedoria em seu discurso, um desejo de encontrar paz para aquelas pessoa e eu sentia. mas, dar sentido aos últimos momentos, parecia ser ir longe demais.
e então, a madrugada chegou. talvez não mais que uma hora da manhã, e dona Anna nos deixou. deixou um vazio imenso, quarto e as vozes silenciaram junto com ela, estava sua filha. deixou também uma lição valiosa sobre a fragilidade e a beleza da vida. cada conversa, cada recusa teimosa em beber água, cada prece sugerida, eram manifestações de DonaMãe e sua esperança de seu um amor maior.
no leito do hospital, entre palavras e silêncios, DonaMãe ensinou-nos que o valor da vida está nas pequenas coisas, nos gestos de carinho e nas reflexões profundas. não foram apenas palavras, foi uma compreensão serena da vida e da morte.
e assim, enquanto a memória de Anna permanece viva em nossos corações, continuamos a fazer nossas preces, buscando o consolo que Zina ela tão sabiamente sugeriu, buscando forças nas lembranças de sua presença amorosa para que logo, logo, ela volte à rodinha normal.
26.jun.024
Descansar a alma
Além dos muros cinzentos
Onde a esperança se aninha
No jardim suspenso
Entre lírios perfumados
Hibiscos e trepadeiras
Eu me sentava para contemplar
A vida pulsante transformar
Vista para o mar,
Nossa tela lírica
Serena, mediterrânea
Costa em primavera
Tardes de paz, pássaros a cantar
Anunciando a noite serena
Descansar a alma
Até onde os sonhos nos levar
Bruna Nilza
