So Nao Muda de Ideias que Nao as tem

Cerca de 814749 frases e pensamentos: So Nao Muda de Ideias que Nao as tem

“O agnóstico não nega o mistério; apenas se recusa a transformá-lo em certeza sem prova.”

Telepatia: entre o real e o imaginário


— Eu amo você todinho...


Não, não é aquela música.


— Amo a sua orelha...


— A orelha?


— Aham...


Amo o seu cabelo, mesmo sem nunca tê-lo tocado, sem nunca ter sentido seus fios entre os meus dedos...


Amo a sua testa.


— A testa?


— Sim. É meio grande, mas eu gosto...


Amo os seus lábios.


Não só porque são lindos...


Mas porque queria que se encontrassem com os meus.


Amo as suas sobrancelhas, as duas...


E os seus cílios, mesmo sem vê-los nitidamente, eu amo.


Amo os seus olhos, mesmo sem saber direito qual é a cor, apesar de já ter olhado para eles um milhão de vezes.


Mas não sei... algo estranho acontece.


Não sei se, quando os vejo, passo direto ou volto para os meus.


Em algum lugar, eu entro.


Vou muito fundo, seja em você ou em mim.


É um lugar desconhecido, e eu não sei o caminho.


Mas não desisto.


Vou além, até na contramão.


Sinto as batidas de um coração e sempre me pergunto:


— É o meu ou o seu?


Onde estou, afinal?


Estou dentro de você ou dentro de mim?


Independentemente de onde esteja, eu me sinto bem.


E queria fazer uma morada, construir um ninho e nunca mais sair.


Mas alguma coisa me tira de lá.


E, tão rápido quanto um raio, volto à realidade.


Confusa, sinto saudades.


Da minha casa ou da sua?


Seja onde for, é lá que eu queria morar.

A Roda Gigante da Vida
(Agendando o amor!)


Não tive tudo o que queria.
Mas tive tudo o que precisava.
Hoje sei que não acordamos simplesmente um dia e decidimos imitar alguém.
Não.


Vamos fazendo isso todos os dias.
Mesmo sem querer.
Mesmo sem perceber.
Vamos nos espelhando no outro, em cada atitude, em cada palavra, em cada escolha, em cada ação.


E, talvez, seja por isso que os nossos pais nunca vão embora completamente.


Eles continuam em nós.
No jeito como amamos.
No jeito como cuidamos.
No jeito como educamos.
Até mesmo nas coisas que fazemos sem perceber.


Naquela semana em que meu pai foi para o outro lado — um outro lado que, na verdade, é bem ali —, aconteceu algo que hoje considero um presente.
Sem saber que o tempo estava acabando, em uma ligação, eu me declarei para ele.
Falei.
Disse tudo aquilo que talvez já soubéssemos, mas que precisava virar palavra.
Precisava ser ouvido.


Falei da distância.
Da saudade.
E disse que, um dia, nada mais iria nos separar.
E, no final daquela semana, foi exatamente o que aconteceu.
Não existia mais distância entre nós.
Logo, não haveria mais ausência.


Ele não era perfeito.
Ninguém é.
Mas, quando se ama, ama-se por inteiro.
Não se ama apenas a parte bonita.
Não se colocam os defeitos para debaixo do tapete.


Ama-se a história completa.
Com acertos.
Com erros.
Com imperfeições.
Com tudo aquilo que faz alguém ser quem é.


E não havia remorso.
Talvez faltasse uma ou outra coisa que eu ainda não tivesse feito.
Não por orgulho.
Por “agendamento”.
Eu havia deixado algumas datas na minha agenda da vida.


Mas a vida não funciona assim.
Não podemos brincar com o destino.
Porque o destino é improvável.
Não podemos esperar que o outro amadureça, que enriqueça, que chegue ao topo de algum lugar qualquer, para então vivermos aquilo que queremos viver.


Porque, no final, nada disso importa.
Às vezes, você quer entregar um castelo de neve.
E o outro só precisa de um boneco de areia.


E, enquanto você espera o momento perfeito, pode estar simplesmente adiando a felicidade.
Agendando o amor.


Deixando para depois um abraço.
Uma palavra.
Um “eu te amo”.
Um encontro.
Uma presença.


E a vida não assina compromissos com a nossa agenda.


Tudo tem um ciclo natural para seguir.
E ele segue.
Mesmo vazio.
Mesmo ferido.
Mesmo quando não estamos preparados.
A vida segue seu curso.
Mesmo quebrada.


É matemática.
É física.
É como uma roda-gigante:
ela pode diminuir a velocidade, mas não pode permanecer parada.


Talvez seja por isso que hoje eu faça tantos brinquedos para os meus filhos.
Talvez eu esteja tentando, sem perceber, devolver ao mundo um pouco do que recebi.
Talvez seja por isso que ainda escrevo.


Para transformar lembranças em palavras.
Para transformar saudade em história.
Para transformar aquilo que vivi em alguma coisa que possa tocar alguém.


Porque, no fim, somos um pouco de tudo aquilo que recebemos.
E também de tudo aquilo que escolhemos oferecer.


Meu pai me deixou muitas coisas.
Algumas cabem nas mãos.
Outras, não.


Deixou lembranças.
Deixou ensinamentos.
Deixou exemplos.
E deixou, principalmente, uma parte dele em mim.


Talvez seja essa a verdadeira herança dos pais:
aquilo que permanece quando eles já não podem mais estar fisicamente ao nosso lado.


A todos os pais.


Principalmente aos que refletem bondade.
Aos que ensinam pelo exemplo.
Aos que constroem castelos, mesmo que sejam de madeira, de areia ou de sonhos.
Aos que plantam árvores sem saber quem um dia descansará à sua sombra.


Aos que amam.
Aos que cuidam.
Aos que deixam raízes.


😍 Feliz Dia dos Pais, mães, avós, tios... 😍

SEM PALAVRAS
Por vezes não tenho palavras
E é muito melhor não tê-las
No silêncio que me confunde
Implodir lascas dessas lavras
E na busca de compreendê-las
Ir transformá-las em Virtude!

Às vezes, o maior erro não está em quem tenta destruir, mas em quem permite ser conduzido pela destruição.
Na psicologia humana, a falta de posicionamento e de autonomia emocional pode fazer com que uma pessoa passe a enxergar o outro através dos sentimentos, ressentimentos e narrativas de terceiros. Quando deixamos de pensar por nós mesmos, de avaliar fatos e de reconhecer aquilo que realmente vivemos, acabamos entregando nossas decisões emocionais nas mãos de quem talvez tenha interesse em nos afastar de determinadas pessoas.
E é aí que a injustiça começa.
Uma pessoa pode receber amor, cuidado, apoio, presença e inúmeras demonstrações de consideração durante anos e, ainda assim, permitir que uma terceira pessoa transforme tudo isso em algo negativo.
Não porque os fatos mudaram, mas porque alguém conseguiu manipular a percepção, alimentar inseguranças e estimular o ego.
O mais triste é quando alguém machuca justamente quem sempre esteve disposto a ajudar, simplesmente para agradar ou validar os sentimentos de quem declarou ser seu inimigo.
Quem permite que a maldade de terceiros determine seus sentimentos acaba ferindo pessoas inocentes para satisfazer o ego de quem nunca teve boas intenções.
Ter personalidade também é saber dizer: “Eu penso por mim. Eu conheço o que vivi. Não permitirei que ninguém escolha por mim quem devo amar, respeitar, perdoar ou afastar.”
Porque ouvir os outros é sabedoria. Viver pelas versões dos outros é falta de identidade emocional.
E, no final, a ingratidão dói, mas existe uma dor ainda maior: perceber que alguém que recebeu o seu melhor escolheu acreditar no pior de você porque não teve coragem, maturidade ou independência emocional para enxergar com os próprios olhos.

O jurista não é aquele que possui todas as respostas, mas aquele que sabe quais perguntas nenhuma lei pode encerrar.

“Se não sabemos por que existimos, ao menos podemos decidir como não destruir a existência uns dos outros.”

“A Justiça não precisa ser uma verdade eterna para ser uma obrigação presente.”

“A dúvida sobre Deus não autoriza a dúvida sobre a dignidade humana.”

Não sei se o destino escreveu nossos nomes
na mesma página,
ou se o universo apenas cruzou
duas almas cansadas de procurar.


Só sei que, desde você,
o impossível deixou de ser lenda.


As bruxas passaram a existir,
as sereias deixaram de ser mitos,
e os feitiços ganharam o teu nome.


Porque há pessoas
que chegam como passagem.


Você chegou como permanência.


E, se um dia me perguntarem
qual foi o maior risco que corri,
não direi que foi amar.


Direi que foi encontrar alguém
capaz de transformar
o meu coração
na morada da própria alma.


Pois você continua sendo
o meu pensamento mais perigoso...


Não porque me destrói,
mas porque me faz acreditar
que existem encontros
que nenhuma explicação alcança.




Para: Bruxinha.

A Dança das Almas

Dançar com você despertou em mim
uma sensação que eu não sabia nomear.
Era leve, intensa, prazerosa...
como se cada passo revelasse
uma parte de mim que estava esquecida.

Teu corpo junto ao meu,
o encaixe perfeito em cada melodia,
como se a música conhecesse
o caminho exato até a alma.

Ah... o calor dos teus braços.
Tão incrível, tão magnífico,
tão surreal,
que por alguns instantes
o mundo inteiro pareceu silenciar.

Éramos duas almas cansadas
de viver pelos outros,
de esquecer de si mesmas,
e que encontraram, na dança,
um breve refúgio para simplesmente existir.

Foi então que compreendi:
gosto de dançar com você
porque sei que, se meus pés falharem,
suas mãos me conduzirão de volta ao ritmo.

E, ao seu lado, a vergonha desaparece.
Não preciso fingir, esconder ou parecer.
Quando você está por perto,
eu apenas sou.
E talvez essa seja
a mais bonita de todas as danças.

Antes do Abraço.


Engraçado, não é?


Tudo começou
com um simples aplicativo de mensagens.
Algumas palavras,
algumas risadas,
e, sem que percebêssemos,
uma amizade começou a criar raízes.


Hoje,
já não me vejo
sem você por perto,
mesmo que esse "perto"
caiba apenas na tela de um celular.


Foi o seu jeito.
Suas manias,
sua teimosia,
essa vontade bonita de viver
e a forma tão única
de enxergar o mundo
que me fizeram permanecer.


Dizem
que a distância afasta.
A nossa,
fez o contrário.


Transformou mensagens
em presença,
silêncios
em companhia,
e o tempo
na prova mais bonita
de que uma amizade verdadeira
não precisa dividir o mesmo lugar
para encontrar morada no coração.


Três anos...
e, ainda assim,
nunca dividimos
o mesmo abraço,
o mesmo caminho
ou o mesmo pôr do sol.


Mas dividimos
alegrias,
medos,
lágrimas,
conquistas,
esperas
e tantos dias,
que a distância
já não consegue medir
o tamanho do nosso laço.


Às vezes,
conto as horas
imaginando o momento
em que finalmente
vou te encontrar.


Não para descobrir
quem você é,
porque isso
eu já sei.


Mas para confirmar,
em um abraço,
tudo aquilo
que o coração
já conhece há muito tempo.


E, quando esse dia chegar,
não será o começo
da nossa amizade.


Será apenas
o encontro
de duas almas
que a vida apresentou
por uma tela,
mas que o coração
fez questão
de guardar para sempre.


Porque existem pessoas
que chegam por acaso,
outras pela tela.


Mas há aquelas,
raras,
que atravessam qualquer distância
e fazem do afeto
o lugar mais bonito
para chamar de lar.




Para: Larissa 💌

Há desejos que não encontram voz.
Não por vergonha,
mas porque algumas vontades
são grandes demais
para caberem em qualquer palavra.


É estranho como a ausência
é capaz de aproximar.
Quanto mais distante você está,
mais perto mora dos meus pensamentos.


Talvez o mais perigoso
não seja imaginar um encontro,
mas perceber que, antes mesmo dele acontecer,
você já mudou a forma
como o meu coração aprende a sentir.


E sigo assim:
entre a coragem de confessar
e o silêncio de guardar.
Porque existem desejos
que não precisam ser vividos
para deixarem marcas.

A nossa ligação é de outro mundo. Não foi o acaso que nos uniu; foi a vida nos lembrando de que algumas almas estão destinadas a se encontrar, a caminhar juntas e a permanecer uma na história da outra.

Há encontros que o tempo explica, mas o nosso pertence à eternidade do coração.

A Coragem de Dizer Adeus


Eu deixei você partir.
Deixei.


E não houve um único instante
em que essa escolha
não atravessasse meu peito
como uma despedida sem fim.


Doeu ver suas lágrimas,
doeu perceber seu coração se partir,
mas doeu ainda mais compreender
que permanecer
seria continuar ferindo
quem eu mais queria proteger.


Então fui embora.


Não porque deixei de amar,
mas porque precisava aprender
a caminhar sem o abrigo da sua presença,
a enfrentar meus próprios medos,
a sobreviver às minhas tempestades
e a compreender as minhas próprias loucuras.


Você foi o sonho
do qual eu nunca quis despertar.
Um daqueles encontros
que fazem a vida parecer mais leve,
mais bonita,
mais cheia de esperança.


Mas até os sonhos mais belos
acabam encontrando o amanhecer.


Eu lutei contra mim mesma.
Tentei não manchar
o amor tão puro que você me ofereceu.
Tentei preservar o brilho
que existia nos seus olhos quando me olhava.


Mas foi inevitável.


Foi inevitável decepcionar você.
Foi inevitável descobrir
que o amor, às vezes,
também precisa ir embora
para não se transformar em sofrimento.


Não sei quanto tempo
você levará para se curar de mim.


Talvez hoje exista raiva.
Talvez amanhã você deseje
que eu nunca tenha cruzado o seu caminho.


E eu entenderei.


Porque algumas feridas
precisam sangrar
antes de aprenderem a cicatrizar.


Tive que deixar você ir,
para aprender, enfim,
a viver por mim.


E espero que, quando o tempo
silenciar toda essa dor,
você consiga enxergar
que minha partida
nunca foi ausência de amor.


Foi, talvez,
a forma mais difícil de amar alguém:
abrir mão da própria felicidade
para que a outra pessoa
voltasse a encontrar a sua.


Se um dia lembrar de mim,
não guarde apenas a dor do adeus.


Lembre-se também
de que houve alguém
que amou você com toda a intensidade que podia,
mas que precisou partir
porque, às vezes,
o amor também se revela
na coragem de dizer adeus.

Onde o Mundo Não Nos Alcança


Se você quiser,
podemos fugir para um chalé,
ver o sol se despedir no mar
e esperar a lua vestir o céu de estrelas,
como se o universo nos lembrasse
que toda despedida também anuncia um recomeço.


Se você quiser,
podemos fugir para qualquer lugar.
Não importa o caminho,
nem a distância.
Às vezes, o melhor destino
é aquele onde a mente silencia
e o coração finalmente encontra paz.


Eu sei...
é fácil falar.
É fácil sonhar com um lugar
onde a dor não nos encontre.
Mas, se você aceitar,
nem que seja por um único dia,
quero caminhar ao teu lado
até que o peso nos teus ombros
pareça um pouco menor.


Nem que seja por apenas uma noite,
vamos esquecer os relógios,
desligar o mundo,
deixar os celulares de lado
e permitir que o som das ondas
fale tudo aquilo
que nunca conseguimos colocar em palavras.


Vamos rir sem motivo,
dividir o silêncio sem desconforto,
sentir o cheiro da chuva chegando,
o calor de uma xícara de café entre as mãos,
a brisa bagunçando os cabelos
e a certeza de que ainda existem momentos
capazes de curar o que o tempo não conseguiu.


E quando o amanhecer pintar o horizonte,
talvez os problemas ainda estejam esperando por nós.
A vida dificilmente muda em uma noite.


Mas nós mudamos.


Porque existem viagens
que não servem para fugir da realidade,
e sim para nos lembrar
de quem éramos
antes que o mundo pesasse tanto sobre nós.


Então...
se você quiser,
podemos fugir.


Nem para esquecer a vida,
nem para escapar dela.


Mas para lembrar
que ainda existe beleza,
que ainda existe calma,
e que, às vezes,
o melhor lugar do mundo
é aquele onde alguém segura a nossa mão
e faz qualquer lugar parecer casa.

Se Eu Chegar até Você.


Se eu visitar os teus sonhos esta noite,
não desperte assustada.
É só a saudade encontrando um caminho
que a distância não conseguiu impedir.


Se eu estender a mão
e te convidar para dançar,
não procure pela música.
Alguns corações conhecem o ritmo
antes mesmo da primeira nota tocar.


Se eu brincar com os teus cabelos,
desfazendo cada fio no vento,
perdoa a minha bagunça.
Há afetos que só sabem existir
através dos pequenos gestos.


E se, por acaso,
o meu nome atravessar os teus pensamentos,
que ele venha acompanhado de um sorriso.
Lembra de mim rindo alto,
contando as piadas mais sem graça do mundo
como se fossem as melhores já inventadas.


E quando o cansaço da vida
pedir apenas silêncio
e uma companhia que não faça perguntas,
me chama.
Eu atravesso qualquer distância
para dividir o mesmo horizonte,
o mesmo banco,
o mesmo instante.


Não prometo consertar os teus dias,
nem apagar as tempestades do caminho.
Prometo apenas ficar.


Porque o meu carinho
nunca precisou de grandes feitos.
Ele mora nas coisas simples:
em uma conversa,
em um abraço demorado,
em um olhar tranquilo,
na certeza de que,
ao meu lado,
você pode descansar.


E, se um dia perguntarem
qual era a minha maior vontade,
a resposta será sempre a mesma:


ser o lugar
onde o teu coração
se sente seguro para existir.

Entre ruas e memórias


Eu não te levaria para Barcelona.
Te levaria para conhecer a Itália,
o país pelo qual nós dois temos uma fascinação em comum.


Caminharíamos por ruas que atravessaram séculos, admirando cada detalhe como quem descobre um novo mundo.


Te levaria para ver o Coliseu,
onde o tempo parece ter parado,
e para contemplar as mais belas obras de arte,
porque algumas delas só podem ser compreendidas quando vistas com o coração.


Também te levaria
ao país onde a sua cantora favorita
empresta a voz a canções
que atravessam tantos corações,
e onde a língua soa como poesia,
tão sedutora
que até o silêncio parece ter sotaque.


Faríamos questão de nos perder
pelas pequenas ruas de pedra,
tomar um café em uma praça qualquer,
ver o pôr do sol colorindo os telhados antigos
e descobrir que as melhores lembranças
nascem dos momentos que não estavam nos planos.


Mas, para falar a verdade...


O meu lugar favorito nunca seria um país.


Seria qualquer canto do mundo
onde eu pudesse segurar a sua mão,
ver o brilho dos seus olhos diante de algo novo
e guardar, em silêncio,
a felicidade de estar vivendo aquilo ao seu lado.


Porque existem lugares inesquecíveis,
obras que desafiam o tempo
e paisagens que roubam o fôlego.


Mas nenhuma delas
seria mais bonita
do que a expressão do seu rosto
ao viver tudo isso pela primeira vez.


No fim,
eu não te levaria apenas para conhecer a Itália.


Eu te levaria
para colecionarmos memórias
que nem o tempo
seria capaz de apagar.

Dois Oceanos.


Você me disse:
"Se quiser me conhecer de verdade,
não se contente com a minha superfície."


E eu entendi
que havia um oceano
escondido atrás do horizonte
dos seus olhos.


Então você sorriu
e fez um convite ainda mais difícil:


"Se quiser conhecer o meu oceano,
permita que eu conheça o seu.
Mas já adianto:
não vai ser fácil."


Foi nesse instante
que compreendi
que algumas pessoas
não querem ser admiradas.
Querem ser descobertas.


Então abri as portas
do mar que existe em mim.


Disse que,
para conhecer o meu oceano,
seria preciso enfrentar
ondas gigantes,
aceitar o peso
de alguns mergulhos
e permanecer submersa
até encontrar o caminho
de volta.


Você não recuou.


Apenas respondeu:


"Eu não tenho medo do seu oceano.
Sei que existem ondas,
profundezas
e partes difíceis de atravessar."


E, pela primeira vez,
o medo de ser demais
encontrou alguém
que não desejava ir embora.


Foi então que percebi
que talvez
os maiores encontros
não aconteçam
em águas calmas.


Acontecem
quando duas pessoas
escolhem mergulhar
uma na outra,
sem prometer ausência de tempestades,
apenas a coragem
de continuar nadando.


Por isso,
nunca vou me cansar de repetir:


Venha desvendar os meus códigos.


Talvez você seja
a primeira pessoa
que, depois de decifrar
todos os meus mistérios,
escolha ficar.


E, se um dia
você me permitir,
prometo fazer do seu oceano
o lugar onde
até as tempestades
soam como poesia.


Porque, no fim, descobri que oceanos não procuram quem saiba nadar.


Procuram quem tenha coragem de permanecer,
mesmo quando a profundidade assusta.


Talvez esse seja
o verdadeiro significado
de conhecer alguém: não desvendar
todos os seus mistérios; mas escolher voltar, todos os dias, sabendo que sempre existirá
mais um oceano para explorar.


E tudo bem.


Porque algumas pessoas
não foram feitas
para serem decifradas.


Foram feitas
para serem escolhidas,
onda após onda.




- Sereia 💖

Enquanto eu sonhava!



Se for um sonho,
deixem-me sonhar.
Não me acordem,
não me despertem.
Deixem-me acreditar
que, enfim,
encontrei o paraíso
onde minha alma aprendeu a descansar.


Há um lugar
onde o tempo esqueceu de passar,
onde o silêncio tem cheiro de mar
e a paz não faz perguntas,
apenas convida a ficar.


Nesse horizonte,
cabelos da cor do sol
tocam a luz sem pedir licença,
como se o próprio amanhecer
tivesse encontrado um rosto
para nascer.


E há um sorriso...
tão discreto
que o mundo quase não percebe,
mas quem aprende a olhar
o guarda para sempre.


Sonhei com o paraíso.


E havia alguém.


Não sei se era destino,
miragem,
lembrança de um futuro
ou um desejo
que se cansou de viver apenas em silêncio.


Só sei
que desde esse sonho
a realidade parece pequena demais
para conter o que senti.


Tenho medo de despertar.


Medo de abrir os olhos
e perder o caminho
que me leva até você.
Medo de que a manhã,
tão certa de si,
leve embora
aquilo que a noite
me confiou em segredo.


Então,
por favor,
não me despertem.


Há sonhos
que não imploram para se tornar realidade.
Basta que existam,
porque existem presenças
que o coração reconhece
antes mesmo de lhes dar um nome.


E, se for preciso viver entre o sono e o amanhecer,
que seja.


Pois, ainda que o mundo me acorde,
uma parte de mim
continuará sonhando...
na esperança silenciosa
de voltar ao lugar
onde o mar aprende o seu nome,
o sol encontra os seus cabelos
e minha alma,
pela primeira vez,
descansa.