Sons
VENDAVAL EM CANTILENA PROSA
Cai no cerrado, ó chuva, e nos beirados
Sussurrando sons que o apavorar fiança
Em pingos d’água numa enfada dança
Purgando áridas angustias e pecados
Temporal no sertão, e tão agitados
Escoam nas planícies numa pujança
Deitando melancolias numa trança
De saudades e suspiros desolados
Do teu copioso gotejar, o luzidio
Relampejar, eriçando em arrepio
Que agita a tempestade tão furiosa
Troa lá fora, em um agravo vitupério
Estrondeando e envolto em mistério
De um vendaval em cantilena prosa...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30/11/2020, 20’51” – Triângulo Mineiro
O mundo se calou!
Não se ouvi mais risos,nem buzinas, corre corre, sons pelas ruas ,famílias passeando um para cada lado ..
Não se ouve mais palavrões , badalação e nem abraços
As ruas estão vazias e as estradas parecendo deserto..
As pessoas com olhares tristes e medo que virou pânico..
Neste momento quem não se falava por motivos fúteis agora estão se falando ..
As famílias que se esparramavam um para cada lado agora estão juntos em quatro paredes ...
As bocas que só falavam palavrões agora rezam pedindo misericórdia para Deus
As festas onde todos iam curtir agora não vai ninguém, nem mesmo quem as programavam
Os abraços não são mais calorosos porque o medo de se tocar se tornou frio como gelo ..
O mundo parou..
Se repararem vão ver que nem os pássaros estão cantando..
O céu está triste assim como a terra está...
Onde estão as crianças que corriam de um lado para o outro?.
O medo se tornou prisão em uma gaiola ..
.
Talvez tenha cido a única forma de nós seres criatura de Deus enxergar o quanto erramos esquecendo de quem nos deu vida e quem é a nossa família...
Estou na estrada agora e refletindo e pensando de como somos ingratos em não reconhecer o verdadeiro amor recebido do nosso criador ...
Arrependimento, reconhecimento ,amor ,união e paz é o que pode salvar a humanidade ..
Olhemos para Deus e pedimos perdão pelos nossos atos e palavras ..
Olhamos para os lados ,dando as mãos para o nosso próximo fazendo a caridade ..
Não conte os bens adquiridos,..
Mais o bem que você pode fazer para alguém..
Ilda Leite
18/03/020
Epifania
Uma poesia soava
Um cântico se ouvia
A cada nota, uma explosão de sons, numa perfeita harmonia.
Seu corpo é a partitura mais perfeita já escrita por Deus.
De todos os sons criados por Deus, sua voz é a mais pura melodia.
Seus passos é como a batuta do maestro, guiando todos os instrumentos
Não há valsa mais graciosa que seus mais puros sorrisos, que me leva a flertar com o amor.
És a epifania.
A cada compasso desta valsa, meu coração dança como o passo mais gracioso de uma bailarina.
E você consegue uma paz, você descobre que contemplar é um belo presente de Deus. Você ouve sons, sorrisos... Você começa com a tarde e sem perceber recebe a noite mais linda. Ela é inteira somente sua. Você sente o aroma do café, vê o motoqueiro entregando surpresas. Carros de todas as cores. Na caneca amarela você toma seu café quente, você ouve músicas, escreve poemas, você está só, mas tem sua companhia.
Você percebe que alguns presentes chegam por você mesma, que você pode escolher. De tudo, o mais bacana são sempre as escolhas.
Você se divide pra você mesma, afinal você pode escolher.
Cartas para Antônia.
Suave brisa
Perfume, cheiros...
No ar
Sons de piano
Músicas
Sonhos e planos
Dividindo segredos
Compartilhando verdades
Eu e eu
No espelho !
19/06/2020
Cachorros ladram lá fora,múltiplos sons urrantes no meio da noite
O ronco exaltado dum sono agressivo
Os gatos exaltados gritam. Medo ou bravata
Nem parece noite, as luzes do poste sorriem pra lua
O colega de quarto desvenda Sartre, tão altivo quanto o sol
Quarto poema da noite. Quinto fracasso do dia. Sexto motivo pra vida.
A Noite, poeta assustada que não nasceu pronta,
mas nasceu, opondo-se ao Sol, por causa do sol e da ausência intermitente dele
O ronco não para, o colega exalta ainda o existencialismo,
os cães já roucos não dão sinal de trégua.
Não chove faz um mês, é seco e frio,
é noite ou dia, é pouca energia,
ardido vivo, fluir cansativo,
é baixo
um silêncio que se faz ouvir de pouco em pouco
um existir que vai se consolidando ao esquecer que existe e ao existir de fato,
o escuto do quarto, o ar que entra e sai, e deixa
o som e somente som
a memória do cão no quintal,
o branco ar do teu funeral,
o sol que brilha o meu olho
fechado.
"A música é a expressão mais compreendida entre as raças. Pelos sons, sabemos quando há tristeza e quando há alegria, se há amor ou ódio."
Não esperava, nem sabia
Que ainda poderia
Ao som do Amor dançar
É... O Amor tem sons!
E quando juntos estamos
Nota por nota, em sintonia,
Ao som do Amor amamos....
A Jóia é sempre rara
Chuvas são de prata
O Sol é ouro - eu juro!
Sempre que estamos juntos...
Melodia que cantamos
Sem qualquer palavra falar...
E dançamos
Ao som do Amor no ar...
É... O Amor tem sons!
E quão suaves são.... .
O segredar dos lábios na pele, pressentidos pelos ouvidos, contrasta com os sons distantes, das folhas amareladas das copas das árvores, que gemem ao sabor do vento.
Sons da guerra.
Oh, onde esta a salvação?
Crianças gritando, correndo implorando proteção.
No céu cinzento luzes de fogos cortam o espaço.
E ao caírem explodem, destruindo sonhos e famílias.
São pessoas correndo a procura de abrigo.
Onde esta a salvação?
Onde dizes que o filho de DEUS nasceu só existe violência.
Só tristeza entre todos, e todos sem saber por quê.
Ninguém sabe e os que dizem saber, se soubessem fariam algo para conter esta carnificina a céu aberto.
Neste vasto universo ainda brigam por espaço, ainda se matam somente porque se acham senhores de seus territórios, facínoras e imbecis são o que atentam contra uma criança.
Estão matando os futuros do planeta e nada é feito.
Talvez cada um desses anjos que morrem sem ter uma oportunidade de vida seria o futuro descobridor que,talvez pudesse salvar todos os seres do universo.
Mas não vamos poder saber por que antes que eles cresçam estão sendo exterminados como se fossem animais se nem mesmo entre os animais isso jamais aconteceu.
Haverá um dia uma solução para toda esta ignorância
“Noitinha”
A luz da lua fina filtrou
O que o sol não escovou
Restinhos de sons que ficaram
Em um clima vesgo e triste
Fechei meus olhos naquela noite
Abri minhas mãos ao sereno noturno
Ergui meus braços solitários
Fiquei em pé na areinha branca
Respirando fundo o horizonte
Inalando alguns hibiscos
Junto com o velho pólen de amor
Enquanto o vento me buscava e a terra me observava.
Os sons da tua voz ofegante perfazem arrepios
E o frisson causado pelo seu toque revela-me
Sentidos e sentimentos, sentidos aguçados...
A sensibilidade de meu corpo torna- se visível
E a transpiração é inevitável, até mesmo os
Pêlos e fios de cabelos parecem criar vida e os
Lábios tornam-se molhados, a espera de um
Beijo!
Esse mesmo beijo que libertará desejos
Em forma de calor, e o vapor condensado
Por corpos, libera uma essência, um aroma
Que acentua a adrenalina.
O coração acelera de uma forma que aparenta
Querer falar, falar uma linguagem que seu corpo entende!
A resposta surge de imediato, o seu corpo quente
Em meu corpo altera a temperatura, alimentando
Uma chama que vive em brasa, à espera de um
Encontro!
"Que silêncio denso
Preenche os cantos
Quando penso em escutar os sons
Que identificam essa hora,
Mas não demoro prá perceber,
que agora
O som mais alto que escuto,
Está mais dentro de mim
Do que do lado de fora. "
O silêncio guarda sons e tons que poucos podem ouvir, portanto nenhuma cena é muda e vale muito mais que mil palavras.
Todos os sons da noite se calaram, exceto o som das folhas... A porta seguia seu trajeto lentamento em direção a parede, ela bateu. Fiquei exatamente onde estava, no chão. Chorei, pois meu coração estava quebrado, e eu tinha necessidade disso. Não, meu coração estava completamente partido. Depois de algum tempo, as cigarras fizeram seu som apaixonado. Fiquei em pé. Andei em direção a porta, eu estava tremendo, e então eu parei. Sem eu sequer notar, lágrimas começaram a descer do meu rosto. Fui até a janela, e lá fora, a luz da lua iluminava a rua deserta. E sem ao menos esperar, a luz me deixou tonta... Fui ao chão. E então fechei meus olhos, e apertei-os com força, e fiz meu último desejo...
Tirou-me da minha família, dos amigos, do prazer dos sons, dos toques, do paladar e até mesmo do jardim que tão bem eu cuidava. Mas, riu de ti pobre morte, porque não podes me tirar dos livros – desse vento que me leva.
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