Somos Passaros de uma Asamario Quintana
Podemos dizer que a primeira metade da vida espiritual consiste em descobrirmos que somos apenas um ramo. Quando o sujeito constata que realmente é só um ramo, ele pode começar a se perguntar o que é isto que flui do tronco para ele e que é o mesmo nele e no tronco. Existe um aspecto segundo o qual a individualidade é análoga ao verbo e existe um outro em que ela é idêntica. São Paulo diz "para mim, viver é Cristo", mas ele nunca vai esquecer que é um ramo, que não é o verbo, que a personalidade dele é um ramo do verbo e, portanto, um símbolo do verbo; e também não vai esquecer que a essência, que a realidade dessa personalidade, é a seiva. O ramo que não recebe seiva não é ramo em sentido nenhum.
Às vezes é preciso pedir perdão ao outro, mesmo que acreditemos que somos nós quem fora ofendido e, portanto, quem devia perdoar.
A verdade é que somos todos pecadores. Pecadores santos, pecadores morais, mas sempre pecadores. Por isso a necessidade de sempre nos redimir. Somos servos. Nos espelhamos nAquele que nos apresentou servindo, mesmo sendo o Senhor dos senhores. Portanto, que eu diminua e o Senhor cresça em mim, pois minha natureza é destrutiva, mas meu Deus é de amor, é de perdão.
Passou o tempo, e vi que nós dois somos como peças de quebra-cabeça que precisam estar juntas pro desenho ficar belo, e ter sentido. E tudo vai se encaixando; Até sermos um só! Quem arquitetou as peças? Deus!
Somos a história: poetas, meninos, meninas, contadores de HISTÓRIAS, fazedores da HISTÓRIA. Podem escrever: a poesia está solta, na rua, ninguém mais consegue prendê-la em pedestais, em estantes polidas, está na boca do povo!
Escolhas
Porque escolhemos o que somos e não necessariamente o que desejaríamos ser, felizes ou não, insatisfeitos ou resignados, inquietos, buscando incessantemente explicações para o que nos cerca, ou na condição de viver intensamente o hoje, aqui e agora, pouco importando o que e porque fazemos?
Nada em nossas vidas é por acaso, temos muito a aprender diariamente com o que pensamos saber, com nossos familiares, com companheiros de trabalho ou completos desconhecidos.
Ao admitirmos, a cada novo saber sobre nós mesmos, que não sabemos quase nada, ampliamos nossas possibilidades de melhor entender o que nos cerca.
Herdamos de nossos pais, além do conteúdo genético, alguns modelos de comportamento que, na maioria das vezes, inconscientemente, teimamos em repetir, especialmente quando sabemos que não deu certo para eles e nós, protagonistas ou espectadores, ainda pouco dimensionávamos do que estava em curso.
Conhecer mais sobre nossos pais e antepassados é uma rica oportunidade de crescimento e aprendizado, valorizando-os, entendendo suas limitações à época em que viveram, quando nos propiciaram ou não as supostas e desejáveis "boas condições" de vida, dentre elas, educação, moradia, interesse ou indiferença pelo que passávamos e até os excessos no rigor quando no trato, às vezes com palmadas e sermões.
Quantos de nós nutrimos pelos pais um misto de amor e ódio por questões mal resolvidas ou não compreendidas?
Reverenciar, detestar ou sermos indiferentes aos nossos antepassados, seja em sua sabedoria e experiência, seja em sua quase ignorância, pode se tornar menos doloroso se, e só se, com outro olhar.
Importante ao admitir seus erros e acertos, permitir-lhes o benefício da dúvida, porque agiram daquela maneira?
O que os levou a serem infelizes, com ou sem sucesso na vida material, e porque eram tão distantes e indiferentes?
A cada geração podemos aprender com o passado, num contínuo processo de mais conhecer, nos propiciando romper com círculos viciosos de ações que por vezes levam ao sofrimento e à dor, para um círculo virtuoso de atentar para o ontem, entendê-lo, desconstruí-lo e construir para nossas vidas, familiares e amigos uma nova história.
Se optarmos por uma condição de vítimas, condenadas à infelicidade, não nos permitiremos experimentar outras escolhas que podem mudar para melhor nossas vidas.
Passado, presente e futuro, somos uma soma de fragmentos, resultados de nossas opções ao longo desse e de outros tempos.
Construir a nossa biografia é, pois, uma sequência de opções a exigir algum sacrifício e perseverança, com acertos e erros, afinal somos seres falíveis, mas com o tempo necessário para mudar, um pouquinho a cada dia, a cada mês e ano, até a nossa finitude de apenas mais uma vida e uma nova oportunidade que Deus nos concede.
Amigos Irmãos
Não me sinto sozinho nesse mundo por que tenho vocês e somos amigos, juntos dividimos alegrias tristezas e nossos percalços da vida.
Passamos por momentos inimagináveis inexplicáveis e inesquecíveis, mas onde quer que eu esteja vocês estão no meu coração e quero agradecer a Deus e pedir saúde para todos que nos mantenha unidos como somos.
Amigos seremos para sempre.
Somos aquilo que se mantêm pela essência de quem se percebe, se reconhece, se decora, se namora, mesmo sem nunca ter se tocado...
Para você que gosta de navegar em palavras...
Somos encontro marcado.
Encontro marcado que é artimanha do divino é encontro sagrado,
portanto, selado com alianças de continuidade e eternidade.
Somos sim, muito amor em laços de amizade e cumplicidade.
Somos escritores e leitores de nós mesmos, gente que se enxerga e se reconhece com todas as suas verdades.
Que assim sejamos para sempre nós...
Inteiros, verdadeiros, leitores, escritores, sagrados, eternizados...
Somos testados e nos vemos muitas vezes vencidos.
Se ver vencido no limite das forças não é fracassar,
mas ter a constatação de ter se doado ao máximo
em lutas inglórias, casos perdidos.
Não vale a pena perder saúde, anos de vida
em revezes recorrentes de insistências mal sucedidas.
Que tenhamos o direito de fazer valer as nossas verdades,
coisas simples e perdidas, como respeito, caráter e dignidade.
Que possamos ser recomeço, fazer valer cada sonho e expectativa,
a fim de nunca perdermos a fé na vida...
Não é fácil mudar as nossas direções mal conduzidas.
Somos iguais, todos temos reformas pendentes para fazer acontecer.
Precisamos decerto viabilizar mudanças, mas mediante à impossibilidade de criar alternativas, a melhor coisa é ter pensamentos que possam nos elevar e continuar a acreditar nos sonhos. Ressaltar nossas aflições é desabafo, mas não deve ser fato recorrente, não é caminho de mudança e não traz as soluções que buscamos, apenas desesperança e tristeza. Não façamos isso, pois não merecemos viver tão aflitos.
Afinal, ainda há coisas boas em nossas vidas, Deus não desmerece os homens de bem.
Sabemos também que nada é definitivo nem dura para sempre, então, que venham dias de recompensa por não desistirmos da fé e da luta. A vida nos surpreende todos os dias e precisamos acreditar nesta boa hora que virá. Que sejamos surpreendidos positivamente, que tenhamos nossas temporadas das flores...
Nós somos o mundo!
O mundo é o que é, porque nós somos assim...
Tudo funciona como funciona; pois em fim,
O mundo em que vivo sou eu quem constrói.
A bondade que existe sou eu quem corrói.
