So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Ele chegou, se sentou. Não disse uma palavra sequer… abaixou a cabeça, entrelaçou os dedos. O silêncio era mais alto do que qualquer palavra…
— Então, porque você me chamou aqui?
Nenhuma palavra saia. A mão dele suava… deu pé estava batendo constantemente no chão. Nervosismo.
— É… é que… eu queria te dizer…
Ela já estava impaciente. Amarrou o cabelo, ficou meio desarrumado. Ele não se importava, achava lindo. Aliás não tinha nada nela que ele não gostasse. A não ser sua impaciência, que naquela situação, chegava a ser fofo.
— Fala garoto. Ok, se não era nada, já vou indo. Até amanha, no colégio.
— Não, não… espera. É que… Sabe… É eu acho que você já sabe, então…
— Sei do que? Não sei de nada não. Dá pra dizer rápido, tô ficando impaciente e curiosa.
Ele deu uma risada de canto.
— Tá bom, eu vou dizer de uma vez, porque eu não gosto de ficar enrolando as coisas e eu tô muito nervo…
— Anda cara, assim, você já tá enrolando!
— Eu te amo.
Ela ficou em silêncio, pensativa. Abaixou a cabeça. O cabelo amarrado se desfez naquele instante. Colocou as mãos nos bolsos. Ele estava pensando se tinha feito besteira ou não, por ter dito tudo assim, tão espontâneo… tão na cara.
— Você tem certeza disso?
— Porque você acha que eu te chamei aqui? Ontem, quando você tava saindo da escola com outro cara, a minha vontade era ir lá e te abraçar bem forte, e te dizer o quanto é ruim ver você com outra pessoa. Quando você dorme pensando em uma pessoa, quando você deixa de fazer tudo, tudo, por uma pessoa, quando você sorri só de lembrar do sorriso dela… O que você acha que eu sinto? Você acha que eu gosto de você? Gostar… Me soa tão… pouco. Pouco, pra você. Pouco, pro que eu sinto. Eu te amo, mais do que você pode imaginar, mais do que qualquer coisa. Tava estampado na minha cara, e só você não via.
Ela sorria, com os olhos cheio de lágrimas. Uma dose de felicidade se infiltrava…
— Você não faz ideia de como eu esperei por isso. Desde… sempre.
Falso não é aquele que diz ser seu inimigo , falso é aquele que te dá um tapinha nas costas e ainda diz ser seu amigo .
Quem vive com medo de se entregar, se entregou ao medo. Se for para dizer não, que seja pela razão certa. Não deixe a insegurança te anular.
A mente que não se esforça para pensar,
A boca que não se abre para ensinar
Ouvidos que não se abrem para ouvir
Não cumprem suas funções
Lamentosos são seus destinos.
Cada promessa feita, você cava um buraco no coração de alguém, e se você não cumpre essa promessa, esse buraco continua lá, e mais tarde serão habitados pelos vermes da desconfiança e receio... e lá eles habitarão. Não coloque vermes nos buracos em que você cavou, e não é capaz de tampar.
Minha amante?.. não. Minha esposa?.. tão pouco. Um passado? ..talvez. Uma lembrança? ..sim, essa não se manipula e nem se tira.
Era uma canção de amor
bem no meio dos meus olhos
mas você não viu, nunca vês quando pego em tuas mãos
e mesmo calejadas de tanto trabalhar, eu falo que são macias.
E quando olho para o seu rosto e me vejo em você,
você não percebes que te quero com o fundo de minh’alma?
Tristeza não define fim. Talvez tristeza seja o começo de muitas alegrias que experimentemos no decorrer da vida. O que define o fim é a desistência. Largar tudo, “chutar o balde”, desistir de viver e de lutar. Eu te desejo, meu caro, toda a força e coragem para seguir em frente. Não desista por causa da tua tristeza. É nela que você se descobre, se ama e se supera. Te desejo milhares de tristezas na vida para que te conheças melhor.
Não, meu caro. Eu não me importaria uma vez de lhe explicar duas vezes que a dor é algo passageiro. Que as lágrimas, que hoje são abundantes em seu rosto, vão se transformar em sorrisos. Meu maior esforço é poder dizer que tudo isso vai passar, por mais que não passe. Porque é essa minha função: fazer você acreditar em um sonho, mesmo que eu não acredite.
Acontece que minha pseudo-intelectualidade aparece apenas na madrugada. A culpa não é minha se o efeito do café quente só vem a noite. E cá estou com milhares de ideias que deveria ter tido de manhã. Mas não tive, e tenho agora. E agora, ao som de Cícero, eu posso olhar para mim e me perguntar: o que tens feito da tua vida? Paro e penso que as vezes estou apenas passando pela vida sem realmente vivê-la. Olha para mim e me vejo chorando por dentro. Talvez a culpa não seja realmente minha por me sentir impotente. Por me sentir deliberadamente estranha a cada vez que entro dentro dos meus pensamentos. Novas sensações, novos sentimentos que tenho medo de ir fundo.
Eu sei, não sou uma pensadora, eu só sou uma mortal com problemas mínimos. Então me calo.
Sou um amontoado de clichês. São tantos clichês que eu realmente não tenho certeza de todas as coisas que sinto. Nada durona, sem nenhum orgulho aparente, sorridente, cretina porque, para mim, cretino é aquele que acredita em tudo. Eu acredito em tudo, principalmente no amor. Acredito no sentimento, nos sorrisos, nos olhares, acredito em tudo que me fascina. Eu sou clichê.
