Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
Talvez a maior conspiração seja aquela que acontece dentro da nossa própria mente: aquilo que acreditamos sem questionar.
O universo é tão vasto que talvez aquilo que chamamos de impossível seja apenas algo que ainda não compreendemos.
Ser cristão é viver disposto a morrer por aquilo que se sente e se crê, mesmo sabendo que jamais será totalmente compreendido.
Fui cinza, mas o sopro divino me reacendeu. Um sopro divino reacende aquilo que parecia apagado e faz da cinza início e promessa.
Nada pesa mais do que aquilo que tentamos esquecer. A tentativa de apagar memórias as torna ainda mais nítidas, como fotos que queimam, mas não desaparecem. E cedo ou tarde, precisamos olhar para o que evitamos. Só assim o passado deixa de nos perseguir.
Existe uma distância entre quem eu sou e aquilo que o mundo espera que eu seja. E, nessa travessia, vou me perdendo em fragmentos. Há partes de mim que não retornam. O preço de caber é, muitas vezes, deixar pedaços no caminho.
Às vezes, Deus silencia não para nos abandonar, mas para nos ensinar a escutar aquilo que o barulho do mundo nos impedia de perceber.
O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.
O esquecimento nunca apaga o que fomos, apenas cobre de poeira aquilo que ainda respira dentro de nós.
Se um dia deixares de sentir por mim aquilo que sentias, não precisas inventar histórias nem faltar-me ao respeito só para me tornares culpado. Diz apenas a verdade. Vai doer, certamente. Mas não deixes a mentira ser a última coisa que me recordarei de ti!
Não te desejei bênçãos na tua nova relação, porque não consigo abençoar aquilo que ainda me dói. E confesso: quando ouço que algumas coisas não estão a correr bem entre vocês, uma parte pequena e silenciosa do meu coração sente algum conforto!
Fome
Miserável, à procura de um pão.
Aquilo que me foi oferecido está amassado pelo diabo.
Meu estômago ronca, como se estivesse a definhar.
De onde vem esta fome? — pergunto-me.
Um pobre, condenado a um jejum forçado, cujas necessidades não podem ser saciadas com migalhas aparentes.
Murmúrios de dor ecoam no ventre.
As plantações estão escassas, e não posso arrancar o fruto pela raiz.
Espero, ansioso, pela colheita.
Mas a foice que seguro parece ser a minha solução.
Que exagero, penso.
Hei de me fartar das sobras de um animal?
Todavia, não há o que fazer.
Resta-me aceitar que o tempo corra,
e esperar que esta fome não me consuma antes da próxima colheita.
Quanto mais complexa a realidade social, maior a necessidade de distinguir juridicamente aquilo que a aparência cotidiana confunde.
Ame, perdoe, valorize e não deixe que o orgulho te faça perder aquilo que o coração sabe que é importante.
Vida…
O tempo e a memória Sobre a superfície da terra, o tempo consome em silêncio tudo aquilo que tentamos erguer. Os carros envelhecem e perdem a utilidade, as velhas casas caem para dar lugar ao concreto novo, e patrimônios construídos com o suor de gerações são vendidos e esquecidos em um piscar de olhos. Nada do que é matéria resiste ao sopro dos anos. Até mesmo a memória daqueles que um dia foram grandes, cujos nomes ecoaram pela história, acaba silenciada, coberta pela poeira do esquecimento. Quando olhamos para a essência da vida, percebemos que a única certeza concreta é a brevidade do instante que nos é dado viver. O valor real não habita naquilo que acumulamos sobre este chão, mas na profundidade do que sentimos: no abraço demorado, no olhar sincero, no afeto cultivado sem pressa e na devoção com que cuidamos da nossa família. Todo o resto — o desejo de ser lembrado, a busca pelo prestígio, o peso dos títulos e a ilusão do “ter” — é apenas uma névoa passageira diante do mistério da nossa própria finitude.
Nem tudo aquilo que muda de aparência muda de natureza; e nem tudo aquilo que permanece nominalmente igual conserva o mesmo significado.
O conhecimento não começa pela certeza da resposta, mas pela suspeita de que aquilo que parece evidente ainda não foi suficientemente interrogado.
