So o Tempo pode Entender um grande Amor
Velha poesia em novos poemas
Passamos o tempo curvados
Um olhar fechado
Nossos caminhos despercebidos
Olhar focado
Pequenas telas são o mundo
Nelas estão todos
Eu vejo e sou visto
Estamos cheios de tudo
Conectados a todos
E vazios
Ansiosos, distantes do importante
Somos crianças em um mundo novo
Aprendendo um novo caminhar
E de fato, nossos joelhos estão meio ralados.
Se nesse novo mundo existem dores
Vez ou outra ha amores
Amizades distantes, tão perto no tocar da tela
O mundo vasto e menor que uma janela ou uma gaiola
Um incompreensível novo mundo
Emaranhado de hiperlinks, hipertextos, tags, cálculos binários
Tão atraente espaço inexplorado
Onde muitos amores morrem
Outros amores nascem.
Duas pessoas, “amigas”, têm um encontro inevitável:
- Oláá! Há quanto tempo não nos falamos!?
- Pois é, faz muito tempo!
- Vamos marcar um dia para botarmos o papo em dia!?
Tem Facebook? Me adiciona nele!
- Hãããmm... Você já está nele!... Anota você o meu WhatsApp, assim vamos nos falando!
- Hãããmm... Eu já tenho você nos meus contatos!...
Ficar em cima do muro significa não estar do lado de um e nem de outro, mas ao mesmo tempo estar do lado dos dois.
É não opinar para não perder a afinidade moral, a capacidade de se impor diante de um dos lados.
Mesmo que tenha convicção prefere afastar-se por temer perdas sentimentais e até materiais; ou seja, é hipócrita e covarde de merda.
"Se disponha a ouvir a voz de Deus, desembarace o tempo, esteja livre para um diálogo aberto com Cristo e esteja desimpedido ao sussurro do Espírito Santo."
REVAl II
CRÔNICA
Reval,por um tempo andou meio fraco da cabeça. Morava sozinho num quartinho de uma casa antiga, na Rua Sete de Setembro, anexo à alfaiataria de Corcino - seu parente -, um dos primeiros alfaiates de Campos Belos. - De vez enquando sumia; mas sempre voltava.
Trajava à mesma roupa ensebada de sempre.Sapatos às vezes,soltando a sola.
Moreno forte, de estatura mediana, usava cabelos quase aos ombros, que nunca viam pentes e água. Ostentava um bigode entrelaçado à longa barba.
Medo a gente não sentia de Reval: alguma sisma somente. Arriscava conversar com ele. Mas a prosa era pouca,só respondia aos arrancos,jeito desconfiado,olhar distante.
Nunca se soube de agressividade dele, às pessoas. Andava lentamente pelas ruas da cidade, com as mãos nos bolsos da calça, mastigando um possível alimento. Ficávamos curiosos para saber que iguaria degustava.
No percurso que fazia pelas ruas andava e parava, andava e parava...pondo sentido em tudo que seus olhos viam. E o de mais relevância, pra ele,observava mais ainda; imaginando coisas.
Em seus observatórios diários, nada passava despercebido do seu olhar. Olhava os mínimos detalhes daquilo que mais lhes chamasse a atenção. - Como se tivesse fazendo uma profunda análise.
Parecia discordar com mais contundência algumas irregularidades que via: ao coçar a cabeça acima da orelha e balançar a mesma num gesto negativo; sempre fazia isso quando o objeto da observação não atendesse suas expectativas de normalidade.
Belo dia...
Como há de ter acontecido... Reval saiu de casa e subiu à Rua BH Foreman, mais calado do que nunca. Triste, de cabeça baixa, olhos inquietos. Atravessou a Av. Desembargador Rivadávia e ganhou o calçadão, em frente à Prefeitura Municipal. Parou, e colocou a mão direita atrás da orelha, em forma de concha, para ouvir melhor o sino repicando à sua frente, na Igreja Matriz.
Era o sacristão chamando os fiéis, para a encomendação de um corpo. Ele não atendeu o apelo sonoro da paróquia naquele dia: adentrando-se ao santuário.
Nuvens cor de cinza se agarravam ao Morro da Cruz e das Almas; não demorou muito a cair pingos de chuva como lamentos, na grama verde da praça. - Quando uma pessoa boa morre a terra recebe o insumo e o céu sela com água, o fim deu ciclo.
Reval aproximou-se daquela casa de oração católica, e tomou a benção ao seu vigário, que estava posicionado à entrada principal, recebendo o povo, para a cerimônia fúnebre.
Riscou o dedo polegar direito na testa, repetida vezes, e inclinou-se levemente para frente, em sinal de respeito ao pároco, ao santuário e ao falecido. Beijou um enorme crucifixo metálico, preso num grosso cordão e olhava ao longe, o esquife num ataúde bonito...
Em rogos,de longe, desejava um bom lugar ao finado.
Missão cumprida...
Deu as costas ao Reverendo, sem se despedir, e desceu a Rua do Comércio, enxugando com a manga da camisa, algumas lágrimas sentidas.
Teve fome...
Com a barriga nas costas, entrou na padaria de Zé Padeiro. Pediu um lanche, sem dinheiro.
A atendente lhe deu um pão com manteiga, e um café com leite num copo descartável. - "Capricha que é pra dois tomar." Disse, à moça, que colocou mais um pouquinho. Ficando sem entender: pois, não o viu acompanhado de mais ninguém.
Ao retornar a sua casa, pelas mesmas pisadas, Reval parou diante de um caminhão de transporte de madeiras; quebrado e cheio de laxas de aroeira, na porta do Armazém de Seu Natã.O proprietário já havia pedido ao papai que olhasse o mesmo; pois, teria que se deslocar até a Capital Federal ou Goiânia, para comprar uma ponta de eixo. Pois não a encontrava na região, para a devida reposição.
O sol, queimando, e não havia mais uma nuvem sequer, nos céus, para atenuar a sua intensidade. Reval, por sua vez, continuava parado diante do veículo, dando andamento na prosa...
Depois de ter observado por muito tempo aquela situação; de todos os ângulos possíveis. Continuava olhando, olhando,olhando... E, balançando a cabeça de um lado para o outro. Como quem não concordando com aquela situação. - Conversava baixinho com o caminhão, de maneira que só os dois ouviam, mais ou menos assim:
- Isso que estão fazendo com você é um absurdo, é uma desumanidade muito grande! Como é que pode tanto descaso, com um ser tão indefeso[...] - Coitadinho, quanta judiação[...] Quanto tempo sem comer e sem beber; cheirando mal, e cheio de poeira; com esse calor que está fazendo, não pôde até agora, tomar um banho sequer, para refrescar um pouco; como tem sofrido você ...continuava:
- Não tenho mais tempo a perder: preciso fazer alguma coisa e continuar com essa caridade por mais um tempo...
Deu o lanche que trazia consigo para o caminhão comer...
Antes de despedir-se, daquele pobre necessitado, balbuciou quase imperceptivelmente mais algumas palavras:
- Tenha um bom apetite!... Voltarei amanhã para ti ver...
Foi-se embora balançando a cabeça, desaprovando aquele estado de coisas.
Possivelmente repetiu o gesto de alimentar ao caminhão por mais de quinze dias. - Período que esteve lá.
Toda vez que retornava ao local não havia nem vestígio de lanche.
Como se sabe: a “fome é negra”.
Reval tinha um bom coração. Aquela piedade demonstrada devia ser um reflexo da criação que recebera de seus pais. Que por sua vez, eram pessoas muito religiosas e bondosas.
quando acordo
há sempre um buraco
no peito
fico um tempo
observando
vendo se dali sai
algum bicho
uma canção
e vou tapando
com os inventários todos
possíveis.
Passo a passo nos é dado um tempo de reconstrução, e reconstruímos nosso sorriso, nosso olhar; como uma obra prima, uma pintura em acabamento, com palavras que revelam aos poucos o que trazemos no coração. Acho que é isso o que mais me seduz, o que trazemos no coração. linaveira
O tempo passou, e vejo meu rosto,
Cada ruga de um sorriso bem dado com gosto,
Cada fio de minhas cãs, remetem as lembranças,
Muitas quando ainda estava na minha infância,
Quem nunca se arrependeu, não pode dizer que viveu,
Arrependimentos nos tornam mais sábios,
Aprendemos a usar de forma a errar menos com os lábios,
Juventude, um dia, um verão, uma quimera,
Utopia de um poeta, com vinho e já era.
Não vale a pena brigar por um paraíso passageiro na insegurança da terra,e ao mesmo tempo comprometer um paraíso eterno.
Sol Maior
Eu lembro de um tempo todo tempo
E todas as suas medidas pelos meus olhos
De um outro plano
Se lembrar era o meu plano
Através d'uma cortina de sonhos
Reminiscências de uma mulher adornada com o sol
Um pouco trigueira
"Minha Amanda é minha e eu sou dela"
Ainda maior que eu será a lembrança
Do amor saboroso como doce promessa
Tempo tão longínquo nos olhos de um cego
Ela me dá na boca um beijo santo espírito
Ela é per-feita pra mim
Reserva dos do Divino
Em um momento de tanta fluidez, tempo corrido, agendas lotadas, demanda social, interação, inchaço nas relações, ser pessoa cumpridora das regras que ainda assim se esforçam para priorizar o comprometimento, não deveria ser elogio?
Acreditar na alma e no espírito foi há um longo tempo atrás agora apenas uso esses termos como uma metáfora.
Sonho com um pensamento
Que pense por mim
Que me prenda em seu tempo.
E nesse confinamento
Me traga a certeza do sentido
No algoritmo do momento.
Que me carregue nos braços
Sobre o leito do sofrimento
Aprisionado aos seus enlaços.
Que me mostre o seguimento
Pelas calhas do compasso
Até o fim desse desalento.
Sonho em pensar nesse sentido,
Sem sentimento...
“Saudade, um sentimento prazeroso que nos faz lembrar um tempo que infelizmente nunca irá voltar. Saudade, um sentimento mágico, mas que não traz de volta quem resolveu partir. Saudade é a certeza de que todos esses momentos valeram a pena.”
Andei por algum tempo
de cabeça baixa
Minha visão era limitada
a pequenas coisas
Um dia a vida me virou de
ponta a cabeça
Encontrei o céu, as estrelas, a lua e aprendi a voar.
Força
Nos perdemos em um beijo,
Em algum momento do tempo,
Despertou-me um louco desejo,
Brotando um lindo sentimento.
Sentimento por você meu amor,
Lindo como o sol do amanhecer,
Sentimento lindo recheado de fulgor,
Força propulsora,que me faz crescer.
Você é força gravitacional,
O perfume suave de um lindo bosque,
Nave que me faz viajar no espaço sideral,
A beleza de um por do sol em um quiosque.
Você é luz que me ilumina,
Você preenche todo o meu ser,
O louco desejo que me alucina,
O meu doce e maior prazer.
Energia cósmica, força inexplicável,
Fruto agridoce como maçã,
Lembro-me daqueles dias memoráveis,
Dos doces beijos da manhã.
Você é um vasto oceano,
Que meu barco ousa navegar,
Cada metro navegado, descubro um grande ser humano,
Com tantas coisas lindas à me ensinar.
Meu amor é grande,
Meus sentimentos infinitos,
Das pedras preciosas,o meu diamante,
Tu és a força do meu grito.
Sentimento que transcende,
Flor, Jasmim e lírio,
Mulher que o meu coração compreende,
Musa que me leva ao delírio.
Você é força sublime,
Que ao meu coração completa,
A guerreira que jamais se exime,
A equação que não se interpreta.
Lourival Alves
Tempo ao tempo.
O Passeio da Alma
Às vezes minha alma passeia
Como em um sonho
Não tão longe do corpo
Perto, a me observar
Pergunto: por que estás a me olhar?
Seu corpo precisa de mim?
Respondo: volte imediatamente;
Não tenho tempo a perder.
Flavio Rabello
