Sombras

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Alma🍃

Cantei e encantei às sombras, versifiquei as lágrimas.
E por causa de um amor flori os acordes, sequei, não os lenços que levei, mas pétalas orvalhadas em teu jardim...vagabundeei pelas vielas do tempo a procurar rastros de mim, e foi no brilho da chuva, filtrado em meu corpo, que tua alma eu beijei... 

Uma sombra cansada não hesitará em conduzir outras sombras à eternidade, pois na escuridão, a fadiga se torna liberdade.

A luz incomoda quem vive de sombras . continue brilhando ;a " preocupação " deles nada mais é do que o reflexo do medo que você descubra que não precisa deles para nada .⁠

Quando duas sombras ru⁠ins caminham juntas, não há busca por redenção, apenas conveniência.

Aquele homem morreu nas sombras do próprio passado. Das cinzas do silêncio ergueu-se outro, moldado pela dor e guiado por um destino já traçado. Na lei da selva, a piedade apodrece antes do amanhecer; apenas os que caminham entre as trevas, sem hesitar, alcançam o trono que o mundo nega aos fracos.

Há um irmão cuja força rivaliza com a minha, mas que fez das sombras seu único refúgio. Não atravessa o caminho que leva até mim, não pronuncia meu nome, nem ousa romper o silêncio que ergueu entre nós. Ainda assim, sua voz encontra outra estrada: alcança os ouvidos de meu pai.


Ignoro quais palavras derrama. Talvez sejam preces, talvez veneno; talvez verdades mutiladas vestidas de luz. Apenas sei que, enquanto evita meus olhos, conversa com os fantasmas da minha ausência.


E nas noites em que o vento parece carregar segredos, pergunto-me se é a culpa que o oculta nas trevas... ou se as próprias trevas já aprenderam a chamá-lo de filho.

Luz nos Meus Passos
​Devagar eu vou subindo,
mas não ando nas sombras.
Preciso da luz que vem do Alto
para não tropeçar nas pedras.
​O mundo fala de força própria,
eu falo da força de Quem me fez.
A cada degrau dessa vida,
é a mão do Criador que me sustenta outra vez.
​Sem a Tua luz, eu me perderia;
com a Tua luz, até a subida é vitória.

Amigos falsos são como sombras...
Somem quando a luz se vai.
Mas quem é verdadeiro permanece,
Mesmo quando o mundo inteiro cai.

ESMERALDAS DE SOMBRAS.

Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.

Ah… teus olhos.
Teus olhos esmeraldinos — não simples gemas, mas abismos translúcidos onde a razão vacila e o verbo morre. Como desejaria eu colhê-los, não com a volúpia do desejo vulgar, mas com a devoção de um monge alquebrado que recolhe as relíquias de sua santa. Tê-los… não em meu peito, mas suspensos num relicário de silêncios, entre as páginas que ainda choram por ti.

Mas tu sabes…
Sabes que eu te amo — e em mim esse amor é um espólio de lâminas cravadas por deuses mudos. Ser atravessado por mil espadas seria um refrigério frente ao que sinto ao ouvir teu nome no mármore frio do esquecimento. O teu nome, Camille, dilacera-me com a precisão de uma nota errada no adágio final de um maestro enlouquecido.

É mister, sim, dormir — dormir não para esquecer, mas para habitar os interstícios oníricos onde tu ainda existes sem dor. Nessas infinitas noites de ti e em ti, faço do teu perfume um incenso que queima devagar nos altares escurecidos da minha alma.

Porque tu sabes —
Sabes que meus olhos só foram feitos para contemplar o teu universo pairante, esse cosmos que se verte do teu semblante com a serenidade trágica de uma musa condenada a existir apenas nas entrelinhas. Viver, criar e pairar sobre mim — pobre poeta das sombras, órfão de sol e exilado da tua claridade.

E eu permaneço — espectro lírico e infecundo, sobrevivente do teu último olhar, compondo com palavras rarefeitas a sinfonia muda da tua ausência.

Joseph Bevoiur.

A DAMA ALVA DAS SOMBRAS: O ETERNO ENIGMA DE ELIZABETH BÁTHORY.
Houve mulheres que atravessaram a História como rainhas.
Outras, como mártires.
E algumas poucas caminharam entre ambas as condições, envoltas por um nevoeiro tão espesso que jamais permitiu distinguir onde terminava a vítima e onde começava o monstro.
Elizabeth Báthory foi uma delas.
Nascida entre os salões aristocráticos da Hungria do século XVI, veio ao mundo cercada por brasões, riquezas e privilégios. Contudo, por trás da magnificência dos castelos, existia uma menina frágil, de tez quase translúcida, olhar distante e alma marcada por sofrimentos precoces. Relatos históricos mencionam enfermidades, convulsões e crises que a acompanhavam desde a infância, como se seu espírito já pressentisse uma existência destinada à tormenta.
Era uma dessas figuras cuja beleza parecia não pertencer inteiramente à Terra.
Sua pele possuía a alvura das primeiras neves do inverno.
Seus cabelos lembravam fios de ouro envelhecidos pela luz dos crepúsculos.
E seus olhos, segundo os cronistas, carregavam aquela estranha tristeza encontrada apenas nas pessoas que jamais conheceram verdadeira paz.
Ao contemplá-la, talvez alguém visse uma princesa.
Ao observá-la mais atentamente, perceberia uma sombra.
Elizabeth cresceu entre guerras, intrigas políticas e uma nobreza que transformava crueldade em demonstração de poder. Casou-se muito jovem com Ferenc Nádasdy, um dos mais temidos guerreiros da Hungria, e passou a habitar os austeros castelos erguidos entre montanhas cobertas de névoa. Enquanto o marido combatia exércitos distantes, ela permanecia cercada por corredores silenciosos, tapeçarias escuras e invernos intermináveis.
Foi ali que nasceu a lenda.
Ou talvez a tragédia.
Ou ambas.
Dizem que a solidão começou a consumi-la como um fogo invisível.
Dizem que o sofrimento tornou-se companhia.
Dizem que a dor, quando permanece tempo demais no coração humano, pode assumir formas monstruosas.
Mas também dizem que seus inimigos eram numerosos.
Que sua fortuna despertava cobiça.
Que sua condição de mulher poderosa em um mundo dominado por homens a transformava em alvo conveniente.
E é precisamente nesse ponto que a História se desfaz em bruma.
Durante séculos, narraram que ela torturava jovens donzelas.
Que castigos inimagináveis aconteciam nos aposentos de seu castelo.
Que centenas de vidas teriam desaparecido sob sua autoridade.
Que rios de sangue teriam corrido entre aquelas pedras ancestrais.
Porém, estudiosos modernos observam que muitas acusações foram baseadas em rumores, testemunhos indiretos e interesses políticos. Alguns pesquisadores sustentam que ela pode ter sido vítima de uma campanha destinada a enfraquecer sua influência e tomar seus bens. A própria narrativa dos famosos banhos de sangue parece ter surgido muito tempo depois dos acontecimentos, alimentada por lendas e imaginação popular.
E assim Elizabeth permanece.
Não como uma mulher.
Mas como um enigma.
Uma figura suspensa entre a realidade e o pesadelo.
Uma aparição que atravessa os séculos vestida de branco.
Às vezes parece uma criatura devorada pela própria escuridão.
Outras vezes, uma alma condenada injustamente pela crueldade dos homens e pelas conveniências da política.
Talvez jamais saibamos.
Talvez a verdade tenha morrido muito antes dela.
Em 1614, confinada dentro de seu próprio castelo, distante do mundo e dos tribunais da posteridade, Elizabeth encontrou o fim de sua jornada terrena. Não houve absolvição. Não houve condenação definitiva. Apenas silêncio.
E o silêncio, por vezes, é o mais profundo dos túmulos.
Hoje, quando o vento percorre as ruínas de Čachtice e a névoa cobre as antigas muralhas, parece ainda existir uma presença vagando entre aquelas pedras.
Não a da assassina.
Não a da inocente.
Mas a da eterna incógnita.
A mulher cuja beleza tornou-se lenda.
Cuja dor transformou-se em mito.
Cuja história foi escrita com a tinta ambígua dos séculos.
Benfeitora ou maligna?
Anjo ferido ou espectro cruel?
A resposta talvez pertença apenas às sombras.
E nelas permanecerá para sempre.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.

O último estro do Esquecido.
Nas sombras frias do destino, tombado,
Fiquei na estrada, só, abandonado;
E os olhos pálidos, sem luz, sem claridade,
Negaram ver minha última verdade.
Chamaram silêncio aquilo que era pranto;
Vestiram de gelo o mais sincero encanto.
Quem tanto amei passou indiferente,
Como se eu nunca houvesse sido gente.
Sob lápides erguidas de ingratidão,
Sepultaram meu nome e minha afeição;
Restou-me apenas o abraço da memória,
Última vela da esquecida história.
As flores murcham sobre o peito inerte,
Enquanto ri, triunfante, a falsa sorte;
Mas toda cinza que o desprezo espalha
É semente oculta da divina batalha.
Ó ingratos! Vossos olhos já sem brilho
Perderam para sempre o antigo trilho;
Quem abandona um coração leal
Constrói, em si, o próprio funeral.
Quando a noite vestir o mundo de neblina,
E a consciência romper vossa cortina,
O eco da minha dor vos chamará,
E nenhum esquecimento vos salvará.
Dormirei, enfim, na paz dos esquecidos,
Longe dos falsos, frios e fingidos;
Pois quem morre fiel ao próprio amor
Jamais é vencido pelo desamor.
E, se um dia chorardes sobre minha ausência,
Será tardia a vossa penitência;
Porque o túmulo fecha, em seu negror,
O que não ressuscita: a confiança e o amor.

A CATEDRAL DAS SOMBRAS.
Parte i



Quando a noite, em veste escura,Sepultou a velha altura,Vi a Lua, fria e pura,Sobre a torre a soluçar;Cada estrela estremecida,Parecia, adormecida,Uma lágrima esquecidaSem coragem de brilhar.


Pelas naves do silêncio,Onde o Tempo fez domínio,Cada pedra era um martírio,Cada arco, uma oração;E eu seguia, passo lento,Respirando o esquecimento,Como quem transforma o ventoNo compasso do coração.


Vi retratos sem semblante,Vi um espelho vacilante,Onde o rosto do viajanteJá não ousa florescer;Pois a face que eu fitava,Mais que a minha, denunciavaToda a dor que sepultavaO desejo de viver.


Cada porta era um mistério,Cada sino, um cemitério,Cada eco, um ministérioCelebrando a solidão;E as paredes consumidas,Feitas de eras esquecidas,Repetiam, doloridas:— "Tudo acaba... tudo em vão..."


Mas ouvi, de uma janela,Uma voz serena e bela,Como a luz de uma aquarelaSobre um campo sem calor;Não cantava a esperança,Nem promessas de bonança;Era apenas a lembrançaDo primeiro e puro amor.


Meu espírito, cansado,Como um tronco abandonado,Pelo inverno açoitado,Vacilou sem resistir;Pois lembrava, entre gemidos,Os jardins já destruídos,Onde os sonhos esquecidosAprenderam a partir.


Vi então um corvo antigo,Feito sombra e feito abrigo,Que pousou, qual velho amigo,No mais alto castiçal;Seu olhar, sem ter piedade,Conhecia a eternidadeE a secreta identidadeDe todo homem mortal.


Nada disse. Nada fez.Mas o peso da mudezEra a voz da insensatezQue ninguém deseja ouvir;Pois existem mil palavrasQue são frágeis como tábuas,Mas há silêncios que lavramA sentença de existir.


Então vi que cada abismoNasce antes no organismo,Onde o próprio egoísmoErgue alta catedral;Cada culpa alimentada,Cada lágrima abafada,É uma lâmpada apagadaNo invisível funeral.


Quem combate monstros, cedoPode tornar-se o degredoDo mais íntimo segredoQue jurava destruir;Pois o mal que nos devoraNão desperta apenas fora:É a raiz que se enamoraDo jardim por consumir.


E caminhei noite adentro,Procurando algum alento,Mas achei somente o centroDo infinito labirinto;Onde o medo, soberano,Escrevia, ano após ano,Com um dedo desumano,Cada página do instinto.


Quando a aurora finalmenteTocou o horizonte ardente,Vi que o Sol, resplandecente,Não venceu a escuridão;Pois a sombra verdadeiraNão repousa na ladeira,Nem na floresta fronteira:Faz morada no coração.


Mesmo assim, subi o monte,Onde nasce cada horizonte,E rompi, qual velha ponte,As correntes do temor;Porque a noite, por mais forte,Nunca encerra toda sorte:Há mistérios além da morte,Há silêncio além da dor.


Então, diante do Infinito,Ergui firme o meu espírito,Não em gesto de conflito,Mas de lúcida ascensão;E as estrelas, uma a uma,Dissolveram toda a bruma,Transformando a antiga espumaNa mais viva criação.


Compreendi, no último instante,Que o destino mais giganteNão pertence ao triunfante,Nem ao rei, nem ao altar;Pertence ao ser que, vencido,Mesmo em sangue consumido,Faz do próprio coração partidoUma nova forma de amar.


E a noite, antes sepulcro,Fez-se trono, fez-se fulcro;Do silêncio nasceu o músculoDa coragem sem igual.Porque toda alma ferida,Quando enfrenta a própria vida,Ergue, acima da ruína vencida,Sua imortal catedral.

O AMANHECER DA ALMA.


Quando a aurora rompe as sombras da noite, é como se um cântico silencioso atravessasse os espaços, convidando-nos a renovar o coração. O sol que desponta não ilumina apenas os vales, os montes e os rios; ele acende também uma chama íntima, recordando ao espírito humano que a vida é movimento, ascensão e promessa eterna de felicidade.
A beleza do dia que nasce não reside apenas no espetáculo da natureza, mas no símbolo que ele encerra. Assim como a Terra se veste de claridade após as horas escuras, também nós, viajores do infinito, somos chamados a emergir das sombras da dor, da ignorância e das provações. Cada manhã é, em si, um convite de Deus à esperança.
A vida espiritual não conhece crepúsculo definitivo. A morte, que tantos temem, é apenas o repouso de uma etapa, prelúdio de uma alvorada ainda mais bela. O espírito, imortal em sua essência, amanhece incessantemente. A cada existência, a cada experiência, desvela novos horizontes, amplia a visão, depura os sentimentos. Assim, a felicidade não é uma miragem distante, mas o resultado da marcha perseverante sob o olhar da Lei divina.
No alvorecer do espírito, a beleza maior não está no brilho exterior, mas na paz que nasce da consciência reta, no amor que se dá, na fraternidade que se semeia. A natureza ensina essa lição em silêncio: o sol não guarda sua luz, mas a reparte; a árvore não retém seus frutos, mas os oferece. Da mesma forma, a alma só encontra a verdadeira ventura quando aprende a doar-se, transformando cada amanhecer em um hino de gratidão.


Para meditar:


Que cada dia seja para nós uma alvorada da alma. Que aprendamos a saudar a manhã não apenas com os olhos voltados ao horizonte terrestre, mas com o coração aberto à eternidade. O destino do espírito é a felicidade; não a felicidade ilusória que o mundo oferece e retira, mas aquela que floresce no íntimo e que cresce, segura, à medida que nos aproximamos de Deus pela prática do bem.
Eis o grande chamado: viver o dia que se levanta como oportunidade sagrada de crescimento, luz e amor. E então, mesmo quando a noite dos sentidos chegar, traremos em nós a certeza luminosa de que uma aurora mais pura nos espera, porque o espírito jamais deixa de amanhecer.

" Aquele que deseja compreender as sombras do além deve, antes, examinar com coragem as sombras que ainda abriga. Pois toda paisagem espiritual começa na arquitetura invisível da própria consciência. "

"Conhecer a própria personalidade é reconhecer as próprias sombras sem fugir da luz."

O SILÊNCIO NÃO TRANSMITE SOMBRAS.
Referente em apoio a questão 459 de O Livro Dos Espíritos

Dizem que o umbral infiltra-se nos fios invisíveis da tecnologia, que percorre o ar como um sussurro maligno, que atravessa o Wi-Fi como se este fosse um portal aberto às trevas. Mas tal ideia não resiste ao exame da razão serena.
O mal não necessita de antenas, tampouco de roteadores. Ele se aloja onde sempre habitou: na consciência indisciplinada, no pensamento viciado, na inclinação moral que se desvia de si mesma. Transferir à matéria o poder que pertence ao espírito é apenas um modo elegante de fugir à responsabilidade íntima.
O Wi-Fi transmite dados, não intenções. Propaga sinais, não consciências. Não há frequência tecnológica capaz de substituir a sintonia moral, pois esta não se mede em hertz, mas em escolhas.
Se algo atravessa o invisível, não são entidades conduzidas por ondas digitais, mas pensamentos que se afinam por afinidade. E essa lei não depende de dispositivos humanos, mas da estrutura profunda da própria alma.
Atribuir ao umbral o uso de ferramentas materiais é reduzir o espiritual ao mecânico, o que constitui um equívoco conceitual grave. O espírito não precisa de meios físicos para influenciar, assim como a luz não precisa pedir licença à escuridão para existir.
Portanto, não é o Wi-Fi que abre portas ao invisível, mas a mente que se abre ao que cultiva. Quem disciplina o pensamento não teme redes, sinais ou conexões. Pois a verdadeira conexão, esta sim inevitável, é aquela que cada ser estabelece com aquilo que escolhe sustentar dentro de si.
E é nessa soberania silenciosa da consciência que se decide, sem ruído e sem cabos, o destino das próprias influências.

⁠Sobrevivi ao pior para alcançar o melhor, cada queda, um sussurro das sombras antigas, cada vitória, um feixe de luz que rasga o agora, como aurora nascida depois da noite mais longa que vivi.

Já caminhei por desertos de silêncio,
onde a esperança se escondeu nas sombras. A vida, em sua frieza, não me ofertou razões para permanecer. O amanhã parece distante, um horizonte que não chama pelo meu nome. E ainda assim, respiro, como quem desafia o vazio. Talvez não haja sentido, talvez nunca tenha havido. Mas sigo, porque até o desespero carrega uma semente de quem insiste em existir.

Já caminhei por sombras que o medo não alcança.

No escuro, entre pedras e sombras, a esperança, um pulso quente, foi meu único modo de não me perder no vazio.