Sociedade

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A liberdade exige espaços interiores onde nem o amor, nem a família, nem a sociedade tenham autoridade absoluta.

Entre a anatomia de um corpo e a anatomia de uma sociedade existe mais diálogo do que nossas gavetas acadêmicas costumam admitir.

Feito plantinha
(Mauro 1Evaristo)

A sociedade do cansaço, doente
Regida por corruptos dementes,
Espera que a salvação feito plantinha
Caiba em conceitos, presa numa caixinha.

A sociedade do fracasso, doente
Regida por corruptos indecentes
Colhe frutos e ervas daninhas
Para não sair da própria caixinha.

A sociedade perdida e incoerente
Distorce realidades imprudente
Só para que jamais possa perceber

Que o controle de sua mente
Evita que acorde para entender
Que existe poder infinito em você.

feradapoesia.blogspot.com

Chamar o outro de louco é a forma que a sociedade usa para se defender da própria ignorância. P.G

⁠É deveras surreal, a sociedade insistir em condenar as mulheres que não querem ter filhos, mas tolerar descaradamente os homens que mesmo tendo, escolhem não serem pais.

Sem a ajuda do braço mais forte — parte da sociedade e do próprio Estado —, o crime jamais se sustentaria.


Ele não sobrevive apenas da astúcia dos que o praticam, mas da conveniência dos que fingem não vê-lo e da conivência dos que o retroalimentam.


Grande parte da própria sociedade que o demoniza também é criminosa, só comete crimes diferentes.


É no silêncio das instituições, na corrupção disfarçada de burocracia e na indiferença coletiva que o crime encontra solo fértil para florescer.


Enquanto a força que deveria combatê-lo continuar a servi-lo — por medo, interesse ou omissão —, a injustiça deixará de ser exceção para se tornar estrutura.


E nesse cenário, o verdadeiro perigo não está apenas nos que transgridem a lei, mas nos que a manipulam em nome dela.

⁠Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras, a sua liberdade termina onde a minha paz começa.


A Limitação Cognitiva e a Ditadura do Volume


Talvez esperar bom gosto de quem não tem bom senso seja mais um distúrbio: pura limitação cognitiva.


Porque não se trata apenas de preferência musical, mas da incapacidade de compreender que o mundo não é uma extensão do próprio quarto ou da sala, nem um palco particular onde todos são obrigados a assistir ao mesmo espetáculo.


Não dá para esperar um bom repertório escolhido por puro capricho, antes de tudo, para invadir.


O som que atravessa muros, janelas e a paciência alheia deixa de ser expressão cultural para se tornar imposição.


E toda imposição é, em essência, uma forma preguiçosa de poder: a de quem não argumenta, não dialoga, apenas aumenta o volume.


É verdade que o bom gosto é muito subjetivo.


O que agrada a uns pode ser insuportável a outros.


Mas o desrespeito ao bem-estar alheio não é questão de opinião; é um problema concreto de convivência, de civilidade mínima, de noção básica de que o outro existe e importa.


Confundir liberdade com licença para incomodar é um erro muito comum — e perigosamente aceito.


Mas qualquer imbecil funcional deveria ao menos perceber que, num mundo com mais de oito bilhões de pessoas, é impossível escolher vizinhos por afinidade musical ou paixão por ruídos.


Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras.


Exige entender que o direito de fazer barulho termina exatamente onde começa o direito do outro de ter paz.


No fim, o problema não é o volume do som, o estilo musical ou a caixa potente…


É a ausência de empatia caprichosamente amplificada.


E quando o bom senso é desligado, não há playlist que salve a convivência.


Que Deus nos livre dos que confundem alegria com euforia e liberdade com licença para nos incomodar.

⁠As Algemas não seriam só um Detalhe para acariciar o Ego de uma Sociedade quase sempre Algemada?


Talvez o fascínio pelas algemas não esteja no aço frio que restringe os pulsos, mas no calor simbólico que conforta consciências inquietas.


Há algo de profundamente revelador na forma como celebramos o ato de prender — como se, ao assistir alguém ser contido, experimentássemos uma ilusória sensação de ordem, de justiça cumprida, de mundo corrigido.


Mas, e se essas Algemas, tão aplaudidas quando estão nos outros, forem apenas o reflexo de correntes mais sutis que carregamos sem perceber?


Vivemos cercados por Prisões que não fazem barulho: crenças que não ousamos questionar, narrativas que adotamos como verdades absolutas, paixões políticas que sequestram a razão.


Algemas invisíveis, porém muito mais eficazes — porque não nos provocam incômodo suficiente para desejar liberdade.


Nesse cenário, o Espetáculo da Punição cumpre um papel curioso: ele distrai.


Ao focarmos no “culpado” da vez, deixamos de encarar os mecanismos que nos aprisionam coletivamente.


A indignação seletiva vira entretenimento.


E o rigor, quando conveniente, vira virtude.


Talvez por isso as algemas — no outro — seduzam tanto.


Elas oferecem a confortável ilusão de que a liberdade é uma condição natural — e que só alguns poucos, os “outros”, precisam ser contidos.


Mas uma sociedade que se acostuma a aplaudir correntes deveria, antes de tudo, desconfiar da leveza com que movimenta as próprias mãos.


Porque o verdadeiro cárcere não é aquele que limita o corpo, mas o que Anestesia o Pensamento — e esse, quase sempre, dispensa Algemas Visíveis para cumprir seu papel.

⁠O crime, de forma geral, jamais subsistiria sem a ajuda de parte da sociedade e de parte do Estado e seu braço armado.


É uma ferida aberta, dolorosa, incômoda — daquelas que muitos preferem cobrir com discursos prontos a encará-las com honestidade.


Mas ela está ali, latejando, lembrando que nenhuma estrutura criminosa se sustenta sozinha.


Há sempre uma teia invisível de conveniências, silêncios e conivências que a mantém de pé.


Isso não é muito diferente de outras lutas sociais que, à primeira vista, parecem ter um inimigo bem definido.


O combate ao machismo, por exemplo, torna-se ainda muito mais árduo quando se percebe que ele também é reproduzido por mulheres.


Não por essência, mas por condicionamento, por cultura, por sobrevivência em um sistema que ensina, desde cedo, a normalizar o absurdo.


Da mesma forma, enfrentar o corporativismo e a leniência entre pares dentro do Estado é uma tarefa extremamente espinhosa.


Durante décadas, construiu-se — e vendeu-se — uma imagem quase intocável de idoneidade, especialmente no que diz respeito às forças de segurança.


Questionar isso, para muitos, soa como heresia.


E é exatamente aí que mora o problema.


Porque, além das defesas técnicas e estratégicas entre os próprios agentes, existe ainda uma camada mais difícil de atravessar: a defesa cega, emocional, quase devocional de uma parcela da sociedade que se recusa a pensar por conta própria.


Que transforma crítica em ataque, e cobrança em traição.


Nesse cenário, abusos deixam de ser exceção para se tornarem relativizações.


Agressões viram “excessos compreensíveis”.


Autoridade se confunde com autoritarismo — e tudo isso vai sendo absorvido, digerido e, pior, justificado.


A indignação seletiva, nesse contexto, não é apenas um detalhe — é parte do problema.


Ela é tão medonha quanto a própria barbárie que diz combater.


Porque não se trata apenas de condenar o erro, mas de escolher quando e contra quem ele importa.


E talvez o retrato mais cruel disso seja imaginar: se a vítima em questão não fosse também uma policial, quantos dos juízes de plantão — esses togados da verdade das redes sociais — estariam, neste exato momento, invertendo papéis, buscando justificativas, insinuando culpas?


Quando a justiça depende de quem sofre, ela já deixou de ser justiça há muito tempo.

A filosofia é a ciência que desopila a sociedade.

A autonomia privada não desaparece diante da sociedade; encontra nela os limites necessários à convivência.

A justiça criminal precisa proteger a sociedade sem transformar o processo em instrumento de vingança.

O Direito Penal começa onde a sociedade reconhece que determinado comportamento ultrapassou o limite tolerável da liberdade individual.

O Direito privado não é neutro diante da sociedade: cada instituto jurídico incorpora uma determinada concepção de liberdade e de poder.

Uma sociedade pode alterar suas leis inúmeras vezes sem resolver a questão fundamental sobre a qual todas elas foram construídas.

A sociedade transforma-se silenciosamente antes que suas leis reconheçam que já não descrevem o mundo que pretendem ordenar.

Uma sociedade pode possuir muitas leis e ainda assim permanecer profundamente desordenada.

“Não sou o esteriótipo de pessoa em que a sociedade tenta me abranger. Sou mais além do que convém e menos o que se espera ser.”

—By Coelhinha

Eu olho pra sociedade e vejo uma multidão que está amarrada e acorrentada. Eles me olham com olhares feios de ódio, me atacam com palavras. Eles me acham estranho, esquisito por estar livre. Eu acho eles idiotas por estarem acorrentados.




Urbano Cardoso

Você pode ser perfeito, mas no dia em que falhar, a sociedade verá você como um problema ou uma ameaça.