Fome Miserável, à procura de um pão.... Aluízio Melo

Fome


Miserável, à procura de um pão.
Aquilo que me foi oferecido está amassado pelo diabo.
Meu estômago ronca, como se estivesse a definhar.
De onde vem esta fome? — pergunto-me.
Um pobre, condenado a um jejum forçado, cujas necessidades não podem ser saciadas com migalhas aparentes.
Murmúrios de dor ecoam no ventre.
As plantações estão escassas, e não posso arrancar o fruto pela raiz.
Espero, ansioso, pela colheita.
Mas a foice que seguro parece ser a minha solução.
Que exagero, penso.
Hei de me fartar das sobras de um animal?
Todavia, não há o que fazer.
Resta-me aceitar que o tempo corra,
e esperar que esta fome não me consuma antes da próxima colheita.