Sociedade poesia
Eu aprendi há muito tempo a não julgar as pessoas pela aparência, modo de falar ou pelas roupas que vestem. Só porque uma casa é bonita e brilhante por fora, não significa que não esteja apodrecendo por dentro.
Penso nos meus pais, não porque sinto falta deles, mas porque às vezes você vê um negro com mais de cinquenta anos andando na rua e você sabe que já eles viram muita coisa.
As mulheres se ajudavam umas às outras de maneiras pequenas e grandes todos os dias, sem pensar, e foi isso que as manteve de pé, mesmo quando o mundo foi criando maneiras novas e emocionantes de esmagá-las.
Quando descrevemos as relações humanas, geralmente as tornamos melhores do que são: gentis, pacíficas e assim por diante, mas, na realidade, muitas vezes são competitivas.
Na opinião dela, muita religião podia ser tão ruim quanto pouca, talvez até pior; mas a moderação simplesmente não era da natureza de seu marido.
Vivemos em uma terra onde tudo acontece, graças à providência, mas tudo acontece com acidez. Estamos condenados a isso.
Para sermos eficientes, não devemos estar em posição de reagir constantemente ao crime depois que ele acontece. Devemos procurar preveni-lo antes que aconteça.
Todos deveriam ter seus segredos. Você nunca pode saber tudo sobre uma pessoa. Você ficaria louco tentando.
Quando pulamos de uma tela a outra, do celular para a televisão, de maneira automática ao longo do dia, esquecemos onde estamos. "Perdemos" nosso corpo ou a sensação de ter um. Somos tragados para uma realidade virtual, que, longe de nos saciar, em geral intensifica nossas carências e fragilidades emocionais.
Atualmente temos muitas respostas, nunca tivemos tanta informação sobre o mundo, sobre nós mesmos, como agora. O ponto chave é a prática. É preciso praticar, inserir esses exercícios na vida cotidiana.
Estamos sempre pensando no depois. Precisamos reaprender a estar presentes e atentos ao segurar um copo ou abrir uma porta, por exemplo. Estamos vivendo um mundo virtual. O desafio é perceber como o mundo real também pode ser bom e dar prazer.
O problema é que, ao ficarmos sozinhos, sem contas a prestar a ninguém, ficamos também à mercê das nossas emoções e dos seus caprichos e privados de uma das nossas maiores forças – o altruísmo. Já repararam no que o ser humano mais comum pode fazer pelos filhos, pela família ou por uma ideologia? Coisas que decerto nunca terá a força de fazer por si mesmo!
A competição é só civilizadora enquanto estímulo; como pretexto de abater a concorrência, é uma contribuição para a barbárie.
Pode-se não recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experiência, feia como uma cicatriz. E isso envelhece a alma, torna-a ruinosa e inútil.
Às vezes, aqueles que carregam os maiores escudos são aqueles que estão protegendo os maiores corações.
Sabemos tão pouco uns dos outros. Jazemos quase que submersos, como blocos de gelo, mostrando apenas a parte branca e fria de nossos eus sociais. Ali estava uma rara visão, por baixo das ondas, do tumulto e da privacidade de um homem, da sua dignidade posta de cabeça para baixo pela necessidade avassaladora de fantasia pura, de pensamento puro, por aquele elemento humano irredutível – a mente.
Não foi só a maldade e a intriga que fez as pessoas infelizes, foi também a confusão e o mal-entendido. Acima de tudo, foi a falha em entender a verdade simples de que outras pessoas são tão reais quanto você.
