Sobrevive Amor Acima de tudo

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POESIA
ORAÇÕES NO DESERTO.
BY: Harley Kernner


​Três décadas de uma história sólida,
de um amor que desenhamos para ser eterno.
Então, os desvios humanos mudaram o roteiro.
Uma espécie de loucura sutil, fantasiada de razão, fraturou a nossa maturidade.


​Escolhas erradas, que pareciam saídas abriram um portal inesperado, arremessando-me na vastidão de um deserto.
​Houve dias em que o céu se recusou a falar, e o tempo parecia estagnado.
Foi nesse vazio que aprendi a decifrar o teu silêncio a casa do oleiro.


Muitas vezes orei sem palavras;
meu pranto misturou-se ao calor da areia quente, molhando assim as minhas lágrimas,
e foi exatamente ali, na escassez,
que que percebi, que tu estava aqui,Jesus.
​Estou sobrevivendo onde os ribeiros secaram,
mas a Tua presença permanece intacta.


Passo noites imensas, a sós,
escondido em um oceano de relevos áridos,
suportando o frio cortante do abandono
e o sol escaldante que leva a minha alma a soar.
Ainda assim, Teu olhar me alcançou.
​Dias que caminhei sem forças, com a fé tateando o fim,
mas um sussurro interno insistia que valia a pena resistir.


Pois nesta vida, até os nossos escombros nos amadurecem.
​E embora a areia queimasse meus joelhos,
calejados por tantas orações, minha alma negou-se a ceder.
Estar no deserto não é um decreto de morte.
A sede de vencer me empurrou para mais perto de Ti Senhor.


​Da rocha mais estéril e esquecida, tu fizeste brotar um manancial.
Onde os olhos humanos só enxergavam sequidão,
Deus fez romper águas vivas de esperança eterna.


Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas.

A CARTA
BY: Harley Kernner

Ei, você ainda está aí? Seus braços ainda estão livres para me abraçar?
Eu tentei também buscar na sua prateleira de palavras bonitas, aquelas que você coleciona. Percorri mentalmente cada termo que já ouvi, li e decorei: as brandas, as intensas, as dramáticas, as sábias, as poéticas e as quase poéticas… Tentei usar aquelas que explicam, as que imploram e até as que tentam silenciar a dor do am

E descobri, na hora mais cruel, que palavras são inúteis quando o coração do outro já decidiu partir. E você tinha decidido ir. Não por falta de afeto, mas por excesso de lucidez. Porque tem gente que vai embora não porque não sente, mas porque sentiu demais e onde havia tanto sentimento, não havia mais espaço para você.

Eu poderia ter dito: “Fica!”. Poderia ter inventado um discurso digno de prêmio, usado vírgulas calculadas, metáforas impecáveis e aquele tipo de sinceridade que só chega quando já não resolve nada. Mas você não ficaria. Nem com “amor”, nem com “perdão”, nem com “eu mudo”, nem com todas as mais de 380 mil palavras alinhadas como soldados diante de uma guerra já perdida.

É estranho como o idioma falha de forma tão humana. As palavras servem para quase tudo, menos para impedir alguém de ir embora. Lidar com isso é quase como descobrir que as chaves não abrem todas as portas, que o tempo não cura todos os ferimentos e que nem todo sentimento pode ser dito, por mais que a gramática permita.

Percebi tarde demais que o seu silêncio agora me diz coisas que nenhum texto conseguiria contradizer. E, às vezes, o adeus não vem em voz alta: ele vem no jeito que você desvia o olhar, no jeito que arruma os óculos devagar, ou no respirar de quem já está longe, mesmo estando perto.

No fim, restou apenas essa constatação incômoda: com mais de 380 mil palavras no dicionário, eu não encontrei nenhuma capaz de mantê-lo ao meu lado. E talvez essa seja a parte mais humana e mais triste da língua portuguesa: ela explica o que sentimos, mas não pode salvar o que perdemos.

Mesmo assim, eu acredito que, na sua prateleira de palavras bonitas, ainda existe um verso que diz: “Sempre vou te esperar”.

Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas

Enquanto os mortos são homenageados.
Os vivos permanecem sendo negligenciados, para que após sua morte, recebam o devido reconhecimento de maneira póstuma.

Algumas pessoas só irão valorizar o que você diz quando você não estiver mais aqui pra falar.

⁠A única certeza que você pode ter ao meu respeito é que eu não temo nada e nem ninguém que sangra e morre igual a mim.

Quando as putas fazem o que querem o cabaré vai à falência.

Em cada paciente, existe uma história, uma família e alguém que ama profundamente essa pessoa. Seja o alívio e a esperança que eles tanto precisam hoje.

​"Compreender a dor do outro, muitas vezes, é reconhecer o privilégio daquilo que possuímos e que falta ao próximo."

O dom do profissional de saúde não é apenas cuidar, mas suportar o processo de cura de alguém, mesmo quando ele se arrasta entre dor e incerteza.⁠

A medicina define o fim da vida pela parada do coração; a realidade, porém, é que morremos quando abrimos mão da nossa essência para silenciar o julgamento dos outros.

Há esperança em cada movimento. ⚡⚕️⚡

​"É desafiador assistir quando o peso de um diagnóstico parece esgotar as forças de um paciente, transformando a doença em um destino aceito em vez de um obstáculo a ser vencido."

⁠"Queria ser criança para sempre, mas as responsabilidades chegam e invadem a vida sem pedir permissão."

Os trabalhadores tem o poder mais imenso nas palmas de suas próprias mãos, e se eles uma vez se tornassem completamente conscientes disso e o usassem, Nada poderia resistir a eles; eles só precisarem parar de trabalhar, considerassem o produto do trabalho como seu e o apreciarem. Este é o sentido das perturbações laborais que se mostram aqui e ali.


O Estado se baseia e descansasse na escravidão do trabalho. Se o trabalho se torna livre, o Estado estará perdido.

"Deus deu como meta a perfeição, mas estabeleceu como prazo a eternidade e, como companheira dessa caminhada, a paciência, pois ele sabe que estamos muito distantes do ideal e ainda não atingimos a angelitude. Deus o quer como humano, não como anjo. É preciso humanizar-se, para então aperfeiçoar-se.
Os anjos voam longe, e o Pai precisa de você aqui, com os firmes no mundo para auxiliá-lo no processo de aprimoramento da humanidade."

Na oncologia chove?
Temporais, chuva fina, garoa, sempre vi chuva na ala da Oncologia.
O dia mais chuvoso por incrível que pareça, não é o dia do diagnóstico.
A tempestade vem no dia que a gente ouve que o câncer voltou ou cresceu, junto a sensação de impotência, a dúvida sobre o tempo, o que fazer, foi tudo em vão, e um milhão de porquês?
É uma doença que coloca o paciente numa guerra desleal, onde ninguém queria estar.
Eu tinha um pavor enorme da palavra câncer. Lá em casa a gente dava apelidos para ela.
Tive que encarar o diagnóstico da minha mãe numa quarta-feira de manhã, num pronto socorro em meio a pandemia.
A incerteza, o medo, a sensação de perda tomaram conta de mim e tive que fingir que não tinha ouvido nada.
Para minha mãe era apenas um sintoma ruim de algo que ainda estava por investigar. Eu sabia do diagnóstico no primeiro dia e me calei para encarar os próximos passos.
Quando foi o diagnóstico do meu pai, não foi diferente, passei horas olhando para o resultado na tela do meu computador da empresa e pensando como partir o coração daquele que era o alicerce lá em casa.
Até nosso peludo Viny teve que encarar uma tempestade de cachorro, o câncer também maltrata nossos pets, a tal temida quimioterapia de cachorro deixou a gente sem chão.
A sala de oncologia não era tão novidade para mim, tivemos outros diagnósticos na família, mas dessa vez eram os mais imortais que estavam ali. Dona Lina e Seu Rubens não tinham esse direito, dizia meu coração, com eles não.
Mas sabe, não existe só chuva na oncologia não. Posso afirmar que são mais dias ensolarados do que chuvosos.
A oncologia tem uma espécie de superpoder. A droga mais eficaz que eles fornecem não está na lista da farmácia.
O Remédio é o amor. Esse é infalível. Faz parte da cura. Eles aplicam em pequenas doses e mesmo a gente que não é paciente, acaba sendo medicado junto.
Na Onco também tem um remedinho que muda a gente. É lá que a gente entende que perdemos um tempo danado com coisas tão banais. Aprendemos que a gente complica a vida demais.
Formada pelos seres mais cativantes que já vi, a equipe oncológica é uma terra encantada. A gente sorri querendo chorar, a gente chora as vezes também, mas incrivelmente a gente sai de lá melhor. Não é só da parte física não, melhor na alma, na essência mesmo.
Meu pai e minha mãe eram mimados por lá, a gratidão habita a Onco e uma legião de anjos também, uns atendem pelo nome de enfermeiros, outros de médicos, as tias da cozinha, da limpeza, da recepção e até os residentes são criaturinhas de luz.
A medicina é só um protocolo, mas o que a gente vive por lá é mesmo o amor ágape, no dicionário ágape significa amor incondicional, altruísta e transcendental, e é tudo isso e mais um pouco.
Eu vi lindos arco-íris nos “quimio-days” do Papi e da Mamy e até do Viny.
As Joyces, as Anas, as Larissas, as Victórias, os Pedros, os Frankleins, os Gabriéis, as Duans, as Biancas, as Carols são uns dos protagonistas que cessaram os temporais dentro da gente diversas vezes.
E o último dia de quimio? Esse é para lá de especial. E nem sempre é sobre cura, a maioria das vezes não é mesmo. O sino toca e o coração bate forte e o hospital vira uma festa.
É minha gente, assim é a oncologia, um lugarzinho mágico, onde a gente vira do avesso e escalamos montanhas. Lá nascemos denovo, a metamorfose é visceral.
E a chuva? Passa, de uma forma de outra ela passa.

Como é interessante, pois, percebi que pessoas de muito longe me enviaram boas energias e desejos de felicidade, enquanto alguns que estavam do meu lado, fingiram que nada estava acontecendo!

Meu filho, minha inspiração
Meu filho, talvez um dia você não entenda quantas vezes eu chorei em silêncio para que você não percebesse o quanto eu estava cansada.
Talvez você nunca saiba quantas noites passei pensando no seu futuro, tentando encontrar caminhos, respostas e forças para enfrentar um mundo que nem sempre está preparado para entender você.
Mas quero que saiba uma coisa: eu nunca enxerguei você como um problema.
Eu enxerguei você como meu filho.
Como um presente.
Como alguém que me ensinou um amor que eu nem sabia que existia.
Cada pequena conquista sua toca minha alma. Cada evolução me faz lembrar que nenhuma batalha foi em vão.
Eu não sei o que o futuro nos reserva, mas sei que, enquanto eu puder caminhar ao seu lado, você nunca estará sozinho.
E quando eu estiver cansada, será o seu sorriso que vai me lembrar por que eu continuei.
Você não precisa ser igual a ninguém para ser incrível. Você só precisa ser você.
E eu estarei aqui, todos os dias, te amando, te protegendo e acreditando em você. ❤️‍🩹
— De uma mãe atípica que descobriu que, às vezes, o amor também é uma forma de coragem.

Minha força
Ser mãe atípica é carregar no coração preocupações que ninguém vê e travar batalhas que quase ninguém conhece.
É acordar cansada e, mesmo assim, encontrar forças para continuar. É aprender a comemorar cada pequena conquista, porque sabemos que por trás dela existem lágrimas, terapias, dificuldades, medo e muita persistência.
Muitas vezes as pessoas enxergam apenas o diagnóstico, mas eu enxergo meu filho. Enxergo seus sonhos, seu sorriso, sua personalidade, suas capacidades e tudo aquilo que ele ainda pode conquistar.
Eu não quero pena. Quero respeito, inclusão, oportunidades e compreensão.
Porque ser mãe atípica não significa ser uma mãe de menos. Significa ser uma mãe que precisou aprender a lutar um pouco mais.
E se um dia eu parecer forte demais, lembre-se: talvez você nunca tenha visto quantas vezes eu precisei juntar meus próprios pedaços para continuar de pé pelo meu filho. ❤️‍🩹

Por trás do meu sorriso
Por trás do sorriso de uma mãe atípica existe uma mulher que muitas vezes chora escondida para não preocupar ninguém.
Existe uma mãe que pesquisa, corre atrás, insiste, enfrenta portas fechadas e luta por direitos que deveriam ser garantidos sem precisar implorar.
Existe medo do futuro, preocupação com o presente e, ao mesmo tempo, uma esperança enorme de ver o filho conquistar seu espaço no mundo.
Eu aprendi que não preciso ser forte o tempo todo. Posso ter dias ruins, posso cansar, posso chorar. Isso não diminui o meu amor e nem a minha força.
Porque amanhã eu levanto novamente.
Não porque seja fácil, mas porque existe alguém que me ensina todos os dias que pequenas conquistas podem ser gigantescas.
Sou mãe atípica. E a minha maior inspiração é o meu filho. ❤️