Som Alto
Som de vinil
Algumas coisas na nossa vida podem ser descritas como o som que escutava na minha infancia: o finalzinho de uma música numa antiga radiola que ainda resistia à modernidade...
O finalzinho da música que aos poucos ia se tornando mais baixa... Mais baixa... Mais baixa... Até sumir completamente e mudar de faixa.
Não sei o som da melodia do meu nome em tua boca
Talvez nem me interesse mais
ou esteja só mentindo para disfarçar o meu descontentamento
Não sei.
O que percebo é só o vazio de não pensar.
Não pensar em coisa alguma.
Não concluir
O seu som é o eco de um nada
nada...
O seu som, é nada.
Melhor que a canção dos homens, é o som da canção de Deus. A esta, ninguém resiste. Abraços em tom de G7+/9 ( Sol maior com sétima aumentada e nona)
Acredito que pior que um violão desafinado, seja uma pessoa rancorosa, amargurada e arrogante, mas, o bom, é que tanto um quanto o outro podem emitir sons belos, afinados e harmoniosos, isso depende de quem o manuseia com amor e cuidado.
"Homem vulgar! Homem de coração mesquinho! Eu te quero ensinar a arte sublime de rir. Dobra essa orelha grosseira, e escuta o ritmo e o som da minha gargalhada: Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!”.
( do poema "Gargalhada.)
O som é que nem a água, molda-se em toda e em qualquer matéria, porém, mais poderoso que os estados, sólido, liquido e gasoso, infiltra-se serenamente no espírito e na alma.
Quando se evolui na divina arte - a música - já não compomos mais, a altura dos dedos, dos acordes que conhecemos, mais sim, a altura do SOM.
As manhãs, tardes e noites eram tão diferentes... O som da chuva... O barulho dos ventos... E as canções dos pássaros. Tudo mudou, ou então fui eu quem nunca mais fui o mesmo...
esculto esse som e as palavras saem como aguá que jorram de um cano quebrado
um cano que jorra aguá direto do mar
e elas não param de enxer minha mente
Ando por aí sem rumo
Por causa de todos
Por causa de mim
Bravo sem fim
E o mar aberto
Eu dou um novo passo
Uma melodia doce
Um gosto salgado trágico
A onda fria me esquenta
Molha meus pés
Seca o meu coração
Esse calor é de um café que esfriou
Mas me acordou
Para ver tudo de novo
Eu precisando de ajuda
Mas não pedindo socorro
Logo me resolvo meditando
Em minha história
Assim entendo que o som de dentro
É mais alto do que o som de fora
Sou leve... sou sorriso... sou amor... sou imaginar... enquanto a vida me inspirar como um pássaro a voar, cantarolando o doce som de poesia no ar.
DOCE PRESENÇA
Deixei o som me tocar
Despi-me das tantas perguntas,
Indagações que aprisionam
E vi
Tantas e tantas personas caírem
E ao som de cada uma delas
Um novo encontro...
E assim,
Ri de mim, doce criança na ciranda da vida
Das inúmeras certezas,
Planos ou sonhos meramente humanos
Afins e Efêmeros.
E o som adentrando cada espaço humano,
Ao meu entorno e no meu ser espiritual,
Deitei-me sobre os lençóis das melodias.
Que me afinavam,
Que me embalavam
Que me harmonizavam,
Suavidade, encantamento.
E dancei, dancei, respirei, respirei...
Respirei até alcançar,
Meu ponto máximo de alegria e silencio,
Para assim, aqui e agora,
Receber o que é meu.
Na Luz e amor que me presenteia,
Meu ser espiritual,
Da minha essência eterna e bendita,
Que transborda e me alimenta.
Nesse instante luz- clareza,
Permito-me e aceito,
Serena e alegremente,
Toda essa Entrega
E perene Recebimento!
Toda voz do amor, fala além do som. Todo sentimento que o amor retém, libera inspiração. E o que seria da poesia, se não existisse o toque fulgente das paixões? E dos poetas, o que seria deles, quando as portas da razão vigiasse a escrita vazia das certezas? Amar é flutuar nas asas dos sonhos! E é lá que eu sempre em ti irei pousar.
Ser Poeta É Ter O Dom...
Ser Poeta É Ver O Som...
Ser Poeta É Crer Sem Ver...
Ser Poeta É Ter Pra Ser...
A música da minha vida é, ora em tom maior, ora em tom menor. É a construção da harmonia em meio aos ruídos.
A faca perfura, transpassa a carne
como um espelho refletindo
o interior do corpo
O avesso das palavras
e a contramão das decisões
fez em mim o desespero, seu habitat
Os erros do passado
e as lembranças do cárcere
transitavam em minha mente
sem remorso aparente
tento disfarçar a lágrima
que insiste em cair
Ajoelho no chão em prece
tendo ao meu lado seu corpo amado
Cai a faca emitindo um som
inesquecível, frio, agudo e breve
Abreviei uma vida !
grito de desespero e de remorso,
e o seu gemido de dor
para sempre ficará gravado
Óptica, luz e corda
Pupila, retina e córnea
Feixes de luz na ótica
Entrelaces em cores e formas
Contempla, transforma o olhar
Como cabos trançados, a corda
Guia, salva, ancora
Amarra, confunde, enrola
Nós, que atam e desatam
Nós, cegos, bem feitos na náutica
Nós, primórdios da matemática
Memória de nós, contadas no Ábaco
Sábia de cór, de cor, decorado
Das 7 cores primárias
Arco íris, paisagens em quadros
Coração, de cor e coragem
Em cordas, aquarelas e telas
Mas belas, só elas, não fazem coro
Da dó, só, lá, sem cor, sem cordas
Não há tom, som, sem hora, acordes
Partitura só, de notas fá, lá, si, cala
Dicionário em si, lá, denota
O centro da corda em ré, significado
Visto, ouvido ou lembrado
Em verdadeira harmonia da o tom
Profundo sentimento, se toca
Inesquecível, a cor do coral
Descoberto acorde ideal
E da cor seu significado real
Qual vai ser o tom da nossa música?
Si, Lá?
Dó ?
Ou Ré?
Não sei cantar, só sei rimar, a nossa história de vida um pouco sem fé.
Amor nem sempre se dá.
Amor nem sempre vale a pena cultivar.
Qual vai ser o tom da nossa música?
Si, Lá?
Dó ?
Ou Ré?
Tentei cantar pra te encontrar.
Nossa música não tem tom só alguém desafinado fazendo um som.
