Sou seu Quase Amor Odeio meio Termos
Que no Brasil a alta cultura é quase impensável, ninguém pode negar. No entanto, os fabricadores de simulacros criaram aquilo a que posso denominar “fetiches culturais”, destinados a ludibriar os mais profundamente imbecilizados. Dentre esses fetiches figuram diplomas, bolsas, sapatos, roupas, trejeitos, sinecuras — à custa da própria dignidade, se necessário —, a fala pomposa, sibilante até, e a retórica de papagaio metido a gênio; em suma, tudo aquilo que substitui a cultura da alma por vaidades acadêmicas e estéticas.
Um simples ponto.
Pequeno, quase imperceptível,
mas com a força de quem encerra.
Encerrar não é apagar;
é colocar o ponto exato onde a frase cumpriu seu papel.
E talvez, por isso mesmo, o fim de uma fase nunca seja apenas um fim.
É a pausa antes da próxima linha.
Hoje, concluo o parágrafo chamado "ensino médio".
Guardo entre suas linhas três anos que me transformaram.
Neles, fui vírgula, reticência, até mesmo travessão.
Mudei de tom, troquei de pele, aprendi a silenciar e a falar.
Conheci gente que virou parte do meu vocabulário afetivo,
professores que riscaram certezas e reescreveram caminhos.
Sou grata.
Pelas mudanças que me incomodaram,
mas me prepararam.
Pelas frases difíceis que quase não consegui terminar,
mas terminei.
Pelos capítulos que doeram e, mesmo assim, me ensinaram
a não desistir da história.
Agora, com o coração calmo e os olhos acesos,
inicio o parágrafo seguinte.
Título provisório: faculdade.
E quem sabe onde essa nova narrativa me leve?
Mas se há algo que aprendi com os pontos finais,
é que o adeus nunca é ausência,
é memória que permanece entre as páginas.
E essa parte de mim que agora se despede
ficará para sempre guardada.
Com saudade, com ternura,
e com um ponto final que não apaga,
mas ilumina
o que vem depois.
Dez - 2021
Sinto tanta falta de Matinhos que, se eu fechar os olhos por cinco segundos, quase ouço o barulho das ondas e dos meus amigos de infância correndo pela rua. Eu cresci lá — literalmente! Dos 0 aos 10, vivi cada canto daquela cidade como se fosse meu quintal. Conheço cada viela, cada sorveteria, cada professor que me ensinou mais do que só lição de casa. Aqui também tem gente incrível, claro… mas crescer com os mesmos amigos, vendo todo mundo trocando os dentes juntos (inclusive os da frente), não tem preço! Matinhos foi meu começo, meu lugar seguro, minha primeira versão. E quer saber? Eu levaria tudo comigo numa concha se pudesse.🐚💛
Viajei tanto no universo dos contos que quase no final da aquarela eu suspirei: eu ainda sentia que ela estava ali. Quando olhei para dentro de mim, meu sorriso calado era quase uma resposta para uma pergunta que eu desejaria ouvir.
As emoções são quase um instinto selvagem, simplesmente, às vezes mesmo sem palavras, elas pousam no seu íntimo para contemplar o silêncio do seu olhar. A perda da noção, dos limites, dá-nos um raro prazer de sentir, mesmo sem poder tocá-las.
Tudo o que faço nasce de uma grande paixão combinada com uma atenção quase obsessiva aos detalhes. Minha visão de estilo é perfeitamente clara e formada, e se reflete em tudo que leva o meu nome.
O hábito de refletir sobre mim mesmo finalmente me fez perder o sentimento e quase a recordação de meus males; descobri, assim, por minha própria experiência, que a fonte da verdadeira felicidade está em nós e que não depende dos homens tornar realmente miserável aquele que sabe querer ser feliz.
No momento em que estou quase de partida do mundo, eu me torno mais importante para ele do que ele é para mim. Portanto, preciso ser bem tratado, uma vez que só tenho praticado o bem.
Quase todo o Político se considera o centro do universo. Ainda que possa haver algum pequeno remorso, tudo gira em torno de seu interesse. O povo é constituído por "fantasmas" cujo destino é servi-lo.
Sonho de quarta feira
O dia quase amanhecendo
O sol quase raiando
Abri a janela do quintal
Pra contemplar tal encanto
Mas quando a selva avistei
Logo me assustei
Com um movimento estranho
Uma silhueta
De cor azul e vermelha
Que ia ali passando
Por dentre a mata me aproximei
Pra ver do que se tratava
Percebi quando cheguei perto
Que era uma moça que ali passava
Segurando um cesto de maça
Que das árvores arrancava
Era rápida como o vento
Reluzia uma pele clara
Usava um vestido azul
Com flores avermelhadas
E quanto mais longe ela ia
Mais clareava o dia
E o sol a iluminava
Seus cabelos eram longos
Da cor de caramelo
Num intervalo de tempo
Eu a perdi de vista
Naquele campo amarelo
Restou-me somente um riso
De ter meu coração amanhecido
Naquele instante singelo
A busca por reconhecimento implica, quase sempre, a tentativa de destruir aquele de quem buscamos nosso reconhecimento.
A gente já se veste de quase.
Quase casados, quase lá…
mas o sentimento é inteiro, há tempos.
O amor já mora aqui: no jeito de olhar, no toque leve,
no silêncio que entende e no riso que sempre volta.
Agora é só esperar o tempo nos alcançar.
Falta um mês.
E quando ele chegar,
vai ser só mais uma forma bonita
de chamar o que a gente já é.
A Solidão e os Abutres
Viver só, ou cercado — dá quase no mesmo.
Às vezes, estamos entre mil… e ninguém.
Sorrisos nos cercam como urubus em assembleia,
e o afeto? Uma encenação de quinta categoria.
Somos carneiros calados, sendo bicados aos poucos,
comendo da podridão com cara de gratidão —
porque, veja bem, é feio reclamar.
Enquanto isso, no alto, um abutre elegante
espera sua hora:
espera você cair, apodrecer direitinho.
Quer o melhor corte, o mais macio.
Mas a solidão — ah, essa sim — é honesta.
Não finge amor.
Não sorri para depois morder.
Ela arranca suas ilusões como quem tira um curativo podre.
Dói? Sim. Mas é limpeza.
Estar só é ver o mundo sem o Instagram alheio,
sem a lente do desejo do outro,
sem o eco dos que te querem menor —
ou igual, o que é quase pior.
É você com você. Uma conversa sem filtro.
Onde ninguém interrompe com conselhos
que nem servem pra eles mesmos.
E então, no meio desse abismo limpo,
você começa a pensar.
(De verdade, não com frases prontas.)
Descobre que sabe andar,
criar, e até gostar de si —
o que, convenhamos,
deixa muita gente incomodada.
Porque quem se basta
não é fácil de enganar.
Quem anda só
não serve pra rebanho.
A solidão tem esse poder:
te limpa dos abutres
e ainda te dá o prazer
de vê-los passando fome.
