Mensagens sobre solidão e silêncio que tocam a alma
Desfiz-me de tudo para me encontrar nas margens da angústia só a solidão esculpindo, no meu silêncio, o vazio das memórias de mim.
"O silêncio de um lugar que foi preenchido por risadas é o som mais alto que a solidão pode fazer..."
--- Risomar Sírley da Silva ---
O Herdeiro da Solidão
O teto desaba, o silêncio me consome,
Sussurro ao vento o teu doce nome.
Manchei o manto que era imaculado,
Por um capricho, um erro vão, pecado.
Olho a cama, o lado agora vazio,
Onde o calor deu lugar ao estio.
Joguei ao vento o meu maior tesouro,
Troquei a paz por um falso ouro.
Ela partiu com a alma em pedaços,
E eu fiquei preso em meus próprios laços.
Onde havia riso, hoje reina o luto,
Do meu erro amargo, eu colho o fruto.
Choro no escuro o que eu mesmo destruí,
Pelo caminho em que me perdi.
O lar se cala, o tempo me condena,
Viver sem ela é a maior das pena
Não confunda solidão com solitude,
Não tente roubar o que é meu altar.
Eu amo o silêncio é pra mim uma virtude,
E a paz de, em mim, sempre habitar.
O silêncio é conhecer a alma dentro do vazio.
É se apresentar à solidão num abraço acolhedor.
É olhar nos olhos da angústia
e convidá-la para entrar.
Refrão
A dor me acolheu caindo do precipício.
A fraqueza fez de mim um homem
forte.
Você não viu.
Você não estava aqui.
A tristeza acolheu o triste
em lástima, chorando só.
Meus pensamentos viajam de férias.
Não vou esperar você chegar.
Dê atenção a solidão, por mais que não receba nada além do silêncio! um pouco a só ajuda no autoconhecimento.
Na noite encontro com minhas forças,o silêncio me leva a me corrigir.
A solidão me dá forças para não desistir.
A solidão é um povoado de uma pessoa só, onde o silêncio ecoa mais alto que o vento nas copas dos ervais.
Às vezes prefiro a solidão, o silêncio de minha companhia.
Já que, num mundo tão cheio de gente, com tanta informação rolando solta, não conversamos mais, não dialogamos entre nós.
O que acontece é um vômito de ideias unilaterais, de fotos, de momentos isolados cheios de nosso ego, que recém aprendeu a fazer a roda e quer mostrar a todos o quanto é um ser humano digno de atenção e likes.
Mas por quê? Me digam vocês o porquê? Preferem estranhos comentando sua vida, dando-lhes migalhas com corações vermelhos e vazios, ao invés de compartilhar seus momentos com quem já lhe é tão íntimo, sejam eles bons ou ruins? Têm medo da crítica, do confronto, da verdade dos corações honestos e amigos? Têm medo da própria vulnerabilidade?
Se não o fiz antes, permito que sejam o que vocês são. Bons, maus, sorridentes, egocêntricos, ingênuos. Só não se escondam atrás do morno, do monótono, do tanto faz. Isso mata qualquer relacionamento, distancia qualquer coração. E ao invés de tentar ressucitá-lo mais uma vez, tenho preferido deixá-lo morrer.
E é por isso que tenho preferido a minha companhia ao invés das relações superficiais. Pois, estando comigo reconheço quem sou, o meu lado bom e o meu nem tanto, e dou aprovação e espaço para que exista e se expresse.
E finalmente, compreendo que quem permanece, quem ainda se abre pra trocar e agregar a meu ser na verdade foi a minha essência quem os escolheu para aqui permanecer.
Mas meu coração sempre bateu pelo efêmero..
Solidão ou Solitude?
Há um instante em que o silêncio pesa,
como se o mundo tivesse esquecido o meu nome.
A casa respira devagar,
e cada canto guarda um eco que não responde.
Chamavam isso de solidão.
Mas o tempo, esse artesão invisível,
foi mudando a textura dos dias.
O vazio deixou de ser ausência
e virou espaço.
Aprendi a ouvir o que antes doía:
o som do vento na janela,
o compasso tranquilo do meu próprio existir,
a leveza de não precisar ser para ninguém além de mim.
E então, quase sem perceber,
a solidão se desfez em outra coisa—
mais mansa, mais inteira.
Virou solitude.
Agora, o silêncio não pesa: acolhe.
Não cobra: oferece.
É um lugar onde me encontro
sem pressa, sem ruído, sem máscara.
E nesse encontro sereno,
descubro que nunca estive só—
apenas não tinha ainda aprendido
a me fazer companhia.
A casa emudece, o ar se condensa,
Onde o silêncio é quem dita o lugar.
A solidão se torna presença,
Nesta vontade de apenas escutar.
Lá fora, o grilo em nota constante,
Vigila a noite que não tem mais pressa.
O som de um carro, num brilho distante,
É o único elo que ainda resta.
O cachorro avisa que a rua está viva,
Num latido seco que o vento conduz.
Enquanto a minh'alma, de forma passiva,
Se perde no vácuo que a noite produz.
É um mundo lá fora, de asfalto e ruído,
Aqui dentro, a paz que o vazio traz.
Entre o que é visto e o que é ouvido,
Sou só o silêncio que o grilo refaz.
Quem busca a solidão, busca refúgio no silêncio, reflete para pensar como fosse busca o vento, nas montanhas.
SOLIDÃO DE GELO
Quando o silêncio
Da luz treme e acende,
Algo aparece e geme.
São esses gemidos que
Me apavoram,
São essas coisas que
Prendem,
Eu aqui e o mundo lá
Do lado de fora.
Nenhum teto
Resiste e desmorona,
E quando você dá por si,
Já tem perdido a
Carona.
Àh, àh, àh,
Àh, àh, àh...
Mãos frias,
Oceano Pacífico,
vento salpico.
Nenhum teto resiste à
Solidão.
Você sente,
Você sente,
Quando alguém esqueceu de
Pegar a sua mão.
Oh, oh, oh...
Oh, oh, oh...
Lágrimas de sol,
Girassol,
Solidão de gelo.
Bonitos são os seus
Cabelos.
Lá, lalá,
Lá, lalá...
