Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes

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Acontece muitas vezes que somos estimados na proporção em que nos estimamos a nós mesmos.

Aflige-nos a glória alheia contrastada com a nossa insignificância.

Há homens que hoje crêem pouco ou nada, porque já creram muito e demasiado.

Os maus não são exaltados para serem felizes, mas para que caiam de mais alto e sejam esmagados.

É um gládio perigoso o espírito, mesmo para o seu possuidor, se não sabe armar-se com ele de uma maneira ordenada e discreta.

Quem não pode ou não sabe acumular, nunca chega a ser sábio nem rico.

Um versificador não considera ninguém digno de ser juiz dos seus versos; se alguém não faz versos, não sabe nada do assunto; se faz, é seu rival.

Os governos tendem à monarquia, como os corpos gravitam para o centro da terra.

O que há de melhor nos grandes empregos é a perspectiva ou a fachada com que tanta gente se embeleza.

O que se aprende na juventude dura a vida inteira.

O cristianismo derrubou imperadores, mas salvou povos.

O erro é a noite dos espíritos e a armadilha da inocência.

O trabalho involuntário ou forçado é quase sempre mal concebido e pior executado.

É triste a condição de um velho que só se faz recomendável pela sua longevidade.

A mais bela das raparigas só pode dar aquilo que tem.

A atividade enriquece mais do que a prudência.

Podemos reunir todas as virtudes, mas não acumular todos os vícios.

Os homens impulsionam os negócios e os negócios arrastam os homens.

Os bens que a virtude não dá ou não preserva são de pouca duração.

Os homens não são importantes. O que conta é quem os comanda.