Sociedade poesia
Vivemos em uma terra onde tudo acontece, graças à providência, mas tudo acontece com acidez. Estamos condenados a isso.
Para sermos eficientes, não devemos estar em posição de reagir constantemente ao crime depois que ele acontece. Devemos procurar preveni-lo antes que aconteça.
Todos deveriam ter seus segredos. Você nunca pode saber tudo sobre uma pessoa. Você ficaria louco tentando.
Quando pulamos de uma tela a outra, do celular para a televisão, de maneira automática ao longo do dia, esquecemos onde estamos. "Perdemos" nosso corpo ou a sensação de ter um. Somos tragados para uma realidade virtual, que, longe de nos saciar, em geral intensifica nossas carências e fragilidades emocionais.
Atualmente temos muitas respostas, nunca tivemos tanta informação sobre o mundo, sobre nós mesmos, como agora. O ponto chave é a prática. É preciso praticar, inserir esses exercícios na vida cotidiana.
Estamos sempre pensando no depois. Precisamos reaprender a estar presentes e atentos ao segurar um copo ou abrir uma porta, por exemplo. Estamos vivendo um mundo virtual. O desafio é perceber como o mundo real também pode ser bom e dar prazer.
O problema é que, ao ficarmos sozinhos, sem contas a prestar a ninguém, ficamos também à mercê das nossas emoções e dos seus caprichos e privados de uma das nossas maiores forças – o altruísmo. Já repararam no que o ser humano mais comum pode fazer pelos filhos, pela família ou por uma ideologia? Coisas que decerto nunca terá a força de fazer por si mesmo!
A competição é só civilizadora enquanto estímulo; como pretexto de abater a concorrência, é uma contribuição para a barbárie.
Pode-se não recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experiência, feia como uma cicatriz. E isso envelhece a alma, torna-a ruinosa e inútil.
Às vezes, aqueles que carregam os maiores escudos são aqueles que estão protegendo os maiores corações.
Sabemos tão pouco uns dos outros. Jazemos quase que submersos, como blocos de gelo, mostrando apenas a parte branca e fria de nossos eus sociais. Ali estava uma rara visão, por baixo das ondas, do tumulto e da privacidade de um homem, da sua dignidade posta de cabeça para baixo pela necessidade avassaladora de fantasia pura, de pensamento puro, por aquele elemento humano irredutível – a mente.
Não foi só a maldade e a intriga que fez as pessoas infelizes, foi também a confusão e o mal-entendido. Acima de tudo, foi a falha em entender a verdade simples de que outras pessoas são tão reais quanto você.
As mídias sociais tornaram-se local de disputa de narrativas e discursos de poder. Antes dos atuais movimentos sociais ganharem as ruas, eles precisam marcar presença no ciberespaço.
Tudo o que é necessário é lembrar, conscientemente, que precisamos incluir os outros em nossa realidade.
Comecei a questionar por que eu não podia fazer certas coisas, mas, tendo sido tolhida pelos meus pais, aprendi a me calar e aceitar. Só não aprendi a silenciar minhas dúvidas e os desejos.
As pessoas brigam entre si, matam-se, cada qual defendendo sua religião, quando ela deveria ser o meio da união.
Há pessoas que julgam todo o tempo, o tempo todo. Desconhecem que os defeitos dos outros são terríveis espelhos.
Eu acho que o problema, naquele momento, era minha incapacidade de lidar com a interação humana normal.
Ninguém escapa do passado. Vou dar um exemplo claro, a questão da escravidão. Tivemos um período prolongado de sistema escravocrata, espalhado por todo o país. Quem abrir qualquer jornal do século 19 verá escravos sendo vendidos, leiloados, penhorados, com seguro. Essa realidade está inscrita nos nossos costumes e no nosso vocabulário, sobretudo porque durante largo tempo lidamos com essa questão de forma envergonhada. Achava-se melhor não falar.
