So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Estou me sentindo um grande impostor porque deixei toda a minha vida para trás e ninguém sabe disso. É difícil sentar na minha cama e ler como eu sempre fiz.
[...] passei o dia andando pelo bairro. Cheguei a pegar meu velho trenó e meu velho cachecol. Há algo de confortável nisso para mim.
Subi a colina onde costumava usar o trenó. Havia muitas crianças ali. Eu fiquei vendo elas voarem. Dar saltos e apostar corridas. E pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém um dia. Mas agora andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se bastasse um trenó, mas não é assim.
Estou me sentindo um grande impostor porque deixei toda a minha vida para trás e ninguém sabe disso.
É por isso que numa folha de papel pardo ele tentou outro poema. E o intitulou de "Absolutamente Nada". Porque era o que estava em toda parte.
E Sam olhou o papel, e olhou para mim.
- Charlie, você já beijou uma garota?
Sacudi minha cabeça em negativa. Tudo estava muito silencioso.
- Nem mesmo quando você era menor?
Sacudi a cabeça novamente. E ela pareceu meio triste.
Ela me falou da primeira vez que beijou. Me contou que foi com um dos amigos do pai dela. Sam tinha sete anos. E ela não contou a ninguém, exceto a Mary Elizabeth e pois Patrick, há um ano. E ela começou a chorar. E disse uma coisa que eu nunca vou esquecer:
- Eu sei que você sabe que eu gosto do Craig. E sei que te disse para não pensar em mim daquele jeito. E sei que podemos ficar juntas assim. Mas quero que você esqueça todas essas coisas por um minuto, tá bom?
- Tá.
- Quero se a primeira pessoa a beijar você. Tudo bem?
- Tudo.
— Sou o conde Axel Von Fersen.
Um conde! Chamado Axel! Um militar! Com cabelos negros e olhos azuis! E angustiado! Ah, o universo se superou e iria receber flores.
Magnus tinha ouvido muitas vezes a história de como os Nephilim foram criados. Eles devem ter esquecido de colocar o trecho que dizia: E o anjo desceu do alto e deu aos seus escolhidos abdomens fantásticos.
Pessoas sábias falam sobre ideias;
Pessoas comuns falam sobre coisas;
Pessoas medíocres falam sobre pessoas.
(...) tem toda a iluminação feérica – e ao mesmo tempo que se habitua lenta e muda e majestosa e delicadíssima e fatal – em ser mulher – é modesta demais para sê-lo, é fugaz demais para ser definida. Ela me contou que na rua dirigiu-se a um guarda – e explicou que assim fez porque ele devia saber das coisas e ainda por cima estava armado, o que infunde respeito a ela. Falou assim para o guarda: o senhor pode me informar, por obséquio, quando começa a primavera?
- Às vezes, as pessoas ficam tão tristes que não sabem lidar com a tristeza delas, aí elas escrevem bilhetes.
- Eu achava que as pessoas choravam quando estavam tristes.
- Às vezes não é o suficiente!"
