Sorte e Azar
SONETO AO ACASO
Estou atrasado para nova direção
Dar ao destino uma nova fantasia
E ao espírito possa ter novo guia
Além dos afligir que fere o coração
Agora é tarde, entardeceu o dia
A alma está enrugada de emoção
Sonho entrajou-se de recordação
E o querer já não mais me alumia
Tenho ido empós do bom ideal
Nem sei qual será este tal final
Deste declínio que me barbaria
Afinal, pouca sorte foi meu ritual
Já o amor, o preservei bem jovial
Pra na lápide tê-lo como honraria...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
A matemática me entediava justamente pela exatidão, porque na vida nada é exato, com exceção da morte.
Ao acaso entendes que induzir é desorientar aquilo que estava a caminho? Perder por assim dizer, justamente por tentar ganhar. Penso até demais e sou inocente em desacreditar que ainda há complicações.
Quem sou eu para que entendas ou explique sobre mim, de certo se perderá tentando encontrar a resposta. Todos os dias uma incógnita diferente, ausente de certezas com procrastinação. Entendes que é inevitável, expandi-te os ideais, não faça loucuras banais, entre em consenso, a vida pode ser um stencil marcando sinais em todo lugar.
Dedicação demasiada gera preguiça e cansa o sentimento, antevendo o descontentamento em não progredir. Sair pra ver a rua, não te dá o direito de denegrir.
Coração hospitaleiro, mais sempre lotado, quartos trancados e sem espaço pra mais ninguém. Entende tu que lê? como poderia eu entender? não há quem explique!
Ouça o meu concelho, no teu espelho há alguém que te conhece bem. Enquanto não te contentas outro tenta te fazer o bem, não percebe, está entregue, porquê não segue? dias felizes e outros dias que não me convém.
Tem dias que eu acordo e digo: "Yabba dabba dooo", já em outros: "Oh céus! oh, vida! Oh azar! Isso não vai dar certo".
Criem suas superstições, seus medos, forças, mas será sempre o ser humano a causa do bem e do mau que as cores e números são acusados.
Sortudos aqueles que nascem com beleza.
Consequentemente, há os "azarados" que nascem totalmente sem ela. Não-Sortudos os quais nunca terão "uma vida". Ao menos não ao lado de quem querem, já que são, logo negados pela aparência, e, dificilmente a paixão de alguém. Ao menos, esses "azarados" tornam-se sortudos, pois, são comumente os que há de encontrar amor verdadeiro... Assim como num velho ditado: "quer o namorado(a) fiel e companheiro(a), não pegue o lindo/popular/pegador. Pegue o isolado(a) não tão bonito da sala". Ditado verdadeiro, porém, alguém que o faça é coisa rara de acontecer hoje em dia... Aliás, aposto que, grande parte das pessoas que leram, debocharam, riram ou ao menos fizeram uma piadinha. Talvez até riram do "amigo" "feio" mentalmente. Afinal, ainda estamos em uma sociedade onde beleza vem primeiro...
De antemão, felizes aqueles(as) que olham muito além da aparência, tanto para amizades quanto para relacionamentos.
Já abriste os olhos
E pensaste
É só gente aos molhos
E a tua cara-metade ainda não encontraste
Já prestaste atenção
E ouviste bem
Nada te tocou o coração
Nada, nem ninguém
Já respiraste fundo
E sustes-te a respiração
Não há ninguém neste mundo
Que te dê a mão
Já fizeste de tudo
E nunca recebeste nada
Não és um sortudo
Não és uma pessoa amada.
Quando você nasce, sua vida é um livro em branco que você vai preenchendo pouco a pouco, dia a dia. O que você vai pôr nele é que vai definir se você vai ser bom ou mau; e até que página você vai chegar, é uma questão de sorte ou azar.
Nunca conte com o futuro, pois serás golpeado, faça tudo do jeito melhor possível para não dar erro.
"Sou uma lenda em minha mente; Lá e somente lá, mantenho os mortos, vivos e alguns vivos, mortos; Lá e somente lá, meu navio dos sonhos não ficará à deriva e chegará ao seu destino em tempo hábil."
Quem, o que?
Quem você é? Ou melhor, o que é você?
O que você é é quem você nasceu para ser
Ou o que te dizem para ser?
Você luta com quem é você?
Se sua resposta for o cúmulo da verdade,
É provável que, ironicamente, seja só metade.
Como um narcisista sem transtorno de personalidade
Ou um diabético que na insulina não sente necessidade.
Quem não viveu, pode saber o que é a morte?
Quem nunca teve azar, sabe a importância da sorte?
Quem nunca saiu do sul, sabe quem está no norte?
'Pra você é fácil!', não passou pelo que passei
Nem chorou o que chorei. Tudo bem, concordo contigo
Mas para que hoje seja fácil, será que um dia já foi difícil?"
"Se você dorme e acorda, come,
bebe, vai e volta de onde precisa
e aínda está vivo(a)...
Acredite!
Você tem sorte.
Azar tem quem te deseja o contrário.
"O que não me mata, me faz mais forte.
O seu amor, me destruiu, saí mais fraco, era melhor ter encontrado a morte.
Achei em ti minha joia rara, uma paixão de novela, mas pergunto: pr'onde foi minha a sorte?
Azar no jogo, azar no amor, azar na vida, azar na sorte.
Azar na morte.
Azar meu, ter lhe beijado, ter entregado meu peito, à lâmina de sua faca, ainda hoje, sangra-me o corte.
Quem secará a lágrima que em meu olho escorre?
Amanhã eu paro, mas hoje, eu vou te esquecer, vê pra mim, só mais uma dose.
Me faz fraco, o que me fazia forte.
Que meu pranto, se misture com as águas da chuva e ninguém me note.
Sua ausência não me matou, é verdade, mas estou fraco como nunca, longe de estar forte..."
Errar sem saber que está errando faz parte da trajetória da aprendizagem. Errar consciente do erro é entregar-se ao azar imaginado estar junto da sorte.
Nas entrelinhas da sociedade, quando nos são esclarecidos seus mistérios e acordos, acreditamos menos no azar e mais na sorte arquitetada.
Transpor os limites do medo com prudência e convicção em seus atos é uma atitude segura para conter tragédias e decepções.
O Brasil é um paciente febricitante, sua miserável existência é a morte antes da morte, a morte acachapante, a morte total, a morte em vida, a morte na morte, a morte irreversível!
A pior e mais desprezível das mortes, acontece de modo preternatural no Brasil. O brasileiro é, porquanto e desgraçadamente, um ente aziago!
